Questões de EFAF Português
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Questão 2 10174239
IFFar* 1° Ano - Processo Seletivo 2019Para responder à questão, leia o texto a seguir.
Em Dobro
[01] Sabe aquele mendigo bem mendigo? Ele era
assim. Um mendigo grisalho. Daqueles que só
têm cobertores esfarrapados e falas desconexas.
Ou tão conexas, que a gente não entende. Encos-
[05] tado numa parede, perto do Mercado Central de
Belo Horizonte, ele via o vaivém. Na mesma calça-
da que era varrida pela gari. Baganas de cigarro,
pedaços de papel, folhas, poeira. Uniforme e cabe-
lo preso. Os turistas e os locais passando de lá para
[10] cá na correria da sexta-feira de Copa do Mundo.
O mendigo a mendigar. A gari a varrer.
O mendigo ali, vendo a gari. Ficou olhando
para ela, olhando o movimento rápido e ensaiado
da vassoura. Foi quando tirou do bolso uma nota
[15] amassada de cinco reais e estendeu ao ar. "Pegue,
pegue.", foi o que ele disse. A gari sorriu e, com edu-
cação, recusou. "Vá lá. Dê uma paradinha e tome
um guaraná”. O mendigo insistiu. A gari encolheu
os ombros como quem diz "fazer o quê?" e pegou a
[20] nota. Agradeceu rindo, meio constrangida.
Uma turista passava por ali. Viu e ouviu.
Se comoveu com a bondade do mendigo, com seu
desapego pelo que não tem. O mendigo viu a gari
suando no sol da tarde. Quis fazê-la um pouco fe-
[25] liz. Não havia segundas intenções que pudessem
macular a pureza da cena. A bondade verdadeira
não quer nada em troca. A bondade não é esmola.
É doação.
Fonte: MILMAN, Tulio. Em dobro. Jornal Zero Hora, edição de 30/06/14, p.2.
Nas gramáticas se encontra a informação de que há substantivos chamados comum de dois, sem distinção formal de masculino/feminino, por isso a identificação do gênero é feita pelo artigo ou outro determinativo que acompanha o substantivo. Assim a gari (l. 12) é feminino ao passo que o gari é a ocorrência do mesmo substantivo no masculino.
Esse mesmo mecanismo ocorre com
Questão 1 10173970
IFFar* 1° Ano - Processo Seletivo 2019Para responder à questão, leia o texto a seguir.
Em Dobro
[01] Sabe aquele mendigo bem mendigo? Ele era
assim. Um mendigo grisalho. Daqueles que só
têm cobertores esfarrapados e falas desconexas.
Ou tão conexas, que a gente não entende. Encos-
[05] tado numa parede, perto do Mercado Central de
Belo Horizonte, ele via o vaivém. Na mesma calça-
da que era varrida pela gari. Baganas de cigarro,
pedaços de papel, folhas, poeira. Uniforme e cabe-
lo preso. Os turistas e os locais passando de lá para
[10] cá na correria da sexta-feira de Copa do Mundo.
O mendigo a mendigar. A gari a varrer.
O mendigo ali, vendo a gari. Ficou olhando
para ela, olhando o movimento rápido e ensaiado
da vassoura. Foi quando tirou do bolso uma nota
[15] amassada de cinco reais e estendeu ao ar. "Pegue,
pegue.", foi o que ele disse. A gari sorriu e, com edu-
cação, recusou. "Vá lá. Dê uma paradinha e tome
um guaraná”. O mendigo insistiu. A gari encolheu
os ombros como quem diz "fazer o quê?" e pegou a
[20] nota. Agradeceu rindo, meio constrangida.
Uma turista passava por ali. Viu e ouviu.
Se comoveu com a bondade do mendigo, com seu
desapego pelo que não tem. O mendigo viu a gari
suando no sol da tarde. Quis fazê-la um pouco fe-
[25] liz. Não havia segundas intenções que pudessem
macular a pureza da cena. A bondade verdadeira
não quer nada em troca. A bondade não é esmola.
É doação.
Fonte: MILMAN, Tulio. Em dobro. Jornal Zero Hora, edição de 30/06/14, p.2.
Considerando o ponto de vista do autor e as interações entre os personagens, infere-se que
Questão 21 10172523
CMC 1° Ano Prova de Portugues 2019TEXTO 1
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
1 Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
5 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima... sem querer ofender... lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra‟ lá de úmido. Paraíso dos
batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
45 tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
50 tem uns lazarentos por aí... Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
55 chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-ocuritibano/ Acesso em 10 outubro 2019.
TEXTO 2

Disponível em:http://dragoesdegaragem.com/wp-content/uploads/2016/12/cientirinhas49_450.jpg Acesso em 10 Outubro 2019.
Analise as seguintes proposições:
I. “Choveu tanto aqui [...]”. (texto 1, linha 1)
II. “... o índio entregaria assim de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? ” (texto 1,
linhas 24-25)
III. “Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é...”. (texto 1, linhas 40-41)
IV. “Adoro esse cheiro de terra molhada!”. (texto 2, 1° quadrinho)
Com base nos elementos destacados no contexto, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de análise dos verbos, respectivamente:
Questão 15 10172195
CMC 1° Ano Prova de Portugues 2019TEXTO
SONETO XXXII
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.
Fazia, de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles
Perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!
Guilherme de Almeida
Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos-escolhidos acesso em 10 Outubro 2019.
Leia os fragmentos extraídos do texto:
I. Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada.
II. E hoje sei, pensando neles,
que são barcos de ouro os meus ideais.
III. Foram-se embora e não voltaram mais!
Assinale a alternativa correta quanto à constituição das orações que compõem os períodos:
Questão 11 10172058
CMC 1° Ano Prova de Portugues 2019TEXTO
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
[1] Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
[5] Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
[10] Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
[15] Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
[20] quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima... sem querer ofender... lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
[25] de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
[30] se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra‟ lá de úmido. Paraíso dos
batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
[40] reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
[45] tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
[50] tem uns lazarentos por aí... Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
[55] chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/ Acesso em 10 outubro 2019.
Analise o trecho a seguir:
“a cidade foi crescendo e ficando metida demais” (linha 37)
Assinale a alternativa que contenha a afirmação correta sobre a função da conjunção destacada no fragmento.
Questão 8 10172001
CMC 1° Ano Prova de Portugues 2019TEXTO
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
[1] Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
[5] Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
[10] Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
[15] Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
[20] quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima... sem querer ofender... lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
[25] de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
[30] se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra‟ lá de úmido. Paraíso dos
batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
[40] reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
[45] tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
[50] tem uns lazarentos por aí... Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
[55] chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/ Acesso em 10 outubro 2019.
No que tange especificamente à Regência Verbal, de acordo com a norma-padrão, é correto afirmar que a oração em destaque em: “E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos” (linha 32) apresenta o verbo “lembrar”:
06
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