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Questões de EFAF Português - Sintaxe

Filtro rápido

1.422 Questões

Marca Texto
Modo Escuro
Fonte

Questão 12 10734816
Difícil 00:00

IFSP Manhã 2022
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto Morfologia Sintaxe
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Conjunções Conjunções Estratégias de leitura Preposição Preposição
  • Exibir tags

Observe os seguintes períodos e verifique o conectivo sublinhado em cada um deles:

I- A corrupção traz muitas desvantagens onde ficamos sujeitos a políticos que nos roubam.

II- Os EUA são os maiores poluidores do mundo e, por consequência, são os que menos se preocupam com a poluição.

III-Eu fui dormir mais cedo porque estava com muito sono.

IV-Fazia muito frio, bem como fomos à praia

 

De acordo com a análise das orações, assinale a alternativa correta:

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Questão 7 10734800
Difícil 00:00

IFSP Manhã 2022
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Morfologia Sintaxe
  • Adjetivo Advérbio Sujeito e predicado Verbo Verbos
  • Exibir tags

Texto I

 

A Parassubordinação em Tempos de Economia Compartilhada

 

[...] Entretanto, por mais que os motoristas de aplicativo possuam a liberdade de escolher o melhor horário de trabalho, os mesmos estão sujeitos a inúmeras adversidades, tais como violência física, violência psicológica, degradação remuneratória, jornadas excessivamente longas, o risco de ser excluído da plataforma por permanecer por um tempo razoável sem efetuar o transporte de passageiros, dentre tantos outros. [...]

MENDONÇA, Yago Barros. A Parassubordinação em Tempos de Economia Compartilhada. Jus.com. br, 11/2020. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/86749/a-parassubordinacao-em-tempos- -de-economia-compartilhada. Acesso em: 07 out. 2021. Fragmento.

 

Texto II 

 

Música popular brasileira/educação experiências transversais em práticas escolares

 

[...] Produziu-se na área de saberes e práticas escolares duas experiências didático-pedagógicas. A primeira, com a orientação deste pesquisador e colaboração de professores e alunos sobre o tema “As quatorze músicas mais importantes do século XX”, segundo a escolha da ABL (Academia Brasileira de Letras). A segunda experiência sobre o Golpe de 1964, os anos de chumbo visto pela MPB. No contato havido com orientadores pedagógicos, diretores e professores de diversas áreas e particularmente com os professores de artes, aproveitou-se a oportunidade e efetuou-se um levantamento sobre as dificuldades, possibilidades e impossibilidades da utilização de MBP (Música Popular Brasileira) no âmbito da Escola. [...]

CONCEIÇÃO, F. B. Música popular brasileira/educação – experiências transversais em práticas escolares. Akrópolis – Revista de Ciências Humanas da UNIPAR, v. 24, n. 2, 2016. Disponível em: https://revistas.unipar.br/index.php/akropolis/article/view/6336. Acesso em: 07 out. 2021. Fragmento.

 

Considere as afirmações a seguir:

I. No texto I, o adjetivo “excluído” está incorreto segundo a norma-padrão, pois ele deve concordar, em gênero e número, com o substantivo a que se refere.

II. No texto I, a palavra “longas”, tratada inadequadamente como adjetivo, deve permanecer no singular, já que, por ser advérbio, ela não deve ser pluralizada.

III. No texto II, o verbo “produziu-se” não atende às exigências da norma-padrão, pois ele necessariamente deve concordar, em número e pessoa, com o seu sujeito.

IV. No texto II, os termos “orientadores pedagógicos, diretores e professores de diversas áreas” exigem que os verbos dos quais eles têm a função de sujeito sejam pluralizados.

 

Assinale a opção que contempla apenas afirmações que seguem a norma-padrão da Língua Portuguesa:

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Questão 27 10656063
Difícil 00:00

CMPA 6° Ano - Provas de Matemática e Língua Portuguesa 2022
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Gramática Sintaxe
  • Estrutura de orações Pontuação
  • Parênteses
  • Exibir tags
Resolução comentada

Texto

Quarta ocupante da Cadeira nº 15, eleita em 24 de outubro de 1985, na sucessão de Pedro Calmon e recebida em 12 de maio de 1987 pelo acadêmico Eduardo Portella.

 

LYGIA FAGUNDES TELLES nasceu em São Paulo e passou a infância no interior do Estado, onde o pai, o advogado Durval de Azevedo Fagundes, foi promotor público. A mãe, Maria do Rosário (Zazita), era pianista. Voltando a residir com a família em São Paulo, a escritora fez o curso fundamental na Escola Caetano de Campos e em seguida ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo, onde se formou. (...)

 

Ainda na adolescência manifestou-se a paixão, ou melhor, a vocação de LYGIA FAGUNDES TELLES para a literatura incentivada pelos seus maiores amigos, os escritores Carlos Drummond de Andrade e Erico Verissimo. Contudo, mais tarde, a escritora viria a rejeitar seus primeiros livros porque em sua opinião "a pouca idade não justifica o nascimento de textos prematuros, que deveriam continuar no limbo".

Disponível em https://www.academia.org.br/academicos/lygia-fagundes-telles/biografia.

Acesso em 04 de

agosto de 2022. Texto e imagem. Adaptado,

Na construção de um texto, os sinais de pontuação são empregados pelas mais diversas razões, desde as que se justificam por exigências gramaticais até as que têm a ver com recursos de

estilo.

 

Tendo em vista isso, assinale a alternativa correta.

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Questão 19 10655835
Difícil 00:00

CMPA 6° Ano - Provas de Matemática e Língua Portuguesa 2022
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Estratégias de leitura
  • Exibir tags
Resolução comentada

Leia com atenção o texto, observando as informações apresentadas, para, a partir delas, responder à questão proposta, assinalando a única opção correta, de acordo com o que for solicitado.

 

Texto

 

Felicidade clandestina


    Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados.
Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não
bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que
qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
[05] Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos
um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por
cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que

vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
    Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas
[10] com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente
bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o
seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia:
continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
    Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura
[15] chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de
Monteiro Lobato.
    Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-
o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela
sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
[20] Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia,
eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
    No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado
como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-
me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para
[25] buscá-lo. Boquiaberta, sai devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e
eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas
de Recife. Dessa vez nem cal: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias
seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei
pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
[30] Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era
tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o
coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que
eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama
do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
[35] E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido,
enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que
ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes
aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia ab, vezes ela
[40] dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que
o emprestei a outra menina, E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando
sob os meus olhos espantados.
    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa
a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária
[45] daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão
silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais
estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu, Voltou-se para
a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você
nem quis ler!
[50] E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a
descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de
perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento
das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha:
você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto
[55] tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse”
é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão.
Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando
bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o
[60] peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava
quente, meu coração pensativo.
    Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o
susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui
passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde
[65] guardara o livro, achava o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades
para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina
para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e
pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
    Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá- 

lo, em êxtase purissimo.
    (...)

LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina. Todos os contos. Organzação de Benjamin Moser. Rio de Janeiro: Rocco,
2016. p.393-396.

O conto inicia pela narradora descrevendo negativamente a dona do livro. Com essa descrição, é possível reconhecer diferenças fundamentais entre as duas.

 

Assim, assinale a alternativa correta.

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Questão 18 10655820
Difícil 00:00

CMPA 6° Ano - Provas de Matemática e Língua Portuguesa 2022
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Gramática
  • Pontuação
  • Dois pontos
  • Exibir tags
Resolução comentada

Leia com atenção o texto, observando as informações apresentadas, para, a partir delas, responder à questão proposta, assinalando a única opção correta, de acordo com o que for solicitado.

 

Texto

 

Felicidade clandestina


    Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados.
Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não
bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que
qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
[05] Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos
um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por
cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que

vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
    Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas
[10] com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente
bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o
seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia:
continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
    Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura
[15] chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de
Monteiro Lobato.
    Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-
o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela
sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
[20] Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia,
eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
    No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado
como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-
me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para
[25] buscá-lo. Boquiaberta, sai devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e
eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas
de Recife. Dessa vez nem cal: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias
seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei
pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
[30] Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era
tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o
coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que
eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama
do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
[35] E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido,
enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que
ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes
aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia ab, vezes ela
[40] dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que
o emprestei a outra menina, E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando
sob os meus olhos espantados.
    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa
a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária
[45] daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão
silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais
estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu, Voltou-se para
a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você
nem quis ler!
[50] E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a
descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de
perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento
das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha:
você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto
[55] tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse”
é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão.
Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando
bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o
[60] peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava
quente, meu coração pensativo.
    Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o
susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui
passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde
[65] guardara o livro, achava o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades
para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina
para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e
pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
    Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá- 

lo, em êxtase purissimo.
    (...)

LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina. Todos os contos. Organzação de Benjamin Moser. Rio de Janeiro: Rocco,
2016. p.393-396.

Nesse texto, há um emprego recorrente e expressivo dos dois-pontos.

 

A partir disso, assinale a alternativa correta.

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Questão 17 10655806
Difícil 00:00

CMPA 6° Ano - Provas de Matemática e Língua Portuguesa 2022
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Morfologia Sintaxe
  • Estrutura de orações Pronome
  • Exibir tags
Resolução comentada

Leia com atenção o texto, observando as informações apresentadas, para, a partir delas, responder à questão proposta, assinalando a única opção correta, de acordo com o que for solicitado.

 

Texto

 

Felicidade clandestina


    Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados.
Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não
bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que
qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
[05] Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos
um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por
cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que

vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
    Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas
[10] com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente
bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o
seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia:
continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
    Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura
[15] chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de
Monteiro Lobato.
    Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-
o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela
sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
[20] Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia,
eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
    No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado
como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-
me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para
[25] buscá-lo. Boquiaberta, sai devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e
eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas
de Recife. Dessa vez nem cal: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias
seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei
pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
[30] Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era
tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o
coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que
eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama
do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
[35] E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido,
enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que
ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes
aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

    Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia ab, vezes ela
[40] dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que
o emprestei a outra menina, E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando
sob os meus olhos espantados.
    Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa
a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária
[45] daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão
silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais
estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu, Voltou-se para
a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você
nem quis ler!
[50] E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a
descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de
perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento
das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha:
você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto
[55] tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse”
é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
    Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão.
Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando
bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o
[60] peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava
quente, meu coração pensativo.
    Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o
susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui
passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde
[65] guardara o livro, achava o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades
para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina
para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e
pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
    Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá- 

lo, em êxtase purissimo.
    (...)

LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina. Todos os contos. Organzação de Benjamin Moser. Rio de Janeiro: Rocco,
2016. p.393-396.

A fim de relacionar partes do texto, empregam-se palavras como "dessa" (1.27) e "nisso" 30).

 

Considerando esses dois empregos, assinale a alternativa correta.

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