Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 9 482289
IFRJ 2019O açúcar
O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.
Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.
Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos 27 anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.
Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
GULLAR, Ferreira. Toda poesia (1950/1980). Rio de Janeiro: José Olympio, 2006. Pág. 165-166.
Vocabulário:
Afável: delicado, agradável
Regaço: colo; no sentido figurado, lugar onde se acha conforto e tranquilidade.
No poema, é possível identificar diferentes personagens associados a locais que fazem referência às fases de produção do açúcar. Os locais correspondentes à sequência de personagens Oliveira, empresários, trabalhadores, consumidores são:
Questão 5 482267
IFRJ 2019No fragmento [...] o monopólio dos meios de comunicação usados para propaganda das “verdades” que interessam às elites (3º parágrafo), verifica-se o uso do sinal gráfico da crase. A justificativa para este emprego é o fato de que o verbo interessar exige a preposição a e a palavra elites é um substantivo feminino que exige artigo.
A crase deve ser empregada por esta mesma regra em:
Questão 4 482262
IFRJ 2019Educação e desigualdade - A luta por uma educação pública e igualitária deve estar na pauta das lutas políticas nos mesmos níveis das demais lutas sociais e econômicas.
Uma das características mais perversas da sociedade brasileira é a desigualdade de renda. Nas últimas
décadas, chegamos a ocupar a pior posição entre todos os países. Mesmo considerando certa melhoria mais
recentemente, ainda estamos entre os 12 países mais desiguais do mundo, juntamente com a África do Sul, o
Chile, o Paraguai, o Haiti, Honduras, entre outros. [...]
[5] Essa má distribuição de renda faz com que tenhamos em nosso território uma pequena elite que se
beneficia de todos os privilégios que o dinheiro pode oferecer, como escolas de altíssima qualidade, moradias
excessivamente bonitas, grandes e bem decoradas, refeições caríssimas e uma vida confortável e luxuosa, ao
passo que uma grande parcela da população convive com a miséria, fome, falta de saneamento básico, más
condições de higiene e saúde, desnutrição e outras mazelas.
[10] Muitos fatores estão na origem dessa situação, entre eles o sistema econômico, a ausência de uma
reforma agrária real e efetiva, as heranças do período da escravidão, a repressão aos movimentos sociais
organizados, o monopólio dos meios de comunicação usados para propaganda das “verdades” que interessam
às elites e, por fim, as políticas educacionais excludentes.
De fato, as políticas educacionais têm sido um importante instrumento para a reprodução das
[15] desigualdades. Vejamos alguns dados que ilustram como e com que intensidade isso ocorre.
Atualmente, três em cada dez crianças abandonam a escola, em definitivo, antes de completar o ensino
fundamental e praticamente a totalidade delas vem dos setores economicamente mais desfavorecidos. Como
o investimento anual na educação dessas crianças está na casa dos dois ou três mil reais, todo o investimento
ao longo da vida pode não exceder os dez ou vinte mil reais. No outro extremo, onde estão os mais ricos, o
[20] investimento por criança e por ano pode exceder – e em muito, se considerarmos as escolas de elite e
incluirmos cursos de línguas, aulas particulares, material didático, viagens culturais etc. – os trinta mil reais
por ano. Ao longo de toda a vida escolar esse investimento pode chegar a meio milhão de reais, ou ainda muito
mais que isso. [..]
Essa desigualdade se agrava quando consideramos que a renda de uma pessoa adulta está diretamente
[25] ligada ao seu grau de escolaridade. Assim, ao escolarizar mal as crianças e jovens mais desfavorecidos, nosso
sistema educacional está contribuindo para preservar ou mesmo piorar nossas desigualdades econômicas,
respondendo aos interesses das elites econômicas, que consideram inaceitável qualquer destinação de
recursos públicos para fins sociais, inclusive para a educação pública. Programas sociais, ainda que sejam
importantes instrumentos de distribuição de renda, têm efeitos apenas nos casos de pobreza e miséria
[30] extremas, pouco contribuindo para combater as raízes do problema da distribuição de renda. Para isso, seriam
necessários instrumentos mais permanentes e mais sólidos, que tornassem possível a desconcentração de
renda em longo prazo. E a educação é um deles.
A luta por uma educação pública e igualitária deve estar na pauta das lutas políticas nos mesmos níveis
das demais lutas sociais e econômicas, como a reforma agrária, a luta por moradia, a defesa do setor público e a
[35] luta por salários dignos. Se não rompermos com a atual situação educacional – e esse rompimento só será
possível por meio de uma ampla luta social – jamais construiremos bases realmente sólidas para superarmos
nossa desigualdade.
Adaptado de: https://www.brasildefato.com.br/node/7045/ Último acesso em 06/09/2018.
Observe o fragmento a seguir, retirado do último parágrafo do texto:
Se não rompermos com a atual situação educacional – e esse rompimento só será possível por meio de uma ampla luta social – jamais construiremos bases realmente sólidas para superarmos nossa desigualdade.
O conectivo destacado possui o mesmo valor semântico do que aparece em destaque no seguinte período:
Questão 2 482253
IFRJ 2019Educação e desigualdade - A luta por uma educação pública e igualitária deve estar na pauta das lutas políticas nos mesmos níveis das demais lutas sociais e econômicas.
Uma das características mais perversas da sociedade brasileira é a desigualdade de renda. Nas últimas
décadas, chegamos a ocupar a pior posição entre todos os países. Mesmo considerando certa melhoria mais
recentemente, ainda estamos entre os 12 países mais desiguais do mundo, juntamente com a África do Sul, o
Chile, o Paraguai, o Haiti, Honduras, entre outros. [...]
[5] Essa má distribuição de renda faz com que tenhamos em nosso território uma pequena elite que se
beneficia de todos os privilégios que o dinheiro pode oferecer, como escolas de altíssima qualidade, moradias
excessivamente bonitas, grandes e bem decoradas, refeições caríssimas e uma vida confortável e luxuosa, ao
passo que uma grande parcela da população convive com a miséria, fome, falta de saneamento básico, más
condições de higiene e saúde, desnutrição e outras mazelas.
[10] Muitos fatores estão na origem dessa situação, entre eles o sistema econômico, a ausência de uma
reforma agrária real e efetiva, as heranças do período da escravidão, a repressão aos movimentos sociais
organizados, o monopólio dos meios de comunicação usados para propaganda das “verdades” que interessam
às elites e, por fim, as políticas educacionais excludentes.
De fato, as políticas educacionais têm sido um importante instrumento para a reprodução das
[15] desigualdades. Vejamos alguns dados que ilustram como e com que intensidade isso ocorre.
Atualmente, três em cada dez crianças abandonam a escola, em definitivo, antes de completar o ensino
fundamental e praticamente a totalidade delas vem dos setores economicamente mais desfavorecidos. Como
o investimento anual na educação dessas crianças está na casa dos dois ou três mil reais, todo o investimento
ao longo da vida pode não exceder os dez ou vinte mil reais. No outro extremo, onde estão os mais ricos, o
[20] investimento por criança e por ano pode exceder – e em muito, se considerarmos as escolas de elite e
incluirmos cursos de línguas, aulas particulares, material didático, viagens culturais etc. – os trinta mil reais
por ano. Ao longo de toda a vida escolar esse investimento pode chegar a meio milhão de reais, ou ainda muito
mais que isso. [..]
Essa desigualdade se agrava quando consideramos que a renda de uma pessoa adulta está diretamente
[25] ligada ao seu grau de escolaridade. Assim, ao escolarizar mal as crianças e jovens mais desfavorecidos, nosso
sistema educacional está contribuindo para preservar ou mesmo piorar nossas desigualdades econômicas,
respondendo aos interesses das elites econômicas, que consideram inaceitável qualquer destinação de
recursos públicos para fins sociais, inclusive para a educação pública. Programas sociais, ainda que sejam
importantes instrumentos de distribuição de renda, têm efeitos apenas nos casos de pobreza e miséria
[30] extremas, pouco contribuindo para combater as raízes do problema da distribuição de renda. Para isso, seriam
necessários instrumentos mais permanentes e mais sólidos, que tornassem possível a desconcentração de
renda em longo prazo. E a educação é um deles.
A luta por uma educação pública e igualitária deve estar na pauta das lutas políticas nos mesmos níveis
das demais lutas sociais e econômicas, como a reforma agrária, a luta por moradia, a defesa do setor público e a
[35] luta por salários dignos. Se não rompermos com a atual situação educacional – e esse rompimento só será
possível por meio de uma ampla luta social – jamais construiremos bases realmente sólidas para superarmos
nossa desigualdade.
Adaptado de: https://www.brasildefato.com.br/node/7045/ Último acesso em 06/09/2018.
Observe o trecho: Uma das características mais perversas da sociedade brasileira é a desigualdade de renda.
A alternativa em que todas as palavras retiradas do texto pertencem à mesma classe gramatical dos vocábulos destacados no fragmento acima é a seguinte:
Questão 17 11300091
IFMS 2018
(Disponível em: http://tiras-do-calvin.tumblr.com/page/2 Acesso em: 10 nov. 2017)
Com base na análise do texto, indique a alternativa que classifica corretamente as palavras retiradas da fala de Calvin, no segundo quadrinho da tirinha.
Questão 15 11299910
IFMS 2018Leia o texto e analise as afirmativas a seguir.
Esses vinte anos se passaram como vinte séculos, mas me lembro deles como se fossem apenas vinte dias, me lembro do dia do nosso casamento, me lembro de como ela estava linda, me lembro de ter pensado em como eu era sortudo por tê-la ao meu lado, ela sempre esteve ao meu lado, mas eu nunca estive ao seu. Em vinte anos ela se dedicou exclusivamente a mim, mas eu não fiz o mesmo.
(CARVALHO, Aaron. 20 anos. Site Jornal da Nova. Disponível em http://www.jornaldanova.com.br/noticia/355972/20-anos. Adaptado. Acesso em: 20 set. 2017.)
I. A gramática normativa prevê que frases não devem ser iniciadas com pronome oblíquo átono, porém o autor optou pelo uso da mesóclise nos trechos em destaque: “me lembro do dia do nosso casamento, me lembro de como ela estava linda, me lembro de ter pensado em como eu era sortudo [...]” para obter um efeito de sentido: aproximar-se da fala.
II. O mecanismo empregado no trecho em destaque chama-se próclise: “me lembro de ter pensado em como eu era sortudo por tê-la ao meu lado”.
III. Houve elipse da palavra lado ao final da frase: “ela sempre esteve ao meu lado, mas eu nunca estive ao seu”;
IV. O trecho “Em vinte anos ela se dedicou exclusivamente a mim, mas eu não fiz o mesmo” pode ser reescrito, sem prejuízo de sentido, da seguinte forma: “Embora ela tenha se dedicado exclusivamente a mim em vinte anos, eu não fiz o mesmo”.
Assinale a alternativa que contém somente afirmativas corretas.
06
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