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Questão 8945247
COTIL COTIL 2020 1 FaseU Gerais 2020Daniel Munduruku: “Eu não sou índio, não existem índios no Brasil”
— Peço licença para entrar no território de vocês⁴. Eu venho questionar esse olhar quadrado⁵ que o ocidente desenvolveu e que exclui olhares circulares².
Foi assim que Daniel Munduruku deu início à sua fala histórica na Feira do Livro de Porto Alegre, trazendo a oralidade e a ancestralidade de seu povo em uma hora de conversa. (...) Doutor em Educação pela USP, Pós-Doutor em Literatura pela Universidade de São Carlos e autor de livros, Daniel iniciou sua fala desconstruindo o imaginário que a média da população brasileira tem em relação à palavra “índio” e a sua carga simbólica.
— Quando leem minha biografia, dizem que não sou mais índio, que já sou “civilizado”. Eu não sou índio e não existem índios no Brasil. Essa palavra não diz o que eu sou, diz o que as pessoas acham que eu sou. Essa palavra não revela minha identidade, revela a imagem que as pessoas têm e que muitas vezes é negativa.
Segundo o escritor, há dois conceitos no imaginário da sociedade brasileira intrínsecos a esta palavra: o olhar romântico, do “índio” que vive no meio do mato, e o aspecto ideológico que considera que “índios são preguiçosos e atrasam o progresso⁷”. Esse imaginário, fruto do pensamento ocidental e colonizador, criou um achatamento da riqueza cultural brasileira, explicou Daniel.
— Quando a gente chama alguém de índio, não ofende só uma pessoa, ofende culturas que existem há milhares de anos. Esse olhar linear empobrece nossa experiência de humanidade⁶. A gente defende um sistema de vida que tem dado certo há mil anos — afirmou.
Um dos povos indígenas do país, o povo Munduruku vive no Pará, Amazonas e Mato Grosso. Segundo Daniel, há cerca de mil pessoas da etnia Munduruku no Brasil.
— No dia de abril, a gente comemora um equívoco, porque se esconde a diversidade de povos que existem no Brasil³. Cada povo cria seu modo de estar no mundo a partir da cultura, que é alimentada pela língua que ele fala. E cada povo tem suas tradições, sua crença, cultura, política e economia. Nós aprendemos que só existe a língua portuguesa por aqui, né? Mas no Brasil existem línguas muito antigas e diferentes entre si. E a língua é uma leitura de mundo. Quando a gente generaliza e diz que “o índio chama casa de oca”, imediatamente a gente está esquecendo que oca é apenas um jeito de falar. E essas línguas são tão diferentes entre si quanto o português é diferente do chinês. Se um Kaingang fala a língua dele, eu não sei para onde vai, porque é de um tronco linguístico diferente. Aí vocês podem entender porque o povo tupi (que é o meu caso, o povo Munduruku é tupi) se organiza de um jeito e porque o povo Kaingang, que é do tronco Macro-Je, se organiza de outro jeito.

(http://www.nonada.com.br/2017/11/daniel-munduruku-eu-nao-sou-indio-nao-existem-indios-no-brasil/)
O autor também criticou o uso da palavra “tribo” para se referir às aldeias e etnias, já que ela significa apenas um pedaço de um povo. Já a palavra “índio” não tem relação alguma com o verdadeiro significado dos povos originários do Brasil. Ao ser perguntado sobre a maneira mais adequada de tratamento, Daniel defendeu o uso da palavra “indígena”, que significa “nativo”, e pediu também que sejam consideradas as etnias.
Questão 8945246
COTIL COTIL 2020 1 FaseU Gerais 2020Daniel Munduruku: “Eu não sou índio, não existem índios no Brasil”
— Peço licença para entrar no território de vocês⁴. Eu venho questionar esse olhar quadrado⁵ que o ocidente desenvolveu e que exclui olhares circulares².
Foi assim que Daniel Munduruku deu início à sua fala histórica na Feira do Livro de Porto Alegre, trazendo a oralidade e a ancestralidade de seu povo em uma hora de conversa. (...) Doutor em Educação pela USP, Pós-Doutor em Literatura pela Universidade de São Carlos e autor de livros, Daniel iniciou sua fala desconstruindo o imaginário que a média da população brasileira tem em relação à palavra “índio” e a sua carga simbólica.
— Quando leem minha biografia, dizem que não sou mais índio, que já sou “civilizado”. Eu não sou índio e não existem índios no Brasil. Essa palavra não diz o que eu sou, diz o que as pessoas acham que eu sou. Essa palavra não revela minha identidade, revela a imagem que as pessoas têm e que muitas vezes é negativa.
Segundo o escritor, há dois conceitos no imaginário da sociedade brasileira intrínsecos a esta palavra: o olhar romântico, do “índio” que vive no meio do mato, e o aspecto ideológico que considera que “índios são preguiçosos e atrasam o progresso⁷”. Esse imaginário, fruto do pensamento ocidental e colonizador, criou um achatamento da riqueza cultural brasileira, explicou Daniel.
— Quando a gente chama alguém de índio, não ofende só uma pessoa, ofende culturas que existem há milhares de anos. Esse olhar linear empobrece nossa experiência de humanidade⁶. A gente defende um sistema de vida que tem dado certo há mil anos — afirmou.
Um dos povos indígenas do país, o povo Munduruku vive no Pará, Amazonas e Mato Grosso. Segundo Daniel, há cerca de mil pessoas da etnia Munduruku no Brasil.
— No dia de abril, a gente comemora um equívoco, porque se esconde a diversidade de povos que existem no Brasil³. Cada povo cria seu modo de estar no mundo a partir da cultura, que é alimentada pela língua que ele fala. E cada povo tem suas tradições, sua crença, cultura, política e economia. Nós aprendemos que só existe a língua portuguesa por aqui, né? Mas no Brasil existem línguas muito antigas e diferentes entre si. E a língua é uma leitura de mundo. Quando a gente generaliza e diz que “o índio chama casa de oca”, imediatamente a gente está esquecendo que oca é apenas um jeito de falar. E essas línguas são tão diferentes entre si quanto o português é diferente do chinês. Se um Kaingang fala a língua dele, eu não sei para onde vai, porque é de um tronco linguístico diferente. Aí vocês podem entender porque o povo tupi (que é o meu caso, o povo Munduruku é tupi) se organiza de um jeito e porque o povo Kaingang, que é do tronco Macro-Je, se organiza de outro jeito.

(http://www.nonada.com.br/2017/11/daniel-munduruku-eu-nao-sou-indio-nao-existem-indios-no-brasil/)
O autor também criticou o uso da palavra “tribo” para se referir às aldeias e etnias, já que ela significa apenas um pedaço de um povo. Já a palavra “índio” não tem relação alguma com o verdadeiro significado dos povos originários do Brasil. Ao ser perguntado sobre a maneira mais adequada de tratamento, Daniel defendeu o uso da palavra “indígena”, que significa “nativo”, e pediu também que sejam consideradas as etnias.
Questão 8945243
COTIL COTIL 2020 1 FaseU Gerais 2020Do Pará ao Brasil
Vamos tentar sintetizar algumas informações sobre a questão indígena no Brasil, procurando mostrar como nossa pátria acolhe muitas culturas em suas fronteiras. Há no Brasil uma diversidade cultural bastante acentuada, ou seja, aqui em nosso país convivem pessoas que têm modos de vida diferentes. Para nos certificar de que isso é verdade, basta lembrar que a cidade de São Paulo, a maior do Brasil, acolhe pessoas oriundas de vários lugares do mundo¹: orientais (coreanos, japoneses, chineses), europeus (portugueses, italianos, entre outros) etc. Cada grupo de pessoas que mora nesta cidade e não deixa de lado suas tradições religiosas, seu jeito de falar, suas comidas, seu jeito de vestir etc. forma o que chamamos de colônias, e elas conquistam seu espaço na medida em que valorizam a própria cultura. Embora para o povo de São Paulo não haja nada de anormal na vida dessas pessoas, ele, o povo, percebe que são diferentes no que se refere a hábitos e costumes. Para todos os efeitos, os estrangeiros passam a fazer parte da vida da cidade como verdadeiros “adotados”, pois contribuem para o seu desenvolvimento.
Isso vale para todos os estados do Brasil. Cada um tem seu jeito próprio de manifestar suas tradições culturais.
Neste mesmo Brasil de milhões de habitantes, moram aqueles que a história passou a chamar de índios. E quantos são os índios no Brasil? Aproximadamente mil, e são assim chamados por conta de sua existência em nossa terra quando o Brasil foi “descoberto”, em . Estima-se que nessa época havia mais de milhões de indígenas ocupando nossa terra de norte a sul, e eles pertenciam a quase mil povos diferentes.
Ao longo da história do Brasil, muitos povos foram exterminados pela ganância dos estrangeiros, até que restassem apenas duzentos povos com grande diversidade cultural. Isso significa que esses povos são diferentes entre si, não existindo, por isso, o índio brasileiro, e sim pessoas que se relacionam diferentemente com a natureza em busca da sobrevivência e que, devido a um preconceito sem sentido (baseado na tecnologia do não índio), foram rejeitadas como autênticos filhos da terra chamada Brasil.
De acordo com o texto, a argumentação do autorMUNDURUKU, Daniel. Histórias de Índio. Ilustrações Laurabeatriz. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1996.
Questão 8392923
ANA POR 9AF 008 ANA025 2020(Concurso público – PMPG-PR)
Turma da Mônica – Maurício de Souza

Questão 8392918
ANA POR 9AF 008 ANA025 2020Leia o texto para responder a questão a seguir:
Cuitelinho
Cheguei na beira do porto onde as onda se ’espaia’
As ’garça’ dá meia volta e senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta que o botão de rosa caia
Ai quando eu vim da minha terra despedir da ’parentáia’
Eu entrei no mato grosso bem em terras paraguaias
lá tinha revolução enfrentei fortes ’bataia’
A tua saudade corta como aço de ’navaia’
O coração fica ’afrito’, uma bate a outra ’faia’
Os ’zoio’ se enchem d’água que até a vista se ’atrapaia’
A tua saudade corta como aço de ’navaia’
Os ’zoio’ se enchem d’água que até a vista se atrapaia’
Paulo Vanzolini / Antônio Xandó http://letras.terra.com.br/almir-sater/649536/
O texto apresenta muitas marcas da língua oral. trecho que confirma essa afirmativa é
Questão 8392915
ANA POR 9AF 008 ANA025 2020Leia os textos para responder à questão a seguir:
Texto I
Viagem ao centro da Terra
Não consigo descrever meu desespero. Nenhuma palavra em língua de gente daria conta de meus sentimentos. Eu estava enterrado vivo, com a perspectiva de morrer torturado pela fome e pela sede.
Minha primeira reação foi passar as mãos ansiosas pelo chão. Como aquela rocha me pareceu ressecada!
Mas como eu abandonara o curso do córrego? Sim, porque, afinal de contas, ele não estava mais lá! Compreendi então por que eu estranhara tanto o silêncio na última vez em que procurei escutar algum chamado de meus companheiros. Ao tentar apenas ouvir vozes, no momento em que dei o primeiro passo no caminho errado, não notei a ausência do córrego. É evidente que, naquele momento, devo ter entrado numa bifurcação, enquanto o Hansbach, obedecendo às exigências de outra rampa, partia com meus companheiros em rumo às profundezas desconhecidas!
Como voltar? Pistas não havia. Meu pé não deixava nenhuma marca naquele granito. Eu quebrava a cabeça tentando achar solução para um problema insolúvel. Minha situação podia ser resumida numa única palavra: perdido!
VERNE, Júlio. Viagem ao centro da Terra. tradução de Cid Knipel Moreira, São Paulo: Ática, 1993.
Texto II
(...)
Encontraram muitas coisas maravilhosas, mas nada que fosse espantoso. Descobriram que a ilha tinha cerca de cinco quilômetros de comprimento por meio quilômetro de largura e que a praia mais próxima estava separada por um canal estreito de no máximo uns duzentos metros de largura. Ficaram nadando durante quase uma hora e só voltaram para o acampamento lá pelo meio da tarde. Estavam com fome demais para ir pescar, mas comeram presunto à vontade e depois se deitaram à sombra para conversar. Mas a conversa foi morrendo pouco a pouco.
Twain, Mark. As aventuras de Tom Sawyer. Tradução de Duda Machado, São Paulo: Ática, 1995.
Nos textos acima podemos dizer que
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