Questões de EFAF Português - Morfologia
903 Questões
Questão 3 10823386
Concursos Pref de Rio Negrinho 2013O plural das palavras opinião, homem, cidadão e degrau é:
Questão 4 10786917
Concursos P.M. Palminópolis 2013Identifique a alternativa correta quanto ao Adjetivo Uniforme:
Questão 40 10784053
Liceu-SP 2013Leia as orações a seguir, observando as palavras destacadas:
I) A ociosidade é uma fonte de desordem.
II) Não defendo indiscriminadamente a preguiça.
Os prefixos das palavras destacadas têm o mesmo valor semântico dos prefixos das seguintes palavras:
Questão 9 10735921
CMRJ 6º Ano - Português 2013TEXTO
O mundo do menino impossível
Jorge de Lima
Fim da tarde, boquinha da noite
com as primeiras estrelas
e os derradeiros1 sinos.
Entre as estrelas e lá detrás da igreja,
[5] surge a lua cheia
para chorar com os poetas.
E vão dormir as duas coisas novas desse mundo:
o sol e os meninos.
Mas ainda vela
[10] o menino impossível
aí do lado
enquanto todas as crianças mansas
dormem
acalentadas
[15] por Mãe-negra noite.
O menino impossível
que destruiu
os brinquedos perfeitos
que os vovôs deram,
[20] (...)
que destruiu até
os soldados de chumbo de Moscou
e furou os olhos de um Papai Noel,
brinca com sabugos de milho,
[25] caixas vazias,
tacos de pau,
pedrinhas brancas do rio...
“Faz de conta que os sabugos
são bois...”
[30] “Faz de conta...”
“Faz de conta...”
E os sabugos de milho
mugem como bois de verdade...
e os tacos que deveriam ser
[35] soldadinhos de chumbo são
cangaceiros de chapéus de couro...
E as pedrinhas balem2!
coitadinhas das ovelhas mansas
longe das mães
[40] presas nos currais de papelão!
É boquinha da noite
no mundo que o menino impossível
povoou sozinho!
A mamãe cochila.
[45] O papai cabeceia.
O relógio badala.
E vem descendo
uma noite encantada
da lâmpada que expira3
[50] lentamente
na parede da sala...
O menino pousa a testa
e sonha dentro da noite quieta
da lâmpada apagada
[55] com o mundo maravilhoso
que ele tirou do nada...
Xô! Xô! Pavão!
Sai de cima do telhado
Deixa o menino dormir
Seu soninho sossegado!
Disponível em http://valtersantos.webnode.es/news/pagina%20lan%C3%A7ada/ . Acesso em 17 jun 2013.
Vocabulário:
1. derradeiros (verso 3) – últimos, finais
2. balem (verso 37) – som emitido pelas ovelhas.
3. expira (verso 49) – finda, morre (apaga).
A única opção impossível de substituir a interjeição presente em “Xô! Xô! Pavão” (verso 57) é
Questão 16 10679612
SENAI 1º Ano - CGE 2070 2013/2
Fonte: Disponível em: http://tirinhasdogarfield.blogspot.com/search/label/fazenda. Acesso em: 10/09/2011.
O acento grave, indicativo da ocorrência de crase, se utilizado no segundo quadrinho, justifica-se pois
Questão 4 10143445
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2013TEXTO
Uma questão de honra
Todas as manhãs, os aposentados Quintério Luca e Esmerado Fabião jogavam
às damas no bar da vila. Ocupavam sempre a mesma mesa, junto à vitrina. As pessoas
passavam e, invariavelmente, encontravam os velhos debruçados sobre o tabuleiro.
Pareciam estátuas guardando o tempo.
[5] [...]
Hora de fechar, Fabião e Quintério se retiravam deitando uma derradeira olhada
sobre o tabuleiro. As peças ficavam em posição estudada e acertada. Dia seguinte,
regressavam e retomavam a partida. Conversavam mais que jogavam. Maldiziam o
mundo, esse mundo em que já nem a terra é natural. Apenas o bar sobrevivia à
[10] deterioração geral. O tempo é um fruto: na medida, amadurece; em demasia, apodrece.
À volta do tabuleiro os dois tinham construído uma ilha, um castelo sem areia
onde ainda valiam a palavra, a honra e a amizade. Eles os cavalheiros e, no tabuleiro, as
damas.
Quanto mais envelheciam, mais os jogos demoravam. O último decorria havia
[15] semanas. Enquanto um jogava, o outro passava pelo sono. O aconchego do pequeno
bar era o melhor lugar para dormirem. Para eles, o bar era o lar, já que ali estavam longe
da abandonada solidão de seus quartos. E cada um deles era, para o outro, a
humanidade inteira.
Até que, um dia, sucedeu o conflito. Nessa manhã, incidentou-se o seguinte: as
[20] peças haviam mudado de posição. As jogadas se desenhavam agora em desfavor de
Quintério Luca. O velho entesou a voz, em aplicação de zanga:
– Fabião, você veio aqui essa noite?
– Minha honra! - negou Esmerado Fabião.
– O jogo não estava assim, nem tão pouco.
[25] – Mas eu acabei de entrar agora. Entramos juntos, não entramos?
– Então, quem mexeu no tabuleiro? Já viu: o meu jogo encontra-se todo
comestível...
– Com isso eu que não tenho a ver, Quintério.
Mais grave não podia ser. Decidiram consultar o doutor juiz. Encontraram-no na
[30] barbearia do Covane. Altivo, preparado para o corte do cabelo. [...] Permaneceu imóvel e
distante enquanto escutou o relato dos reformados.
– Diga-nos, senhor doutor: pode um jogo mexer-se sozinho à noite?
– Depende - respondeu o juiz.
Passou a mão suada pelo couro descabeludo. E acrescentou, enquanto se
[35] olhava ao espelho:
– São fenômenos.
Os velhos, boquiabertos, sem expressão. Nunca haviam escutado palavra com
tais sílabas. Mas bastava que o juiz a pronunciasse para que ela fosse considerada
verdade.
[40] – É isso que se chamam fenômenos paranormais. Nunca ouviram falar?
– É que, faz anos, estamos aqui na vila, sem sair para nenhum lado.
– Psicocinese, tropismos sem casualidade determinada. Entendem?
Mentiram acenando com as cabeças. Fez-se pausa, espessou-se o silêncio. Os
velhos alinhados, mãos cruzadas em respeito ante a curva do ventre. Mas não havia
[45] mais a ser dito. O juiz, entre vênias e licenças, se retirou. Passando pelos mortais com
seu ar divino, o juiz se resumia numa palavra: fenomenal.
Retiraram-se também os velhos, ombros estreitos, passos miúdos. Na rua,
Esmerado Fabião sublinhou sua inocência:
– Eu não disse que não tinha mexido em nada?
[50] E separaram-se, cada um conforme sua solidão.
Quintério Luca deitou-se no seu quarto, calado, mal digerido. Para ele, aquilo
não tinha volta mesmo. Já não lhe apetecia voltar ao bar, não lhe apetecia viver. Em sua
consciência não havia reverso: confiança manchada, amizade desmanchada.
Noite alta, Quintério saiu de casa, cruzando a vila como a coruja furtiva. Bateu
[55] na porta da residência do juiz. O magistrado, estremunhado, de roupão, entreabriu-lhe
os olhos inquisitivos.
– Desculpe, excelência, mas é que uma pergunta ficou-me encravada e quase
nem consigo respirar.
– Fale, homem.
[60] – É que não entendi bem. Afinal, o compadre Quintério aldrabou ou não?
– A ética, meu caro Quintério Luca, a ética é profundamente irrelevante, num
caso destes. E agora, vá com Deus. Deixe dormir os homens de bem.
Quintério Luca, voz educada, voltou a insistir. O doutor lhe perdoasse, mas não
o mandasse embora assim, na ética de Deus. Era pobre, não tinha palavra dispendiosa.
[65] Mas ele não podia ficar torturado por aquela dúvida. Que aquilo não era um
simples caso de batota ao jogo. Fabião estava a embatotar a vida. Porque, afinal, nunca
tinha sido às damas que eles jogavam. O que faziam, repartidamente, era distraírem a
espera do fim. E o compadre Fabião era a quem confiava sua única e última riqueza:
gordas lembranças, magras confidências.
[70] Foi então que o juiz se alertou, num arrepio. Não foi mais que um simples
rebrilho no escuro: o que Luca trazia por baixo do braço era uma antiga, mas autêntica
espingarda. O juiz aconchegou o roupão como se invadido pelo repentino de um frio.
O velho ainda demorou a perguntar:
– Se eu matar Esmerado Fabião, terei desculpa de sua excelência?
[75] – Não. Terei que o culpar.
– Então, com a devida desculpa, acho que tenho que matar primeiro o senhor
doutor juiz.
E disparou sobre o aterrorizado magistrado. Mas sem ponto na mira. A bala
sulcou os céus, sem rumo. O guarda-costas do juiz, aparecido das traseiras da casa,
[80] devolveu disparo. O velho Quintério Luca tombou vegetalmente, já sem suspiro.
Desde então, quem passa no bar da vila pode ver Esmerado Fabião sentado na
mesma mesa, contemplando a cadeira vaga na sua frente. No intervalo dos cabeceios,
ele vai repetindo meio desvairado:
– É a sua vez, compadre! É a sua vez de pedir.
COUTO, Mia. O fio das missangas: contos. São Paulo: Ed. Companhia das Letras, 2009. (com adaptações)
VOCABULÁRIO
BATOTA: fraude em jogo, trapaça, falcatrua, mentira, roubo.
ALDRABOU: enganou, mentiu em excesso.
CABECEIOS: cochilos.
MISSANGAS: variação etimológica do vocábulo miçanga (coisa de pouco ou nenhum valor, bugiganga).
Leia atentamente o trecho abaixo e observe as relações sintáticas que os termos em destaque estabelecem.
“À volta do tabuleiro os dois tinham construído uma ilha, um castelo sem areia onde ainda valiam a palavra, a honra e a amizade. Eles os cavalheiros e, no tabuleiro, as damas.”
I. “do tabuleiro” complementa o substantivo “volta”.
II. “uma ilha, um castelo de areia” complementam um verbo transitivo indireto.
III. “onde” é um conectivo com função de adjunto adverbial.
IV. “a palavra, a honra e a amizade” complementam o sentido do verbo “valer”.
V. “os cavalheiros” caracteriza o sujeito – é, portanto, um adjunto adnominal.
A sequência de afirmativas corretas é:
06
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