Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 7 3179524
Colégio Pedro II 2018Texto
A QUEDA DO CÉU: PALAVRAS DE UM XAMÃ YANOMAMI
Os dizeres de nossos ancestrais nunca foram desenhados. São muito antigos, mas
continuam sempre presentes em nosso pensamento, até hoje. Continuamos a revelá-los a
nossos filhos, que, depois da nossa morte, farão o mesmo com os seus. As crianças não
conhecem os xapiri. No entanto, prestam atenção nos cantos dos xamãs que os fazem
[05] dançar em nossas casas. É desse modo que, aos poucos, as palavras dos maiores vão
fazendo seu caminho nos pequenos. Depois, quando ficam adultos, tornam-se por sua vez
capazes de dá-las a ouvir. É assim que transmitimos nossa história, sem desenhar nossas
palavras. Elas vivem no fundo de nós. Não deixamos que desapareçam. Desse modo,
quando um rapaz quer por sua vez virar espírito, pede aos xamãs renomados de sua casa
[10] para lhe darem seus xapiri. Estes então lhe transmitem antigas palavras, que se instalam
nele e vão se renovando e aumentando com o passar do tempo.
Os brancos, por outro lado, não param de querer desenhar suas palavras. Essa
também não é coisa que lhes foi ensinada por Omama! Deve ser porque suas mentes são
mesmo muito esquecidas! Seus ancestrais devem ter criado esses desenhos para poder
[15] seguir seus pensamentos. Talvez tenham pensado, outrora: “Vamos desenhar o que
dizemos, e assim talvez nossas palavras não fujam mais para longe de nós”. É verdade.
Suas palavras não parecem se firmar por muito tempo em suas mentes. Se escutarem muitas
delas sem marcar seu traçado, elas logo desaparecem de seu pensamento. Quando
guardam uns desenhos delas, ao contrário, no dia seguinte, depois de as terem esquecido,
[20] podem lembrar de repente: “Oae! É isso! As coisas são mesmo como eu as pintei nessa pele
de papel!”. É o costume deles. Fazem isso o tempo todo; senão, esqueceriam em seguida
tudo o que dizem! Eles gostam muito das peles de imagens, como seus antigos antes deles,
porque são outra gente. Deve ser algo bom para o pensamento deles. Guardam suas velhas
palavras desenhando-as e dão a elas o nome de história.
KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 457- 458.
Lendo o Texto, podemos compreender que
Questão 5 3179512
Colégio Pedro II 2018Texto I
GUILHERME AUGUSTO ARAÚJO FERNANDES
Era uma vez um menino chamado Guilherme Augusto Araújo Fernandes e ele nem era
tão velho assim.
Sua casa era ao lado de um asilo de velhos e ele conhecia todo mundo que vivia lá.
[...]
[05] Mas a pessoa que ele mais gostava era a Sra. Antônia Maria Diniz Cordeiro, porque ela
também tinha quatro nomes, como ele.
Ele a chamava de Dona Antônia e contava-lhe todos os seus segredos.
Um dia, Guilherme Augusto escutou sua mãe e seu pai conversando sobre Dona Antônia.
– Coitada da velhinha – disse sua mãe.
[10] – Por que ela é coitada? – perguntou Guilherme Augusto.
– Porque ela perdeu a memória – respondeu seu pai.
– Também, não é para menos – disse sua mãe. – Afinal, ela já tem noventa e seis anos.
– O que é memória? – perguntou Guilherme Augusto.
Ele vivia fazendo perguntas.
[15] – É algo de que você se lembre – respondeu o pai.
Mas Guilherme Augusto queria saber mais; então, ele procurou a Sra. Silvano que tocava
piano.
– O que é memória? – perguntou.
– Algo quente, meu filho, algo quente.
[20] Ele procurou o Sr. Cervantes que lhe contava histórias arrepiantes.
– O que é memória? – perguntou.
– Algo bem antigo, meu caro, algo bem antigo.
Ele procurou o Sr. Valdemar que adorava remar.
– O que é memória? – perguntou.
[25] – Algo que o faz chorar, meu menino, algo que o faz chorar.
Ele procurou a Sra. Mandala que andava com uma bengala.
– O que é memória? – perguntou.
– Algo que o faz rir, meu querido, algo que o faz rir.
Ele procurou o Sr. Possante que tinha voz de gigante.
[30] – O que é memória? – perguntou.
– Algo que vale ouro, meu jovem, algo que vale ouro.
Então Guilherme Augusto voltou para casa, para procurar memórias para Dona Antônia,
já que ela havia perdido as suas.
Ele procurou uma antiga caixa de sapatos cheia de conchas, guardadas há muito tempo,
[35] e colocou-as com cuidado numa cesta.
Ele achou a marionete, que sempre fizera todo mundo rir, e colocou-a na cesta também.
Ele lembrou-se, com tristeza, da medalha que seu avô lhe tinha dado e colocou-a
delicadamente ao lado das conchas.
Depois achou sua bola de futebol, que para ele valia ouro; por fim, entrou no galinheiro
[40] e pegou um ovo fresquinho, ainda quente, debaixo da galinha.
Aí, Guilherme Augusto foi visitar Dona Antônia e deu a ela, uma por uma, cada coisa de
sua cesta.
“Que criança adorável que me traz essas coisas maravilhosas”, pensou Dona Antônia.
E então ela começou a se lembrar.
[45] Ela segurou o ovo ainda quente e contou a Guilherme Augusto sobre um ovinho azul,
todo pintado, que havia encontrado uma vez, dentro de um ninho, no jardim da casa de sua
tia.
Ela encostou uma das conchas em seu ouvido e lembrou da vez que tinha ido à praia de
bonde, há muito tempo, e como sentira calor com suas botas de amarrar.
[50] Ela pegou a medalha e lembrou, com tristeza, de seu irmão mais velho, que havia ido
para guerra e que nunca voltou.
Ela sorriu para a marionete e lembrou da vez em que mostrara uma para sua irmãzinha,
que rira às gargalhadas, com a boca cheia de mingau.
Ela jogou a bola de futebol para Guilherme Augusto e lembrou do dia em que se
[55] conheceram e de todos os segredos que haviam compartilhado.
E os dois sorriram e sorriram, pois toda a memória perdida de Dona Antônia tinha sido
encontrada, por um menino que nem era tão velho assim.
FOX, Mem. Guilherme Augusto Araújo Fernandes. São Paulo: Brinque-Book, 1984.
Texto II
GUARDAR
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro
do que um pássaro sem voos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
CICERO, Antonio. Guardar: poemas escolhidos. 4. ed. Rio de Janeiro: Record, 2008, p. 11.
No poema (Texto II), são criados vários sentidos para o verbo “guardar”.
Assinale a alternativa em que a atitude de Guilherme (Texto I) corresponde a um desses sentidos.
Questão 4 3179504
Colégio Pedro II 2018Texto
GUILHERME AUGUSTO ARAÚJO FERNANDES
Era uma vez um menino chamado Guilherme Augusto Araújo Fernandes e ele nem era
tão velho assim.
Sua casa era ao lado de um asilo de velhos e ele conhecia todo mundo que vivia lá.
[...]
[05] Mas a pessoa que ele mais gostava era a Sra. Antônia Maria Diniz Cordeiro, porque ela
também tinha quatro nomes, como ele.
Ele a chamava de Dona Antônia e contava-lhe todos os seus segredos.
Um dia, Guilherme Augusto escutou sua mãe e seu pai conversando sobre Dona Antônia.
– Coitada da velhinha – disse sua mãe.
[10] – Por que ela é coitada? – perguntou Guilherme Augusto.
– Porque ela perdeu a memória – respondeu seu pai.
– Também, não é para menos – disse sua mãe. – Afinal, ela já tem noventa e seis anos.
– O que é memória? – perguntou Guilherme Augusto.
Ele vivia fazendo perguntas.
[15] – É algo de que você se lembre – respondeu o pai.
Mas Guilherme Augusto queria saber mais; então, ele procurou a Sra. Silvano que tocava
piano.
– O que é memória? – perguntou.
– Algo quente, meu filho, algo quente.
[20] Ele procurou o Sr. Cervantes que lhe contava histórias arrepiantes.
– O que é memória? – perguntou.
– Algo bem antigo, meu caro, algo bem antigo.
Ele procurou o Sr. Valdemar que adorava remar.
– O que é memória? – perguntou.
[25] – Algo que o faz chorar, meu menino, algo que o faz chorar.
Ele procurou a Sra. Mandala que andava com uma bengala.
– O que é memória? – perguntou.
– Algo que o faz rir, meu querido, algo que o faz rir.
Ele procurou o Sr. Possante que tinha voz de gigante.
[30] – O que é memória? – perguntou.
– Algo que vale ouro, meu jovem, algo que vale ouro.
Então Guilherme Augusto voltou para casa, para procurar memórias para Dona Antônia,
já que ela havia perdido as suas.
Ele procurou uma antiga caixa de sapatos cheia de conchas, guardadas há muito tempo,
[35] e colocou-as com cuidado numa cesta.
Ele achou a marionete, que sempre fizera todo mundo rir, e colocou-a na cesta também.
Ele lembrou-se, com tristeza, da medalha que seu avô lhe tinha dado e colocou-a
delicadamente ao lado das conchas.
Depois achou sua bola de futebol, que para ele valia ouro; por fim, entrou no galinheiro
[40] e pegou um ovo fresquinho, ainda quente, debaixo da galinha.
Aí, Guilherme Augusto foi visitar Dona Antônia e deu a ela, uma por uma, cada coisa de
sua cesta.
“Que criança adorável que me traz essas coisas maravilhosas”, pensou Dona Antônia.
E então ela começou a se lembrar.
[45] Ela segurou o ovo ainda quente e contou a Guilherme Augusto sobre um ovinho azul,
todo pintado, que havia encontrado uma vez, dentro de um ninho, no jardim da casa de sua
tia.
Ela encostou uma das conchas em seu ouvido e lembrou da vez que tinha ido à praia de
bonde, há muito tempo, e como sentira calor com suas botas de amarrar.
[50] Ela pegou a medalha e lembrou, com tristeza, de seu irmão mais velho, que havia ido
para guerra e que nunca voltou.
Ela sorriu para a marionete e lembrou da vez em que mostrara uma para sua irmãzinha,
que rira às gargalhadas, com a boca cheia de mingau.
Ela jogou a bola de futebol para Guilherme Augusto e lembrou do dia em que se
[55] conheceram e de todos os segredos que haviam compartilhado.
E os dois sorriram e sorriram, pois toda a memória perdida de Dona Antônia tinha sido
encontrada, por um menino que nem era tão velho assim.
FOX, Mem. Guilherme Augusto Araújo Fernandes. São Paulo: Brinque-Book, 1984.
"Ele a chamava de Dona Antônia e contava-lhe todos os seus segredos.” (linha 7)
O termo substituído pelo pronome “lhe” na frase acima é
Questão 2 3179494
Colégio Pedro II 2018Texto
GUILHERME AUGUSTO ARAÚJO FERNANDES
Era uma vez um menino chamado Guilherme Augusto Araújo Fernandes e ele nem era
tão velho assim.
Sua casa era ao lado de um asilo de velhos e ele conhecia todo mundo que vivia lá.
[...]
[05] Mas a pessoa que ele mais gostava era a Sra. Antônia Maria Diniz Cordeiro, porque ela
também tinha quatro nomes, como ele.
Ele a chamava de Dona Antônia e contava-lhe todos os seus segredos.
Um dia, Guilherme Augusto escutou sua mãe e seu pai conversando sobre Dona Antônia.
– Coitada da velhinha – disse sua mãe.
[10] – Por que ela é coitada? – perguntou Guilherme Augusto.
– Porque ela perdeu a memória – respondeu seu pai.
– Também, não é para menos – disse sua mãe. – Afinal, ela já tem noventa e seis anos.
– O que é memória? – perguntou Guilherme Augusto.
Ele vivia fazendo perguntas.
[15] – É algo de que você se lembre – respondeu o pai.
Mas Guilherme Augusto queria saber mais; então, ele procurou a Sra. Silvano que tocava
piano.
– O que é memória? – perguntou.
– Algo quente, meu filho, algo quente.
[20] Ele procurou o Sr. Cervantes que lhe contava histórias arrepiantes.
– O que é memória? – perguntou.
– Algo bem antigo, meu caro, algo bem antigo.
Ele procurou o Sr. Valdemar que adorava remar.
– O que é memória? – perguntou.
[25] – Algo que o faz chorar, meu menino, algo que o faz chorar.
Ele procurou a Sra. Mandala que andava com uma bengala.
– O que é memória? – perguntou.
– Algo que o faz rir, meu querido, algo que o faz rir.
Ele procurou o Sr. Possante que tinha voz de gigante.
[30] – O que é memória? – perguntou.
– Algo que vale ouro, meu jovem, algo que vale ouro.
Então Guilherme Augusto voltou para casa, para procurar memórias para Dona Antônia,
já que ela havia perdido as suas.
Ele procurou uma antiga caixa de sapatos cheia de conchas, guardadas há muito tempo,
[35] e colocou-as com cuidado numa cesta.
Ele achou a marionete, que sempre fizera todo mundo rir, e colocou-a na cesta também.
Ele lembrou-se, com tristeza, da medalha que seu avô lhe tinha dado e colocou-a
delicadamente ao lado das conchas.
Depois achou sua bola de futebol, que para ele valia ouro; por fim, entrou no galinheiro
[40] e pegou um ovo fresquinho, ainda quente, debaixo da galinha.
Aí, Guilherme Augusto foi visitar Dona Antônia e deu a ela, uma por uma, cada coisa de
sua cesta.
“Que criança adorável que me traz essas coisas maravilhosas”, pensou Dona Antônia.
E então ela começou a se lembrar.
[45] Ela segurou o ovo ainda quente e contou a Guilherme Augusto sobre um ovinho azul,
todo pintado, que havia encontrado uma vez, dentro de um ninho, no jardim da casa de sua
tia.
Ela encostou uma das conchas em seu ouvido e lembrou da vez que tinha ido à praia de
bonde, há muito tempo, e como sentira calor com suas botas de amarrar.
[50] Ela pegou a medalha e lembrou, com tristeza, de seu irmão mais velho, que havia ido
para guerra e que nunca voltou.
Ela sorriu para a marionete e lembrou da vez em que mostrara uma para sua irmãzinha,
que rira às gargalhadas, com a boca cheia de mingau.
Ela jogou a bola de futebol para Guilherme Augusto e lembrou do dia em que se
[55] conheceram e de todos os segredos que haviam compartilhado.
E os dois sorriram e sorriram, pois toda a memória perdida de Dona Antônia tinha sido
encontrada, por um menino que nem era tão velho assim.
FOX, Mem. Guilherme Augusto Araújo Fernandes. São Paulo: Brinque-Book, 1984.
Assinale a alternativa que traz uma memória de Guilherme Augusto.
Questão 40 1376064
CN 2° Dia 2018Um circuito elétrico é composto por uma bateria ideal com uma tensão (U) de 15 V, resistores cada qual com uma resistência elétrica (R) de 3 Ω, fios condutores ideais e duas chaves (Ch) que permitem abrir ou fechar o circuito ou parte dele. Além disso, conta com um amperimetro ideal (A).

Na situação apresentada na figura abaixo, qual das opções fornece, respectivamente, a resistência elétrica equivalente (Req) do circuito e a intensidade da corrente elétrica (i) indicada pelo amperímetro?
Questão 32 1375968
CN 2° Dia 2018Leia o texto referente à questão.
Carta à República
Sim é verdade, a vida é mais livre
O medo já não convive nas casas, nos bares, nas ruas
Com o povo daqui
E até dá pra pensar no futuro
E ver nossos filhos crescendo e sorrindo
Mas eu não posso esconder a amargura
Ao ver que o sonho anda pra trás
[...]
A esperança que a gente carrega
É um sorvete em pleno sol
O que fizeram da nossa fé?
[...]
Eu saí pra sonhar meu país
E foi tão bom, não estava sozinho
A praça era alegria sadia
O povo era senhor
E só uma voz, numa só canção
E foi por ter posto a mão no futuro
Que no presente preciso ser duro
E eu não posso me acomodar
Quero um país melhor
(Milton Nascimento e Fernando Brant)
Gravada em 1987, é correto afirmar que a música, segundo o contexto histórico da época, apresenta uma visão otimista em relação:
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)