Questões de EFAF Português - Sintaxe
1.422 Questões
Questão 6 10447235
COLÉGIO SÓLIDO* 9° ANO 2015Texto

Sobre o texto acima, é INCORRETO afirmar:
Questão 5 10447228
COLÉGIO SÓLIDO* 9° ANO 2015Texto
A CASA MATERNA

Há, desde a entrada, um sentimento de tempo na casa materna. As grades do portão têm uma velha ferrugem e o trinco se encontra num lugar que só a mão filial conhece. O jardim pequeno parece mais verde e
úmido que os demais, com suas palmas, tinhorões e samambaias, que a mão filial, fiel a um gesto de infância, desfolha ao longo da haste.
É sempre quieta a casa materna, mesmo aos domingos, quando as mãos filiais se pousam sobre a mesa farta do almoço, repetindo uma antiga imagem.
Há um tradicional silêncio em suas salas e um dorido repouso em suas poltronas. O assoalho encerado, sobre o qual ainda escorrega o fantasma da cachorrinha preta, guarda as mesmas manchas e o mesmo taco solto de outras primaveras. As coisas vivem como em preces, nos mesmos lugares onde as situaram as mãos maternas quando eram moças e lisas.
Rostos irmãos se olham dos porta-retratos, a se amarem e compreenderem mudamente. O piano fechado, com uma longa tira de flanela sobre as teclas, repete ainda passadas valsas, de quando as mãos maternas careciam sonhar.
A casa materna é o espelho de outras, em pequenas coisas que o olhar filial admirava ao tempo em que tudo era belo: o licoreiro magro, a bandeja triste, o absurdo bibelô.
E tem um corredor à escuta, de cujo teto à noite pende uma luz morta, com negras aberturas para os quartos cheios de sombra. Na estante junto à escada há um Tesouro da juventude com o dorso puído de tato e de tempo. Foi ali que o olhar filial primeiro viu a forma gráfica de algo que passaria a ser para ele a forma suprema da beleza: o verso.
Na escada há o degrau que estala e anuncia aos ouvidos maternos a presença dos passos filiais. Pois a casa materna se divide em dois mundos: o térreo, onde se processa a vida presente, e o de cima, onde vive a memória. Embaixo há sempre coisas fabulosas na geladeira e no armário da copa: roquefort amassado, ovos frescos, mangas-espadas, untuosas compotas, bolos de chocolate, biscoitos de araruta - pois não há lugar mais propício do que a casa materna para uma boa ceia noturna.
E porque é uma casa velha, há sempre uma barata que aparece e é morta com uma repugnância que vem de longe.
Em cima ficam os guardados antigos, os livros que lembram a infância, o pequeno oratório em frente ao qual ninguém, a não ser a figura materna, sabe porque queima às vezes uma vela votiva. E a cama onde a figura paterna repousava de sua agitação diurna. Hoje, vazia.
A imagem paterna persiste no interior da casa materna. Seu violão dorme encostado junto à vitrola. Seu corpo como que se marca ainda na velha poltrona da sala e como que se pode ouvir ainda o brando ronco de sua sesta dominical. Ausente para sempre de sua casa materna, a figura paterna parece mergulhá-la docemente na eternidade, enquanto as mãos maternas se fazem mais lentas e as mãos filiais ainda mais unidas em torno à grande mesa, onde já agora vibram também vozes infantis.
MORAES, Vinícius. Vinícius Menino. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. P. 9-11.
Vocabulário
▪ Dorido: que tem e/ou expressa alguma dor (física ou moral).
▪ Untuoso: gorduroso.
▪ Votivo: ofertado em promessa.
Qual é a função do termo destacado na oração abaixo?
“As grades do portão têm uma velha ferrugem”.
Questão 6 10446499
COLÉGIO SÓLIDO* 8° ANO 2015Texto
PEDRO E PAULO
O primogênito paga o preço de nossa inexperiência, insegurança e burrada

Hoje tenho dois filhos de idades, feições e mães diferentes. E os amo por igual. Pedro, o caçula, prestes a trocar suas fraldas por cuecas, é de uma timidez cativante. Paulo, por sua vez, o mais velho, é o adolescente padrão: hormônios, inconstância, doçura, ansiedade... Cada um é um, mas, repito, eu os amo por igual. Se tivesse, porém, de dizer qual deles mais me enternece, escolheria o primogênito.
A razão? Bem, antes de mais nada, por ter sido ele o primeiro. Paulo levantou o véu. Fez de mim um pai. O primogênito desperta em nós um impulso darwinista: o de zelar para que essa criatura, um candidato a cidadão gerado com a fricção de nossos corpos, não morra de medo, fome, frio ou sarampo. Esse papo pode soar estranho, mas é como funcionam as pulsões básicas graças às quais nossa espécie sobreviveu enquanto tantas outras desapareciam.
O primogênito é também nosso maior laboratório de acertos e burradas. Paulo não fugiu à sina. Foi meu órgão de choque; a cobaia involuntária de meus avanços e retrocessos na vida. Absorveu meus deslizes, minhas fantasias e mágoas. Foi um bravo!
Outro detalhe, aos meus olhos paternos, o torna um herói. Como a maioria dos garotos de sua idade, Paulo integra a primeira geração pós-divórcio. Com pai e mãe apartados, teve de se habituar a ver a vida por um prisma bifocal. No início, brigou feito um leão para manter seu mundinho intacto - e seus pais, juntos. Depois, vencido, resignou-se.
Pergunto-me se eu, criança, teria sido tão forte.
Por vários anos após a separação, mantive com ele uma relação delicada: cobranças, projeções, carências de parte a parte... Na festa de meu segundo casamento, vi claramente a satisfação e o desalento se misturarem em seus olhos azuis. A primeira devia-se ao fato de me ver feliz. O segundo, à constatação de que, naquele instante, a cisão de seu mundo se sacramentara de vez.
Aquele seu olhar marejado me perseguiu silenciosamente durante a gestação de Pedro. Como reagiria Paulo? Pois ele foi o primeiro a chegar à maternidade na manhã em que seu irmão nasceria. Mais tarde, longe de exasperar-se por ter de dividir o quarto na casa paterna com um bebê, presenteou o maninho com duas Ferraris em miniatura que eu mesmo lhe dera anos antes. Que quarto, aquele... Kurt Cobain num canto. Buzz Lightyear no outro.
Vi, enfim, que Paulo crescera - e aquilo pedia uma comemoração. No Carnaval viajamos, só nós dois, para a Itália. No Al Ceppo, um delicioso restaurante romano, eu lhe propus duas coisas: que tomássemos juntos um copo de vinho (talvez seu primeiro) e que ele fosse padrinho do irmão. Quando crescer, Pedro provavelmente abençoará essa escolha se, como eu, perceber que, em muitos aspectos, foi graças ao brother que lhe coube a fatia mais doce desse bolo chamado paternidade.
GANDRA, José Ruy. Folha de São Paulo, 2 ago. 2011. © Folhapress.
VOCABULÁRIO
Pulsão: impulso interno que direciona o comportamento das pessoas.
Dentre as alternativas abaixo, há apenas uma INCORRETA.
Marque-a.
Questão 5 10446494
COLÉGIO SÓLIDO* 8° ANO 2015Texto
PEDRO E PAULO
O primogênito paga o preço de nossa inexperiência, insegurança e burrada

Hoje tenho dois filhos de idades, feições e mães diferentes. E os amo por igual. Pedro, o caçula, prestes a trocar suas fraldas por cuecas, é de uma timidez cativante. Paulo, por sua vez, o mais velho, é o adolescente padrão: hormônios, inconstância, doçura, ansiedade... Cada um é um, mas, repito, eu os amo por igual. Se tivesse, porém, de dizer qual deles mais me enternece, escolheria o primogênito.
A razão? Bem, antes de mais nada, por ter sido ele o primeiro. Paulo levantou o véu. Fez de mim um pai. O primogênito desperta em nós um impulso darwinista: o de zelar para que essa criatura, um candidato a cidadão gerado com a fricção de nossos corpos, não morra de medo, fome, frio ou sarampo. Esse papo pode soar estranho, mas é como funcionam as pulsões básicas graças às quais nossa espécie sobreviveu enquanto tantas outras desapareciam.
O primogênito é também nosso maior laboratório de acertos e burradas. Paulo não fugiu à sina. Foi meu órgão de choque; a cobaia involuntária de meus avanços e retrocessos na vida. Absorveu meus deslizes, minhas fantasias e mágoas. Foi um bravo!
Outro detalhe, aos meus olhos paternos, o torna um herói. Como a maioria dos garotos de sua idade, Paulo integra a primeira geração pós-divórcio. Com pai e mãe apartados, teve de se habituar a ver a vida por um prisma bifocal. No início, brigou feito um leão para manter seu mundinho intacto - e seus pais, juntos. Depois, vencido, resignou-se.
Pergunto-me se eu, criança, teria sido tão forte.
Por vários anos após a separação, mantive com ele uma relação delicada: cobranças, projeções, carências de parte a parte... Na festa de meu segundo casamento, vi claramente a satisfação e o desalento se misturarem em seus olhos azuis. A primeira devia-se ao fato de me ver feliz. O segundo, à constatação de que, naquele instante, a cisão de seu mundo se sacramentara de vez.
Aquele seu olhar marejado me perseguiu silenciosamente durante a gestação de Pedro. Como reagiria Paulo? Pois ele foi o primeiro a chegar à maternidade na manhã em que seu irmão nasceria. Mais tarde, longe de exasperar-se por ter de dividir o quarto na casa paterna com um bebê, presenteou o maninho com duas Ferraris em miniatura que eu mesmo lhe dera anos antes. Que quarto, aquele... Kurt Cobain num canto. Buzz Lightyear no outro.
Vi, enfim, que Paulo crescera - e aquilo pedia uma comemoração. No Carnaval viajamos, só nós dois, para a Itália. No Al Ceppo, um delicioso restaurante romano, eu lhe propus duas coisas: que tomássemos juntos um copo de vinho (talvez seu primeiro) e que ele fosse padrinho do irmão. Quando crescer, Pedro provavelmente abençoará essa escolha se, como eu, perceber que, em muitos aspectos, foi graças ao brother que lhe coube a fatia mais doce desse bolo chamado paternidade.
GANDRA, José Ruy. Folha de São Paulo, 2 ago. 2011. © Folhapress.
VOCABULÁRIO
Pulsão: impulso interno que direciona o comportamento das pessoas.
No período “Absorveu meus deslizes, minhas fantasias e mágoas”, o termo destacado
Questão 10 10432734
COLÉGIO SÓLIDO* 7º ANO 2015Leia a anedota a seguir, para responder à questão
Texto

O pai nota que seus dois filhos estão muito quietos e vai verificar.
- O que vocês estão fazendo? - pergunta o pai
- Encontramos uma moeda de 1 real - diz o mais velho.
– Fizemos uma aposta: aquele que contar a maior mentira ganha a moeda.
- Mas isso é muito feio! - diz o pai. - Quando eu era criança, NUNCA contava mentiras!
Os meninos se entreolharam surpresos. O mais novo diz:
- Tudo bem, pai, a moeda é sua.
( Gabriel Barazal. Piadas para rachar o bico – Proibido para adultos. São Paulo: Fundamento, 2010. p.45.
Sobre o texto, é INCORRETO afirmar
Questão 3 10432538
COLÉGIO SÓLIDO* 7º ANO 2015Texto
DE SACO CHEIO

Sexta-feira, 29 de fevereiro
Está caindo o maior dilúvio. Fiquei todo encharcado quando estava indo para a escola. A mamãe e a minha professora de Matemática me perguntaram se eu tinha levantando com o pé esquerdo. Estou morto de cansaço. Fiquei com dor de cabeça o dia inteiro e ainda estou irritado com a ideia de não ir ao cinema.
Foi aí que aconteceu a GRANDE briga. (...) Eu derramei um pouquinho de café sem querer. Susie disse que tinha sido de propósito, só porque era a vez dela tirar a mesa e lavar a louça, e que eu é que ia ter que limpar. Não concordei, já que era a vez DELA limpar. Ela fez uma careta e foi para a cozinha batendo o pé, carregando uma pilha de pratos. Então derramei o café dela. Quando ela voltou, eu disse que ela agora tinha alguma coisa dela para limpar. Ela tentou bater em mim. Agarrei o braço dela e torci. Ela caiu, bateu na mesa, e a garrafa de leite caiu no chão e se quebrou. Foi aí que a mamãe apareceu, pau da vida. Eu disse que a culpa tinha sido da Susie. Mas a Susie, mentindo como sempre, disse que a culpa tinha sido minha. A mamãe atirou um pano de chão para a Susie e uma vassoura para mim, e mandou a gente limpar tudo. Depois ela saiu, com um tremendo mau humor.
Na mesma hora, a Susie derramou leite no meu tênis novo e sussurrou:
- Eu te odeio.
Então eu disse que ela era uma pentelha, e que não era à toa que a Kate não gostava mais dela. Quando eu disse isso, tive a certeza, junto com um medo delicioso, de que ia haver violência. Ela me acertou no braço com um pano de chão encharcado de leite. Então eu gritei e caí (ileso) no chão. Fique segurando o braço e acabei me cortando sem querer nos cacos de vidro da garrafa de leite. Nesse instante, a mamãe e o papai apareceram: a mamãe numa porta, muda de raiva, e o papai na outra porta, recém-saído de mais uma batalha contra monstros microscópicos, igualmente mudo.
A mamãe conseguiu se recobrar primeiro e gritou:
- OS DOIS PARA CAMA. AGORA!
E aí o papai também conseguiu falar:
- Façam o que sua mãe mandou.
- Mas eu estou sangrando! – gritei.
E a Susie reclamou:
- Mas foi tudo culpa dele, por que vocês sempre implicam comigo?
- CAMA!
Então, fazendo questão de derramar sangue pela escada inteira, fui para o quarto e bati a porta. Fiquei deitado escutando a Susie soluçar. Vai ver que ficar “de saco cheio” é contagioso.
(...)
Dez horas da noite. Pensei que já tivesse fechado o diário por hoje, mas não consigo dormir. O papai e a mamãe estão brigando um com o outro e o meu corte está ardendo. (...) A briga ficou ainda mais sangrenta e
sem sentido do que a minha com a Susie.
Parece que o papai nunca ajudava a mamãe a tomar conta da gente, nunca ajudava a cozinhar, a lavar louça e a limpar a casa, sempre esquecia o aniversário dela e também o dia dos namorados (...). Meu pai, na hora em que minha mãe parava para tomar fôlego, dizia que ela sempre deixava o carro sem gasolina, era ilógica, não valorizava o fato de ele ir fazer as compras com ela, sempre misturava as páginas do jornal, nunca tampava a pasta de dente depois de usar e, pior de tudo, a gente estava ficando igual a ela... e por aí vai.
De repente fiquei totalmente deprimido e muito preocupado. Será que isso quer dizer que meus pais vão se separar? A culpa ia ser minha. Fui eu – sou forçado a admitir – que comecei tudo, quando estava de saco cheio.
Se meu pai e minha mãe se separassem, não ia valer a pena continuar vivendo. Eu não estava mais cansado. Tinha que falar com alguém, qualquer um, sobre isso. Fui escondido até o quarto da Susie, mas ela não estava lá. Então fui no quarto da Sally, e lá estavam as duas deitadas na cama, conversando. Desabei no chão com um suspiro, quando percebi o silêncio que tinha se instalado lá embaixo de repente.
A Sally falou baixinho:
- Não fica preocupado. A culpa não é sua, nem da Susie. Os adultos costumam brigar muito. Não sei como é que vocês nunca ouviram o papai e a mamãe discutindo antes. O monopólio das brigas não é de vocês, sabe? Uma briga de vez em quando é uma coisa normal, e não significa necessariamente que as pessoas não se gostem. (...) Esperem só até amanhã para ver. Tentei explicar à Sally como eu estava me sentindo mal. Parece que ela estava entendendo o que eu ia dizer. Ela até botou um band-aid no meu machucado.
MACFARLANE, Aidan; MCPHERSON. Diário de um adolescente hipocondríaco. Tradução de André Cardoso. São Paulo: Editora 34, 1993. P.35 – 38. ( Fragmento. Título adaptado ).
Vocabulário
Hipocondríaco: indivíduo que sofre de hipocondria (focalização compulsiva do pensamento e das preocupações sobre o próprio estado de saúde, frequentemente acompanhada de sintomas que não podem ser atribuídos a nenhuma doença orgânica).
A respeito da reação dos pais diante da briga dos irmãos, considere as afirmativas abaixo:
I. Os pais ficaram bravos.
II. A mãe ficou muda de raiva.
III. O pai gritou e berrou.
IV. A mãe reagiu de forma mais drástica.
Está CORRETO o que se afirma em:
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