Questões de EFAF Português
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Questão 11 10727062
CMR 6° Ano - Português 2019TEXTO: Rosa da Fonseca – Patrono da Família Militar
Logo que nascemos, a união familiar finaliza o amálgama que transforma nossos lares em educandários de vida e refúgios para todos os momentos. Mesmo que a inexorável marcha do tempo nos afaste de casa, a família nunca nos abandona! Seja em momentos de sucessos ou de fracassos, os laços de sangue e de amor permanecem indestrutíveis.
A Família Militar desenvolve-se de igual maneira. Os valores de civismo e de patriotismo trazidos do berço são enriquecidos em um ambiente de hierarquia e disciplina e as movimentações constantes fazem com que os irmãos de armas consolidem amizades verdadeiras, nos cadinhos de quartéis e escolas, devidamente aquecidos pela sã camaradagem.
Em nenhuma outra profissão esposas e mães, heroinas do dia a dia, desempenham um papel tão importante como na nossa. Elas constituem o esteio necessário para o cumprimento das missões: encorajam, amparam e proporcionam o apoio de retaguarda para que guerreiros e guerreiras não esmoreçam. São elas os simbolos de força e de abnegação que mantêm elevado o moral da tropa.
A matriarca, Rosa Maria Paulina da Fonseca (1802-1873), teve um importante papel na formação cívica da família. Foi uma notável mulher, que aplicou o máximo de seus esforços a serviço da Pátria brasileira, preparando e educando aqueles que realizariam grandes feitos Cívicos.
Exemplo de mãe e de esposa, indicou a seus filhos os valores norteadores da ética para a Família Militar do Exército Brasileiro. Com o falecimento do seu marido, em 1859, Rosa da Fonseca tornou-se o esteio da família. Foi muito admirada por sua postura durante a Guerra da “Tríplice Aliança, conflito que se estendeu de maio de 1865 a março de 1870.
Indiretamente, a presença dessa valorosa mulher nos campos de batalha podia ser percebida na heroica atuação de seus filhos em combate, que espelhava a educação recebida, plena de ensinamentos voltados para as virtudes morais e intelectuais, tão necessárias aos que se sacrificam por ideais de liberdade e de bem comum.
Por tudo que representou e pela família que ajudou a edificar, o Comandante do Exército, por meio da Portaria Nº 650, de 10 de junho de 2016, aprovou a entronização de Dona Rosa Maria Paulina da Fonseca como Patrono da Família Militar do Exército Brasileiro. Desde então, sua data natalícia, 18 de setembro, é consagrada ao Dia da Familia Militar. A edificante história de vida de D. Rosa da Fonseca, matriarca respeitada e admirada, esposa de militar e exemplo de mãe, impõe ao Exército o dever de homenagear, de forma marcante, essa digna heroina, que tão bem encarna o espírito de luta e sacrifício da Família Militar Brasileira.
Disponivel em: Noticiário do Exército, Centro de Comunicação Social do Exército, Brasilia, DF. Acesso em: 18/09/2018
Marque a opção em que os trechos selecionados indicam, respectivamente, relações semânticas de causa e consequência.
Questão 11 10727036
CMS 6º Ano - Português 2019Texto, para a questão.
Lobisomem em Portugal
A lenda do lobisomem chegou ao Brasil por meio dos portugueses e, por isso, é importante termos uma noção de
como é essa lenda em Portugal. Os portugueses possuem diferentes versões para explicar a origem do lobisomem.
Em uma versão, acredita-se que o lobisomem seja um homem pálido, alto e magro. Em outra versão, os portugueses
falam que o lobisomem é o primeiro filho homem nascido de um casal que teve sete filhas. Nesse caso, o homem se
[5] transformaria em lobisomem em uma terça ou sexta quando tivesse a idade de treze anos desde que passasse por um
cruzamento no qual um jumento rolou no chão.
A transformação aconteceria todas as terças ou sextas, e o lobisomem sairia de meia-noite até as duas horas
passando por cemitérios, amedrontando vilas, apagando as luzes etc. Quem ferir o lobisomem consegue colocar fim à maldição,
mas, se ficar sujo com o sangue do lobisomem, herdará a maldição.
[10] Uma informação importante e que muitos desconhecem é que os portugueses acreditavam na existência de
lobisomens do sexo feminino – esse traço o folclore brasileiro não herdou.
(escolakids.uol.com.br)
Pela sequência do texto, assinale a alternativa que poderia estar contida na palavra “etc.”, na linha 8.
Questão 5 10727023
CMS 6º Ano - Português 2019Texto, para a questão.


(Maurício de Souza)
No primeiro quadrinho, Cebolinha está piscando o olho para o leitor.
Isso quer dizer que
Questão 11 10724134
CMRJ 6° Ano - Português 2019Texto:
O Cão e o Lobo

Um lobo muito magro e faminto, todo pele e ossos, pôs-se um dia a filosofar sobre as
tristezas da vida. E nisso estava quando lhe surge pela frente um cão — mas um cão e tanto,
gordo, forte, de pelo fino e lustroso.
Espicaçado pela fome, o lobo teve ímpeto de
[5] atirar-se a ele. A prudência, entretanto, cochichou-lhe
ao ouvido: “Cuidado! Quem se mete a lutar com um
cão desses sai perdendo”.
O lobo aproximou-se do cão com toda a
cautela e disse:
[10] — Bravos! Palavra de honra que nunca vi um
cão mais gordo nem mais forte. Que pernas rijas, que
pelo macio! Vê-se que o amigo se trata...
— É verdade! — respondeu o cão. Confesso
que tenho tratamento de fidalgo. Mas, amigo lobo,
[15] suponho que você pode levar a mesma boa vida que
levo.
― Como?
— Basta que abandone esse viver errante,
esses hábitos selvagens e se civilize, como eu.
[20] — Explique-me lá isso por miúdo, pediu o lobo com um brilho de esperança nos olhos.
— É fácil. Eu apresento você ao meu senhor. Ele, está claro, simpatiza-se e dá a você o
mesmo tratamento que dá a mim: bons ossos de galinha, nacos de carne, um canil com palha
macia. Além disso, agrados, mimos a toda hora, palmadas amigas, um nome.
— Aceito! — respondeu o lobo. Quem não deixará uma vida miserável como esta por uma
[25] de regalos assim?
— Em troca disso — continuou o cão — você guardará o terreiro, não deixando entrar
ladrões nem vagabundos. Agradará ao senhor e à sua família, sacudindo a cauda e lambendo a
mão de todos.
— Fechado! — resolveu o lobo e emparelhando-se com o cachorro partiu a caminho da
[30] casa. Logo, porém, notou que o cachorro estava de coleira.
— Que diabo é isso que você tem no pescoço?
— É a coleira.
— E para que serve?
— Para me prenderem à corrente.
[35] — Então não é livre, não vai para onde quer, como eu?
— Nem sempre. Passo às vezes vários dias preso, conforme a veneta do meu senhor. Mas
que tem isso, se a comida é boa e vem à hora certa?
O lobo entreparou, refletiu e disse:
— Sabe do que mais? Até logo! Prefiro viver magro e faminto, porém livre e dono do meu
[40] focinho, a viver gordo e liso como você, mas de coleira ao pescoço. Fique-se lá com a sua gordura
de escravo que eu me contento com a minha magreza de lobo livre.
E afundou no mato.
LOBATO, Monteiro, in Fábulas: O Cão e o Lobo. Brasiliense, São Paulo, 2002, p. 29. Fonte da imagem Disponível: http://www.iejusa.com.br/mundoinfantil/fabulasbrasileiras.php. Acesso em 04 de out. de 2019.
Uma das condições para que o lobo seja aceito na casa do dono do cão é “civilizar-se”.
De acordo com o texto, isso significa que o lobo deveria
Questão 9 10724116
CMRJ 6° Ano - Português 2019Texto I:

Ilustração de Jean-Claude R. Alphen
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
[5] ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
[10] homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
[15] — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa
noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca
com o homem de cavanhaque.
O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
[20] Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
[25] Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
[30] Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
[35] Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
[40] Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
[45] O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
[50] seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
[55] Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
[60] ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
[65] — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
[70] acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
[75] recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
[80] (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: Às vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen. João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
Texto II:
O Cão e o Lobo

Um lobo muito magro e faminto, todo pele e ossos, pôs-se um dia a filosofar sobre as
tristezas da vida. E nisso estava quando lhe surge pela frente um cão — mas um cão e tanto,
gordo, forte, de pelo fino e lustroso.
Espicaçado pela fome, o lobo teve ímpeto de
[5] atirar-se a ele. A prudência, entretanto, cochichou-lhe
ao ouvido: “Cuidado! Quem se mete a lutar com um
cão desses sai perdendo”.
O lobo aproximou-se do cão com toda a
cautela e disse:
[10] — Bravos! Palavra de honra que nunca vi um
cão mais gordo nem mais forte. Que pernas rijas, que
pelo macio! Vê-se que o amigo se trata...
— É verdade! — respondeu o cão. Confesso
que tenho tratamento de fidalgo. Mas, amigo lobo,
[15] suponho que você pode levar a mesma boa vida que
levo.
― Como?
— Basta que abandone esse viver errante,
esses hábitos selvagens e se civilize, como eu.
[20] — Explique-me lá isso por miúdo, pediu o lobo com um brilho de esperança nos olhos.
— É fácil. Eu apresento você ao meu senhor. Ele, está claro, simpatiza-se e dá a você o
mesmo tratamento que dá a mim: bons ossos de galinha, nacos de carne, um canil com palha
macia. Além disso, agrados, mimos a toda hora, palmadas amigas, um nome.
— Aceito! — respondeu o lobo. Quem não deixará uma vida miserável como esta por uma
[25] de regalos assim?
— Em troca disso — continuou o cão — você guardará o terreiro, não deixando entrar
ladrões nem vagabundos. Agradará ao senhor e à sua família, sacudindo a cauda e lambendo a
mão de todos.
— Fechado! — resolveu o lobo e emparelhando-se com o cachorro partiu a caminho da
[30] casa. Logo, porém, notou que o cachorro estava de coleira.
— Que diabo é isso que você tem no pescoço?
— É a coleira.
— E para que serve?
— Para me prenderem à corrente.
[35] — Então não é livre, não vai para onde quer, como eu?
— Nem sempre. Passo às vezes vários dias preso, conforme a veneta do meu senhor. Mas
que tem isso, se a comida é boa e vem à hora certa?
O lobo entreparou, refletiu e disse:
— Sabe do que mais? Até logo! Prefiro viver magro e faminto, porém livre e dono do meu
[40] focinho, a viver gordo e liso como você, mas de coleira ao pescoço. Fique-se lá com a sua gordura
de escravo que eu me contento com a minha magreza de lobo livre.
E afundou no mato.
LOBATO, Monteiro, in Fábulas: O Cão e o Lobo. Brasiliense, São Paulo, 2002, p. 29. Fonte da imagem Disponível: http://www.iejusa.com.br/mundoinfantil/fabulasbrasileiras.php. Acesso em 04 de out. de 2019.
Comparando-se os textos, percebe-se que tanto a mãe de João quanto o lobo não abrem mão de certos valores, que são, respectivamente,
Questão 6 10724104
CMRJ 6° Ano - Português 2019Texto:

Ilustração de Jean-Claude R. Alphen
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
[5] ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
[10] homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
[15] — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa
noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca
com o homem de cavanhaque.
O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
[20] Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
[25] Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
[30] Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
[35] Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
[40] Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
[45] O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
[50] seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
[55] Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
[60] ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
[65] — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
[70] acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
[75] recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
[80] (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: Às vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen. João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
As repetições “eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó” (linha 3) e “Ele era muito grande, muitíssimo grande, muitíssimo grandíssimo!” (linhas 29 e 30) sugerem que o narrador
06
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