Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 17 10117553
CMRJ 1° Ano - Prova de Português 2018COM BASE NO TEXTO, RESPONDA A QUESTÃO.
Texto
Eu tinha nove ou dez anos, e uma tia, que era pintora, me convidara para ir ao seu ateliê
para conhecer o local onde ela trabalhava. O pequeno aposento estava frio e tinha um cheiro
maravilhoso de terebintina e óleo; as telas armazenadas, apoiadas uma nas outras, me
pareciam livros deformados no sonho de alguém que soubesse vagamente o que eram livros e
[5] os houvesse imaginado enormes, feitos de uma única página, dura e grossa [...].
Francis Bacon observou que, para os antigos, todas as imagens que o mundo dispõe
diante de nós já se acham encerradas em nossa memória desde o nascimento. “Desse modo,
Platão tinha a concepção”, escreveu ele, “de que todo conhecimento não passava de
recordação; do mesmo modo, Salomão proferiu sua conclusão de que toda novidade não passa
[10] de esquecimento”. Se isso for verdade, estamos todos refletidos de algum modo nas
numerosas e distintas imagens que nos rodeiam, uma vez que elas já são parte daquilo que
somos: imagens que criamos e imagens que emolduramos; imagens que compomos fisicamente,
à mão, e imagens que se formam espontaneamente na imaginação; imagens de rostos, árvores,
prédios, nuvens, paisagens, instrumentos, água, fogo e imagens daquelas imagens — pintadas,
[15] esculpidas, encenadas... Quer descubramos nessas imagens circundantes lembranças
desbotadas de uma beleza que, em outros tempos, foi nossa (como sugeriu Platão), quer elas
exijam de nós uma interpretação nova e original, por meio de todas as possibilidades que
nossa linguagem tenha a oferecer, somos essencialmente criaturas de imagens, de figuras.
(MANGUEL, Alberto. Lendo imagens. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 19-20.)
As orações adjetivas cujo conteúdo é relevante para a identificação da entidade, ser ou objeto a que se refere o antecedente do pronome relativo chamam-se restritivas [...]. Quando, entretanto, o conteúdo da oração adjetiva não contribui para essa identificação, dizemos que a oração adjetiva é não restritiva (ou explicativa).
(Azeredo, José Carlos de. Gramática Houaiss da língua portuguesa. 1.ed. São Paulo: Publifolha, 2008. p. 319-320.)
Ao longo do Texto, observam-se algumas ocorrências de orações adjetivas.
No período “Eu tinha nove ou dez anos, e uma tia, que era pintora, me convidara para ir ao seu ateliê para conhecer o local onde ela trabalhava.” (l. 1 e 2), a oração adjetiva destacada estabelece com o vocábulo “tia” uma relação semântica de
Questão 6 10117045
CMRJ 1° Ano - Prova de Português 2018TEXTO I
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
[5] ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
[10] e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
[15] Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
(PRADO, Adélia. Terra de Santa Cruz, Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 25.)
TEXTO II
A despedideira
Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres
que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que
ele seja a minha voz quando Deus me pedir contas. [...]
Há muito tempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele
[5] foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada a ser ninguém. Às
vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei,
tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha.
Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca
eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comerciar palavra, em negoceio de
[10] sentimento. Falar é outra coisa, é essa ponte sagrada em que ficamos pendentes, suspensos sobre
o abismo. Falar é outra coisa, vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei.
Como perfume em que perdesse minha própria aparência. Me solvia na fala, insubstanciada.
Lembro desse encontro, dessa primogênita primeira vez. Como se aquele momento fosse,
afinal, toda minha vida. Aconteceu aqui, neste mesmo pátio em que agora o espero. Era uma
[15] tarde boa para gente existir. O mundo cheirava a casa. O ar por ali parava. A brisa sem voar,
quase nidificava. Vez voz, os olhos e os olhares. Ele, em minha frente todo chegado como se a
sua única viagem tivesse sido para a minha vida.
No entanto, algo nele aparentava distância. [...]
Nesse mesmo pátio em que se estreava meu coração tudo iria, afinal, acabar. Porque ele
[20] anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher
havendo. Só isso: a murchidão do que, antes, florescia. [...] O único intruso era o tempo, que nossa
rotina deixara crescer e pesar.
[...] Deixem-me agora evocar, aos goles de lembrança. Enquanto espero que ele volte, de
novo, a este pátio. Recordar tudo, de uma só vez, me dá sofrimento. Por isso, vou lembrando aos
[25] poucos. Me debruço na varanda e a altura me tonteia. Quase vou na vertigem. Sabem o que
descobri? Que minha alma é feita de água. Não posso me debruçar tanto. Senão me entorno e
ainda morro vazia, sem gota.
Porque eu não sou por mim. Existo refletida, ardível em paixão. Como a lua: o que brilho é
por luz de outro. A luz desse amante, luz dançando na água. Mesmo que surja assim, agora,
[30] distante e fria. Cinza de um cigarro nunca fumado.
Pedi-lhe que viesse uma vez mais. Para que, de novo, se despeça de mim. E passados os anos,
tantos que já nem cabem na lembrança, eu ainda choro como se fosse a primeira despedida.
Porque esse adeus, só esse aceno é meu, todo inteiramente meu. Um adeus à medida de meu
amor.
[35] [...] Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é
ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada, Ninguém no plural.
Ninguéns.
(COUTO, Mia. O fio das missangas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p.51-54.)
A QUESTÃO REFERE-SE AOS TEXTOS II E III.
Tanto no poema de Adélia Prado quanto no conto de Mia Couto, a expressão “primeira vez” remete a momentos felizes:
“O silêncio de quando nos vimos a primeira vez / atravessa a cozinha como um rio profundo”
(Texto II, v. 11 e 12)
“Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca eu tinha falado com ninguém. [...] Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei. [...] Lembro desse encontro, dessa primogênita primeira vez”.
(Texto III, l. 8-13)
O silêncio (Texto I) e a palavra (Texto II), tão marcantes no primeiro encontro de cada casal, remetem, respectivamente à ideia de
Questão 5 10117036
CMRJ 1° Ano - Prova de Português 2018COM BASE NO TEXTO, RESPONDA A QUESTÃO.
TEXTO
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
[5] ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
[10] e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
[15] Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
(PRADO, Adélia. Terra de Santa Cruz, Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 25.)
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’ (v. 8 e 9)
Nesse trecho, há um recurso de coesão textual em que o termo sublinhado é retomado por meio de elipse.
Esse mesmo recurso está presente em
Questão 9840216
COTIL COTIL 2018 1 FaseU Gerais 2018MENOR ABANDONADO
Cora Coralina
De onde vens, criança?
Que mensagem trazes de futuro?
Por que tão cedo esse batismo impuro
que mudou teu nome?
Em que galpão, casebre, invasão, favela,
ficou esquecida tua mãe?...
E teu pai, em que selva escura
se perdeu, perdendo o caminho
do barraco humilde?...
Criança periférica rejeitada...
Teu mundo é um submundo.
Mão nenhuma te valeu na derrapada.
Ao acaso das ruas – nosso encontro.
És tão pequeno... e eu tenho medo.
Medo de você crescer, ser homem.
Medo da espada de teus olhos...
Medo da tua rebeldia antecipada.
Nego a esmola que me pedes
Culpa-me tua indigência inconsciente
Revolta-me tua infância desvalida
Quisera escrever versos de fogo,
e sou mesquinha.
Pudesse eu te ajudar, criança-estigma
Defender tua causa, cortar tua raiz
chagada...
És o lema sombrio de uma bandeira
que levanto,
pedindo para ti – Menor Abandonado,
Escolas de Artesanato – Mater et Magistra
que possam te salvar, deter a tua queda...
Ninguém comigo na floresta escura...
E o meu grito impotente se perde
na acústica indiferente das cidades.
Escolas de Artesanato para reduzir
o gigantismo enfermo
da criança enferma
é o meu perdido S.O.S.
Estou sozinha na floresta escura
e o meu apelo se perdeu inútil
na acústica insensível da cidade.
És o infante de um terceiro mundo
em lenta rotação para o encontro
do futuro.
Há um fosso de separação
entre três mundos.
E tu – Menor Abandonado,
és a pedra, o entulho e o aterro
desse fosso.
Quisera a tempo te alcançar,
mudar teu rumo.
De novo te vestir a veste branca
de um novo catecúmeno.
És tanto e tantos teus irmãos
na selva densa...
E eu sozinha na cidade imensa!
“Escolas de ofícios Mãe e Mestra”
para tua legião.
Mãe para o amor.
Mestra para o ensino.
Passa, criança... Segue o teu destino.
Além é o teu encontro.
Estarás sentado, curvado, taciturno.
Sete “homens bons” te julgarão.
Um juiz togado dirá textos de Lei
que nunca entenderás.
- Mais uma vez mudarás de nome.
E dentro de uma casa muito grande
e muito triste – serás um número.
(...)
(http://vermelho.org.br/noticia/43468-1)
“De onde vens, criança? (verso 1)
Onde pode ser empregado com ou sem preposição, dependendo do verbo que o rege.
Assinale a resposta em que temos o emprego correto desse advérbio interrogativo.
Questão 9840215
COTIL COTIL 2018 1 FaseU Gerais 2018MENOR ABANDONADO
Cora Coralina
De onde vens, criança?
Que mensagem trazes de futuro?
Por que tão cedo esse batismo impuro
que mudou teu nome?
Em que galpão, casebre, invasão, favela,
ficou esquecida tua mãe?...
E teu pai, em que selva escura
se perdeu, perdendo o caminho
do barraco humilde?...
Criança periférica rejeitada...
Teu mundo é um submundo.
Mão nenhuma te valeu na derrapada.
Ao acaso das ruas – nosso encontro.
És tão pequeno... e eu tenho medo.
Medo de você crescer, ser homem.
Medo da espada de teus olhos...
Medo da tua rebeldia antecipada.
Nego a esmola que me pedes
Culpa-me tua indigência inconsciente
Revolta-me tua infância desvalida
Quisera escrever versos de fogo,
e sou mesquinha.
Pudesse eu te ajudar, criança-estigma
Defender tua causa, cortar tua raiz
chagada...
És o lema sombrio de uma bandeira
que levanto,
pedindo para ti – Menor Abandonado,
Escolas de Artesanato – Mater et Magistra
que possam te salvar, deter a tua queda...
Ninguém comigo na floresta escura...
E o meu grito impotente se perde
na acústica indiferente das cidades.
Escolas de Artesanato para reduzir
o gigantismo enfermo
da criança enferma
é o meu perdido S.O.S.
Estou sozinha na floresta escura
e o meu apelo se perdeu inútil
na acústica insensível da cidade.
És o infante de um terceiro mundo
em lenta rotação para o encontro
do futuro.
Há um fosso de separação
entre três mundos.
E tu – Menor Abandonado,
és a pedra, o entulho e o aterro
desse fosso.
Quisera a tempo te alcançar,
mudar teu rumo.
De novo te vestir a veste branca
de um novo catecúmeno.
És tanto e tantos teus irmãos
na selva densa...
E eu sozinha na cidade imensa!
“Escolas de ofícios Mãe e Mestra”
para tua legião.
Mãe para o amor.
Mestra para o ensino.
Passa, criança... Segue o teu destino.
Além é o teu encontro.
Estarás sentado, curvado, taciturno.
Sete “homens bons” te julgarão.
Um juiz togado dirá textos de Lei
que nunca entenderás.
- Mais uma vez mudarás de nome.
E dentro de uma casa muito grande
e muito triste – serás um número.
(...)
Que medo a autora expressa ao longo dos versos?(http://vermelho.org.br/noticia/43468-1)
Questão 9840214
COTIL COTIL 2018 1 FaseU Gerais 2018MENOR ABANDONADO
Cora Coralina
De onde vens, criança?
Que mensagem trazes de futuro?
Por que tão cedo esse batismo impuro
que mudou teu nome?
Em que galpão, casebre, invasão, favela,
ficou esquecida tua mãe?...
E teu pai, em que selva escura
se perdeu, perdendo o caminho
do barraco humilde?...
Criança periférica rejeitada...
Teu mundo é um submundo.
Mão nenhuma te valeu na derrapada.
Ao acaso das ruas – nosso encontro.
És tão pequeno... e eu tenho medo.
Medo de você crescer, ser homem.
Medo da espada de teus olhos...
Medo da tua rebeldia antecipada.
Nego a esmola que me pedes
Culpa-me tua indigência inconsciente
Revolta-me tua infância desvalida
Quisera escrever versos de fogo,
e sou mesquinha.
Pudesse eu te ajudar, criança-estigma
Defender tua causa, cortar tua raiz
chagada...
És o lema sombrio de uma bandeira
que levanto,
pedindo para ti – Menor Abandonado,
Escolas de Artesanato – Mater et Magistra
que possam te salvar, deter a tua queda...
Ninguém comigo na floresta escura...
E o meu grito impotente se perde
na acústica indiferente das cidades.
Escolas de Artesanato para reduzir
o gigantismo enfermo
da criança enferma
é o meu perdido S.O.S.
Estou sozinha na floresta escura
e o meu apelo se perdeu inútil
na acústica insensível da cidade.
És o infante de um terceiro mundo
em lenta rotação para o encontro
do futuro.
Há um fosso de separação
entre três mundos.
E tu – Menor Abandonado,
és a pedra, o entulho e o aterro
desse fosso.
Quisera a tempo te alcançar,
mudar teu rumo.
De novo te vestir a veste branca
de um novo catecúmeno.
És tanto e tantos teus irmãos
na selva densa...
E eu sozinha na cidade imensa!
“Escolas de ofícios Mãe e Mestra”
para tua legião.
Mãe para o amor.
Mestra para o ensino.
Passa, criança... Segue o teu destino.
Além é o teu encontro.
Estarás sentado, curvado, taciturno.
Sete “homens bons” te julgarão.
Um juiz togado dirá textos de Lei
que nunca entenderás.
- Mais uma vez mudarás de nome.
E dentro de uma casa muito grande
e muito triste – serás um número.
(...)
Os versos e , "Por que tão cedo esse batismo impuro/que mudou teu nome?", significam que a autora(http://vermelho.org.br/noticia/43468-1)
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)