Questões de EFAF Português
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Questão 9 9546277
IFSul - Rio-Grandense Inverno 2019Leia o texto, para responder à questão.
Texto
Poema da necessidade
É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.
É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.
É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.
É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poema da Necessidade. In: ____. Sentimento do mundo. São Paulo:Companhia das Letras, 2012, p. 11.
Volapuque: sm Língua universal, inventada em 1879 por João Martinho Schleyer e hoje substituída pelo esperanto.
Sobre o poema de Drummond, é INCORRETO afirmar que
Questão 6 9546216
IFSul - Rio-Grandense Inverno 2019Texto
A vida perdeu o valor
O modo exploratório e invasivo com que lidamos com ___ natureza levou ao desequilíbrio
ambiental, ____ instabilidade climática, ___ exaustão de determinados recursos naturais; mas
também levou ___ insustentabilidade social, ___ desigualdade econômica, ao descaso com a
vida.
[5] Se por um lado a indústria farmacêutica deu saltos incríveis, por outro nos tornamos cada
vez mais dependentes dos médicos e de medicação, especialmente psiquiátrica, nos tornamos
uma sociedade medicada. E suicida. Os impressionantes avanços da medicina nas últimas
décadas fizeram com que morrêssemos cada vez menos de doenças, mas estamos hoje vivendo
um crescente surto de depressão e automutilação, mais do que tudo entre jovens e crianças.
[10] O suicídio é hoje a segunda principal causa de mortes de crianças e jovens entre 12 e 18
anos nos Estados Unidos. “A taxa de suicídios infanto-juvenis é maior do que a soma das mortes
por câncer, doenças cardíacas e respiratórias, problemas de nascimento, derrame, pneumonia e
febre”. As tentativas de suicídio e automutilação nesta faixa etária mais que dobraram nos
Estados Unidos na última década.
[15] Mas não apenas nos Estados Unidos. O Brasil, que já foi tão cantado por sua alegria de
viver, também padece; segundo a OMS, o suicídio é hoje a terceira causa de morte de jovens de
15 a 19 anos no Brasil, ficando atrás apenas de acidentes de trânsito e homicídios, especialmente
nas periferias das grandes cidades. Destas mortes, mais de 80% é de negros, e 90% dos que
morrem são homens; um verdadeiro genocídio da juventude negra brasileira.
[20] Se considerarmos de 1980 até 2014, o índice de suicídios subiu quase 30% nesta faixa
etária no Brasil. Ainda mais grave é saber que este índice aumenta quanto mais a idade diminui;
segundo o mapa da violência de 2017, organizado pelo Ministério da Saúde, de 2002 a 2012 o
índice de suicídios entre 10 e 14 anos subiu 40% no Brasil. Uma constatação alarmante. Ao
mesmo tempo, aumentam em todo o mundo os ataques terroristas, na maioria ações suicidas,
[25] com algum tipo de causa ou não, que se caracterizam por deixar atrás de si um rastro de outras
mortes.
Quando grande parte dos adultos está deprimida e medicada e quando a segunda maior
causa de morte de jovens em todo o mundo é o suicídio, alguma coisa muito errada se deu no
processo civilizatório. Quando a medicina se sofistica a ponto de operar crianças ainda no útero
[30] da mãe, e ao mesmo tempo a soma das cinco doenças que mais matam crianças nos Estados
Unidos é menor do que as que tiram suas próprias vidas, isso somente pode dizer que algo deu
muito errado com as escolhas civilizatórias que fizemos.
Os dados mostram que nos últimos anos quanto menor a idade, maior a taxa de suicídios.
A vida se tornou um peso, uma carga que os jovens, adolescentes e crianças não estão
[35] conseguindo carregar. É como se o próprio processo civilizatório estivesse se autoavaliando,
como se cada suicídio tivesse uma placa dizendo: “Eu não quero a civilização com as suas
incríveis conquistas, eu não quero viver”.
MOSÉ, Viviane. A vida perdeu o valor. In: ______. Nitzsche Hoje. Petrópolis – RJ: Vozes, 2018. (fragmento)
Quanto à conjugação verbal, é correto afirmar que o verbo
Questão 4 9545329
IFSul - Rio-Grandense Inverno 2019Texto
A vida perdeu o valor
O modo exploratório e invasivo com que lidamos com ___ natureza levou ao desequilíbrio
ambiental, ____ instabilidade climática, ___ exaustão de determinados recursos naturais; mas
também levou ___ insustentabilidade social, ___ desigualdade econômica, ao descaso com a
vida.
[5] Se por um lado a indústria farmacêutica deu saltos incríveis, por outro nos tornamos cada
vez mais dependentes dos médicos e de medicação, especialmente psiquiátrica, nos tornamos
uma sociedade medicada. E suicida. Os impressionantes avanços da medicina nas últimas
décadas fizeram com que morrêssemos cada vez menos de doenças, mas estamos hoje vivendo
um crescente surto de depressão e automutilação, mais do que tudo entre jovens e crianças.
[10] O suicídio é hoje a segunda principal causa de mortes de crianças e jovens entre 12 e 18
anos nos Estados Unidos. “A taxa de suicídios infanto-juvenis é maior do que a soma das mortes
por câncer, doenças cardíacas e respiratórias, problemas de nascimento, derrame, pneumonia e
febre”. As tentativas de suicídio e automutilação nesta faixa etária mais que dobraram nos
Estados Unidos na última década.
[15] Mas não apenas nos Estados Unidos. O Brasil, que já foi tão cantado por sua alegria de
viver, também padece; segundo a OMS, o suicídio é hoje a terceira causa de morte de jovens de
15 a 19 anos no Brasil, ficando atrás apenas de acidentes de trânsito e homicídios, especialmente
nas periferias das grandes cidades. Destas mortes, mais de 80% é de negros, e 90% dos que
morrem são homens; um verdadeiro genocídio da juventude negra brasileira.
[20] Se considerarmos de 1980 até 2014, o índice de suicídios subiu quase 30% nesta faixa
etária no Brasil. Ainda mais grave é saber que este índice aumenta quanto mais a idade diminui;
segundo o mapa da violência de 2017, organizado pelo Ministério da Saúde, de 2002 a 2012 o
índice de suicídios entre 10 e 14 anos subiu 40% no Brasil. Uma constatação alarmante. Ao
mesmo tempo, aumentam em todo o mundo os ataques terroristas, na maioria ações suicidas,
[25] com algum tipo de causa ou não, que se caracterizam por deixar atrás de si um rastro de outras
mortes.
Quando grande parte dos adultos está deprimida e medicada e quando a segunda maior
causa de morte de jovens em todo o mundo é o suicídio, alguma coisa muito errada se deu no
processo civilizatório. Quando a medicina se sofistica a ponto de operar crianças ainda no útero
[30] da mãe, e ao mesmo tempo a soma das cinco doenças que mais matam crianças nos Estados
Unidos é menor do que as que tiram suas próprias vidas, isso somente pode dizer que algo deu
muito errado com as escolhas civilizatórias que fizemos.
Os dados mostram que nos últimos anos quanto menor a idade, maior a taxa de suicídios.
A vida se tornou um peso, uma carga que os jovens, adolescentes e crianças não estão
[35] conseguindo carregar. É como se o próprio processo civilizatório estivesse se autoavaliando,
como se cada suicídio tivesse uma placa dizendo: “Eu não quero a civilização com as suas
incríveis conquistas, eu não quero viver”.
MOSÉ, Viviane. A vida perdeu o valor. In: ______. Nitzsche Hoje. Petrópolis – RJ: Vozes, 2018. (fragmento)
A respeito da regência verbo-nominal, é correto afirmar que o
Questão 3 9545326
IFSul - Rio-Grandense Inverno 2019Texto
A vida perdeu o valor
O modo exploratório e invasivo com que lidamos com ___ natureza levou ao desequilíbrio
ambiental, ____ instabilidade climática, ___ exaustão de determinados recursos naturais; mas
também levou ___ insustentabilidade social, ___ desigualdade econômica, ao descaso com a
vida.
[5] Se por um lado a indústria farmacêutica deu saltos incríveis, por outro nos tornamos cada
vez mais dependentes dos médicos e de medicação, especialmente psiquiátrica, nos tornamos
uma sociedade medicada. E suicida. Os impressionantes avanços da medicina nas últimas
décadas fizeram com que morrêssemos cada vez menos de doenças, mas estamos hoje vivendo
um crescente surto de depressão e automutilação, mais do que tudo entre jovens e crianças.
[10] O suicídio é hoje a segunda principal causa de mortes de crianças e jovens entre 12 e 18
anos nos Estados Unidos. “A taxa de suicídios infanto-juvenis é maior do que a soma das mortes
por câncer, doenças cardíacas e respiratórias, problemas de nascimento, derrame, pneumonia e
febre”. As tentativas de suicídio e automutilação nesta faixa etária mais que dobraram nos
Estados Unidos na última década.
[15] Mas não apenas nos Estados Unidos. O Brasil, que já foi tão cantado por sua alegria de
viver, também padece; segundo a OMS, o suicídio é hoje a terceira causa de morte de jovens de
15 a 19 anos no Brasil, ficando atrás apenas de acidentes de trânsito e homicídios, especialmente
nas periferias das grandes cidades. Destas mortes, mais de 80% é de negros, e 90% dos que
morrem são homens; um verdadeiro genocídio da juventude negra brasileira.
[20] Se considerarmos de 1980 até 2014, o índice de suicídios subiu quase 30% nesta faixa
etária no Brasil. Ainda mais grave é saber que este índice aumenta quanto mais a idade diminui;
segundo o mapa da violência de 2017, organizado pelo Ministério da Saúde, de 2002 a 2012 o
índice de suicídios entre 10 e 14 anos subiu 40% no Brasil. Uma constatação alarmante. Ao
mesmo tempo, aumentam em todo o mundo os ataques terroristas, na maioria ações suicidas,
[25] com algum tipo de causa ou não, que se caracterizam por deixar atrás de si um rastro de outras
mortes.
Quando grande parte dos adultos está deprimida e medicada e quando a segunda maior
causa de morte de jovens em todo o mundo é o suicídio, alguma coisa muito errada se deu no
processo civilizatório. Quando a medicina se sofistica a ponto de operar crianças ainda no útero
[30] da mãe, e ao mesmo tempo a soma das cinco doenças que mais matam crianças nos Estados
Unidos é menor do que as que tiram suas próprias vidas, isso somente pode dizer que algo deu
muito errado com as escolhas civilizatórias que fizemos.
Os dados mostram que nos últimos anos quanto menor a idade, maior a taxa de suicídios.
A vida se tornou um peso, uma carga que os jovens, adolescentes e crianças não estão
[35] conseguindo carregar. É como se o próprio processo civilizatório estivesse se autoavaliando,
como se cada suicídio tivesse uma placa dizendo: “Eu não quero a civilização com as suas
incríveis conquistas, eu não quero viver”.
MOSÉ, Viviane. A vida perdeu o valor. In: ______. Nitzsche Hoje. Petrópolis – RJ: Vozes, 2018. (fragmento)
Depreende-se como tema central do texto que
Questão 7 9541799
IFSul - Rio-Grandense Verão 2019Texto
Ideologia
Meu partido
É um coração partido
E as ilusões
Estão todas perdidas
Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Ah! Eu nem acredito
Que aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Frequenta agora
As festas do Grand Monde
Meus heróis
Morreram de overdose
Meus inimigos
Estão no poder
Ideologia!
Eu quero uma pra viver
Ideologia!
Eu quero uma pra viver
[...]
CAZUZA. Ideologia. Rio de Janeiro: Polygram do Brasil Ltda, 1988. 1 disco
Conforme definição do Dicionário Houaiss, ideologia é uma ciência “que atribui a origem das ideias humanas às percepções sensoriais do mundo externo”.
Com base nessa definição do dicionário, é correto deduzir-se do texto de Cazuza que a palavra foi utilizada com a intenção de
Questão 6 9541793
IFSul - Rio-Grandense Verão 2019Leia o texto, para responder à questão.
Texto
A política e as políticas
Apesar da multiplicidade de facetas a que se aplica a palavra “política”___ uma delas goza
de indiscutível unanimidade___ a referência ao poder político___ à esfera da política institucional.
Um deputado ou um órgão de administração pública são políticos para a totalidade das pessoas.
Todas as atividades associadas de algum modo à esfera institucional política, e o espaço onde se
[5] realizam, também são políticos. Um comício é uma reunião política e um partido é uma
associação política, um indivíduo que questiona a ordem institucional pode ser um preso político;
as ações do governo, o discurso de um vereador, o voto de um eleitor são políticos.
Mas há um outro conjunto em que a mesma palavra manifesta-se claramente de um modo
diverso. Quando se fala da política da Igreja, isto não se refere apenas às relações entre a Igreja
[10] e as instituições políticas, mas à existência de uma política que se expressa na Igreja em relação
a certas questões como a miséria, a violência, etc. Do mesmo modo, a política dos sindicatos não
se refere unicamente à política sindical, desenvolvida pelo governo para os sindicatos, mas às
questões que dizem respeito à própria atividade do sindicato em relação aos seus filiados e ao
restante da sociedade. A política feminista não se refere apenas ao Estado, mas aos homens e às
[15] mulheres em geral. As empresas têm políticas para realizarem determinadas metas no
relacionamento com outras empresas, ou com os seus empregados. As pessoas, no seu
relacionamento cotidiano, desenvolvem políticas para alcançar seus objetivos nas relações de
trabalho, de amor, ou de lazer; dizer “Você precisa ser mais político” é completamente distinto de
dizer “Você precisa se politizar mais”, isto é, “precisa ocupar-se mais da esfera política
[20] institucional”.
[...] Não resta dúvida, porém, de que este segundo significado é muito mais vago e
impreciso do que o primeiro. A evolução histórica em relação ao gigantismo das Instituições
Políticas – o Estado onipresente – é acompanhada de uma politização geral da sociedade em seus
mínimos detalhes, por exigir um posicionamento diário frente ao Poder. Mas ao mesmo tempo
[25] traz consigo a imposição de normas com que balizar a própria aplicação da palavra política,
procurando determinar o que é e o que não é “política”.
Desta forma, oculta-se ao eleitor o seu ser político, atribuindo-se esta qualidade apenas ao
eleito. Ou então atribui-se à pessoa um espaço e um tempo determinado para que exerça uma
atividade política, na hora das eleições, quando está na tribuna da Câmara dos Deputados depois
[30] de ter sido eleita, quando senta no palácio para despachar com seus secretários mesmo sem ter
sido eleita. A própria delimitação rígida da política constitui, portanto, um produto da história; e
este é, sem dúvida, o principal motivo pelo qual não basta ater-se a um significado geral da
política, que apagaria todas as figuras com que se apresentou em sua gênese.
Esta delimitação operada pelo nível institucional traz consigo alterações profundas na
[35] esfera de valores associados à política. Uma conjuntura institucional insatisfatória, pela corrupção
ou pela violência, jamais dissociadas, reflete-se numa desmoralização da atividade política –
politicagem – que pode reverter em apatia e na procura de alternativas extra-institucionais como
a luta armada. Ao mesmo tempo, processa-se uma inversão na valorização da atividade política
na própria esfera institucional, em que ela deixa de ser um direito, passando a ser apenas um
[40] dever e uma responsabilidade. Em outras palavras, à Instituição passa despercebido que a sua é
também uma política, assentada na sociedade com uma proposta de participação, representação
e direção. Por esta carência de visão de relatividade, instaura-se um normativismo absoluto,
ocultando-se assim sua natureza.
Interessa perceber que, apesar de haver um significado predominante, que se impõe em
[45] determinadas situações, e que aparece como sendo a política, o que existe na verdade são
políticas.
MAAR, Leo Wolfgang. A política e as políticas. In: ____. O que é política. São Paulo: Abril Cultural/Brasiliense, 1985. (fragmento)
Analise as afirmativas em relação ao emprego da norma culta da língua e preencha a sentença como Verdadeira (V) ou Falsa (F).
( ) O verbo ter (linha 15) foi grafado com acento por estar conjugado na terceira pessoa do plural, assim diferenciando-se da forma singular.
( ) Para atender ao acordo ortográfico vigente, a palavra extra-institucionais (linha 37) deve ser grafada sem o uso do hífen.
( ) Em relação à sintaxe de regência, o adjetivo associadas (linha 4) possui como complemento nominal a expressão à esfera institucional política.
( ) O substantivo dúvida é acentuado para diferenciar-se do verbo duvidar, conjugado na terceira pessoa do singular do presente do indicativo.
A sequência correta, de cima para baixo, é
06
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