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Questão 21 171717
SESC 2015Feijoada teve origem no século XIX com base em cozido feito por portugueses
Ideia de que a refeição foi criada por escravos não é verdadeira. Costume de comer às quartas e sábados pode ter vindo de hotéis cariocas.
(Giovana Sanchez, do G1, em São Paulo)
“Mulher / Você vai fritar / Um montão de torresmo pra acompanhar / Arroz branco, farofa e a malagueta / A laranja-bahia ou da seleta / Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão / E vamos botar água no feijão.”
A letra da música “Feijoada Completa”, de Chico Buarque de Holanda, dá a receita de um dos pratos mais típicos do país: a mistura de feijão preto, pedaços de carne de porco, arroz, couve e farofa. A feijoada apareceu por volta do fim do século XIX e logo ganhou a mesa de boa parte da população brasileira, adquirindo depois diversas versões, em diferentes regiões do país. O leitor já deve ter ouvido a história de que sua origem vem dos escravos, que misturavam os restos das carnes dadas pelos senhores com a farofa.
No entanto, os registros históricos contam outra versão. “O mito modernista é de que os escravos foram uma fonte importante da culinária brasileira. Tenho minhas dúvidas, pois onde não há liberdade não há desenvolvimento culinário. Eles comiam uma ração, determinada pelos senhores, cujo traço fundamental era ser barato”, explicou ao G1 Carlos Alberto Dória, doutor em sociologia e autor de “Formação da Culinária Brasileira”, entre outros.
A mais provável origem do prato é o cozido europeu, que já fazia a mistura de tipos de carnes. Os portugueses reproduziram a receita usando o feijão preto, que era uma base importante da alimentação no Brasil da época. “A tradição europeia do cozido foi provavelmente adaptada, criando a feijoada, que passou a ser servida para camadas mais gerais da população”, explica o professor da USP e especialista em história da alimentação Henrique Carneiro. “O que chamamos ‘feijoada’ é uma solução europeia elaborada no Brasil. [...] A feijoada, simples ou completa, é o primeiro prato brasileiro em geral”, escreveu Câmara Cascudo no livro “História da alimentação no Brasil”. Então, por que se ouve tanto a história de que a feijoada foi criada por escravos? Dória responde que “a simbologia é de um prato miscigenado, como se a nossa culinária fosse fruto de ‘contribuições’ de índios, negros e brancos. O papel desse mito é apagar da nossa memória de nação as relações de dominação que presidiram o conjunto: o branco senhor, o negro escravo, o índio massacrado. Na feijoada, se esquece de tudo isso, não é?” (...)
http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias - Acesso em 02/06/2014.
O texto Feijoada teve origem no século XIX com base em cozido feito por portugueses cita parte de uma canção de Chico Buarque. Considere o trecho “Joga o paio” para assinalar a alternativa que revela em que modo verbal está o verbo jogar e a justificativa dessa escolha feita pelo autor.
Questão 20 171716
SESC 2015Feijoada teve origem no século XIX com base em cozido feito por portugueses
Ideia de que a refeição foi criada por escravos não é verdadeira. Costume de comer às quartas e sábados pode ter vindo de hotéis cariocas.
(Giovana Sanchez, do G1, em São Paulo)
“Mulher / Você vai fritar / Um montão de torresmo pra acompanhar / Arroz branco, farofa e a malagueta / A laranja-bahia ou da seleta / Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão / E vamos botar água no feijão.”
A letra da música “Feijoada Completa”, de Chico Buarque de Holanda, dá a receita de um dos pratos mais típicos do país: a mistura de feijão preto, pedaços de carne de porco, arroz, couve e farofa. A feijoada apareceu por volta do fim do século XIX e logo ganhou a mesa de boa parte da população brasileira, adquirindo depois diversas versões, em diferentes regiões do país. O leitor já deve ter ouvido a história de que sua origem vem dos escravos, que misturavam os restos das carnes dadas pelos senhores com a farofa.
No entanto, os registros históricos contam outra versão. “O mito modernista é de que os escravos foram uma fonte importante da culinária brasileira. Tenho minhas dúvidas, pois onde não há liberdade não há desenvolvimento culinário. Eles comiam uma ração, determinada pelos senhores, cujo traço fundamental era ser barato”, explicou ao G1 Carlos Alberto Dória, doutor em sociologia e autor de “Formação da Culinária Brasileira”, entre outros.
A mais provável origem do prato é o cozido europeu, que já fazia a mistura de tipos de carnes. Os portugueses reproduziram a receita usando o feijão preto, que era uma base importante da alimentação no Brasil da época. “A tradição europeia do cozido foi provavelmente adaptada, criando a feijoada, que passou a ser servida para camadas mais gerais da população”, explica o professor da USP e especialista em história da alimentação Henrique Carneiro. “O que chamamos ‘feijoada’ é uma solução europeia elaborada no Brasil. [...] A feijoada, simples ou completa, é o primeiro prato brasileiro em geral”, escreveu Câmara Cascudo no livro “História da alimentação no Brasil”. Então, por que se ouve tanto a história de que a feijoada foi criada por escravos? Dória responde que “a simbologia é de um prato miscigenado, como se a nossa culinária fosse fruto de ‘contribuições’ de índios, negros e brancos. O papel desse mito é apagar da nossa memória de nação as relações de dominação que presidiram o conjunto: o branco senhor, o negro escravo, o índio massacrado. Na feijoada, se esquece de tudo isso, não é?” (...)
http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias - Acesso em 02/06/2014.
Na reportagem, a origem da feijoada é atribuída a um prato chamado cozido europeu. A origem desse prato popular foi associada à escravidão que é, na verdade, um mito cujo objetivo “é apagar da nossa memória de nação as relações de dominação que presidiram o conjunto: o branco senhor, o negro escravo, o índio massacrado. Na feijoada, se esquece de tudo isso, não é?”
Além de descobrir que a feijoada não é um prato “inventado” por escravos, Guilherme também aprendeu que nem sempre os relatos históricos construídos são corretos.
Dessa forma, ao ler o texto, Guilherme pode concluir que:
Questão 13 171709
SESC 2015BIODIESEL: POSSIBILIDADES e DESAFIOS
(versão editada do artigo publicado na revista Química Nova na Escola, nº 28, maio de 2008)
(...) As crises de petróleo incentivaram o desenvolvimento de processos de transformação de óleos e gorduras em derivados com propriedades físico-químicas mais próximas às dos combustíveis fósseis, visando à substituição total ou parcial destes. De fato, o desabastecimento de petróleo no mercado mundial durante a Segunda Guerra Mundial fez com que pesquisadores de diversos países procurassem por alternativas, surgindo, na Bélgica, a ideia de transesterificar óleos vegetais com etanol para produzir um biocombustível conhecido hoje como biodiesel (Suarez e Meneghetti, 2007).
(...) Com o final da Segunda Guerra Mundial e a normalização do mercado mundial de petróleo, o biodiesel e o bio-óleo foram temporariamente abandonados. A partir da década de 1970, com as sucessivas crises no mercado internacional do petróleo, o biodiesel retorna à cena como principal alternativa ao diesel. (...) No Brasil, entre os anos de 1970 e 1980, foram desenvolvidos programas para obtenção de combustíveis a partir de biomassa. Exemplo marcante é o Proálcool que procurava substituir o uso da gasolina por álcool combustível. Além do Proálcool, foi criado o Pró-óleo, com o intuito de substituir o diesel por derivados de triacilglicerídeos. No entanto, com a estabilização do preço do petróleo no mercado internacional em 1986, o Pró-óleo foi abandonado sem ter chegado ao mercado consumidor. Recentemente, o governo brasileiro retomou o programa de substituição de diesel por derivados de óleos vegetais, tendo autorizado o uso comercial do biodiesel por meio da Lei nº 11.097, de 13/01/2005, que dispõe sobre a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira. (...) Além dos benefícios ambientais, a adoção de um programa de biodiesel apresenta importantes benefícios sociais, tais como a geração de emprego e renda, que pode ser proporcionada pela implementação de um programa de produção de biodiesel em comunidades agrícolas. A obtenção de óleo vegetal pode ser, como toda atividade agrícola, realizada de forma descentralizada, aumentando o número de empregos no campo.
(...) Deve-se destacar, contudo, que a abordagem desse tema requer também discussões em termos de repercussões ambientais, econômicas e sociais. Pensar no biodiesel como solução energética significa investir em pesquisas científicas e tecnológicas; discutir efeitos ambientais na produção agrícola; buscar modelos produtivos alternativos, que não só o da prejudicial monocultura; propiciar condições para que pequenos lavradores possam também participar do processo, não privilegiando somente a agroindústria; enfim, significa pensar em um modelo de desenvolvimento socialmente sustentável.
OLIVEIRA, Flavia C. C.; SUAREZ, Paulo A. Z.; SANTOS, Wildson L. P. Biodiesel: Possibilidade e Desafios. Química Nova na Escola. v. 28. p. 3-8, 2008. SUAREZ, Paulo A.Z.; MENEGHETTI, Simoni M.P. 70º aniversário do biodiesel em 2007: evolução histórica e situação atual no Brasil. Química Nova, v. 30, p. 2068-2071, 2007.
Observe o fragmento do 2º parágrafo: “Exemplo marcante é o Proálcool que procurava substituir o uso da gasolina por álcool combustível. Além do Proálcool, foi criado o Pró-óleo, com o intuito de substituir o diesel por derivados de triacilglicerídeos.”
O conectivo sublinhado expressa a relação de sentido que há entre as frases do trecho em questão. Marque a alternativa em que se indica esse sentido:
Questão 12 171708
SESC 2015APESAR DE VOCÊ
Hoje você é quem manda/ Falou, tá falado/Não tem discussão/ A minha gente hoje anda/ Falando de lado/ E olhando pro chão, viu/ Você que inventou esse estado/ E inventou de inventar/ Toda a escuridão/ Você que inventou o pecado/ Esqueceu-se de inventar/ O perdão;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Eu pergunto a você/ Onde vai se esconder/ Da enorme euforia/ Como vai proibir/ Quando o galo insistir/ Em cantar/ Água nova brotando/ E a gente se amando/ Sem parar;
Quando chegar o momento/ Esse meu sofrimento/ Vou cobrar com juros, juro/ Todo esse amor reprimido/ Esse grito contido/ Este samba no escuro/ Você que inventou a tristeza/ Ora, tenha a fineza/ De desinventar/ Você vai pagar e é dobrado/ Cada lágrima rolada/ Nesse meu penar;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Inda pago pra ver/ O jardim florescer/ Qual você não queria/ Você vai se amargar/ Vendo o dia raiar/ Sem lhe pedir licença/ E eu vou morrer de rir/ Que esse dia há de vir/ Antes do que você pensa;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Você vai ter que ver/ A manhã renascer/ E esbanjar poesia/ Como vai se explicar/ Vendo o céu clarear/ De repente, impunemente/ Como vai abafar/ Nosso coro a cantar/ Na sua frente;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Você vai se dar mal/ Etc. e tal/ Lá lá lá lá laiá.
Apesar de Você. Chico Buarque de Holanda
No verso “Vou pagar com juros, juro”, Chico Buarque estabelece um jogo sonoro entre as palavras juros e juro que, ainda que muito parecidas, pertencem a classes gramaticais distintas. Marque a opção em que se classifica corretamente a classe das palavras em questão, respectivamente:
Questão 10 171706
SESC 2015APESAR DE VOCÊ
Hoje você é quem manda/ Falou, tá falado/Não tem discussão/ A minha gente hoje anda/ Falando de lado/ E olhando pro chão, viu/ Você que inventou esse estado/ E inventou de inventar/ Toda a escuridão/ Você que inventou o pecado/ Esqueceu-se de inventar/ O perdão;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Eu pergunto a você/ Onde vai se esconder/ Da enorme euforia/ Como vai proibir/ Quando o galo insistir/ Em cantar/ Água nova brotando/ E a gente se amando/ Sem parar;
Quando chegar o momento/ Esse meu sofrimento/ Vou cobrar com juros, juro/ Todo esse amor reprimido/ Esse grito contido/ Este samba no escuro/ Você que inventou a tristeza/ Ora, tenha a fineza/ De desinventar/ Você vai pagar e é dobrado/ Cada lágrima rolada/ Nesse meu penar;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Inda pago pra ver/ O jardim florescer/ Qual você não queria/ Você vai se amargar/ Vendo o dia raiar/ Sem lhe pedir licença/ E eu vou morrer de rir/ Que esse dia há de vir/ Antes do que você pensa;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Você vai ter que ver/ A manhã renascer/ E esbanjar poesia/ Como vai se explicar/ Vendo o céu clarear/ De repente, impunemente/ Como vai abafar/ Nosso coro a cantar/ Na sua frente;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Você vai se dar mal/ Etc. e tal/ Lá lá lá lá laiá.
Apesar de Você. Chico Buarque de Holanda
Na canção de Chico Buarque, identifica-se a presença de um interlocutor a quem o eu lírico se refere.
O verso que apresenta uma marca desse outro interlocutor é:
Questão 9 171705
SESC 2015No primeiro encontro da oficina Tempos Sombrios – análise histórica sobre os anos da ditadura civil-militar brasileira (1964/1985), Guilherme ouviu a música “Apesar de Você”, de Chico Buarque.
APESAR DE VOCÊ
Hoje você é quem manda/ Falou, tá falado/Não tem discussão/ A minha gente hoje anda/ Falando de lado/ E olhando pro chão, viu/ Você que inventou esse estado/ E inventou de inventar/ Toda a escuridão/ Você que inventou o pecado/ Esqueceu-se de inventar/ O perdão;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Eu pergunto a você/ Onde vai se esconder/ Da enorme euforia/ Como vai proibir/ Quando o galo insistir/ Em cantar/ Água nova brotando/ E a gente se amando/ Sem parar;
Quando chegar o momento/ Esse meu sofrimento/ Vou cobrar com juros, juro/ Todo esse amor reprimido/ Esse grito contido/ Este samba no escuro/ Você que inventou a tristeza/ Ora, tenha a fineza/ De desinventar/ Você vai pagar e é dobrado/ Cada lágrima rolada/ Nesse meu penar;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Inda pago pra ver/ O jardim florescer/ Qual você não queria/ Você vai se amargar/ Vendo o dia raiar/ Sem lhe pedir licença/ E eu vou morrer de rir/ Que esse dia há de vir/ Antes do que você pensa;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Você vai ter que ver/ A manhã renascer/ E esbanjar poesia/ Como vai se explicar/ Vendo o céu clarear/ De repente, impunemente/ Como vai abafar/ Nosso coro a cantar/ Na sua frente;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Você vai se dar mal/ Etc. e tal/ Lá lá lá lá laiá.
Apesar de Você. Chico Buarque de Holanda
Guilherme aprendeu que a música, inicialmente, foi liberada pela censura, não encontrando nela nenhuma crítica ao governo. Entretanto, tempos depois, foi censurada porque percebeu-se que, utilizando-se da metáfora, o autor da música realizava uma crítica à própria censura, dirigida para a figura do então presidente Emílio Garrastazu Médici. Esta crítica estava centrada na ideia de:
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