Questões de EFAF Português - Morfologia
903 Questões
Questão 7 10127259
CMRJ 1° Ano - Prova de Português 2012Luis Fernando Veríssimo comenta com humor os jogos olímpicos modernos. Raul Pompeia, escritor brasileiro do final do século XIX, também registrou a impressão produzida pela prática do esporte, introduzida nas escolas brasileiras a partir de 1851. No romance O Ateneu, de 1888, ele assim descreve uma apresentação de ginastas:
Capítulo 1
Diante das fileiras, Bataillard, o professor de ginástica, exultava,
envergando a altivez do seu sucesso na extremada elegância do talhe,
multiplicando por milagroso desdobramento o compêndio inteiro da capacidade
profissional, exibida em galeria por uma série infinita de atitudes.
[5] Ao peito tilintavam-lhe as agulhetas do comando, apensas de cordões
vermelhos em trança. Ele dava as ordens fortemente, com uma vibração
penetrante de corneta que dominava à distância, e sorria à docilidade mecânica
dos rapazes.
Acabadas as evoluções, apresentaram-se os exercícios. Músculos do
[10] braço, músculos do tronco, tendões dos jarretes, a teoria toda do corpore sano foi
praticada valentemente al, precisamente, com a simultaneidade exata das
extensas máquinas. Houve após o assalto aos aparelhos. Os aparelhos alinhavam-
se a uma banda do campo, a começar do palanque da regente. Não posso dar ideia
do deslumbramento que me ficou dessa parte. Uma desordem de contorções,
[15] deslocadas e atrevidas; uma vertigem de volteios à barra fixa, temeridades
acrobáticas ao trapézio, às perchas, às cordas, às escadas; pirâmides humanas
sobre as paralelas, deformando-se para os lados em curvas de braços e
ostentações vigorosas do tórax; formas de estatuária viva, trêmulas de esforço,
deixando adivinhar de longe o estalido dos ossos desarticulados; posturas de
[20] transfiguração sobre invisível apoio; aqui e ali uma cabecinha loura, cabelos em
desordem cacheados à testa, um rosto injetado pela inversão do corpo, lábios
entreabertos ofegando, olhos semicerrados para escapar à areia dos sapatos,
costas de suor, colando a blusa em pasta, gorros sem dono que caíam do alto e
juncavam a terra; movimento, entusiasmo por toda a parte e a soalheira, branca
[25] nos uniformes, queimando os últimos fogos da glória diurna sobre aquele triunfo
espetaculoso da saúde, da força, da mocidade.
O professor Bataillard, enrubescido de agitação, rouco de comandar,
chorava de prazer. Abraçava os rapazes indistintamente. Duas bandas militares
revezavam-se ativamente, comunicando a animação à massa dos espectadores. O
[30] coração pulava-me no peito com um alvoroço novo, que me arrastava para o meio
dos alunos, numa leva ardente de fraternidade. Eu batia palmas; gritos
escapavam-me, de que me arrependia quando alguém me olhava.
POMPÉIA, Raul. O Ateneu. 4 ed. São Paulo: Moderna, 2004. p. 23-24 (adaptado).
Glossário:
corpore sano: do latim, significa “corpo são”, isto é, saudável (da expressão mens sana in corpore sano: “mente sã, corpo são”).
Na oração “a teoria toda do corpore sano foi praticada valentemente ali” (linhas 10-11), a voz verbal equivale, na forma sintética, à que está expressa na seguinte passagem:
Questão 5 624350
COTUCA 2012Leia com atenção a letra da canção abaixo para responder à questão.
NADA SEI (Apneia)
Nada sei dessa vida
Vivo sem saber
Nunca soube, nada saberei
Sigo sem saber
[5] Que lugar me pertence
Que eu possa abandonar
Que lugar me contém
Que possa me parar
[...]
Nada sei desse mar
[10] Nado sem saber
De seus peixes, suas perdas
De seu não respirar
Nesse mar,
Os segundos insistem em naufragar
[15] Esse mar me seduz
Mas é só pra me afogar
[...]
(Paula Toller e George Israel)
Das alternativas abaixo, assinale aquela em que a palavra grifada apresenta, na letra da canção lida, a mesma classe gramatical de “respirar” (verso 12):
Questão 4 624347
COTUCA 2012Leia com atenção a letra da canção abaixo para responder à questão.
NADA SEI (Apneia)
Nada sei dessa vida
Vivo sem saber
Nunca soube, nada saberei
Sigo sem saber
[5] Que lugar me pertence
Que eu possa abandonar
Que lugar me contém
Que possa me parar
[...]
Nada sei desse mar
[10] Nado sem saber
De seus peixes, suas perdas
De seu não respirar
Nesse mar,
Os segundos insistem em naufragar
[15] Esse mar me seduz
Mas é só pra me afogar
[...]
(Paula Toller e George Israel)
Observando-a do ponto de vista da morfologia e da sintaxe, é CORRETO afirmar que:
I. Nos versos 6 e 8, a palavra “que” pode ser classificada como pronome relativo, sendo que, em ambos os casos, o antecedente é “lugar”.
II. Nos versos 11 e 12 os pronomes “seus”, “suas” e “seu” estão bem empregados, já que se referem à segunda pessoa, ou seja, à pessoa com quem se fala.
III. Em todas as ocorrências nessa letra, o pronome “me” exerce a função de objeto direto dos verbos que complementa.
IV. O pronome demonstrativo “dessa” (verso 1) não se encontra bem empregado, já que a autora se refere a sua própria vida.
Escolha a alternativa que contenha todas as indicações CORRETAS:
Questão 17 171993
SESC 2012Na passagem: “Embora os prognósticos da ONU sejam positivos, a desarmonia entre as expectativas legais e os processos reais que acontecem nas cidades faz levantar a questão: …”
Levando em conta o parágrafo que antecede, o vocábulo destacado pode ser substituído, sem prejuízo de sentido, pela seguinte expressão.
Questão 7 170448
CEFET MG 2012A questão refere-se aos textos I e II.
TEXTO I
Muito além do gênero
Em entrevista exclusiva, Luis Fernando Veríssimo fala sobre seu novo romance policial, “Os Espiões”
Há algo ainda a ser tentado em romances policiais que já não o foi?
Quem escreve um romance policial escreve um gênero antigo, tentando sempre encontrar uma maneira nova de escrever. Quando fiz Clube dos Anjos, tentei algo. O leitor sabe, desde a primeira página,quem é o assassino; então o ponto de desenvolvimento do livro foi desvendar o motivo. Mas não há muito o que ser inventado desde que (o romancista Edgar Allan Poe) inventou o gênero. Ao inventá-lo, ele também já esgotou todas as variações. A que mais me encanta é a do narrador não confiável, aquele que conta a história, mas mente o tempo inteiro para o leitor.
Além de um crime, é claro, o que necessariamente um romance deve conter para ser considerado policial?
Na verdade, todo romance é uma espécie de investigação, é um desvendar por meio de uma história, há sempre um mistério, que pode estar todo contido numa mesma personalidade. Todos os livros são policiais, alguns com crime, outros não. A distinção do gênero é apenas conter o policial e a vítima, a investigação e a solução.
Mas você não vê algum tipo de evolução no jeito de escrever policiais desde Poe?
Há as maneiras humorísticas, por exemplo, e muitas das tentativas de romances policiais são paródias. Há também as mais pretensiosas, que tentam transformar o gênero em algo maior. Esses tipos de variações dialogam com as duas tradições clássicas. A europeia, em particular a inglesa, ambienta suas histórias muitas vezes numa cidade do interior com um crime desvendado pela capacidade dedutiva do investigador. A americana já traz o detetive particular, é mais violenta e ácida que a europeia e o investigador chega à solução do crime por meio da ação.
Você reconhece em sua obra policial alguma influência decisiva de outros autores?
A tradição europeia, em especial. Criei um personagem que é uma sátira a essa linha europeia, que é o Ed Mort. Parodiar o estilo europeu por meio dele foi uma homenagem que me deu prazer.
VERÍSSIMO, Luiz Fernando. Muito além do gênero. Entrevista a Luiz Costa Pereira Junior. Revista Língua Portuguesa. Disponível em: < http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11769>. Acesso em: 21 set. 2011. (Fragmento)
TEXTO II
Trecho do livro Quem matou o livro policial?
[...] Assim, seguem aqui as explicações necessárias para a compreensão da trama. (Trama, ou seja, a maneira como a história está sendo contada. No caso, de como as pistas estão sendo dosadas, oferecidas aos leitores, distribuídas entre os sucessivos episódios e outras aprontações cunhadas pela habilidade do autor...)
Vamos começar pelos detetives citados.
Sam Spade é o tal que desvenda o mistério de O Falcão Maltês, um livro muito importante na literatura policial americana, porque introduz um tipo novo de detetive. Edgar Allan Poe criou no século XIX Auguste Dupin, que por sua vez inspirou e foi aperfeiçoado por Conan Doyle, com o maior de todos os detetives dos policiais, Sherlock Holmes, que por sua vez é ancestral de Hercule Poirot, o detetive-astro de Agatha Christie. Todos esses detetives, menos Spade, são excêntricos, detetives-espetáculo. Desses que resolvem os mistérios graças a sua inteligência poderosa, seu imbatível poder de observação, capacidade de organização das pistas, discernimento sobre o que é e o que não é relevante e dedução. Ora, Dashiell Hammett, criador de Sam Spade, achava tudo isso meio que bobagem, que nenhum desses detetives estava sequer próximo do que, na realidade, era o trabalho de um detetive.
Ele tinha sido um detetive particular, e achava que um detetive de novela policial deveria ser mais realista, ou seja, que o detetive deveria era sair por aí seguindo pessoas, interrogando, confrontando versões, álibis, testemunhos. Até começar a pegar quem estava mentindo. E ao descobrir o que era a mentira, ou o que estava sendo encoberto, o mistério se desvendaria – e o criminoso era desmascarado. Era o detetive sem querer fazer charme (e, em muitas das histórias de Hammett, também sem nome, chamado de Continental Op, ou o detetive-operador da agência Continental). Sam Spade é bem isso. Recusa qualquer charme, qualquer romantismo, qualquer glamour. É frio, e trata a investigação como um processo de farejamento. É um sabujo.
(Tem outro ingrediente importante nesse novo tipo de policial criado por Hammett, que seria a gostosa fatal, ou seja, uma mulher linda que é uma besta-fera-dissimulada, cujo modelo pode ser a Milady, de Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, um folhetim romântico, grande clássico da literatura do século XIX... Mas ainda não chegou o momento de falar disso.)
A imaginação americana para policiais ficou muito marcada pelo Falcão Maltês. Dele tivemos filhotes excelentes, como o detetive Phillipe Marlowe, de Raymond Chandler. O caso é que é difícil para um americano imaginar-se um detetive-espetáculo, como os ingleses. Piorando esse trauma, há o fato de Auguste Dupin, do escritor americano Edgar Allan Poe, ser um personagem que vivia em Paris. Ou seja, se é para ter charme, bota o cara no Velho Continente e estamos conversados.
Vamos combinar, não existe realismo em literatura, e muito menos em literatura policial. Existe sempre enredo, uma maneira de ocultar os culpados e as pistas essenciais, de apresentar o crime, de pôr o detetive na caça do criminoso, e, muito, muito, muito importante, de criar um tipo de detetive: um personagem.
AGUIAR, Luiz Antonio. Quem matou o livro policial?. Rio de Janeiro: Galera Record, 2010. p. 67-69.
Em “Vamos começar pelos detetives citados”, o uso da forma verbal de primeira pessoa do plural justifica-se pelo fato de ela
Questão 30 169897
IFMT 2012/1Uma pesquisa realizada com os alunos de uma classe da Escola Estadual de Cuiabá mostrou que os 42 alunos dessa classe ou gostam de samba, ou gostam de música sertaneja, ou gostam de ambos.
Quando a professora perguntou: - Quem gosta de música sertaneja? 36 alunos levantaram a mão.
E quando a professora perguntou: - Quem gosta de samba? 28 alunos levantaram a mão.

Nessa turma, o número de alunos que gostam, ao mesmo tempo, de música sertaneja e samba é igual a?
06
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