Questões de EFAF Português
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Questão 8364795
ANA POR 9AF 008 ANA001 2014Leia o texto abaixo e, a seguir, responda a questão
A finalidade do texto éNo restaurante
Carlos Drummond de Andrade
” – Quero lasanha.
Aquele anteprojeto de mulher – quatro anos, no máximo, desabrochando na ultraminissaia – entrou decidido no restaurante. Não precisava de menu, não precisava de mesa, não precisava de nada. Sabia perfeitamente o que queria. Queria lasanha.
O pai, que mal acabara de estacionar o carro em uma vaga de milagre, apareceu para dirigir a operação-jantar, que é, ou era, da competência dos senhores pais.
- Meu bem, venha cá.
- Quero lasanha.
- Escute aqui, querida. Primeiro, escolhe-se a mesa.
- Não, já escolhi. Lasanha.
Que parada – lia-se na cara do pai. Relutante, a garotinha condescendeu em sentar-se primeiro, e depois encomendar o prato: - Vou querer lasanha.
- Filhinha, por que não pedimos camarão? Você gosta tanto de camarão.
- Gosto, mas quero lasanha.
- Eu sei, eu sei que você adora camarão. A gente pede uma fritada bem bacana de camarão. Tá?
- Quero lasanha, papai. Não quero camarão.
- Vamos fazer uma coisa. Depois do camarão a gente traça uma lasanha. Que tal?
- Você come camarão e eu como lasanha.
O garçom aproximou-se, e ela foi logo instruindo:
- Quero uma lasanha.
O pai corrigiu:
- Traga uma fritada de camarão pra dois. Caprichada.
A coisinha amuou. Então não podia querer" Queriam querer em nome dela" Por que é proibido comer lasanha" Essas interrogações também se liam no seu rosto, pois os lábios mantinham reserva. Quando o garçom voltou com os pratos e o serviço, ela atacou: - Moço, tem lasanha"
- Perfeitamente, senhorita.
O pai, no contra-ataque:
- O senhor providenciou a fritada?
- Já, sim, doutor.
- De camarões bem grandes?
- Daqueles legais, doutor.
- Bem, então me vê um chinite, e pra ela… O que é que você quer, meu anjo?
- Uma lasanha.
- Traz um suco de laranja pra ela.
Com o chopinho e o suco de laranja, veio a famosa fritada de camarão, que, para surpresa do restaurante inteiro, interessado no desenrolar dos acontecimentos, não foi recusada pela senhorita. Ao contrário, papou-a, e bem. A silenciosa manducação atestava, ainda uma vez, no mundo, a vitória do mais forte.
- Estava uma coisa, heim" – comentou o pai, com um sorriso bem alimentado. – Sábado que vem, a gente repete… Combinado" - Agora a lasanha, não é, papai?
- Eu estou satisfeito. Uns camarões tão geniais! Mas você vai comer mesmo" - Eu e você, tá"
- Meu amor, eu…
- Tem de me acompanhar, ouviu? Pede a lasanha.
O pai baixou a cabeça, chamou o garçom, pediu. Aí, um casal, na mesa vizinha, bateu palmas. O resto da sala acompanhou. O pai não sabia onde se meter. A garotinha, impassível. Se, na conjuntura, o poder jovem cambaleia, vem aí, com força total, o poder ultra-jovem.”
(Fonte:O Poder Ultrajovem e mais 79 textos em prosa e verso, 1972.)
Questão 8364793
ANA POR 9AF 008 ANA001 2014Leia o texto abaixo e, a seguir, responda a questão
No trecho “A coisinha amuou.”, a palavra sublinhada sugere que a menina ficouNo restaurante
Carlos Drummond de Andrade
” – Quero lasanha.
Aquele anteprojeto de mulher – quatro anos, no máximo, desabrochando na ultraminissaia – entrou decidido no restaurante. Não precisava de menu, não precisava de mesa, não precisava de nada. Sabia perfeitamente o que queria. Queria lasanha.
O pai, que mal acabara de estacionar o carro em uma vaga de milagre, apareceu para dirigir a operação-jantar, que é, ou era, da competência dos senhores pais.
- Meu bem, venha cá.
- Quero lasanha.
- Escute aqui, querida. Primeiro, escolhe-se a mesa.
- Não, já escolhi. Lasanha.
Que parada – lia-se na cara do pai. Relutante, a garotinha condescendeu em sentar-se primeiro, e depois encomendar o prato: - Vou querer lasanha.
- Filhinha, por que não pedimos camarão? Você gosta tanto de camarão.
- Gosto, mas quero lasanha.
- Eu sei, eu sei que você adora camarão. A gente pede uma fritada bem bacana de camarão. Tá?
- Quero lasanha, papai. Não quero camarão.
- Vamos fazer uma coisa. Depois do camarão a gente traça uma lasanha. Que tal?
- Você come camarão e eu como lasanha.
O garçom aproximou-se, e ela foi logo instruindo:
- Quero uma lasanha.
O pai corrigiu:
- Traga uma fritada de camarão pra dois. Caprichada.
A coisinha amuou. Então não podia querer" Queriam querer em nome dela" Por que é proibido comer lasanha" Essas interrogações também se liam no seu rosto, pois os lábios mantinham reserva. Quando o garçom voltou com os pratos e o serviço, ela atacou: - Moço, tem lasanha"
- Perfeitamente, senhorita.
O pai, no contra-ataque:
- O senhor providenciou a fritada?
- Já, sim, doutor.
- De camarões bem grandes?
- Daqueles legais, doutor.
- Bem, então me vê um chinite, e pra ela… O que é que você quer, meu anjo?
- Uma lasanha.
- Traz um suco de laranja pra ela.
Com o chopinho e o suco de laranja, veio a famosa fritada de camarão, que, para surpresa do restaurante inteiro, interessado no desenrolar dos acontecimentos, não foi recusada pela senhorita. Ao contrário, papou-a, e bem. A silenciosa manducação atestava, ainda uma vez, no mundo, a vitória do mais forte.
- Estava uma coisa, heim" – comentou o pai, com um sorriso bem alimentado. – Sábado que vem, a gente repete… Combinado" - Agora a lasanha, não é, papai?
- Eu estou satisfeito. Uns camarões tão geniais! Mas você vai comer mesmo" - Eu e você, tá"
- Meu amor, eu…
- Tem de me acompanhar, ouviu? Pede a lasanha.
O pai baixou a cabeça, chamou o garçom, pediu. Aí, um casal, na mesa vizinha, bateu palmas. O resto da sala acompanhou. O pai não sabia onde se meter. A garotinha, impassível. Se, na conjuntura, o poder jovem cambaleia, vem aí, com força total, o poder ultra-jovem.”
(Fonte:O Poder Ultrajovem e mais 79 textos em prosa e verso, 1972.)
Questão 8364792
ANA POR 9AF 008 ANA001 2014Leia o texto abaixo e, a seguir, responda a questão
No trecho “Gosto, mas quero lasanha.”, a palavra sublinhada estabelece uma relação deNo restaurante
Carlos Drummond de Andrade
” – Quero lasanha.
Aquele anteprojeto de mulher – quatro anos, no máximo, desabrochando na ultraminissaia – entrou decidido no restaurante. Não precisava de menu, não precisava de mesa, não precisava de nada. Sabia perfeitamente o que queria. Queria lasanha.
O pai, que mal acabara de estacionar o carro em uma vaga de milagre, apareceu para dirigir a operação-jantar, que é, ou era, da competência dos senhores pais.
- Meu bem, venha cá.
- Quero lasanha.
- Escute aqui, querida. Primeiro, escolhe-se a mesa.
- Não, já escolhi. Lasanha.
Que parada – lia-se na cara do pai. Relutante, a garotinha condescendeu em sentar-se primeiro, e depois encomendar o prato: - Vou querer lasanha.
- Filhinha, por que não pedimos camarão? Você gosta tanto de camarão.
- Gosto, mas quero lasanha.
- Eu sei, eu sei que você adora camarão. A gente pede uma fritada bem bacana de camarão. Tá?
- Quero lasanha, papai. Não quero camarão.
- Vamos fazer uma coisa. Depois do camarão a gente traça uma lasanha. Que tal?
- Você come camarão e eu como lasanha.
O garçom aproximou-se, e ela foi logo instruindo:
- Quero uma lasanha.
O pai corrigiu:
- Traga uma fritada de camarão pra dois. Caprichada.
A coisinha amuou. Então não podia querer" Queriam querer em nome dela" Por que é proibido comer lasanha" Essas interrogações também se liam no seu rosto, pois os lábios mantinham reserva. Quando o garçom voltou com os pratos e o serviço, ela atacou: - Moço, tem lasanha"
- Perfeitamente, senhorita.
O pai, no contra-ataque:
- O senhor providenciou a fritada?
- Já, sim, doutor.
- De camarões bem grandes?
- Daqueles legais, doutor.
- Bem, então me vê um chinite, e pra ela… O que é que você quer, meu anjo?
- Uma lasanha.
- Traz um suco de laranja pra ela.
Com o chopinho e o suco de laranja, veio a famosa fritada de camarão, que, para surpresa do restaurante inteiro, interessado no desenrolar dos acontecimentos, não foi recusada pela senhorita. Ao contrário, papou-a, e bem. A silenciosa manducação atestava, ainda uma vez, no mundo, a vitória do mais forte.
- Estava uma coisa, heim" – comentou o pai, com um sorriso bem alimentado. – Sábado que vem, a gente repete… Combinado" - Agora a lasanha, não é, papai?
- Eu estou satisfeito. Uns camarões tão geniais! Mas você vai comer mesmo" - Eu e você, tá"
- Meu amor, eu…
- Tem de me acompanhar, ouviu? Pede a lasanha.
O pai baixou a cabeça, chamou o garçom, pediu. Aí, um casal, na mesa vizinha, bateu palmas. O resto da sala acompanhou. O pai não sabia onde se meter. A garotinha, impassível. Se, na conjuntura, o poder jovem cambaleia, vem aí, com força total, o poder ultra-jovem.”
(Fonte:O Poder Ultrajovem e mais 79 textos em prosa e verso, 1972.)
Questão 8364696
CN CN 2014 Demais 2014Aumenta o número de adultos que não consegue(35) focar(28) sua atenção em uma única coisa por muito tempo. São tantos os estímulos e tanta a pressão para que o entorno seja completamente desvendado que aprendemos a ver e/ou fazer várias coisas ao mesmo tempo.(45) Nós nos tornamos, à semelhança(39) dos computadores,(46) pessoas multitarefa, não é verdade?
Vamos tomar como exemplo uma pessoa dirigindo.(54) Ela precisa estar atenta aos veículos que vêm atrás, ao lado e à frente,(9) à velocidade média dos carros(4) por onde trafega, às orientações do GPS(50) ou de programas que sinalizam o trânsito em tempo real, às informações de alguma emissora de rádio que comenta(32) o trânsito, ao planejamento mental(6) feito e refeito várias vezes do trajeto que deve fazer para chegar ao seu destino,(21) aos semáforos, faixas de pedestres etc.(10)
Quando me vejo em tal situação,(41) eu me lembro que dirigir, após um dia(20) de intenso trabalho no retorno para casa,(59) já foi uma atividade prazerosa(15) e desestressante.
O uso da internet ajudou a transformar nossa maneira(19) de olhar para o mundo. Não mais observamos os detalhes, por causa(24) de nossa ganância em relação a novas e diferentes informações.(1) Quantas vezes sentei em frente ao computador para buscar textos sobre um tema(58) e, de repente, me dei conta de que estava(47) em temas(25) que em nada se relacionavam(48) com meu tema primeiro.(16)
Aliás, a leitura também sofreu transformações pelo nosso costume de ler na internet. Sofremos de uma tentação permanente de pular(17) palavras e frases inteiras, apenas para irmos direto ao ponto.(43) O problema é que alguns textos exigem a leitura atenta(23) de palavra por palavra, de frase por frase, para que faça sentido. Aliás, não é a combinação e a sucessão das palavras que dá sentido e beleza a um texto?(5)
Se está difícil para nós,(31) adultos,(38) focar nossa atenção,(56) imagine, caro leitor,(40) para as crianças. Elas já nasceram neste mundo de profusão(29) de estímulos(3) de todos os tipos; (2) elas são exigidas, desde o início da vida, a dar conta de várias coisas(8) ao mesmo tempo; elas são estimuladas com diferentes objetos, sons, imagens etc.
Ai, um belo dia elas vão para a escola.(60) Professores e pais, a partir de então, querem que as crianças prestem atenção em uma única coisa por muito tempo. E quando elas não conseguem, reclamamos, levamos ao médico, arriscamos hipóteses de que sejam portadoras de síndromes(42) que exigem tratamento etc.
A maioria dessas crianças sabe focar sua atenção, sim.(57) Elas já sabem usar programas complexos em seus aparelhos eletrônicos, brincam com jogos desafiantes que exigem atenção constante aos detalhes e, se deixarmos, passam horas(11) em uma única atividade de que gostam.(22)
Mas, nos estudos, queremos que elas prestem(36) atenção(18) no que é preciso, e não no que gostam.(27) E isso, caro leitor, exige(30) a árdua aprendizagem(52) da autodisciplina. Que leva tempo, é bom lembrar.
As crianças precisam de nós, pais e professores,(53) para começar a aprender isso.(37) Aliás, boa parte desse trabalho é nosso, e não delas.(34)
Não basta mandarmos que elas prestem atenção: isso de nada as ajuda.(13) O que pode ajudar, por exemplo, é analisarmos(55) o contexto em que estão quando precisam focar a atenção(14) e organizá-lo(49) para que seja favorável(26) a tal exigência.(44) E é preciso lembrar(7) que não se pode esperar toda a atenção delas por muito tempo(12): o ensino desse quesito no mundo de hoje(33) é um processo lento e gradual.(51)
Assinale a opção que indica corretamente o valor semântico da preposição em destaque.SAYÃO, Rosely. Profusão de estímulos. Folha de São Paulo, 11 fev. 2014 - adaptado.
Questão 8364685
CN CN 2014 Demais 2014Aumenta o número de adultos que não consegue(35) focar(28) sua atenção em uma única coisa por muito tempo. São tantos os estímulos e tanta a pressão para que o entorno seja completamente desvendado que aprendemos a ver e/ou fazer várias coisas ao mesmo tempo.(45) Nós nos tornamos, à semelhança(39) dos computadores,(46) pessoas multitarefa, não é verdade?
Vamos tomar como exemplo uma pessoa dirigindo.(54) Ela precisa estar atenta aos veículos que vêm atrás, ao lado e à frente,(9) à velocidade média dos carros(4) por onde trafega, às orientações do GPS(50) ou de programas que sinalizam o trânsito em tempo real, às informações de alguma emissora de rádio que comenta(32) o trânsito, ao planejamento mental(6) feito e refeito várias vezes do trajeto que deve fazer para chegar ao seu destino,(21) aos semáforos, faixas de pedestres etc.(10)
Quando me vejo em tal situação,(41) eu me lembro que dirigir, após um dia(20) de intenso trabalho no retorno para casa,(59) já foi uma atividade prazerosa(15) e desestressante.
O uso da internet ajudou a transformar nossa maneira(19) de olhar para o mundo. Não mais observamos os detalhes, por causa(24) de nossa ganância em relação a novas e diferentes informações.(1) Quantas vezes sentei em frente ao computador para buscar textos sobre um tema(58) e, de repente, me dei conta de que estava(47) em temas(25) que em nada se relacionavam(48) com meu tema primeiro.(16)
Aliás, a leitura também sofreu transformações pelo nosso costume de ler na internet. Sofremos de uma tentação permanente de pular(17) palavras e frases inteiras, apenas para irmos direto ao ponto.(43) O problema é que alguns textos exigem a leitura atenta(23) de palavra por palavra, de frase por frase, para que faça sentido. Aliás, não é a combinação e a sucessão das palavras que dá sentido e beleza a um texto?(5)
Se está difícil para nós,(31) adultos,(38) focar nossa atenção,(56) imagine, caro leitor,(40) para as crianças. Elas já nasceram neste mundo de profusão(29) de estímulos(3) de todos os tipos; (2) elas são exigidas, desde o início da vida, a dar conta de várias coisas(8) ao mesmo tempo; elas são estimuladas com diferentes objetos, sons, imagens etc.
Ai, um belo dia elas vão para a escola.(60) Professores e pais, a partir de então, querem que as crianças prestem atenção em uma única coisa por muito tempo. E quando elas não conseguem, reclamamos, levamos ao médico, arriscamos hipóteses de que sejam portadoras de síndromes(42) que exigem tratamento etc.
A maioria dessas crianças sabe focar sua atenção, sim.(57) Elas já sabem usar programas complexos em seus aparelhos eletrônicos, brincam com jogos desafiantes que exigem atenção constante aos detalhes e, se deixarmos, passam horas(11) em uma única atividade de que gostam.(22)
Mas, nos estudos, queremos que elas prestem(36) atenção(18) no que é preciso, e não no que gostam.(27) E isso, caro leitor, exige(30) a árdua aprendizagem(52) da autodisciplina. Que leva tempo, é bom lembrar.
As crianças precisam de nós, pais e professores,(53) para começar a aprender isso.(37) Aliás, boa parte desse trabalho é nosso, e não delas.(34)
Não basta mandarmos que elas prestem atenção: isso de nada as ajuda.(13) O que pode ajudar, por exemplo, é analisarmos(55) o contexto em que estão quando precisam focar a atenção(14) e organizá-lo(49) para que seja favorável(26) a tal exigência.(44) E é preciso lembrar(7) que não se pode esperar toda a atenção delas por muito tempo(12): o ensino desse quesito no mundo de hoje(33) é um processo lento e gradual.(51)
Qual é a opção que explicita uma ideia defendida no texto?SAYÃO, Rosely. Profusão de estímulos. Folha de São Paulo, 11 fev. 2014 - adaptado.
Questão 8364684
CN CN 2014 Demais 2014Aumenta o número de adultos que não consegue(35) focar(28) sua atenção em uma única coisa por muito tempo. São tantos os estímulos e tanta a pressão para que o entorno seja completamente desvendado que aprendemos a ver e/ou fazer várias coisas ao mesmo tempo.(45) Nós nos tornamos, à semelhança(39) dos computadores,(46) pessoas multitarefa, não é verdade?
Vamos tomar como exemplo uma pessoa dirigindo.(54) Ela precisa estar atenta aos veículos que vêm atrás, ao lado e à frente,(9) à velocidade média dos carros(4) por onde trafega, às orientações do GPS(50) ou de programas que sinalizam o trânsito em tempo real, às informações de alguma emissora de rádio que comenta(32) o trânsito, ao planejamento mental(6) feito e refeito várias vezes do trajeto que deve fazer para chegar ao seu destino,(21) aos semáforos, faixas de pedestres etc.(10)
Quando me vejo em tal situação,(41) eu me lembro que dirigir, após um dia(20) de intenso trabalho no retorno para casa,(59) já foi uma atividade prazerosa(15) e desestressante.
O uso da internet ajudou a transformar nossa maneira(19) de olhar para o mundo. Não mais observamos os detalhes, por causa(24) de nossa ganância em relação a novas e diferentes informações.(1) Quantas vezes sentei em frente ao computador para buscar textos sobre um tema(58) e, de repente, me dei conta de que estava(47) em temas(25) que em nada se relacionavam(48) com meu tema primeiro.(16)
Aliás, a leitura também sofreu transformações pelo nosso costume de ler na internet. Sofremos de uma tentação permanente de pular(17) palavras e frases inteiras, apenas para irmos direto ao ponto.(43) O problema é que alguns textos exigem a leitura atenta(23) de palavra por palavra, de frase por frase, para que faça sentido. Aliás, não é a combinação e a sucessão das palavras que dá sentido e beleza a um texto?(5)
Se está difícil para nós,(31) adultos,(38) focar nossa atenção,(56) imagine, caro leitor,(40) para as crianças. Elas já nasceram neste mundo de profusão(29) de estímulos(3) de todos os tipos; (2) elas são exigidas, desde o início da vida, a dar conta de várias coisas(8) ao mesmo tempo; elas são estimuladas com diferentes objetos, sons, imagens etc.
Ai, um belo dia elas vão para a escola.(60) Professores e pais, a partir de então, querem que as crianças prestem atenção em uma única coisa por muito tempo. E quando elas não conseguem, reclamamos, levamos ao médico, arriscamos hipóteses de que sejam portadoras de síndromes(42) que exigem tratamento etc.
A maioria dessas crianças sabe focar sua atenção, sim.(57) Elas já sabem usar programas complexos em seus aparelhos eletrônicos, brincam com jogos desafiantes que exigem atenção constante aos detalhes e, se deixarmos, passam horas(11) em uma única atividade de que gostam.(22)
Mas, nos estudos, queremos que elas prestem(36) atenção(18) no que é preciso, e não no que gostam.(27) E isso, caro leitor, exige(30) a árdua aprendizagem(52) da autodisciplina. Que leva tempo, é bom lembrar.
As crianças precisam de nós, pais e professores,(53) para começar a aprender isso.(37) Aliás, boa parte desse trabalho é nosso, e não delas.(34)
Não basta mandarmos que elas prestem atenção: isso de nada as ajuda.(13) O que pode ajudar, por exemplo, é analisarmos(55) o contexto em que estão quando precisam focar a atenção(14) e organizá-lo(49) para que seja favorável(26) a tal exigência.(44) E é preciso lembrar(7) que não se pode esperar toda a atenção delas por muito tempo(12): o ensino desse quesito no mundo de hoje(33) é um processo lento e gradual.(51)
Em "A maioria dessas crianças sabe focar sua atenção, sim." (57) o verbo pode ir para o singular ou para o plural. Em que opção tal situação também se aplica?SAYÃO, Rosely. Profusão de estímulos. Folha de São Paulo, 11 fev. 2014 - adaptado.
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