Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 4 10420026
OBI Fase 2 Nível 1 2022Cadeias palíndromas
Em computação, chamamos de cadeia de caracteres uma sequência de caracteres, como osso, arara ou abbbab. Uma cadeia de caracteres é palíndroma se os caracteres aparecem exatamente na mesma sequência quando lemos a cadeia da esquerda para a direita, ou da direita para a esquerda. Por exemplo, as cadeias osso e arara são palíndromas, mas as cadeias xy e abbbab não são palíndromas.
Chamamos de subcadeia de uma dada cadeia de caracteres um trecho contínuo da cadeia. Por exemplo, abc, bc e d são subcadeias de abcde, mas abe e ded não são.
Considere a seguinte cadeia de caracteres, que vamos chamar de X:
abbxxabxbaxabba
Qual o número de caracteres da maior subcadeia de X que é palíndroma?
Questão 5 16237217
ONHB Fase 4 2021Abaixo você pode ler trechos de uma reportagem publicada no Correio da Manhã (RJ), em 21 de novembro de 1971, e de uma coluna publicada no Diário de Notícias (RJ), do dia 23 de novembro de 1971.
Desabou o Elevado Paulo de Frontin

Transcrição do trecho selecionado
O sinal havia fechado para a Avenida Paulo de Frontin e abria para a Rua Haddock Lôbo. Os carros pararam na Paulo de Frontin, dos dois lados – o que vai para o Túnel Rebouças e o que vem de lá. Na Haddock Lôbo, os carros avançaram para cruzar a Paulo de Frontin, entre êles, o ônibus da Viação Alpha, número de ordem 48056, placa GB 80-21-74. Sôbre o viaduto, o caminhão “Rex”, um misturador de concreto, despejava massa sôbre a pista virgem do que viria a ser o Elevado Paulo de Frontin.
A tragédia veio de repente. A estrutura cedeu, à altura da esquina de Haddock Lôbo, e caindo sôbre o ônibus da viação Alpha, um táxi Volkswagen quatro portas de placa GB TA-3758 e um Fuscão. Ao mesmo tempo, as duas seções próximas de um lado e outro da Avenida Paulo de Frontin não suportaram as rachaduras junto às vigas de sustentação e caíram a um só movimento.
Se o corte em forma de V sôbre a esquina Haddock Lôbo atingira muita gente, o desabamento das seções vizinhas completou as linhas da tragédia. Quem estava nos carros, esperando que o sinal se abrisse, foi inteiramente surpreendido: sob o pêso da massa de concreto, uma dezena de carros foi reduzida a um retorcido disforme de ferro-velho, algumas vêzes com menos de um palmo de altura (...)
Depois de alguns momentos de estupefação ante o quadro que se formara num segundo, os empregados de Pôsto Shell que fica na esquina da Haddock Lôbo com Paulo Frontin, chamaram o Corpo de Bombeiros e o Hospital Souza Aguiar. Logo depois, chegaram alguns efetivos da Polícia Militar, que tentaram isolar o local para permitir que os bombeiros, médicos e enfermeiros pudessem trabalhar no resgate de feridos.
Na confusão que se formou, todos queriam ajudar a um só tempo e só faziam atrapalhar. Houve poucos casos de feridos imprensados, para a extensão do desabamento: na maioria dos casos, quem não ficou prêso se salvou. Às 14 horas, havia quatro centros de atenção para os bombeiros e médicos:
1) O motorista de um Karmann-Guia que ficou imprensado junto ao canal. Os bombeiros tinham de passar por uma fresta de um palmo, entre a massa de concreto desabada e o asfalto da pista, para chegarem a êsse carro. Vários carros imprensados queimavam nas proximidades e os bombeiros entravam na brecha, de máscara contra gases, para tentar amputar a perna prêsa do motorista e livrá-lo.
2) O motorista do táxi Volkswagen quatro portas GB-TA-1082, que recebeu uma viga de sustentação sôbre o motor, teve as pernas prêsas. A viga de sustentação lhe prendeu as pernas e salvou-lhe a vida: o resto do carro ficou inteiro e os passageiros puderam escapar ilêsos. Os bombeiros tentavam livrar a perna para evitar a amputação.
3) Do lado direito do ônibus, a laje central esmagou o veículo até a altura inferior das janelas. Pela porta da frente, via-se a cabeça de um homem negro, deitado no chão, com os braços libertos; êle acenava constantemente e dizia que tinha as pernas prêsas. Bem sôbre a laje central, numa fresta mínima, a um dado momento viu-se a mão de uma mulher, que enfiara os dedos por ali e acenava dramàticamente.
4) Do lado esquerdo do ônibus, um homem de meia-idade, cabelos cortados à Príncipe Danilo , ficou com as pernas prêsas sôbre o banco da frente. A seu lado, uma senhora, que diziam ser sua mãe, estava na mesma situação. Tentativas desesperadas para libertá-los começaram a ser realizadas pelos bombeiros. Mas só foi possível libertá-los depois de terem as pernas amputadas, sendo transportados às pressas para o Hospital Souza Aguiar
Mas a atenção maior se concentrava no lado direito do ônibus 48056: o homem negro mostrava estar relativamente bem, assim como a mulher que acenava sempre da fresta. Os bombeiros iniciaram um trabalho de arrombamento bem sob sua janela, para poder chegar até ela. Quando forçaram a lataria e as colunas internas do ônibus, a laje central ameaçou ceder.
E cedeu a um ponto em que foi impossível continuar. Aos gritos, os bombeiros foram aconselhados a abandonar o local: se a laje central desabasse, não haveria chance para os dois sobreviventes à vista e para os bombeiros. Técnicos da Sursan foram chamados às pressas e ao chegar ao local, um tanto por fé em Deus, concluíram que a laje não desabaria. O trabalho foi retomado. Quando o buraco foi aberto, a mulher estava imprensada sob o banco de encôsto de sua cadeira e não estava muito ferida. Todavia, não havia possibilidade imediata de resgate.
O cheiro de gasolina derramada se misturava a um forte odor vindo dos carros incendiados. Gritos: dos bombeiros, dos enfermeiros, pedindo instrumentos, dos policiais, tentando isolar a área, dos feridos, que viam a hora passar e a possibilidade de resgate distante.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: Carlos Marchi. ”Desabou o Elevado Paulo de Frontin”. Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 21/11/1971. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=089842_08&pagfis=26283&url=http://memoria.bn.br/docreader# [http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=089842_08&pagfis= 26283&url=http://memoria.bn.br/docreader] http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=089842_08&pagfis=26283&url=http://memoria.bn.br/docreader# CRÉDITOS: Carlos Marchi GLOSSÁRIO: Estupefação: sentimento de espanto. Karmann-Guia : automóvel esportivo produzido pela Volkswagen e construído pela empresa alemã
Responsabilidades

Não é somente às famílias das vítimas da tragédia de sábado que o Govêrno deve satisfações. É toda a população do Estado que espera a apuração rigorosa de responsabilidades no desabamento do Elevado da Avenida Paulo de Frontin, em defesa mesmo da segurança pública e no resguardo da idoneidade dos profissionais de engenharia urbana.
Se não é possível ao Govêrno ressuscitar os mortos, sobram-lhe podêres, nesta hora, para promover investigação criteriosa que, não somente apure culpados, mas sirva para restituir, na cidade em pânico, a confiança dos contribuintes pelas obras gigantescas que são erguidas com seu dinheiro e que desabam sôbre todos, indiscriminadamente.
No momento exato em que o Govêrno se arroja a uma iniciativa de grande envergadura, como é o metrô, os aspectos negativos da tragédia do Rio Comprido forçosamente se farão refletir em tôrno da obra, contaminando a todos pelo ceticismo, pela dúvida, pela incerteza.
A parcela de fatalidade em catástrofe como a de sábado último é ínfima ou quase nenhuma. Precisamente porque a engenharia se fundamenta em ciência exata, como a matemática, que prescinde de opções especulativas. Êrro de cálculo, má qualidade do concreto ou deficiência técnica dos executores da obra, o que quer que tenha sido, deve ser apurado e revelado, sem delongas, à opinião pública, para que o carioca volte a sentir, nas ruas, um mínimo de segurança.
Não basta ao Estado cobrir prejuízos materiais a particulares que sobreviveram ao desastre. O fundamental, agora, é restabelecer a confiança da comunidade no programa de obras do Govêrno, desde que êste comprove, claramente, propósitos de modificar os critérios de empreitada.
Numa cidade de crescimento exagerado, onde ninguém se sente seguro, sob qualquer aspecto, já pela precariedade do tráfego, onde proliferam infratores das normas legais, já pela deficiência do policiamento, que favorece tantos assaltos e crimes inqualificáveis, seria por demais cruel manter os habitantes em clima de permanente suspense, sob ameaça de hecatombes imprevistas e inevitáveis.
O Sr. Chagas Freitas enfrenta o primeiro grave problema do seu Govêrno. Até aqui sua administração não sentira as vicissitudes de uma tragédia de amplas dimensões, envolvendo diretamente os negócios de Estado. (...)
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: ”Responsabilidades”. Diário de Notícias. Rio de Janeiro, 23/11/1971, nº 15.055. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=093718_05&pesq=paulo%20frontin&pasta=ano%20197&pagfis=14940 [http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=093718_05&pesq=paulo% 20frontin&pasta=ano%20197&pagfis=14940] http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=093718_05&pesq=paulo%20frontin&pasta=ano%20197&pagfis=14940 CRÉDITOS: Diário de Notícias GLOSSÁRIO: Arroja : lança com ímpeto. Rio Comprido : bairro da cidade do Rio de Janeiro onde ocorreu o desabamento. Vicissitudes : sequência de adversidades. PALAVRAS-CHAVE: ditadura civil-militar, obras públicas
Depois de ler as duas notícias, assinale a alternativa que considere mais adequada:
Questão 4 16237179
ONHB Fase 4 2021Carta ao Padre Geral de São Vicente ao ultimo de maio de 1560
(...)
Acrescentarei agora poucas palavras acêrca dos espectros noturnos ou antes demonios com que costumam os Indios aterrar-se.
É cousa sabida e pela bôca de todos corre que ha certos demonios, a que os Brasis chamam corupira , que acometem aos Indios muitas vezes no mato, dão-lhes de açoites, machucam-os e matam-os. São testemunhas disto os nossos Irmãos, que viram algumas vezes os mortos por eles. Por isso, costumam os Indios deixar em certo caminho, que por asperas brenhas vai ter ao interior das terras, no cume da mais alta montanha, quando por cá passam, penas de aves, abanadores, flechas e outras cousas semelhantes como uma especie de oblação , rogando fervorosamente aos curupiras que não lhes façam mal.
Ha tambem nos rios outros fantasmas, a que chamam Igpupiára , isto é, que moram n’agua, que matam do mesmo aos Indios. Não longe de nós ha um rio habitado por Cristãos, o que os Indios atravessavam outrora em pequenas canôas, que fazem de um só tronco ou de cortiça, onde eram muitas vezes afogados por eles, antes que os Cristãos para lá fossem.
Ha tambem outros, maximè nas praias, que vivem a maior parte do tempo junto do mar e dos rios, e são chamados baetatá que quer dizer “cousa de fogo”, o que é o mesmo como se dissesse “o que é todo fogo”. Não se vê outra cousa senão facho cintilante correndo daqui para ali; acomete rapidamente os Indios e mata-os, como os curupiras: o que seja isto, ainda não se sabe com certeza.
(...)
Escrito em São Vicente, que é a última povoação dos Portugueses na India Brasilica voltada para o Sul, no ano do Senhor 1560, no fim do mês de Maio.
O minimo da Companhia de Jesus.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Carta ORIGEM: Padre José de Anchieta. Carta ao Padre Geral de São Vicente ao ultimo de maio de 1560. Carta de São Vicente 1560. Série Cadernos da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Caderno nº 7. Primavera de 1997, p. 34. Disponível em: http://www.rbma.org.br/rbma/pdf/Caderno_07.pdf [http://www.rbma.org.br/rbma/pdf/Caderno_07.pdf] http://www.rbma.org.br/rbma/pdf/Caderno_07.pdf CRÉDITOS: Padre José de Anchieta GLOSSÁRIO: Oblação : ação de oferecer; objeto oferecido a Deus; oferta feita aos santos ou a Deus. Maximè: principalmente, mormente, especialmente. PALAVRAS-CHAVE: indígenas, colonização, cultura
A partir do texto, assinale a alternativa mais adequada:
Questão 3 16237166
ONHB Fase 4 2021Nordestino, sim; Nordestinado, não!
Nunca diga nordestino
Que Deus lhe deu um destino
Causador do padecer
Nunca diga que é o pecado
Que lhe deixa fracassado
Sem condições de viver
Não guarde no pensamento
Que estamos no sofrimento
É pagando o que devemos
[...]
Não é Deus quem nos castiga
Nem é a seca que obriga
Sofrermos dura sentença
Não somos nordestinados
Nós somos injustiçados
Tratados com indiferença
Sofremos em nossa vida
Uma batalha renhida
Do irmão contra o irmão
Nós somos injustiçados
Nordestinos explorados
Mas nordestinados não
Há muita gente que chora
Vagando de estrada afora
Sem-terra, sem lar, sem pão
Crianças esfarrapadas
Famintas, escaveiradas
Morrendo de inanição
Sofre o neto, o filho e o pai
Para onde o pobre vai
Sempre encontra o mesmo mal
Esta miséria campeia
Desde a cidade à aldeia
Do Sertão à capital
Aqueles pobres mendigos
Vão à procura de abrigos
Cheios de necessidade
Nesta miséria tamanha
Se acabam na terra estranha
Sofrendo fome e saudade
[...]
Já sabemos muito bem
De onde nasce e de onde vem
A raiz do grande mal
Vem da situação crítica
Desigualdade política
Econômica e social
[...]
O direito do banqueiro
É o direito do trapeiro
Que apanha os trapos na rua
Uma vez que o conformismo
Faz crescer o egoísmo
E a injustiça aumentar
Em favor do bem comum
É dever de cada um
Pelos direitos lutar
Por isso vamos lutar
Nós vamos reivindicar
O direito e a liberdade
Procurando em cada irmão
Justiça, paz e união
Amor e fraternidade
Somente o amor é capaz
E dentro de um país faz
Um só povo bem unido
Um povo que gozará
Porque assim já não há
Opressor nem oprimido.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Poesia ORIGEM: Patativa do Assaré. Ispinho e fulô. São Paulo: Hedra, 2005. p. 38-41. CRÉDITOS: Patativa do Assaré GLOSSÁRIO: Renhida : em que há grande violência. Campeia: esforça-se por encontrar. Trapeiro: Pessoa que apanha trapos ou papéis velhos na rua para vendê-los. PALAVRAS-CHAVE: literatura, nordeste, cultura popular
A partir do documento, assinale a alternativa mais pertinente:
Questão 8 16236997
ONHB Fase 3 2021Abaixo você tem um trecho da coluna Modas, publicada no Jornal das Senhoras do Rio de Janeiro em 1852, considerado o primeiro periódico brasileiro voltado ao público feminino editado e redigido apenas por mulheres.
O Jornal das Senhoras, 01/02/1852

Transcrição de trecho da coluna
(...)
Dizia eu n’esse artigo: Paris tem suas estações e nós ca temos as nossas em diverso tempo; os nossos figurinos são feitos para o nosso jornal; e algumas vezes teremos de apresentar-vos modas e indicarmos fazendas, as quaes ainda teem de aparecer na primavera de Paris. E logo depois offereço-vos um figurino de verão, chegado de lá, onde todos tremem o queixo com frio. Poderá isto ser?
- Será um figurino velho, ou pelo menos do verão passado?
- Será elle feito no Rio de Janeiro?
Eis as perguntas que já tenho ouvido fazer em diversas casas onde tenho estado, e que ainda me farão todas as senhoras que não quiserem tomar o trabalho de continuar a lêr este artigo, para o qual reservei a resposta, afim de não atraiçoar o meu incógnito , que tanta gente trabalha por descobrir.
Queridas leitoras, não é um figurino antigo; porque esse jôgo não se pode ligar ao caracter de JORNAL DAS SENHORAS, que facilmente seria apanhado em abuso de fé, desde que vós, folheando qualquer dos jornaes antigos de modas de Paris, encontrasseis o original, cuja cópia vos apresento.
Não é figurino das modas que lá se usão hoje, porque, como já vos disse, a moda ainda por estes dois mezes é de inverno.
Não é feito aqui no Rio de Janeiro, porque Deus não nos deu o dom especial de idear, combinar, e executar modas com essa graça, originalidade e gosto delicado, que para ellas tem os Parisienses, e ninguem mais. Temos sim actualmente quem os possa copiar com perfeição ( ja não é tão pouco) mas a invenção é, e será sempre dos Francezes.
Ora, não sendo elle feito aqui, não sendo cópia de figurinos antigos, e não sendo dos que se usão actualmente em Paris, segue-se que é feito, ou para representar a moda que ainda lá se ha de usar na primavera (e é uma verdade) ou para expressamente representar a moda de verão no Rio de Janeiro. Porque com este figurino e com todos os mais que, com o favor de Deus, vierem, tambem chegarão as fazendas e os enfeites que elles indicarem com as suas competentes variações para todos os gostos, estados, e posições.
De qualquer das formas entendo, que as elegantes estão comigo: ufane-me de vêr Paris condescendendo comnosco na partilha das modas (...)
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: O Jornal das Senhoras, 01/02/1852, ed. 5, p. 34. Disponível em: http://memoria.bn.br/pdf/700096/per700096_1852_00005.pdf [http://memoria.bn.br/pdf/700096/per700096_1852_00005.pdf] http://memoria.bn.br/pdf/700096/per700096_1852_00005.pdf CRÉDITOS: O Jornal das Senhoras; Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. GLOSSÁRIO: Fazendas: tecido, pano, estofo. Atraiçoar: trair, ser infiel, faltar a. Incógnito: que ou quem procura não ser reconhecido, quer esconder sua identidade. Ufane-me: vanglorio-me, envaideço-me, orgulho-me. Condescendendo: consentindo, cedendo em alguma coisa (por interesse, lisonja, bondade, temos ou fraqueza), renunciando à sua superioridade. PALAVRAS-CHAVE: imprensa, história das mulheres, história da moda
A partir do texto, escolha a alternativa que considere mais adequada:
Questão 5 16236810
ONHB Fase 3 2021Numa procissão

Sobre o que trata o excerto, selecione a alternativa adequada:
Transcrição
NUMA PROCISSÃO UMA EXPERIENCIA SOBRE A PSYCHOLOGIA DAS MULTIDÕES DA QUAL RESULTOU SÉRIO DISTURBIO
Domingo, ás 15 horas, quando desfilava pelas ruas do centro da cidade, a procissão de “Corpus Christi”, um rapaz muito bem posto, que se achava na esquina da rua Direita e praça do Patriarcha, não se descobriu, conservando ostensivamente seu chapeu na cabeça.
Os crentes, que acompanhavam o cortejo, revoltaram-se com essa atitude e exigiram em altos brados que elle se descobrisse.
Elle, no entanto, sorrindo, para a turba, não tirou o chapeu, embora o clamor da multidão já se tivesse transformado em franca ameaça. Foi então que innumeros populares tentaram lynchal-o, investindo contra elle. O rapaz pos-se em fuga, occultando-se na Leiteria Campo Bello, situada á rua de São Bento, até onde foi perseguido pelos mais exaltados.
O sub-delegado de plantão na policia Central compareceu ao local, onde deu garantias ao moço, protegendo-o contra a ira do povo.
Na policia Central, para onde foi conduzido, declarou a victima da exaltação popular, ser o engenheiro Flavio de Carvalho, de 31 annos de edade, residente à praça Oswaldo Cruz, 1.
Nas suas declarações, disse que, ha tempos, se vem dedicando a estudos sobre a psychologia das multidões e tem mesmo alguns trabalhos ineditos sobre a materia. Para melhor orientação dos seus estudos, resolvera fazer uma experiencia sobre a ”capacidade aggressiva de uma massa religiosa á resistencia da força das leis civis, ou determinar se a força da crença é maior do que a força da lei e do respeito à vida humana”.
Com esse intuito se postou no ponto citado e quando passava a procissão de ”Corpus Christi” não se descobriu, sendo quasi lynchado pelos crentes, revoltados com essa sua attitude.
Terminou suas declarções dizendo que, não visava offender a religião do povo, pois esperava de facto que se verificasse tal reacção.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: Numa Procissão. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 9 de junho de 1931, p. 6. Disponível em: https://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19310609-18879-nac-0006-999-6-not [https://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19310609-18879-nac-0006-999-6-not] https://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19310609-18879-nac-0006-999-6-not CRÉDITOS: O Estado de S. Paulo PALAVRAS-CHAVE: história da arte, comportamento, religião.
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