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Questão 2 10196692
IFFar* 1° Ano - Processo Seletivo Integrado 2015Leia o texto para responder à questão.
24 horas conectados
[01] Para os adolescentes, ficar sem celular
ou computador é o maior castigo. Muitos
já preferem a internet aos automóveis.
Os jovens que participam do curso de
[05] verão da Putney Summer School, nos
Estados Unidos, têm de deixar celular,
laptop, tablet e qualquer outro aparelho
de comunicação na entrada. Durante os
30 dias de estadia, o acesso à internet é
[10] limitado - dez horas semanais - e os fones
de ouvido são banidos. Se quiserem ouvir
música, devem conectar o MP3 a uma cai-
xa de som, para que todos compartilhem.
O intuito da política é induzir os alunos a
[15] interagir uns com os outros em vez de
ficar isolados e imersos em uma tela
eletrônica brilhante. Afinal, trata-se de um
curso de verão. Os jovens vão lá para se
divertir, conhecer culturas, gente diferente
[20] e fazer amigos.
Nos Estados Unidos é cada vez maior a
preocupação com a intensidade da relação
dos adolescentes com a internet e o celu-
lar, principalmente quanto aos limites de
[25] utilização desses meios de comunicação.
Poder conversar com outras pessoas sem
que a fronteira física atrapalhe é ótimo -
uma conquista da modernidade. Mas para
manter relações saudáveis, é preciso fazer
[30] um uso inteligente dos recursos tecnológi-
cos e evitar os excessos da "dependência
da conectividade". Nesse ponto, a escola
e, principalmente, os pais são responsá-
veis pela educação dos jovens.
[35] O celular se tornou um item de
consumo favorito da população. O Brasil é
o campeão em vendas da América Latina.
Desde 2005, o número de telefones mó-
veis ultrapassou o de fixos nas residências
[40] brasileiras. Além do mais, o aparelho é o
principal representante da convergência
tecnológica, permitindo ligações, envio de
mensagens SMS e acesso à internet.
Pais e filhos
[45] Quem convive com adolescentes sabe
que um dos piores castigos para eles é
ficar sem celular e sem computador. Os
jovens permanecem conectados aos ami-
gos e à família 24 horas por dia, ligando,
[50] trocando torpedos e atualizando status
nas redes sociais. De acordo com o so-
ciólogo polonês Zygmunt Bauman, na era
da informação, a invisibilidade equivale à
morte. Nessa fase marcada pela busca da
[55] identidade e da autonomia, é muito comum
ver adolescentes imersos nesses meios de
comunicação.
Mas para o que os jovens usam tanto
o celular? A pesquisa "Uso de Celular na
[60] Adolescência e sua Relação com a Famí-
lia", envolvendo 534 jovens entre 12 e 17
anos de escolas públicas e particulares de
Porto Alegre (RS), revelou que o uso mais
frequente do aparelho é para se comuni-
[65] car com os pais (90%) e com os amigos
(79%). "É possível perceber que as re-
lações virtuais estabelecidas pelo telefone
celular acompanham as relações reais
estabelecidas com família e grupo de
[70] amigos", diz a psicóloga Fabiana Verza,
especialista em terapia familiar e autora
do estudo. As outras utilizações mais
populares são vinculadas à coordenação
do dia a dia, com funções de despertador
[75] e de agenda.
Em muitas famílias, o celular pode sig-
nificar mais que um simples aparato tec-
nológico. Segundo o livro Adolescência &
Comunicação Virtual, de Adriana Wagner,
[80] Fabiana Verza, Rosane Spizzirri e Caroline
Eifler Saraiva, dar um celular de presente
ao filho é um rito de passagem para uma
fase do ciclo familiar. Se antes se dava a
chave da entrada da casa como símbolo
[85] de confiança, liberdade e autonomia, hoje
se presenteia o adolescente com um celular.
O aparelho também proporciona mais
tranquilidade aos pais e aos jovens sempre
que saem de casa. "Existe uma necessida-
[90] de de monitoramento dos filhos pelos pais,
principalmente em função da violência e da
insegurança associada a 'sair de casa' na
atualidade, e, nesse ponto, o celular pode
ser um grande elo", escrevem as autoras.
[95] Mas, cuidado! O aparelho não deve ser uma
extensão do cordão umbilical. Ligações re-
correntes entre pais e filhos podem indicar a
existência de uma relação simbiótica pouco
saudável e trazer à tona problemas na es-
[100] trutura familiar.
Segundo Fabiana, o fácil acesso a ou-
tros recursos midiáticos via celular, como
internet e messenger, também exerce um
papel relevante na socialização do jovem.
[105] Para os mais tímidos, o celular é um facili-
tador social. Eles se sentem mais à vonta-
de em ligar diretamente para os amigos,
sem ter de falar com os pais deles e de
trocar mensagens de texto, recurso que
[110] não exige olhar nos olhos. Desse modo, os
mais tímidos conseguem se socializar
melhor. Em outros tempos, isso não seria
possível. Vale lembrar, obviamente, que
esse meio de comunicação não deve subs-
[115] tituir uma conversa presencial.
É importante ter em mente que a ju-
ventude de hoje, assim como a das Ge-
rações passadas, tem essencialmente as
mesmas necessidades: vincular-se a um
[120] grupo, ter mais autonomia e consolidar
uma identidade. O que muda é atender a
essas necessidades na era da informação.
Fonte: Disponível em: http://revistaplaneta.terra.com.br/secao/reportagens/24-horas-conectados. Acesso em: 5 out. 2014. (adaptado)
O texto levanta a discussão sobre o uso do celular, tema que vem despertando posicionamentos contrários entre adolescentes, pais e professores.
Assinale a alternativa INCORRETA em relação ao comportamento dos adolescentes.
Questão 8 10192612
IFPE Subsequente 2015TEXTO

Revista Veja. Editora Abril, 19 de novembro, 2008.
Disponível em: http://www.cj.uenp.edu.br/files/Eventos/congressoeducacao/2010/10.pdf.
Acesso em: 01 out. 2014.
O cartaz aborda a temática da igualdade racial. Sobre as estratégias argumentativas que constituem o texto , é correto afirmar que
Questão 1 10169905
IFPR Médio Integrado 2015MÚSICA NO TÁXI
Carlos Drummond de Andrade
Quando menos se espera... Você pega o táxi, manda tocar ________ seu destino (manda, não,
pede por favor) e ................ a escutar durante 20 minutos, no volume mais possante, o rádio
despejando assaltos e homicídios do dia. Os tiros, os gemidos, os desabamentos o acompanharão
______ todo o percurso. É a fatalidade da vida, quando .............. pressa.
Mas eis que o motorista pega de um imprevisto cassete, coloca-o no lugar devido, liga, e os
acordes dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.
Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala
Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor.
Cumpre agradecer a fineza:
– Obrigado. O senhor mostra que tem satisfação em agradar aos passageiros, oferecendo-lhes
música e não barulho e crimes.
[5] – Não tem de quê. O senhor também aprecia?
– O quê?
– Strauss. É um dos meus prediletos.
– Sim, ele é agradável. O senhor está sendo gentil comigo.
– Ora, não é tanto assim. Pus o cassete porque gosto de música. Não sabia se o senhor
também gostava ou não. Se não gostasse, eu desligava. Portanto, não tem que agradecer.
[10] – E já lhe aconteceu desligar?
Ih, tantas vezes. Fico observando a fisionomia do passageiro. Uns, mais acanhados,
disfarçam, não dizem nada, mas tem outros que reclamam, não querem ouvir esse troço. O senhor já
pensou: chamar Tchaikovski de “esse troço”? Pois ouvi isso de um cidadão de gravata e pasta de
executivo. Ele disse que precisava se concentrar por causa de um negócio importante e Tchaicovski
perturbava a concentração.
– Ele talvez quisesse dizer que ficava tão empolgado pela música que esquecia o negócio.
– Pois sim! Nesse caso, não falaria “esse troço”, que é o cúmulo da falta de respeito.
– Estou adivinhando que o senhor toca um instrumento.
[15] – Como é que o senhor viu?
– Porque uma pessoa que gosta tanto de música, em geral toca. Seu instrumento qual é?
Virou-se com tristeza na voz:
– Atualmente nenhum. O senhor sabe, essa crise geral, a gasolina pela hora da morte, e não é
só a gasolina: a comida, o sapato, o resto. Tive de vender pra tapar uns buracos. Mas se as coisas
melhorarem este ano...
– Melhoram. As coisas têm de melhorar – achei _____ meu dever confortá-lo.
– Porque clarinetista sem clarinete, o senhor sabe, é um negócio sem sentido. Clarinete tem esta
vantagem: dá o recado sem precisar de orquestra. Um solo bem executado, não precisa mais pra
encantar a alma. Mas clarinetista, sozinho, fica até ridículo.
[20] – Não diga isso. E não desanime. O dia em que arranjar outro clarinete – quem sabe?, talvez até
seja o mesmo que .................. – será uma festa.
– Mas se demorar muito eu já estarei tão desacostumado que nem sei se volto a tocar
razoavelmente. Porque, o senhor compreende, eu não sou um artista, minha vida não dá folga pra
estudar nem meia hora por dia.
– O importante é gostar de música, ter amor e devoção por música, e está se vendo que o
senhor tem de sobra.
– Lá isso tá certo.
– Não importa que o senhor não seja solista de uma grande orquestra, e mesmo de uma
orquestra comum. Ninguém precisa ser grande em nada, uma vez que cultive alguma coisa bonita na
vida.
[25] Seu rosto iluminou-se.
Que bom ouvir uma coisa dessas. Agora vou lhe confessar que isso de não ser músico dos
tais que arrebatam o auditório sempre me doeu um pouco. Não era por vaidade não, quem sou pra ter
vaidade? Mas um sonho esquisito, sei lá. Ficava me imaginando num palco iluminado, tocando...
Bobagem, o senhor desculpe. Agora a sua palavra deixou tudo claro. Basta eu gostar de música. Não é
preciso que gostem de mim, nem que ela goste de mim. Obrigado ao senhor.
Olhei o taxímetro, tirei a carteira.
–Eu nem devia cobrar do senhor. Fico até encabulado!
(Boca de Luar, 6 ed. pág. 69-71, Editora Record, Rio, 1987)
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas de linha contínua do texto:
Questão 11 10151451
CMJF 1° Ano - Prova de Português 2015TEXTO
Igual-Desigual
Por Carlos Drummond de Andrade
Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinhos são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
[5] Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais.
Todos os partidos políticos são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
[10] e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais, iguais, iguais.
[15] Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
[20] Ninguém é igual a ninguém.
Todo o ser humano é um estranho
impar.
ANDRADE, C.D. '/A Paixão Medida' In: Nova Reunião
Vocabulário:
Best-seller: livro campeão de venda.
Gazel: poesia amorosa ou báquica, uma espécie de ode.
Rondó: composição poética com refrão constante.
Sextina: composição poética de seis versos.
Soneto: composição poética de catorze versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.
Virelai: forma poética e musical francesa muito popular entre os séculos XIll e XV.
“Iguais todos os rompimentos” (v.15, texto – Igual-desigual).
Nesse verso, para dar ritmo ao texto, o poeta utiliza uma elipse (omissão de termo facilmente depreendido pelo contexto).
Considerando a existência desse termo implícito, a palavra iguais pode ser classificada sintaticamente como:
Questão 5 10151281
CMJF 1° Ano - Prova de Português 2015TEXTO I
O direito de ser diferente
Por Cidinei Bogo Chat
Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres.
Charles Evans Hughes
Nenhum ser humano é igual ao seu semelhante. Cada pessoa tem sua própria
singularidade que a distingue como ser humano individual, em face de gosto, antipatia, talento,
sexo, cultura, língua, religião e nacionalidade. Entretanto, as diferenças sempre alimentaram
discórdias entre as pessoas e grupos sociais.
[5] Aliás, sob tal perspectiva, urge ressaltar que a humanidade tem presenciado ao longo de sua
história uma sequência de intolerância à diferença. Ser rotulado de diferente sempre foi visto como
sinônimo de inferioridade, de indesejável, de separado do grupo. Basta à pessoa ser considerada
diferente para os tidos padrões “normais” para que todos passem a desprezá-la, considerando-a
como um ser de outro mundo.
[10] Nesse sentido, um dos problemas que deve ser enfrentado por toda a humanidade é a
tendência existente de definir as pessoas diferentes em termos negativos, de ver essas pessoas e o
grupo ao qual pertencem como inferiores e não merecedores de respeito.
Isso se deve à prática de classificar as pessoas em grupos distintos e homogêneos, com
base em critérios de cor, língua, cultura, nacionalidade, preferência sexual e religião. Sob esse
[I5] “aspecto, os grupos são classificados em desejáveis ou indesejáveis, advindo daí o desrespeito ao
direito de ser diferente.
Historicamente, os diferentes sempre foram vítimas de perseguições injustificadas. Cite-se
como exemplo a perseguição aos judeus durante toda a história da humanidade e, mais
recentemente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o ódio ao semelhante levou a
[20] atrocidades sem precedentes, fato que ficou mundialmente conhecido como Holocausto.
Se não bastasse, as mulheres têm menos direitos que os homens; as pessoas portadoras de
deficiência ainda enfrentam dificuldades em ver seus direitos efetivamente implantados e os
homossexuais ainda sofrem discriminação em face de suas preferências sexuais.
Atrocidades cometidas no Sudão e Ruanda demonstram até onde os seres humanos estão
[25] prontos a ir para negar aos outros seus direitos; tornamo-nos uma sociedade que não respeita o
direito de o ser humano ser diferente.
Diante desse quadro, a empreitada aqui proposta consiste em expor e defender a ideia de
que, na sociedade moderna e nos estados democráticos de direito, não existe mais espaço para a
discriminação, para a intolerância e o desrespeito ao próximo.
[30] Com efeito, não é permitido adotar qualquer tipo de distinção em razão de sexo, origem,
idade, cor, raça, estado civil, crença religiosa, convicção filosófica ou política, situação familiar,
condição e saúde física sensorial e mental ou orientação sexual.
A pretensão de eliminar por completo qualquer forma de discriminação certamente não é
uma tarefa fácil. Contudo, urge ressaltar que são atitudes positivas que levarão toda sociedade a
[35] respeitar o direito à diferença.
Em suma, impor atitudes de reconhecimento dos direitos das pessoas diferentes é promover
justiça e equidade. Numa sociedade dita “democrática”, há que prevalecer a diversidade natural e
cultural entre as pessoas.
Disponível em: http://deficienteciente.com.br/2011/12/0-direito-de-ser-diferente-parte-1.html Acesso em 22/09/2015.
Texto adaptado.
Vocabulário:
Advir: ocorrer, acontecer.
Empreitada: tarefa.
Equidade: disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um.
Singularidade: particularidade, o que torna o ser único.
Urgir: ser urgente.
TEXTO II
De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo
Por Joel Gunther
Dias após a foto do corpo do menino Alan Kurdi, que tinha 3 anos, ter provocado reações
emocionadas em diversos países, a família revelou a cadeia de eventos que levou ao afogamento
na travessia da Turquia para a Grécia.
Alan deixou a cidade de Bodrum, na Turquia, rumo à ilha grega de Kos, na quarta-feira de .
[5] madrugada, ao lado do pai, Abdullah, da mãe, Rehanna, e do irmão Ghalib, dois anos mais velho.
O objetivo final da família Kurdi era Vancouver, no Canadá, onde a irmã de Abdullah, Tima,
trabalha como cabeleireira.
Com um pequeno grupo de refugiados, eles embarcaram em dois botes para cruzar os 20
quilômetros que separam Bodrum de Kos.
[10] Da praia, Abdullah enviou um SMS para Tima.
"Passei o recado para o nosso pai, na Síria, e para todos: 'Abdullah está partindo agora,
rezem por sua segurança”, disse Tima.
Mas as preces não foram ouvidas. As embarcações foram atingidas por ondas altas pouco
depois da partida. O capitão abandonou o navio.
[15] Em questão de minutos, Abdullah Kurdi se encontrou na água, tentando salvar a vida de
seus dois filhos. Dos 23 integrantes do grupo de refugiados, acredita-se que 14 tenham morrido,
incluindo a mulher de Abdullah e seus meninos.
Versão turca
O número não impressiona diante das mortes em massa registradas no Mediterrâneo nos
[20] últimos meses, mas as fotos do pequeno Alan de bruços na beira da praia transformaram o
episódio em um divisor de águas.
O nome dele chegou a ser grafado como "Aylan" por alguns meios de comunicação, entre
eles, a BBC. Mas a tia que vive no Canadá, Tima, esclareceu que aquela era a versão turca do
nome, dada às autoridades da Turquia. O nome original, curdo, era Alan.
[25] Como sírios de origem curda, as chances de conseguir asilo no Canadá diminuíram no
momento em que os Kurdi deixaram a Síria rumo à Turquia.
Durante anos, a Síria negou cidadania à sua população de origem curda. Os curdos eram
considerados apátridas pelas autoridades.
Em 2011, um decreto autorizou que alguns deles entrassem com pedidos de cidadania,
[30] mas outros permaneceram sem o direito. Muitos foram forçados a fugir do país antes mesmo que
pudessem dar entrada no processo.
Os Kurdi moravam em Damasco no início do conflito na Síria, no fim de 2011. Quando a
violência na cidade se agravou, a família se mudou para o seu vilarejo-natal, Makhari, a 25
quilômetros da cidade portuária de Kobane.
[35] No entanto, quando Kobane se tornou um foco de luta entre combatentes curdos e
militantes do chamado Estady Islâmico, no fim de 2014, a família voltou a fugir, desta vez para a
Turquia, ao lado de milhares de outros refugiados.
A Turquia lhes ofereceu abrigo, mas não lhes ofereceu cidadania.
'lrregulares'
[40] Entre os vizinhos da Síria, a Turquia foi o primeiro a reagir formalmente à crise dos
refugiados, declarando proteção temporária em outubro de 2011, garantindo que não iria repatriar
qualquer refugiado sírio.
A medida garante a portadores de passaportes sírios um visto de residência de um ano e
liberdade de movimentos no país. Mas aqueles que não apresentarem documentos são obrigados
[45] a se registrarem um campo de refugiados e lá permanecer. Caso contrário, são considerados
“irregulares”.
Essa era a situação dos Kurdi, que se encontravam em Istambul, mas estavam
desesperados para deixar a Turquia. No entanto, não podiam obter vistos de saída da Turquia,
porque não tinham passaportes, e não podiam pedir asilo em outros países, porque não tinham
[50] vistos de saída da Síria.
Tima Kurdi já estava "patrocinando" o processo de asilo da família de outro irmão dela,
Mohammad, mas dificuldades financeiras e a complexidade do processo a obrigaram a dar entrada
em um processo de cada vez. Mohammad foi escolhido primeiro, porque os filhos dele já estão em
idade escolar.
[55] No entanto, o pedido de asilo foi rejeitado pelo Canadá. O departamento de Imigração e
Cidadania disse à BBC que o processo estava “incompleto porque não reunia os requisitos
necessários para comprovar o reconhecimento da situação de refugiado”.
A razão para a rejeição foi simples, segundo Tima: os Kurdi não têm passaporte e nem
vistos de trabalho turcos, documentos que não podiam obter.
[60] Papelada
Quando o primeiro pedido de asilo foi rejeitado, em junho, “não havia esperanças de que
Abdullah e sua família obtivessem a papelada correta para um processo bem-sucedido”, afirmou
Tima. Por isso, eles embarcaram ilegalmente rumo à Grécia.
Os Kurdi já tinham tentado deixar a Turquia três vezes anteriormente. Todas sem sucesso.
[65] Na última e fatal, parentes contaram que eles conheceram pessoas em Izmir que prometeram levá-
los até a costa e de lá para Kos, de barco.
Acredita-se que eles tenham pagado o equivalente a R$ 16,5 mil pela travessia. Muito mais
do que custariam as passagens aéreas para toda a família chegar ao Canadá.
Ainda no escuro, o bote com a família foi empurrado mar adentro. Abdullah descreveu o
[70] momento em que a sua família se afogou em detalhes.
"Tentei segurar as crianças e a minha mulher, mas não adiantou. Um por um, eles
morreram. Tentei timonear o barco, mas veio outra onda grande e o virou”, afirmou. “Foi aí que o
pior aconteceu."
"As minhas crianças eram as mais bonitas do mundo. Será que existe alguém no mundo,
[75] — para quem os próprios filhos não sejam a coisa mais preciosa?”
"Eles eram incríveis. Me acordavam todos os dias para brincar.”
"Adoraria me sentar ao lado do túmulo da minha família agora e aliviar a minha dor.”
Ele afirmou que pretende levar os corpos de volta a Istambul e de lá para Kobane, onde
quer enterrá-los.
[80] "É tarde demais para salvar a família de Abdullah", disse Tima. "Por favor, vamos usar a
nossa voz coletiva para mudar e exigir que os líderes do mundo tomem decisões agora para
aprovar medidas de emergência para refugiados. Vamos pôr fim a esse sofrimento. Os nossos
corações estão partidos.”
Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150904 siria familia ebc
Acesso em 22/09/2015
Texto adaptado
Vocabulário:
Apátrida: indivíduo sem nacionalidade.
Timonear: dirigir embarcação.
TEXTO III
Igual-Desigual
Por Carlos Drummond de Andrade
Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinhos são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
[5] Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais.
Todos os partidos políticos são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
[10] e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais, iguais, iguais.
[15] Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
[20] Ninguém é igual a ninguém.
Todo o ser humano é um estranho
impar.
ANDRADE, C.D. '/A Paixão Medida' In: Nova Reunião
Vocabulário:
Best-seller: livro campeão de venda.
Gazel: poesia amorosa ou báquica, uma espécie de ode.
Rondó: composição poética com refrão constante.
Sextina: composição poética de seis versos.
Soneto: composição poética de catorze versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.
Virelai: forma poética e musical francesa muito popular entre os séculos XIll e XV.
Em relação aos enunciadores – aqueles que formulam a mensagem - dos três textos, é possível afirmar que:
Questão 9 10136133
CMM 1°ano - Língua de Português 2015TEXTO

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Considere as seguintes afirmações em relação ao texto:
I. Pode-se afirmar que o homem com o guarda-chuva invertido faz referência à escassez de água.
II. A idéia flagrante do texto é a de que não existe preocupação com a preservação dos recursos hídricos.
III. O humor reside no fato de que nem mesmo a água da chuva pode ser desperdiçada.
É correta a afirmação em:
06
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