Questões de EFAF Português
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Questão 80 10149873
ENCCEJA* Encceja Fundamental I, II, III e IV 2017
GONSALES, F. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 20 ago. 2014.
O autor constrói o humor da tirinha a partir da referência a personagens de outra história.
Essa referência se estabelece pela(s)
Questão 9 10134613
CMJF 1° Ano - Prova de Português 2017TEXTO
Até aqui, tudo bem!
Na mesa do meu escritório, de onde avisto os prédios do bairro de classe média alta de
Higienópolis, do outro lado da Avenida Pacaembu, em São Paulo, há um porta-retrato. Nele, uma
fotografia embaçada registra uma estranha composição: em primeiro plano um menino, trajando uma
curta blusa de flanela, um desajeitado short e um sujo par de chinelos de dedo, tristes e assustados
[5] olhos semifechados. Pousadas em seus ombros magros, duas mãos femininas; ao lado, parte de uma
perna de calça e uma barriga, que se adivinha em breve proeminente, indica a existência de um
homem (marido das mãos femininas, talvez). Assentada sobre o braço da mulher, uma outra mão.
Pela posição das sombras, deduz-se a tarde, e pelas roupas, o final de inverno. Assim a foto sobre a
mesa: o menino surge de corpo inteiro, mas os outros três personagens são inidentificáveis — falta-
[10] lhes o rosto, página em branco onde se imprime nossa individualidade, nossa singularidade, nossa
história, enfim.
Todo o meu esforço como escritor tem sido o de tentar recompor essa imagem. O menino,
identifico-o, sou eu, aos cinco ou seis anos de idade. Mas quem são os outros três personagens que,
numa tarde de inverno para sempre perdida, imobilizaram-se para o olhar amador de alguém por
[15] detrás da máquina fotográfica? (...)
Tive o privilégio de nascer numa pequena cidade do interior de Minas Gerais chamada
Cataguases. Digo privilégio pelo fato de ter crescido num lugar de forte tradição industrial - onde os
interesses de classe são bem demarcados, conformando-nos uma visão de mundo menos ingênua,
mais pragmática. (...)
[20] A indústria têxtil implantou-se em Cataguases a partir da década de 1910, fruto da inversão de
capitais da cafeicultura em crise, e expandiu-se, atraindo mão de obra da região, afundada na
pasmaceira da agricultura de subsistência. Na década de 1950, recém-casados, meus pais
abandonaram a total falta de perspectiva da roça e buscaram dias melhores em Cataguases. Ambos,
embora meu pai semi-analfabeto e minha mãe analfabeta, tinham consciência de que somente o
[25] conhecimento formal acenaria com possibilidades de mudanças reais para os filhos e incentivaram-
nos a estudar. Sonhavam para nós uma vida de operários especializados, com salário suficiente para
comprar casa própria, enfeitá-la com inúmeros eletrodomésticos, casar, ter filhos saudáveis, futuro
garantido, estável... Tudo o que lhes foi negado, enfim...
Meu irmão formou-se ajustador-mecânico. Fez carreira brilhante: trabalhou em Diadema, na
[30] Grande São Paulo, voltou, a convite, para Cataguases, e com 26 anos conquistava o lugar de
encarregado-geral de uma fábrica de tecidos. Mas, por essa época, uma descarga de 22 mil volts
interrompeu sua ascensão... Minha irmã, tecelã, largou os estudos e o trabalho para se casar... Hoje é
merendeira de uma escola pública municipal... Quanto a mim... Bem, quanto a mim, posso dizer a
meu favor que tudo se encaminhava segundo os preceitos de meus pais: estudante mediano,
[35] cavalgava-me, até que, num início de ano letivo, refugiando minha timidez numa biblioteca, passeava
meus olhos displicentes pela lombada dos livros, quando a bibliotecária, confundindo distração com
interesse, pescou-me, felicissima, depositando em minhas mãos um livro, que por polidez não
recusei. Carreguei-o para casa, abri-o e, em dois ou três dias de profunda excitação, li-o, deitado
numa poltrona de napa amarela, as janelas escancaradas para a imóvel tarde anil de verão.
[40] Nunca deixarei de lembrar daquela semana, daquele verão, daquela poltrona, daquele livro, do
barulho liquido que vinha do puxado de telhas de amianto onde minha mãe, esfregando roupas no
tanque, calada intuía o veneno que exalava das aparentemente inocentes páginas impressas, que,
consumindo-me em febres, me conduziam a abismos de onde ninguém volta incólume. Eu tinha doze
anos e pela primeira vez me dava conta de que o mundo era maior que meu bairro, maior que minha
[45] cidade, maior talvez que as montanhas que azulavam lá longe. E isso descobri pelas palavras de um
escritor ucraniano, então soviético, Anatoly Kusnetzov, e seu romance-documentário, Bábi lar, que
narra o genocídio de milhares de judeus num campo de extermínio nas proximidades de Kiev. Por
erráticos mistérios, o menino do bairro do Paraíso, em Cataguases, identificou-se imediatamente com
a solidão, a angústia, o senso de sobrevivência daquelas famílias judias em plena Segunda Guerra
[50] Mundial.
Então, minha cidade, que julgava tão Íntima, surgiu outra à minha frente. Percebi, assustado,
que minha sina seria seguir os passos do meu irmão e da minha irmã, que acordavam antes do sol e,
ensonados, dirigiam-se de bicicleta rumo à fábrica, incendiando seus sonhos por detrás de janelas
hermeticamente fechadas, calor e barulho insuportáveis. Ou dos nossos conhecidos, que levavam a
[55] tristeza aos botequins para embriagar-se de álcool e futebol. Ou dos nossos vizinhos, cujos filhos
sumiam em direção a São Paulo ou Rio de Janeiro, em busca de uma alforria nunca assinada. Ou
das mulheres todas, que se entupiam de tranquilizantes ou de ilusões. E abracei-me aos oitis e fícus
que protegem as calçadas e irriguei o leito do rio Pomba, que corta a cidade. Passei a frequentar com
assiduidade a biblioteca. Li todos os dezoito volumes do Tesouro da Juventude e devorei a esmo
[60] romances brasileiros e estrangeiros, afundando-me, cada vez mais, na areia movediça da
inquietação.
(RUFFATO, Luiz. "Até aqui, tudo bem!”. Agua da palavra: revista de literatura e teorias, número 03, março de 2011, p. 01-02).
Assinale a alternativa que contenha a classificação correta das orações sublinhadas abaixo, todas retiradas do Texto:
I. “Ambos, embora meu pai fosse semianalfabeto e minha mãe analfabeta, tinham consciência” (linhas 23 e 24 – adaptadas)
II. “tinham consciência de que somente o conhecimento formal acenaria com possibilidades de mudanças reais” (linhas 24 e 25).
III. “Percebi, assustado, que minha sina seria a mesma dos meus irmãos” (linhas 51 e 52 – adaptadas).
IV. “E abracei-me aos oitis e fícus que protegem as calçadas” (linhas 57 e 58).
Questão 18 10121819
CMRJ 1° Ano - Prova de Português 2017TEXTO

Infográfico retirado da reportagem “O celular que escraviza”, da Revista Época,15/06/2012. Disponível em http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html. Último acesso, 03/10/2017.
No período “As estimativas sugerem que o número de hiperconectados só deve aumentar” (texto), a oração sublinhada
Questão 9558372
EEAR EEAR 2017 1 FaseU GeraisCFS 2017MORTE E VIDA SEVERINA —
O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
Como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
[...]
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
(João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina) – texto adaptado
Com relação ao adjetivo severina, da expressão Morte e Vida Severina que intitula o texto, marque para e para . Em seguida, assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) Refere-se apenas à vida e morte de Severino, protagonista do poema, que luta contra o sistema que o oprime.
( ) É a flexão para o feminino de Severino, diminutivo de severo, que significa cruel, difícil.
( ) Qualifica a existência dos Severinos e apresenta a vida daqueles seres marginalizados, determinada pela morte.
Questão 9558370
EEAR EEAR 2017 1 FaseU GeraisCFS 2017MORTE E VIDA SEVERINA —
O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
Como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
[...]
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Assinale a alternativa incorreta sobre “Morte e Vida Severina”.(João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina) – texto adaptado
Questão 8988506
EPCAR EPCAR 2017 1 FaseU PMI 2017Texto III
O sal da Terra
Beto Guedes
Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo desse chão, da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar
Tempo!
Quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo
Pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
⁰⁷E quem não é tolo pode ver⁰⁸
A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da
Terra!
És o mais bonito dos planetas
⁰³Tão te maltratando por dinheiro⁰⁴
Tu que és a nave nossa irmã
Canta!
Leva tua vida em harmonia
⁰⁹E nos alimenta com seus frutos ¹⁰
⁰¹Tu que és do homem, a maçã⁰²
Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
⁰⁵Para merecer quem vem depois⁰⁶
Deixa nascer, o amor
Deixa fluir, o amor
Deixa crescer, o amor
Deixa viver, o amor
O sal da terra
Assinale a alternativa que apresenta uma análise sintática ou morfológica INCORRETA.Disponível em: www.mundojovem.com.br/musicas/o-sal-da-terra-beto-guedes- transito. Acesso em: 18 abr. 2016.
06
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