Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 12 15468737
EPSJV Técnico em Saúde 2020A questão refere-se aos poemas “O bicho” (TEXTO I), de Manuel Bandeira, e “Gente miúda” (TEXTO II), de Sérgio Vaz:
TEXTO I
O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Manuel Bandeira (do livro Belo Belo de 1947)
TEXTO II
Gente Miúda
Daniel não tinha documentos,
RG, certidão ou carteira profissional.
Não tinha sobrenome,
não tinha número, nem cidade natal.
Quase um bicho, dormia na rua sobre as notícias
e acordava na sarjeta, na calçada ou no lixo.
Os dentes, em intervalos,
mastigavam as migalhas do mundo,
as sobras do planeta.
Era soldado
das tropas dos famintos.
Os trapos — fardas dos miseráveis —
cobriam-lhe apenas o peito, a bunda e o pinto.
Sangrava de dia
o açoite do abandono.
Amigos? Só os cães,
que o protegiam dos seres humanos.
Morreu
velho e abatido
depois de viver, todos os dias,
durante trinta e sete anos,
como se nunca tivesse existido.
Sérgio Vaz (do livro Colecionador de Pedras de 2013)
A imagem do cão aparece em ambos os poemas. Em “O Bicho”, de Manuel Bandeira, o cão não é o bicho referido no título do poema, apesar de comumente ser identificado como um animal que pode ser visto “catando comida entre os detritos”.
No caso de “Gente Miúda”, de Sérgio Vaz, podemos afirmar que os cães no poema:
Questão 11 15468043
EPSJV Técnico em Saúde 2020A questão refere-se aos poemas “O bicho” (TEXTO I), de Manuel Bandeira, e “Gente miúda” (TEXTO II), de Sérgio Vaz:
TEXTO I
O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Manuel Bandeira (do livro Belo Belo de 1947)
TEXTO II
Gente Miúda
Daniel não tinha documentos,
RG, certidão ou carteira profissional.
Não tinha sobrenome,
não tinha número, nem cidade natal.
Quase um bicho, dormia na rua sobre as notícias
e acordava na sarjeta, na calçada ou no lixo.
Os dentes, em intervalos,
mastigavam as migalhas do mundo,
as sobras do planeta.
Era soldado
das tropas dos famintos.
Os trapos — fardas dos miseráveis —
cobriam-lhe apenas o peito, a bunda e o pinto.
Sangrava de dia
o açoite do abandono.
Amigos? Só os cães,
que o protegiam dos seres humanos.
Morreu
velho e abatido
depois de viver, todos os dias,
durante trinta e sete anos,
como se nunca tivesse existido.
Sérgio Vaz (do livro Colecionador de Pedras de 2013)
Em relação aos poemas de Sérgio Vaz e Manuel Bandeira podemos afirmar que:
Questão 10 15468024
EPSJV Técnico em Saúde 2020A questão refere-se à tirinha abaixo (TEXTO):
TEXTO

Disponível em https://suburbanodigital.blogspot.com/2018/03/tirinhada-mafalda-o-indicador-de-desemprego.html , acessado em 20/09/2019
O humor crítico na tirinha é alcançado por meio da polissemia da palavra “indicador”, uma vez que:
Questão 9 15468022
EPSJV Técnico em Saúde 2020A questão refere-se à charge abaixo, de Laerte (TEXTO):
TEXTO

Disponível em https://angelorigon.com.br/2017/12/19/charge-787/,acessado em 20/09/2019
A opção que melhor explica a situação retratada na charge de Laerte (TEXTO) é:
Questão 3 15467285
EPSJV Técnico em Saúde 2020TEXTO
Com a afirmação de que o trabalho é uma categoria ‘antidiluviana’, fazendo referência ao conto bíblico da construção da arca de Noé, Marx nos permite fazer, ao mesmo tempo, três distinções em relação ao trabalho humano: por ele, diferenciamo-nos do reino animal; é uma condição necessária ao ser humano em qualquer tempo histórico; e o trabalho assume formas históricas específicas nos diferentes modos de produção da existência humana. Estas distinções nos permitem tanto superar o senso comum e a ideologia que reduzem o trabalho humano à forma histórica que assume sob as relações sociais de produção capitalistas (compra e venda de força de trabalho, trabalho assalariado, trabalho alienado) quanto perceber a improcedência das teses que postulam o fim do trabalho.
Diferente do animal, que vem regulado e programado por sua natureza e, por isso, não projeta sua existência, não a modifica, mas se adapta e responde instintivamente ao meio, os seres humanos criam e recriam, pela ação consciente do trabalho, a sua própria existência. (...)
(...) [O] trabalho, como nos mostra Kosik (1986, p. 180), “é um processo que permeia todo o ser do homem e constitui a sua especificidade”. Por isso, o mesmo não se reduz à ‘atividade laborativa ou emprego’, mas à produção de todas as dimensões da vida humana. Na sua dimensão mais crucial, o trabalho aparece como atividade que responde à produção dos elementos necessários e imperativos à vida biológica dos seres humanos como seres ou animais evoluídos da natureza. Concomitantemente, porém, responde às necessidades de sua vida intelectual, cultural, social, estética, simbólica, lúdica e afetiva. Tratase de necessidades, que, por serem históricas, assumem especificidades no tempo e no espaço. (...)
FRIGOTTO, Gaudêncio. Trabalho. In PEREIRA, Isabel Brasil; LIMA, Júlio César França (org). Dicionário de Educação Profissional em Saúde – EPSJV, 2ª rev. ampl. Rio de Janeiro: EPSJV, 2009, p. 399-404.
No período “Concomitantemente, porém, responde às necessidades de sua vida intelectual, cultural, social, estética, simbólica, lúdica e afetiva”, a palavra “concomitantemente” pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:
Questão 16 15409885
CAp-UERJ 9 ano 2020O texto a seguir foi retirado do livro A distância das coisas, do escritor Flávio Carneiro. Nesse livro, o personagem principal narra sua trajetória de investigação para encontrar a mãe, que todos julgavam estar morta, menos ele.
É importante saber por que certas coisas são o que são. Quer dizer, saber por que acontecem
de um jeito e não de outro.
O arco-íris, por exemplo, pode parecer muito estranho se você não sabe que ele é apenas o
resultado da luz do Sol brilhando num punhado de gotas de chuva. Mesmo sabendo disso ele
continua sendo meio estranho, mas pelo menos é um estranho com motivo.
E é preciso comparar, sempre. É o que eu acho mais importante na vida, se você realmente quer
ser um cara que entende algumas coisas.
Por exemplo: eu. Vários garotos têm catorze anos, sou apenas um deles. E, se você pensar na
história da humanidade, vai concluir que já existiram trilhões de garotos de catorze anos. E nenhum
deles era ou é igual a outro.
Sem comparar, você nunca vai conhecer muito bem um garoto de catorze anos. Assim como
jamais vai entender o que é um arco-íris.
(...)
Um dia, na escola, vi a reprodução de um mapa antigo, do tempo em que acreditavam que a
Terra era plana. Fiquei um tempão diante daquele mapa, observando os detalhes e pensando: como
será que as pessoas dessa época imaginavam que fosse o mundo? Como funcionava a cabeça delas
naqueles tempos?
Pensei comigo que um mapa antigo é como uma carta descrevendo um lugar que não existe
mais. Por exemplo, você vai a uma cidade e fica sentado no alto de um morro. Aí você escreve uma
carta ao seu amigo contando exatamente como é a tal cidade, vista de cima.
Anos depois esse amigo resolve visitar aquela cidade e leva com ele a carta que você escreveu.
Chegando lá, procura o tal morro. Não existe mais, ele pensa. Ou existe, mas agora tem um monte
de casas subindo por ele e no alto colocaram uma antena de televisão.
Seu amigo não desiste. Sobe até o topo do morro e fica sentado num cantinho qualquer,
procurando saber exatamente de onde foi que você viu a paisagem que descreveu para ele na carta.
E lá embaixo tem um monte de prédios, de carros, de fábricas, uma confusão danada de gente, uma
barulheira infernal.
Ele para e conclui que há duas hipóteses: ou a cidade mudou muito ou você mentiu.
Seria simples se o seu amigo tivesse apenas essa duas opções. Mas nesse negócio de cartas e
mapas nada é muito simples, concorda? Ele, se fosse alguém que gostasse de comparações, poderia
comparar essas duas hipóteses com outras.
Por exemplo: você pode ter se confundido, falando o nome errado do morro. O morro certo
estaria do outro lado da cidade, que é um lugar bem mais tranquilo. Nesse caso, nem você mentiu
nem a cidade mudou.
(...)
Não se deve tirar conclusões precipitadas, é o que eu penso. Não sei se você concorda.
FLÁVIO CARNEIRO Adaptado de A distância das coisas. São Paulo: SM, 2016.
Por exemplo: você pode ter se confundido, falando o nome errado do morro. (l. 31)
No trecho acima, a vírgula é utilizada com a seguinte finalidade:
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