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Questão 8385653
CMB CMB 6AF POR005 2019Texto I
Sua presença em minha vida foi fundamental
Engraçado, eu não tenho um professor inesquecível. Tenho muitos professores inesquecíveis. A primeira professora que minha memória grava não tinha carinho comigo. Botava todos os meninos branquinhos no colo, mas a mim, não. Um dia, sentei no colo dela por minha conta e ela me botou no chão (deve ser por isso que até hoje sou maluco por colo feminino...). Era uma escola particular, papai não tinha como pagar as mensalidades, era o patrão dele quem pagava. Vai ver, daí vinha minha falta de prestígio com a professora. Devia ter esquecido o nome dela, mas não esqueci. Ela se chamava Dulce, mas não era nada doce.
Felizmente, não fiquei muito tempo nessa escola, mas, por causa dela, vim vindo pela vida curtindo uma enorme carência afetiva. Que consegui transformar em desenhos, livros, peças de teatro, logotipos, cartazes e ilustrações — tudo a preços módicos (pelo menos no início. Agora, depois da fama, a preços mais condizentes. Com a fama...).
Minha segunda professora marcante foi dona Glorinha d’Ávila, mãe do poeta e escritor mineiro João Ettiene Filho. Ela era discípula de Helena Antipoff, que revolucionou o ensino básico de Minas na década de . Dona Helena percebeu logo que não dava pra mudar a cabeça das professoras mineiras, que tinham ainda penduradas na parede da sala de aula as assustadoras palmatórias. Então, formou jovens idealistas e as espalhou por Minas Gerais, com a missão de mudar a escola por dentro. Uma dessas jovens era a Dona Glorinha, que, entre outras coisas e contra a vontade das velhas professoras do Grupo Escolar e de sua rabugenta diretora, retirou a palmatória furadinha da parede de minha classe. Só mais tarde foi que percebi a luta de Dona Glorinha. Que ela venceu. Descobrindo — bem mais tarde — que sua presença em minha vida tinha sido fundamental para que não a perdesse por aí. A vida, digo. Um domingo, fiz a primeira comunhão e não ganhei santinho. Na segunda-feira, ela mandou me chamar na secretaria. "Você fez primeira comunhão ontem, não fez"" Como é, meu Deus, que uma pessoa adulta, tão importante, pôde prestar atenção num menininho pardo fazendo primeira comunhão naquela catedral tão grande" (Pois minha cidadezinha tinha catedral...). Ela aí perguntou: "Você ganhou um santinho de recordação?". Não havia ganho, não. Aí, ela abriu a gaveta, tirou um santinho lindo e escreveu uma dedicatória onde li as palavras "brilhante" e "futuro", que, na hora, não fizeram o menor sentido para mim. Somente um pouco mais tarde descobri que ela sabia tudo da minha vida, vinha me observando no meio de centenas de alunos do velho Grupo e até já havia mandado chamar meu pai pra conversar...
Engraçado, agora, remoendo essas lembranças, descubro que tive uma professora maluquinha, sim. Foi a Dona Glorinha d’Ávila, tão pequenininha, tão frágil, tão bonitinha...
ALVES PINTO, Ziraldo. Revista Nova Escola, São Paulo, set./98, p.58
Leia os trechos abaixo, retirados do texto I, e numere-os de modo que apresentem uma sequência lógica de acordo com o texto.
( ) "Felizmente, não fiquei muito tempo nessa escola, mas, por causa dela, vim vindo pela vida curtindo uma enorme carência afetiva".
( ) "Descobrindo – bem mais tarde - que sua presença em minha vida tinha sido fundamental..."
( ) "Somente um pouco mais tarde descobri que ela sabia tudo da minha vida..."
( ) "Botava todos os meninos branquinhos no colo, mas a mim não. Um dia, sentei no colo dela por minha conta, e ela me botou no chão".
( ) "Minha segunda professora marcante foi dona Glorinha d’Ávila, (...) discípula de Helena Antipoff, que revolucionou o ensino básico de Minas na década de ."
A sequência correta é:
Questão 8384576
AUTORAIS POR 9AF 008 ENU002 2019
A geração digital entra em cena
Julia Baldacci brinca de boneca e faz roupinhas como toda criança de 5 anos fazia na época de sua mãe e continua fazendo ainda hoje. Com uma diferença: ela desenha no computador os vestidos, que depois são impressos em tecido. O fim da velha
Brincadeira de casinha? Não, sinal dos tempos. A nova geração, nascida sob o signo da revolução da informática, sabe manejar computadores com a mesma agilidade com que suas avós manejavam dedal, agulha e linha. [...]
André Matias Ribeiro, de 4 anos, não sabe ler nem escrever, mas desde os 3 mexe no micro. Para ele, o mouse é mais fácil de movimentar que a caneta. Ana Luiza Pires da Cunha, de 10, desmonta e monta aparelhos eletrônicos desde pequena. Para crianças como essas, a vida de hoje sem controles remotos nem computadores equivaleria a uma idade das trevas.
Heitor Shimizu e Frances Jones
(Adaptado de Revista Época. São Paulo, 19/10/1998.)
O uso dos dois pontos (:) no trecho “Com uma diferença: ela desenha no computador os vestidos, que depois são impressos em tecido.” , tem o efeito de:
A geração digital entra em cena
Julia Baldacci brinca de boneca e faz roupinhas como toda criança de 5 anos fazia na época de sua mãe e continua fazendo ainda hoje. Com uma diferença: ela desenha no computador os vestidos, que depois são impressos em tecido. O fim da velha
Brincadeira de casinha? Não, sinal dos tempos. A nova geração, nascida sob o signo da revolução da informática, sabe manejar computadores com a mesma agilidade com que suas avós manejavam dedal, agulha e linha. [...]
André Matias Ribeiro, de 4 anos, não sabe ler nem escrever, mas desde os 3 mexe no micro. Para ele, o mouse é mais fácil de movimentar que a caneta. Ana Luiza Pires da Cunha, de 10, desmonta e monta aparelhos eletrônicos desde pequena. Para crianças como essas, a vida de hoje sem controles remotos nem computadores equivaleria a uma idade das trevas.
Heitor Shimizu e Frances Jones
(Adaptado de Revista Época. São Paulo, 19/10/1998.)
Questão 8384575
AUTORAIS POR 9AF 008 ENU002 2019
Sob o mesmo céu
(Lenine)
Brasil,
Com quantos Brasis se faz um Brasil?
Com quantos Brasis se faz um país chamado Brasil?
Sob o mesmo céu
Cada cidade é uma aldeia, uma pessoa,
Um sonho, uma nação.
Sob o mesmo céu,
Meu coração não tem fronteiras,
Nem relógio, nem bandeira,
Só o ritmo de uma canção maior.
A gente vem do tambor do Índio,
A gente vem de Portugal,
Vem do batuque negro
A gente vem do interior e da capital,
A gente vem do fundo da floresta,
Da selva urbana dos arranha-céus,
A gente vem do pampa, do cerrado,
Vem da megalópole, vem do Pantanal,
A gente vem de trem, vem de galope,
De navio, de avião, motocicleta,
A gente vem a nado
A gente vem do samba, do forró,
A gente vem do futuro conhecer nosso passado.
[...] A gente vem do rap e da favela,
A gente vem do centro e da periferia,
A gente vem da maré, da palafita,
Vem dos Orixás da Bahia,
A gente traz um desejo de alegria e de paz,
E digo mais: A gente tem a honra de estar ao seu lado
A gente vem do futuro conhecer nosso passado.
(<www.vagalume.com.br/lenine/sob-o-mesmo-ceu.html#ixzz3mJRX2AZS>)
Sob o mesmo céu
(Lenine)
Brasil,
Com quantos Brasis se faz um Brasil?
Com quantos Brasis se faz um país chamado Brasil?
Sob o mesmo céu
Cada cidade é uma aldeia, uma pessoa,
Um sonho, uma nação.
Sob o mesmo céu,
Meu coração não tem fronteiras,
Nem relógio, nem bandeira,
Só o ritmo de uma canção maior.
A gente vem do tambor do Índio,
A gente vem de Portugal,
Vem do batuque negro
A gente vem do interior e da capital,
A gente vem do fundo da floresta,
Da selva urbana dos arranha-céus,
A gente vem do pampa, do cerrado,
Vem da megalópole, vem do Pantanal,
A gente vem de trem, vem de galope,
De navio, de avião, motocicleta,
A gente vem a nado
A gente vem do samba, do forró,
A gente vem do futuro conhecer nosso passado.
[...] A gente vem do rap e da favela,
A gente vem do centro e da periferia,
A gente vem da maré, da palafita,
Vem dos Orixás da Bahia,
A gente traz um desejo de alegria e de paz,
E digo mais: A gente tem a honra de estar ao seu lado
A gente vem do futuro conhecer nosso passado.
(<www.vagalume.com.br/lenine/sob-o-mesmo-ceu.html#ixzz3mJRX2AZS>)
O tema do texto é:
Questão 8384573
AUTORAIS POR 9AF 008 ENU002 2019
Já estou pegando o violão
Eu, aliás, não sou um escritor, sou um homem de música que escreve textos. Escritores geralmente não me consideram escritor, também. E eles têm razão. Até porque eu não faço questão de me considerar um escritor. Quando viajo, chego ao hotel e tenho que escrever minha profissão, escrevo sempre "músico". Mesmo quando vou a festivais de livros, lançamentos, é sempre "músico". Sendo que os músicos também não me consideram músico... [...]. Os músicos vivem dizendo: "Mas ele é um poeta". Porque, não sei se você sabe, quando os músicos não gostam da música do sujeito, dizem que ele é um poeta. Já conheço essa gracinha e, quando eles falam que eu sou um poeta, olho feio. Agora mais recentemente é que os músicos estão me redimindo. Mas, se você for perguntar para um spalla da orquestra sinfônica se eu sou um músico, ele vai ficar ofendido. Ele não me considera um de seus pares. Assim é também com a grande maioria dos nossos literatos.
Chico Buarque
(Adaptado do Fragmento da declaração de Chico Buarque à Marcella Franco na revista Ocas em 24/07/2004.)
Glossário:
spalla - nome dado ao primeiro-violino de uma orquestra.
Já estou pegando o violão
Eu, aliás, não sou um escritor, sou um homem de música que escreve textos. Escritores geralmente não me consideram escritor, também. E eles têm razão. Até porque eu não faço questão de me considerar um escritor. Quando viajo, chego ao hotel e tenho que escrever minha profissão, escrevo sempre "músico". Mesmo quando vou a festivais de livros, lançamentos, é sempre "músico". Sendo que os músicos também não me consideram músico... [...]. Os músicos vivem dizendo: "Mas ele é um poeta". Porque, não sei se você sabe, quando os músicos não gostam da música do sujeito, dizem que ele é um poeta. Já conheço essa gracinha e, quando eles falam que eu sou um poeta, olho feio. Agora mais recentemente é que os músicos estão me redimindo. Mas, se você for perguntar para um spalla da orquestra sinfônica se eu sou um músico, ele vai ficar ofendido. Ele não me considera um de seus pares. Assim é também com a grande maioria dos nossos literatos.
Chico Buarque
(Adaptado do Fragmento da declaração de Chico Buarque à Marcella Franco na revista Ocas em 24/07/2004.)
Glossário:
spalla - nome dado ao primeiro-violino de uma orquestra.
No trecho “Já conheço essa gracinha [...]”, as palavras em destaque referem-se ao fato de, ao desgostarem da música de um artista, os músicos:
Questão 8384572
AUTORAIS POR 9AF 008 ENU002 2019
TENDÊNCIA DE AQUECIMENTO VAI ALÉM DO EL NIÑO
O menino é mau. Mas desta vez o maior culpado não é o El Niño. O período de janeiro a julho foi o mais quente dos últimos 50 anos no Sul e no Sudeste do Brasil, revela uma análise inédita. [...]. O fenômeno em curso é mais complexo e de longo prazo do que as costumeiras mazelas do El Niño. Para cientistas, tem a marca das mudanças climáticas. E se este inverno exibe cara de verão, o verão de verdade terá jeito de inferno, indicam as previsões climatológicas. Mesmo que a temperatura fique mais amena nos próximos dias, o calor continua a ser a tendência dos meses que vêm aí.
– Este inverno marca um período especialmente quente de uma tendência de aquecimento que registramos desde os anos 60. O El Niño só esquentou ainda mais o que já aquecia – diz o climatologista José Marengo, um dos maiores especialistas em El Niño e mudanças climáticas da América Latina, do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden).
Ana Lucia Azevedo
(O Globo. Sociedade. 02/09/2015)
TENDÊNCIA DE AQUECIMENTO VAI ALÉM DO EL NIÑO
O menino é mau. Mas desta vez o maior culpado não é o El Niño. O período de janeiro a julho foi o mais quente dos últimos 50 anos no Sul e no Sudeste do Brasil, revela uma análise inédita. [...]. O fenômeno em curso é mais complexo e de longo prazo do que as costumeiras mazelas do El Niño. Para cientistas, tem a marca das mudanças climáticas. E se este inverno exibe cara de verão, o verão de verdade terá jeito de inferno, indicam as previsões climatológicas. Mesmo que a temperatura fique mais amena nos próximos dias, o calor continua a ser a tendência dos meses que vêm aí.
– Este inverno marca um período especialmente quente de uma tendência de aquecimento que registramos desde os anos 60. O El Niño só esquentou ainda mais o que já aquecia – diz o climatologista José Marengo, um dos maiores especialistas em El Niño e mudanças climáticas da América Latina, do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden).
Ana Lucia Azevedo
(O Globo. Sociedade. 02/09/2015)
Pode-se perceber pela leitura do texto que:
Questão 8384571
AUTORAIS POR 9AF 008 ENU002 2019Dias de Bienal
No último domingo, terminou a Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro com recorde de público: 676 mil pessoas passaram pelos três pavilhões nas últimas semanas. Estive quatro dias no evento e fiquei renovado de boas energias. Essa ideia de que o brasileiro não gosta de ler é coisa do passado. Bastava um passeio pelos estandes lotados e pelas filas quilométricas para confirmar que o cenário mudou: há aí uma geração de jovens que lê mais a cada dia, que devora séries de livros e que cria devoção por seus autores. Ao andar pelos corredores, era fácil notar que a maioria ali tinha entre 15 e 25 anos.
Curioso que, entre meus colegas escritores, muitos torçam o nariz para a Bienal. Argumentam que é um evento voltado puramente ao comércio, que não tem a ver com “literatura”, e se incomodam com a excessiva espetacularização da figura do escritor (na Bienal, não é raro ouvir gritinhos de alegria dos fãs ansiosos por encontrar seu ídolo).
Raphael Montes
Um dos argumentos que sustentam a tese do texto é:(O Globo. Segundo Caderno. 16/09/2015)
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