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Questão 9 10432685
COLÉGIO SÓLIDO* 7º ANO 2015Texto
DE SACO CHEIO

Sexta-feira, 29 de fevereiro
Está caindo o maior dilúvio. Fiquei todo encharcado quando estava indo para a escola. A mamãe e a minha professora de Matemática me perguntaram se eu tinha levantando com o pé esquerdo. Estou morto de cansaço. Fiquei com dor de cabeça o dia inteiro e ainda estou irritado com a ideia de não ir ao cinema.
Foi aí que aconteceu a GRANDE briga. (...) Eu derramei um pouquinho de café sem querer. Susie disse que tinha sido de propósito, só porque era a vez dela tirar a mesa e lavar a louça, e que eu é que ia ter que limpar. Não concordei, já que era a vez DELA limpar. Ela fez uma careta e foi para a cozinha batendo o pé, carregando uma pilha de pratos. Então derramei o café dela. Quando ela voltou, eu disse que ela agora tinha alguma coisa dela para limpar. Ela tentou bater em mim. Agarrei o braço dela e torci. Ela caiu, bateu na mesa, e a garrafa de leite caiu no chão e se quebrou. Foi aí que a mamãe apareceu, pau da vida. Eu disse que a culpa tinha sido da Susie. Mas a Susie, mentindo como sempre, disse que a culpa tinha sido minha. A mamãe atirou um pano de chão para a Susie e uma vassoura para mim, e mandou a gente limpar tudo. Depois ela saiu, com um tremendo mau humor.
Na mesma hora, a Susie derramou leite no meu tênis novo e sussurrou:
- Eu te odeio.
Então eu disse que ela era uma pentelha, e que não era à toa que a Kate não gostava mais dela. Quando eu disse isso, tive a certeza, junto com um medo delicioso, de que ia haver violência. Ela me acertou no braço com um pano de chão encharcado de leite. Então eu gritei e caí (ileso) no chão. Fique segurando o braço e acabei me cortando sem querer nos cacos de vidro da garrafa de leite. Nesse instante, a mamãe e o papai apareceram: a mamãe numa porta, muda de raiva, e o papai na outra porta, recém-saído de mais uma batalha contra monstros microscópicos, igualmente mudo.
A mamãe conseguiu se recobrar primeiro e gritou:
- OS DOIS PARA CAMA. AGORA!
E aí o papai também conseguiu falar:
- Façam o que sua mãe mandou.
- Mas eu estou sangrando! – gritei.
E a Susie reclamou:
- Mas foi tudo culpa dele, por que vocês sempre implicam comigo?
- CAMA!
Então, fazendo questão de derramar sangue pela escada inteira, fui para o quarto e bati a porta. Fiquei deitado escutando a Susie soluçar. Vai ver que ficar “de saco cheio” é contagioso.
(...)
Dez horas da noite. Pensei que já tivesse fechado o diário por hoje, mas não consigo dormir. O papai e a mamãe estão brigando um com o outro e o meu corte está ardendo. (...) A briga ficou ainda mais sangrenta e
sem sentido do que a minha com a Susie.
Parece que o papai nunca ajudava a mamãe a tomar conta da gente, nunca ajudava a cozinhar, a lavar louça e a limpar a casa, sempre esquecia o aniversário dela e também o dia dos namorados (...). Meu pai, na hora em que minha mãe parava para tomar fôlego, dizia que ela sempre deixava o carro sem gasolina, era ilógica, não valorizava o fato de ele ir fazer as compras com ela, sempre misturava as páginas do jornal, nunca tampava a pasta de dente depois de usar e, pior de tudo, a gente estava ficando igual a ela... e por aí vai.
De repente fiquei totalmente deprimido e muito preocupado. Será que isso quer dizer que meus pais vão se separar? A culpa ia ser minha. Fui eu – sou forçado a admitir – que comecei tudo, quando estava de saco cheio.
Se meu pai e minha mãe se separassem, não ia valer a pena continuar vivendo. Eu não estava mais cansado. Tinha que falar com alguém, qualquer um, sobre isso. Fui escondido até o quarto da Susie, mas ela não estava lá. Então fui no quarto da Sally, e lá estavam as duas deitadas na cama, conversando. Desabei no chão com um suspiro, quando percebi o silêncio que tinha se instalado lá embaixo de repente.
A Sally falou baixinho:
- Não fica preocupado. A culpa não é sua, nem da Susie. Os adultos costumam brigar muito. Não sei como é que vocês nunca ouviram o papai e a mamãe discutindo antes. O monopólio das brigas não é de vocês, sabe? Uma briga de vez em quando é uma coisa normal, e não significa necessariamente que as pessoas não se gostem. (...) Esperem só até amanhã para ver. Tentei explicar à Sally como eu estava me sentindo mal. Parece que ela estava entendendo o que eu ia dizer. Ela até botou um band-aid no meu machucado.
MACFARLANE, Aidan; MCPHERSON. Diário de um adolescente hipocondríaco. Tradução de André Cardoso. São Paulo: Editora 34, 1993. P.35 – 38. ( Fragmento. Título adaptado ).
Vocabulário
Hipocondríaco: indivíduo que sofre de hipocondria (focalização compulsiva do pensamento e das preocupações sobre o próprio estado de saúde, frequentemente acompanhada de sintomas que não podem ser atribuídos a nenhuma doença orgânica).
Em qual das frases abaixo o verbo instalar tem o mesmo sentido que no trecho a seguir?
“(...) quando percebi o silêncio que tinha se instalado lá embaixo de repente.”
Questão 8 10432663
COLÉGIO SÓLIDO* 7º ANO 2015Texto
DE SACO CHEIO

Sexta-feira, 29 de fevereiro
Está caindo o maior dilúvio. Fiquei todo encharcado quando estava indo para a escola. A mamãe e a minha professora de Matemática me perguntaram se eu tinha levantando com o pé esquerdo. Estou morto de cansaço. Fiquei com dor de cabeça o dia inteiro e ainda estou irritado com a ideia de não ir ao cinema.
Foi aí que aconteceu a GRANDE briga. (...) Eu derramei um pouquinho de café sem querer. Susie disse que tinha sido de propósito, só porque era a vez dela tirar a mesa e lavar a louça, e que eu é que ia ter que limpar. Não concordei, já que era a vez DELA limpar. Ela fez uma careta e foi para a cozinha batendo o pé, carregando uma pilha de pratos. Então derramei o café dela. Quando ela voltou, eu disse que ela agora tinha alguma coisa dela para limpar. Ela tentou bater em mim. Agarrei o braço dela e torci. Ela caiu, bateu na mesa, e a garrafa de leite caiu no chão e se quebrou. Foi aí que a mamãe apareceu, pau da vida. Eu disse que a culpa tinha sido da Susie. Mas a Susie, mentindo como sempre, disse que a culpa tinha sido minha. A mamãe atirou um pano de chão para a Susie e uma vassoura para mim, e mandou a gente limpar tudo. Depois ela saiu, com um tremendo mau humor.
Na mesma hora, a Susie derramou leite no meu tênis novo e sussurrou:
- Eu te odeio.
Então eu disse que ela era uma pentelha, e que não era à toa que a Kate não gostava mais dela. Quando eu disse isso, tive a certeza, junto com um medo delicioso, de que ia haver violência. Ela me acertou no braço com um pano de chão encharcado de leite. Então eu gritei e caí (ileso) no chão. Fique segurando o braço e acabei me cortando sem querer nos cacos de vidro da garrafa de leite. Nesse instante, a mamãe e o papai apareceram: a mamãe numa porta, muda de raiva, e o papai na outra porta, recém-saído de mais uma batalha contra monstros microscópicos, igualmente mudo.
A mamãe conseguiu se recobrar primeiro e gritou:
- OS DOIS PARA CAMA. AGORA!
E aí o papai também conseguiu falar:
- Façam o que sua mãe mandou.
- Mas eu estou sangrando! – gritei.
E a Susie reclamou:
- Mas foi tudo culpa dele, por que vocês sempre implicam comigo?
- CAMA!
Então, fazendo questão de derramar sangue pela escada inteira, fui para o quarto e bati a porta. Fiquei deitado escutando a Susie soluçar. Vai ver que ficar “de saco cheio” é contagioso.
(...)
Dez horas da noite. Pensei que já tivesse fechado o diário por hoje, mas não consigo dormir. O papai e a mamãe estão brigando um com o outro e o meu corte está ardendo. (...) A briga ficou ainda mais sangrenta e
sem sentido do que a minha com a Susie.
Parece que o papai nunca ajudava a mamãe a tomar conta da gente, nunca ajudava a cozinhar, a lavar louça e a limpar a casa, sempre esquecia o aniversário dela e também o dia dos namorados (...). Meu pai, na hora em que minha mãe parava para tomar fôlego, dizia que ela sempre deixava o carro sem gasolina, era ilógica, não valorizava o fato de ele ir fazer as compras com ela, sempre misturava as páginas do jornal, nunca tampava a pasta de dente depois de usar e, pior de tudo, a gente estava ficando igual a ela... e por aí vai.
De repente fiquei totalmente deprimido e muito preocupado. Será que isso quer dizer que meus pais vão se separar? A culpa ia ser minha. Fui eu – sou forçado a admitir – que comecei tudo, quando estava de saco cheio.
Se meu pai e minha mãe se separassem, não ia valer a pena continuar vivendo. Eu não estava mais cansado. Tinha que falar com alguém, qualquer um, sobre isso. Fui escondido até o quarto da Susie, mas ela não estava lá. Então fui no quarto da Sally, e lá estavam as duas deitadas na cama, conversando. Desabei no chão com um suspiro, quando percebi o silêncio que tinha se instalado lá embaixo de repente.
A Sally falou baixinho:
- Não fica preocupado. A culpa não é sua, nem da Susie. Os adultos costumam brigar muito. Não sei como é que vocês nunca ouviram o papai e a mamãe discutindo antes. O monopólio das brigas não é de vocês, sabe? Uma briga de vez em quando é uma coisa normal, e não significa necessariamente que as pessoas não se gostem. (...) Esperem só até amanhã para ver. Tentei explicar à Sally como eu estava me sentindo mal. Parece que ela estava entendendo o que eu ia dizer. Ela até botou um band-aid no meu machucado.
MACFARLANE, Aidan; MCPHERSON. Diário de um adolescente hipocondríaco. Tradução de André Cardoso. São Paulo: Editora 34, 1993. P.35 – 38. ( Fragmento. Título adaptado ).
Vocabulário
Hipocondríaco: indivíduo que sofre de hipocondria (focalização compulsiva do pensamento e das preocupações sobre o próprio estado de saúde, frequentemente acompanhada de sintomas que não podem ser atribuídos a nenhuma doença orgânica).
O pai do jovem é dedetizador, mas ele prefere descrever a profissão do pai de um ponto de vista bem particular.
Identifique o trecho em que o jovem fala da profissão do pai.
Questão 5 10432592
COLÉGIO SÓLIDO* 7º ANO 2015Texto
DE SACO CHEIO

Sexta-feira, 29 de fevereiro
Está caindo o maior dilúvio. Fiquei todo encharcado quando estava indo para a escola. A mamãe e a minha professora de Matemática me perguntaram se eu tinha levantando com o pé esquerdo. Estou morto de cansaço. Fiquei com dor de cabeça o dia inteiro e ainda estou irritado com a ideia de não ir ao cinema.
Foi aí que aconteceu a GRANDE briga. (...) Eu derramei um pouquinho de café sem querer. Susie disse que tinha sido de propósito, só porque era a vez dela tirar a mesa e lavar a louça, e que eu é que ia ter que limpar. Não concordei, já que era a vez DELA limpar. Ela fez uma careta e foi para a cozinha batendo o pé, carregando uma pilha de pratos. Então derramei o café dela. Quando ela voltou, eu disse que ela agora tinha alguma coisa dela para limpar. Ela tentou bater em mim. Agarrei o braço dela e torci. Ela caiu, bateu na mesa, e a garrafa de leite caiu no chão e se quebrou. Foi aí que a mamãe apareceu, pau da vida. Eu disse que a culpa tinha sido da Susie. Mas a Susie, mentindo como sempre, disse que a culpa tinha sido minha. A mamãe atirou um pano de chão para a Susie e uma vassoura para mim, e mandou a gente limpar tudo. Depois ela saiu, com um tremendo mau humor.
Na mesma hora, a Susie derramou leite no meu tênis novo e sussurrou:
- Eu te odeio.
Então eu disse que ela era uma pentelha, e que não era à toa que a Kate não gostava mais dela. Quando eu disse isso, tive a certeza, junto com um medo delicioso, de que ia haver violência. Ela me acertou no braço com um pano de chão encharcado de leite. Então eu gritei e caí (ileso) no chão. Fique segurando o braço e acabei me cortando sem querer nos cacos de vidro da garrafa de leite. Nesse instante, a mamãe e o papai apareceram: a mamãe numa porta, muda de raiva, e o papai na outra porta, recém-saído de mais uma batalha contra monstros microscópicos, igualmente mudo.
A mamãe conseguiu se recobrar primeiro e gritou:
- OS DOIS PARA CAMA. AGORA!
E aí o papai também conseguiu falar:
- Façam o que sua mãe mandou.
- Mas eu estou sangrando! – gritei.
E a Susie reclamou:
- Mas foi tudo culpa dele, por que vocês sempre implicam comigo?
- CAMA!
Então, fazendo questão de derramar sangue pela escada inteira, fui para o quarto e bati a porta. Fiquei deitado escutando a Susie soluçar. Vai ver que ficar “de saco cheio” é contagioso.
(...)
Dez horas da noite. Pensei que já tivesse fechado o diário por hoje, mas não consigo dormir. O papai e a mamãe estão brigando um com o outro e o meu corte está ardendo. (...) A briga ficou ainda mais sangrenta e
sem sentido do que a minha com a Susie.
Parece que o papai nunca ajudava a mamãe a tomar conta da gente, nunca ajudava a cozinhar, a lavar louça e a limpar a casa, sempre esquecia o aniversário dela e também o dia dos namorados (...). Meu pai, na hora em que minha mãe parava para tomar fôlego, dizia que ela sempre deixava o carro sem gasolina, era ilógica, não valorizava o fato de ele ir fazer as compras com ela, sempre misturava as páginas do jornal, nunca tampava a pasta de dente depois de usar e, pior de tudo, a gente estava ficando igual a ela... e por aí vai.
De repente fiquei totalmente deprimido e muito preocupado. Será que isso quer dizer que meus pais vão se separar? A culpa ia ser minha. Fui eu – sou forçado a admitir – que comecei tudo, quando estava de saco cheio.
Se meu pai e minha mãe se separassem, não ia valer a pena continuar vivendo. Eu não estava mais cansado. Tinha que falar com alguém, qualquer um, sobre isso. Fui escondido até o quarto da Susie, mas ela não estava lá. Então fui no quarto da Sally, e lá estavam as duas deitadas na cama, conversando. Desabei no chão com um suspiro, quando percebi o silêncio que tinha se instalado lá embaixo de repente.
A Sally falou baixinho:
- Não fica preocupado. A culpa não é sua, nem da Susie. Os adultos costumam brigar muito. Não sei como é que vocês nunca ouviram o papai e a mamãe discutindo antes. O monopólio das brigas não é de vocês, sabe? Uma briga de vez em quando é uma coisa normal, e não significa necessariamente que as pessoas não se gostem. (...) Esperem só até amanhã para ver. Tentei explicar à Sally como eu estava me sentindo mal. Parece que ela estava entendendo o que eu ia dizer. Ela até botou um band-aid no meu machucado.
MACFARLANE, Aidan; MCPHERSON. Diário de um adolescente hipocondríaco. Tradução de André Cardoso. São Paulo: Editora 34, 1993. P.35 – 38. ( Fragmento. Título adaptado ).
Vocabulário
Hipocondríaco: indivíduo que sofre de hipocondria (focalização compulsiva do pensamento e das preocupações sobre o próprio estado de saúde, frequentemente acompanhada de sintomas que não podem ser atribuídos a nenhuma doença orgânica).
Identifique o trecho em que o narrador admite que sua briga com a irmã foi sem motivo.
Questão 3 10432538
COLÉGIO SÓLIDO* 7º ANO 2015Texto
DE SACO CHEIO

Sexta-feira, 29 de fevereiro
Está caindo o maior dilúvio. Fiquei todo encharcado quando estava indo para a escola. A mamãe e a minha professora de Matemática me perguntaram se eu tinha levantando com o pé esquerdo. Estou morto de cansaço. Fiquei com dor de cabeça o dia inteiro e ainda estou irritado com a ideia de não ir ao cinema.
Foi aí que aconteceu a GRANDE briga. (...) Eu derramei um pouquinho de café sem querer. Susie disse que tinha sido de propósito, só porque era a vez dela tirar a mesa e lavar a louça, e que eu é que ia ter que limpar. Não concordei, já que era a vez DELA limpar. Ela fez uma careta e foi para a cozinha batendo o pé, carregando uma pilha de pratos. Então derramei o café dela. Quando ela voltou, eu disse que ela agora tinha alguma coisa dela para limpar. Ela tentou bater em mim. Agarrei o braço dela e torci. Ela caiu, bateu na mesa, e a garrafa de leite caiu no chão e se quebrou. Foi aí que a mamãe apareceu, pau da vida. Eu disse que a culpa tinha sido da Susie. Mas a Susie, mentindo como sempre, disse que a culpa tinha sido minha. A mamãe atirou um pano de chão para a Susie e uma vassoura para mim, e mandou a gente limpar tudo. Depois ela saiu, com um tremendo mau humor.
Na mesma hora, a Susie derramou leite no meu tênis novo e sussurrou:
- Eu te odeio.
Então eu disse que ela era uma pentelha, e que não era à toa que a Kate não gostava mais dela. Quando eu disse isso, tive a certeza, junto com um medo delicioso, de que ia haver violência. Ela me acertou no braço com um pano de chão encharcado de leite. Então eu gritei e caí (ileso) no chão. Fique segurando o braço e acabei me cortando sem querer nos cacos de vidro da garrafa de leite. Nesse instante, a mamãe e o papai apareceram: a mamãe numa porta, muda de raiva, e o papai na outra porta, recém-saído de mais uma batalha contra monstros microscópicos, igualmente mudo.
A mamãe conseguiu se recobrar primeiro e gritou:
- OS DOIS PARA CAMA. AGORA!
E aí o papai também conseguiu falar:
- Façam o que sua mãe mandou.
- Mas eu estou sangrando! – gritei.
E a Susie reclamou:
- Mas foi tudo culpa dele, por que vocês sempre implicam comigo?
- CAMA!
Então, fazendo questão de derramar sangue pela escada inteira, fui para o quarto e bati a porta. Fiquei deitado escutando a Susie soluçar. Vai ver que ficar “de saco cheio” é contagioso.
(...)
Dez horas da noite. Pensei que já tivesse fechado o diário por hoje, mas não consigo dormir. O papai e a mamãe estão brigando um com o outro e o meu corte está ardendo. (...) A briga ficou ainda mais sangrenta e
sem sentido do que a minha com a Susie.
Parece que o papai nunca ajudava a mamãe a tomar conta da gente, nunca ajudava a cozinhar, a lavar louça e a limpar a casa, sempre esquecia o aniversário dela e também o dia dos namorados (...). Meu pai, na hora em que minha mãe parava para tomar fôlego, dizia que ela sempre deixava o carro sem gasolina, era ilógica, não valorizava o fato de ele ir fazer as compras com ela, sempre misturava as páginas do jornal, nunca tampava a pasta de dente depois de usar e, pior de tudo, a gente estava ficando igual a ela... e por aí vai.
De repente fiquei totalmente deprimido e muito preocupado. Será que isso quer dizer que meus pais vão se separar? A culpa ia ser minha. Fui eu – sou forçado a admitir – que comecei tudo, quando estava de saco cheio.
Se meu pai e minha mãe se separassem, não ia valer a pena continuar vivendo. Eu não estava mais cansado. Tinha que falar com alguém, qualquer um, sobre isso. Fui escondido até o quarto da Susie, mas ela não estava lá. Então fui no quarto da Sally, e lá estavam as duas deitadas na cama, conversando. Desabei no chão com um suspiro, quando percebi o silêncio que tinha se instalado lá embaixo de repente.
A Sally falou baixinho:
- Não fica preocupado. A culpa não é sua, nem da Susie. Os adultos costumam brigar muito. Não sei como é que vocês nunca ouviram o papai e a mamãe discutindo antes. O monopólio das brigas não é de vocês, sabe? Uma briga de vez em quando é uma coisa normal, e não significa necessariamente que as pessoas não se gostem. (...) Esperem só até amanhã para ver. Tentei explicar à Sally como eu estava me sentindo mal. Parece que ela estava entendendo o que eu ia dizer. Ela até botou um band-aid no meu machucado.
MACFARLANE, Aidan; MCPHERSON. Diário de um adolescente hipocondríaco. Tradução de André Cardoso. São Paulo: Editora 34, 1993. P.35 – 38. ( Fragmento. Título adaptado ).
Vocabulário
Hipocondríaco: indivíduo que sofre de hipocondria (focalização compulsiva do pensamento e das preocupações sobre o próprio estado de saúde, frequentemente acompanhada de sintomas que não podem ser atribuídos a nenhuma doença orgânica).
A respeito da reação dos pais diante da briga dos irmãos, considere as afirmativas abaixo:
I. Os pais ficaram bravos.
II. A mãe ficou muda de raiva.
III. O pai gritou e berrou.
IV. A mãe reagiu de forma mais drástica.
Está CORRETO o que se afirma em:
Questão 2 10432520
COLÉGIO SÓLIDO* 7º ANO 2015Texto
DE SACO CHEIO

Sexta-feira, 29 de fevereiro
Está caindo o maior dilúvio. Fiquei todo encharcado quando estava indo para a escola. A mamãe e a minha professora de Matemática me perguntaram se eu tinha levantando com o pé esquerdo. Estou morto de cansaço. Fiquei com dor de cabeça o dia inteiro e ainda estou irritado com a ideia de não ir ao cinema.
Foi aí que aconteceu a GRANDE briga. (...) Eu derramei um pouquinho de café sem querer. Susie disse que tinha sido de propósito, só porque era a vez dela tirar a mesa e lavar a louça, e que eu é que ia ter que limpar. Não concordei, já que era a vez DELA limpar. Ela fez uma careta e foi para a cozinha batendo o pé, carregando uma pilha de pratos. Então derramei o café dela. Quando ela voltou, eu disse que ela agora tinha alguma coisa dela para limpar. Ela tentou bater em mim. Agarrei o braço dela e torci. Ela caiu, bateu na mesa, e a garrafa de leite caiu no chão e se quebrou. Foi aí que a mamãe apareceu, pau da vida. Eu disse que a culpa tinha sido da Susie. Mas a Susie, mentindo como sempre, disse que a culpa tinha sido minha. A mamãe atirou um pano de chão para a Susie e uma vassoura para mim, e mandou a gente limpar tudo. Depois ela saiu, com um tremendo mau humor.
Na mesma hora, a Susie derramou leite no meu tênis novo e sussurrou:
- Eu te odeio.
Então eu disse que ela era uma pentelha, e que não era à toa que a Kate não gostava mais dela. Quando eu disse isso, tive a certeza, junto com um medo delicioso, de que ia haver violência. Ela me acertou no braço com um pano de chão encharcado de leite. Então eu gritei e caí (ileso) no chão. Fique segurando o braço e acabei me cortando sem querer nos cacos de vidro da garrafa de leite. Nesse instante, a mamãe e o papai apareceram: a mamãe numa porta, muda de raiva, e o papai na outra porta, recém-saído de mais uma batalha contra monstros microscópicos, igualmente mudo.
A mamãe conseguiu se recobrar primeiro e gritou:
- OS DOIS PARA CAMA. AGORA!
E aí o papai também conseguiu falar:
- Façam o que sua mãe mandou.
- Mas eu estou sangrando! – gritei.
E a Susie reclamou:
- Mas foi tudo culpa dele, por que vocês sempre implicam comigo?
- CAMA!
Então, fazendo questão de derramar sangue pela escada inteira, fui para o quarto e bati a porta. Fiquei deitado escutando a Susie soluçar. Vai ver que ficar “de saco cheio” é contagioso.
(...)
Dez horas da noite. Pensei que já tivesse fechado o diário por hoje, mas não consigo dormir. O papai e a mamãe estão brigando um com o outro e o meu corte está ardendo. (...) A briga ficou ainda mais sangrenta e
sem sentido do que a minha com a Susie.
Parece que o papai nunca ajudava a mamãe a tomar conta da gente, nunca ajudava a cozinhar, a lavar louça e a limpar a casa, sempre esquecia o aniversário dela e também o dia dos namorados (...). Meu pai, na hora em que minha mãe parava para tomar fôlego, dizia que ela sempre deixava o carro sem gasolina, era ilógica, não valorizava o fato de ele ir fazer as compras com ela, sempre misturava as páginas do jornal, nunca tampava a pasta de dente depois de usar e, pior de tudo, a gente estava ficando igual a ela... e por aí vai.
De repente fiquei totalmente deprimido e muito preocupado. Será que isso quer dizer que meus pais vão se separar? A culpa ia ser minha. Fui eu – sou forçado a admitir – que comecei tudo, quando estava de saco cheio.
Se meu pai e minha mãe se separassem, não ia valer a pena continuar vivendo. Eu não estava mais cansado. Tinha que falar com alguém, qualquer um, sobre isso. Fui escondido até o quarto da Susie, mas ela não estava lá. Então fui no quarto da Sally, e lá estavam as duas deitadas na cama, conversando. Desabei no chão com um suspiro, quando percebi o silêncio que tinha se instalado lá embaixo de repente.
A Sally falou baixinho:
- Não fica preocupado. A culpa não é sua, nem da Susie. Os adultos costumam brigar muito. Não sei como é que vocês nunca ouviram o papai e a mamãe discutindo antes. O monopólio das brigas não é de vocês, sabe? Uma briga de vez em quando é uma coisa normal, e não significa necessariamente que as pessoas não se gostem. (...) Esperem só até amanhã para ver. Tentei explicar à Sally como eu estava me sentindo mal. Parece que ela estava entendendo o que eu ia dizer. Ela até botou um band-aid no meu machucado.
MACFARLANE, Aidan; MCPHERSON. Diário de um adolescente hipocondríaco. Tradução de André Cardoso. São Paulo: Editora 34, 1993. P.35 – 38. ( Fragmento. Título adaptado ).
Vocabulário
Hipocondríaco: indivíduo que sofre de hipocondria (focalização compulsiva do pensamento e das preocupações sobre o próprio estado de saúde, frequentemente acompanhada de sintomas que não podem ser atribuídos a nenhuma doença orgânica).
Leia o que a Susie diz para os pais:
“- Mas foi tudo culpa dele, por que vocês sempre implicam comigo?”
Qual frase indica como a irmã se sente?
Questão 1 10431205
COLÉGIO SÓLIDO* 7º ANO 2015Texto
DE SACO CHEIO

Sexta-feira, 29 de fevereiro
Está caindo o maior dilúvio. Fiquei todo encharcado quando estava indo para a escola. A mamãe e a minha professora de Matemática me perguntaram se eu tinha levantando com o pé esquerdo. Estou morto de cansaço. Fiquei com dor de cabeça o dia inteiro e ainda estou irritado com a ideia de não ir ao cinema.
Foi aí que aconteceu a GRANDE briga. (...) Eu derramei um pouquinho de café sem querer. Susie disse que tinha sido de propósito, só porque era a vez dela tirar a mesa e lavar a louça, e que eu é que ia ter que limpar. Não concordei, já que era a vez DELA limpar. Ela fez uma careta e foi para a cozinha batendo o pé, carregando uma pilha de pratos. Então derramei o café dela. Quando ela voltou, eu disse que ela agora tinha alguma coisa dela para limpar. Ela tentou bater em mim. Agarrei o braço dela e torci. Ela caiu, bateu na mesa, e a garrafa de leite caiu no chão e se quebrou. Foi aí que a mamãe apareceu, pau da vida. Eu disse que a culpa tinha sido da Susie. Mas a Susie, mentindo como sempre, disse que a culpa tinha sido minha. A mamãe atirou um pano de chão para a Susie e uma vassoura para mim, e mandou a gente limpar tudo. Depois ela saiu, com um tremendo mau humor.
Na mesma hora, a Susie derramou leite no meu tênis novo e sussurrou:
- Eu te odeio.
Então eu disse que ela era uma pentelha, e que não era à toa que a Kate não gostava mais dela. Quando eu disse isso, tive a certeza, junto com um medo delicioso, de que ia haver violência. Ela me acertou no braço com um pano de chão encharcado de leite. Então eu gritei e caí (ileso) no chão. Fique segurando o braço e acabei me cortando sem querer nos cacos de vidro da garrafa de leite. Nesse instante, a mamãe e o papai apareceram: a mamãe numa porta, muda de raiva, e o papai na outra porta, recém-saído de mais uma batalha contra monstros microscópicos, igualmente mudo.
A mamãe conseguiu se recobrar primeiro e gritou:
- OS DOIS PARA CAMA. AGORA!
E aí o papai também conseguiu falar:
- Façam o que sua mãe mandou.
- Mas eu estou sangrando! – gritei.
E a Susie reclamou:
- Mas foi tudo culpa dele, por que vocês sempre implicam comigo?
- CAMA!
Então, fazendo questão de derramar sangue pela escada inteira, fui para o quarto e bati a porta. Fiquei deitado escutando a Susie soluçar. Vai ver que ficar “de saco cheio” é contagioso.
(...)
Dez horas da noite. Pensei que já tivesse fechado o diário por hoje, mas não consigo dormir. O papai e a mamãe estão brigando um com o outro e o meu corte está ardendo. (...) A briga ficou ainda mais sangrenta e
sem sentido do que a minha com a Susie.
Parece que o papai nunca ajudava a mamãe a tomar conta da gente, nunca ajudava a cozinhar, a lavar louça e a limpar a casa, sempre esquecia o aniversário dela e também o dia dos namorados (...). Meu pai, na hora em que minha mãe parava para tomar fôlego, dizia que ela sempre deixava o carro sem gasolina, era ilógica, não valorizava o fato de ele ir fazer as compras com ela, sempre misturava as páginas do jornal, nunca tampava a pasta de dente depois de usar e, pior de tudo, a gente estava ficando igual a ela... e por aí vai.
De repente fiquei totalmente deprimido e muito preocupado. Será que isso quer dizer que meus pais vão se separar? A culpa ia ser minha. Fui eu – sou forçado a admitir – que comecei tudo, quando estava de saco cheio.
Se meu pai e minha mãe se separassem, não ia valer a pena continuar vivendo. Eu não estava mais cansado. Tinha que falar com alguém, qualquer um, sobre isso. Fui escondido até o quarto da Susie, mas ela não estava lá. Então fui no quarto da Sally, e lá estavam as duas deitadas na cama, conversando. Desabei no chão com um suspiro, quando percebi o silêncio que tinha se instalado lá embaixo de repente.
A Sally falou baixinho:
- Não fica preocupado. A culpa não é sua, nem da Susie. Os adultos costumam brigar muito. Não sei como é que vocês nunca ouviram o papai e a mamãe discutindo antes. O monopólio das brigas não é de vocês, sabe? Uma briga de vez em quando é uma coisa normal, e não significa necessariamente que as pessoas não se gostem. (...) Esperem só até amanhã para ver. Tentei explicar à Sally como eu estava me sentindo mal. Parece que ela estava entendendo o que eu ia dizer. Ela até botou um band-aid no meu machucado.
MACFARLANE, Aidan; MCPHERSON. Diário de um adolescente hipocondríaco. Tradução de André Cardoso. São Paulo: Editora 34, 1993. P.35 – 38. ( Fragmento. Título adaptado ).
Vocabulário
Hipocondríaco: indivíduo que sofre de hipocondria (focalização compulsiva do pensamento e das preocupações sobre o próprio estado de saúde, frequentemente acompanhada de sintomas que não podem ser atribuídos a nenhuma doença orgânica).
Diário é o registro que uma pessoa faz, para si mesma, de pensamentos, sentimentos, opiniões, experiências e acontecimentos do seu dia a dia. Em geral, as anotações são datadas e o destinatário é o próprio autor.
Em qual passagem, o jovem expressa uma opinião sobre a Susie?
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