Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 8 15405291
Colégio Pedro II 2020Texto
Redes sociais

BESSA, Bráulio. Poesia que transforma. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.
O Texto critica a relação das pessoas com as redes sociais e evidencia certo distanciamento do cordelista no que se refere a esses espaços virtuais.
Os versos que salientam tal distanciamento, reforçando-o por meio de um advérbio de lugar, é
Questão 7 15405289
Colégio Pedro II 2020Texto

Disponível em: https://www.otempo.com.br. Acesso em: 16 jul. 2019.
A falta de empatia e de solidariedade na sociedade atual está presente em todos os textos desta prova. Na charge, Texto, tal tema é mais bem representado pela
Questão 6 15405288
Colégio Pedro II 2020Texto
Uma vela para Dario
[1] Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o
passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de
chuva. Descansa na pedra o cachimbo.
Dois ou três passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os
[5]lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.
Ele reclina-se mais um pouco, estendido na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode
pede aos outros se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta.
Quando lhe tiram os sapatos, Dario rouqueja feio, bolhas de espuma surgem no canto da boca.
Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua
[10]conversam de uma porta a outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que
Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede.
Mas não se vê guarda-chuva ou cachimbo a seu lado.
A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da
esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam
[15]chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede não tem os sapatos nem o alfinete
de pérola na gravata.
Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no
fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas
lhe cobrem o rosto, sem que façam um gesto para espantá-las.
[20] Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora, comendo e
bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de
pulso.
Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados com vários objetos de seus bolsos e
alinhados sobre a camisa branca. Ficam sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na
[25]carteira é de outra cidade.
Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as
calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario,
pisoteado dezessete vezes.
O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo os bolsos vazios. Resta na mão
[30]esquerda a aliança de ouro, que ele próprio quando vivo só destacava molhando no sabonete. A polícia
decide chamar o rabecão.
A última boca repete Ele morreu, ele morreu. A gente começa a se dispersar. Dario levou duas
horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar de
um defunto.
[35] Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito.
Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se
espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar
os cotovelos.
Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece
[40]morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.
Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A
cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras
gotas da chuva, que volta a cair.
TREVISAN, Dalton. 33 contos escolhidos. Rio de Janeiro: Record, 2005.
Perpassam o texto certos acontecimentos cujo efeito de sentido reforça a falta de empatia manifestada pelos personagens.
Tal efeito de sentido se dá
Questão 5 15405267
Colégio Pedro II 2020Texto
Uma vela para Dario
[1] Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o
passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de
chuva. Descansa na pedra o cachimbo.
Dois ou três passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os
[5]lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.
Ele reclina-se mais um pouco, estendido na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode
pede aos outros se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta.
Quando lhe tiram os sapatos, Dario rouqueja feio, bolhas de espuma surgem no canto da boca.
Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua
[10]conversam de uma porta a outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que
Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede.
Mas não se vê guarda-chuva ou cachimbo a seu lado.
A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da
esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam
[15]chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede não tem os sapatos nem o alfinete
de pérola na gravata.
Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no
fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas
lhe cobrem o rosto, sem que façam um gesto para espantá-las.
[20] Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora, comendo e
bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de
pulso.
Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados com vários objetos de seus bolsos e
alinhados sobre a camisa branca. Ficam sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na
[25]carteira é de outra cidade.
Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as
calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario,
pisoteado dezessete vezes.
O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo os bolsos vazios. Resta na mão
[30]esquerda a aliança de ouro, que ele próprio quando vivo só destacava molhando no sabonete. A polícia
decide chamar o rabecão.
A última boca repete Ele morreu, ele morreu. A gente começa a se dispersar. Dario levou duas
horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar de
um defunto.
[35] Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito.
Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se
espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar
os cotovelos.
Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece
[40]morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.
Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A
cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras
gotas da chuva, que volta a cair.
TREVISAN, Dalton. 33 contos escolhidos. Rio de Janeiro: Record, 2005.
Na narrativa ficcional de Dalton Trevisan, nota-se a presença de metonímia em: A última boca repete Ele morreu... ele morreu (linha 32).
Assinale a alternativa que indica corretamente o efeito de sentido atingido com o emprego desse recurso.
Questão 4 15405264
Colégio Pedro II 2020Texto
Uma vela para Dario
[1] Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o
passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de
chuva. Descansa na pedra o cachimbo.
Dois ou três passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os
[5]lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.
Ele reclina-se mais um pouco, estendido na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode
pede aos outros se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta.
Quando lhe tiram os sapatos, Dario rouqueja feio, bolhas de espuma surgem no canto da boca.
Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua
[10]conversam de uma porta a outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que
Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede.
Mas não se vê guarda-chuva ou cachimbo a seu lado.
A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da
esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam
[15]chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede não tem os sapatos nem o alfinete
de pérola na gravata.
Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no
fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas
lhe cobrem o rosto, sem que façam um gesto para espantá-las.
[20] Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora, comendo e
bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de
pulso.
Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados com vários objetos de seus bolsos e
alinhados sobre a camisa branca. Ficam sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na
[25]carteira é de outra cidade.
Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as
calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario,
pisoteado dezessete vezes.
O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo os bolsos vazios. Resta na mão
[30]esquerda a aliança de ouro, que ele próprio quando vivo só destacava molhando no sabonete. A polícia
decide chamar o rabecão.
A última boca repete Ele morreu, ele morreu. A gente começa a se dispersar. Dario levou duas
horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar de
um defunto.
[35] Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito.
Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se
espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar
os cotovelos.
Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece
[40]morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.
Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A
cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras
gotas da chuva, que volta a cair.
TREVISAN, Dalton. 33 contos escolhidos. Rio de Janeiro: Record, 2005.
Um grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam chamar a ambulância. (linhas 13-14)
O trecho acima exemplifica um duplo movimento percebido em diversas passagens da narrativa. Esse duplo movimento é mais bem descrito como
Questão 3 15405262
Colégio Pedro II 2020Texto
A internet facilita a vida de quem odeia
[1] Se a globalização fez com que bobagens alcançassem escala global, a internet maximizou a
expressão de ódio, de intolerância, de exacerbação1 de preconceitos e da violência da linguagem. Mas
a internet não cria o sentimento de ódio, talvez apenas torne mais evidente aquilo que só se daria no
campo do relacionamento pessoal.
[5] Há cem anos, se eu fosse um racista, precisaria expressar meu racismo num livro. Para publicar
um livro, eu teria de escrevê-lo durante meses. Depois teria de revisá-lo, achar um editor e vendê-lo.
Dava muito trabalho. Hoje eu faço um post, e com um enter, atinjo mais gente do que um livro clássico
atingiria.
O ataque anônimo nas redes, sem o custo do ataque pessoal, deu ao ódio do covarde uma
[10] energia muito grande. Deu-lhe a proteção da distância física e do anonimato. O pior do ódio social, que
é universal, agora pode ser dirigido sem custos. Numa comunidade, as relações são pessoais. Na rede,
deletérias2.
É errado, portanto, dizer que a internet transformou as pessoas em odiosas. Mas é fato que ela
gera mais tranquilidade no exercício desse ódio. O enter é tão destruidor quanto qualquer outra coisa.
[15] Antes da internet, matar dava trabalho. Agora, incita-se o ódio com um clique.
Junte a proteção do anonimato e da distância, o senso de identidade do ódio e acrescente um
terceiro elemento importante: posso a todo instante dialogar com todos. Isso me empodera. Imagine se
no passado alguém teria acesso ao universo de pessoas em todo o mundo que temos hoje? Hoje, com
um simples post, posso enlamear. Não preciso ter mais compromisso, algo diferente da mentira. A
[20] mentira é usada por alguém que tem noção da verdade. Não importa saber se é verdade. O que importa
é a sua eficácia.
KARNAL, Leandro. Todos contra todos: o ódio nosso de cada dia. Rio de Janeiro: Leya, 2017 (adaptado).
1 – exacerbação: exageração; aumento.
2 – deletérias: prejudiciais.
Se a globalização fez com que bobagens alcançassem escala global... (linha 1)
A palavra destacada no excerto acima pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, pelo seguinte vocábulo:
06
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