Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 1 422958
IFSul - Rio-Grandense 2017/2Texto
Leia o texto, para responder à questão.
Onde mora sua muiteza?
A infância é um lugar complexo. Para quem já cresceu, foi aquele espaço em que
moramos quando ainda não tínhamos muita memória. Aqueles dias e noites que se sucediam sem
grandes planos em um corpo que mudava diariamente. Muito grande. Muito pequeno. Muito alto.
Muito baixo.
[5] Quando criança, entediada, Alice seguiu um coelho até sua toca e lá se viu em um espaço
totalmente novo. Um espaço onírico que reproduzia suas ansiedades e ensinava-lhe a buscar
dentro de si mesma recursos que lhe permitissem seguir em frente. Tentando fazer sentido do
espaço onde se encontrava, Alice foi protagonista de uma experiência fantástica de descoberta.
Ela descobriu que viver não é fácil, às vezes a vida é um jogo, mas mesmo assim vale a pena.
[10] Anos mais tarde, já adulta, prestes a embarcar em um casamento arranjado, com um
noivo patético, Alice se deixa conduzir novamente a esse espaço que lhe é familiar, mas do qual
não lembra quase nada. É um lugar que fica no jardim, no buraco de uma árvore e, pasmem,
onde mora um coelho de cartola e relógio!
É lá que ela, lembrando aos poucos de que já os conhecia, encontra velhos amigos que
[15] são rápidos em tecer críticas a seu respeito, dizendo, inclusive, que ela é a Alice “errada”. Mas é
a crítica do Chapeleiro Maluco que a atinge em cheio: você não é a mesma de antes, você era
muito mais “muita”, você perdeu sua muiteza. Lá dentro. Falta alguma coisa. De todas as coisas
que Alice esqueceu de compreender desse lugar, talvez essa seja a que faça mais sentido. Talvez
isso explique tudo. Talvez tenha sido isso que ela fora até lá buscar.
[20] A criança que fomos ocupa um espaço dentro de nós, nesse acúmulo de experiências que
é a vida. É nesse espaço que guardamos os joelhos ralados, as descobertas, os medos, a alegria
e a força que nos impulsiona para a frente. Há espaços mais sombrios, outros mais claros. Muitos
de nós já esqueceram o caminho para esse lugar. Estamos ocupados demais com as coisas
grandes para tentar encontrar uma toca de coelho que nos leve para dentro da terra. Então
[25] vivemos assim, sempre muito ocupados, sempre muito atrasados, com coisas sérias e
importantes a fazer. E vagamos. Vagamos pelo mundo com alguma coisa faltando. Lá dentro.
É na infância que mora a nossa muiteza. E é para lá que devemos voltar para encontrá-la,
sempre que essa pantomima a qual chamamos de vida adulta nos puxa e empurra forte demais.
LHULLIER, Luciana. Onde mora sua muiteza? In: No coração da floresta (blog). 08 out. 2013 (adaptado). Original disponível em: . Acesso: 05 ago. 2016.
Vocabulário:
Onírico: de sonho e/ou relativo a sonho.
Pantomima: representação teatral baseada na mímica (ou seja, em gestos corporais); por extensão, situação falsa, representação, ilusão, fraude.Patético: que provoca sentimento de piedade ou tristeza; indivíduo digno da piedade alheia.
No texto – construído a partir de analogias (ou aproximações interpretativas) com as obras literárias “Aventuras de Alice no país das maravilhas” e “Através do espelho e o que Alice encontrou por lá”, do escritor inglês Lewis Carroll –, a autora, Luciana Lhullier, aborda dois momentos da vida humana: a infância e a fase adulta.
Considerando o texto como um todo, é correto afirmar que a vida adulta é
Questão 12 419504
IFSudesteMinas 2017Leia o texto “Trabalho infantil no Brasil” para responder à questão.
Trabalho infantil no Brasil
As crianças devem se dedicar a estudar e a brincar, e não a trabalhar.
O trabalho infantil, no Brasil, ainda é um grande problema social. Milhares de crianças ainda
deixam de ir à escola e ter seus direitos preservados, e trabalham desde a mais tenra idade na
lavoura, campo, fábrica ou casas de família, em regime de exploração, quase de escravidão, já que
muitas delas não chegam a receber remuneração alguma. Hoje em dia, em torno de 4,8 milhões de
[5] crianças e de adolescentes entre 5 e 17 anos estão trabalhando no Brasil, segundo PNAD 2007.
Desse total, 1,2 milhão estão na faixa entre 5 e 13 anos.
Apesar de, no Brasil, o trabalho infantil ser considerado ilegal para crianças e adolescentes entre 5
e 13 anos, a realidade continua sendo outra. Para adolescentes entre 14 e 15 anos, o trabalho é
legal, desde que na condição de aprendiz.
[10] Crianças que trabalham
O Peti (Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil) vem trabalhando, arduamente, para
erradicar o trabalho infantil. Infelizmente, mesmo com todo o seu empenho, a previsão é de poder
atender com seus projetos, cerca de 1,1 milhão de crianças e adolescentes trabalhadores, segundo
acompanhamento do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos). Do total de crianças e
[15] adolescentes atendidos, 3,7 milhões estarão de fora.
Ao abandonarem a escola, ou terem que dividir o tempo entre a escola e o trabalho, o rendimento
escolar dessas crianças é muito ruim, e serão sérias candidatas ao abandono escolar e,
consequentemente, ao despreparo para o mercado de trabalho, tendo que aceitar subempregos e,
assim, continuarem alimentando o ciclo de pobreza no Brasil. (...)
[20] O que é o trabalho infantil
Trabalho infantil é toda forma de trabalho exercido por crianças e adolescentes, abaixo da idade
mínima legal permitida para o trabalho, conforme a legislação de cada país. O trabalho infantil,
em geral, é proibido por lei. Especificamente, as formas mais nocivas ou cruéis de trabalho infantil
não apenas são proibidas, mas também constituem crime.
[25] A exploração do trabalho infantil é comum em países subdesenvolvidos, e países emergentes
como no Brasil, onde nas regiões mais pobres este trabalho é bastante comum. Na maioria das
vezes, isto ocorre devido à necessidade de ajudar, financeiramente, a família. Muitas destas
famílias são geralmente de pessoas pobres que possuem muitos filhos. Apesar de existirem
legislações que proíbam, oficialmente, esse tipo de trabalho, é comum, nas grandes cidades
[30] brasileiras, a presença de menores em cruzamentos de vias de grande tráfego, vendendo bens de
pequeno valor monetário.
Apesar de os pais serem oficialmente responsáveis pelos filhos, não é hábito dos juízes puni-los. A
ação da justiça aplica-se mais a quem contrata menores, mas, mesmo assim, as penas não chegam
a ser aplicadas.
Disponível em: . Acesso em: 24 ago. 2016. Adaptado.
Observe o trecho em destaque: “Apesar de, no Brasil, o trabalho infantil ser considerado ilegal para crianças e adolescentes entre 5 e 13 anos, a realidade continua sendo outra” (linhas 7 e 8).
O conector que introduz esse trecho traduz ideia de:
Questão 10 419493
IFSudesteMinas 2017Leia a charge para responder à questão.

A seguir, leia o poema “Meninos carvoeiros”, de Manuel Bandeira, para responder à questão.
Meninos carvoeiros
Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
– Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.
Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem é toda remendada.
Os carvões caem.
(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)
– Eh, carvoero! Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles...
[15] Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!
– Eh, carvoero!
Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados nas alimárias,
[20] Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados.
BANDEIRA, Manuel. Antologia poética: Manuel Bandeira. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1961. p. 56-57. Adaptado.
O poema “Meninos carvoeiros” e a charge conservam uma conexão semântica que pode ser CORRETAMENTE examinada nos seguintes versos de Manuel Bandeira:
Questão 8 419487
IFSudesteMinas 2017Leia a charge para responder à questão.

Aliando as linguagens não verbal (informações visuais) e verbal (recursos linguísticos), o gênero charge tem por finalidade expressar, graficamente, uma crítica às diversas situações que compõem a contemporaneidade. A partir dessa proposição e observando a charge exposta, a frase existente na tabuleta recorre:
Questão 7 419483
IFSudesteMinas 2017A seguir, leia o poema “Meninos carvoeiros”, de Manuel Bandeira, para responder à questão.
Meninos carvoeiros
Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
– Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.
Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem é toda remendada.
Os carvões caem.
(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)
– Eh, carvoero! Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles...
[15] Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!
– Eh, carvoero!
Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados nas alimárias,
[20] Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados.
BANDEIRA, Manuel. Antologia poética: Manuel Bandeira. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1961. p. 56-57. Adaptado.
Ainda em relação a “Meninos carvoeiros”, uma leitura atenta de seus versos possibilita constatar que a linguagem empregada por Manuel Bandeira tem o objetivo principal de:
Questão 5 419479
IFSudesteMinas 2017A seguir, leia o poema “Meninos carvoeiros”, de Manuel Bandeira, para responder à questão.
Meninos carvoeiros
Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
– Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.
Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem é toda remendada.
Os carvões caem.
(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)
– Eh, carvoero! Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles...
[15] Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!
– Eh, carvoero!
Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados nas alimárias,
[20] Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados.
BANDEIRA, Manuel. Antologia poética: Manuel Bandeira. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1961. p. 56-57. Adaptado.
Observe os adjetivos em destaque nos versos “Pequenina, ingênua miséria! / Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!” (linhas 15 e 16). A partir do emprego poético desses adjetivos, assinale a alternativa CORRETA.
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)