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Questão 10 10135718
CMBel 1°ano - Português 2020TEXTO
A caminho da aldeia
Depois de ter passado tanto sufoco no pássaro de ferro, Lucas e eu só queríamos um lugar para descansar. Porém, tão logo chegamos, já havia um automóvel para nos levar direto para a beira do rio, onde um barco a motor nos esperava. No entanto, existia um problema: a cidade estava sem combustível. Ou seja, não tínhamos como sair dali por pelo menos dois dias. Isso nos obrigou a ficar na cidade. Mas nem tudo foi perdido, pois iniciamos um trabalho de reconhecimento no município. Foi a oportunidade que precisávamos para conhecer melhor a realidade do local.
A aparência do Lucas causou um certo alvoroço entre as moças dali. Ele é um jovem com um rosto bem delineado, de pele alvíssima, cabelos que iam até o meio das costas. Este tipo de gente não é muito comum na região, por isso todos voltaram sobre ele o olhar.
- Senhor Lucas, o que o trouxe a nossa cidade?
- Eu vim para conhecer a realidade daqui.
- O senhor não tem medo do que vai encontrar por aqui? - Acho que não tenho por que ter medo. Não vim aqui para brigar ou fazer qualquer tipo de discussão. Pelo contrário, estou aqui para conhecer o povo Munduruku.
- Por que o senhor resolveu conhecer este povo e não outro qualquer?
- Porque conheci um Munduruku, de quem fiquei amigo, e resolvi vir conhecer como vive a
gente dele.
Foi assim que correu a pequena entrevista que Lucas teve que dar para a única rádio da cidade. Pelas perguntas se podia sentir que havia certa inquietude nas pessoas, pois em cidades pequenas sempre há alguma desconfiança e insegurança, sobretudo se quem vem se parece com um europeu e está acompanhado por um índio. Quase sempre as pessoas acham que está havendo algum tipo de movimento para acabar com elas, destruí-las. Apesar disso, a população local tem uma vida cordial com a comunidade indígena.
Também Lucas teve que se encontrar com o prefeito da cidade e foi, inclusive, por conta dessa conversa que conseguimos combustível para prosseguir a viagem para a aldeia.
Nossa ida para a aldeia iniciou-se tão logo o dia raiou. Levantamos por volta das cinco horas e fomos direto para o posto de gasolina suspenso, que fica a três quilômetros da cidade. Embarcamos num velho caminhão com outras seis pessoas que iam aproveitar nossa embarcação para ir junto. Tão logo chegamos, Nicolau, o piloto que nos levaria, abasteceu o barco e deu ordem de partida. Todos nos assentamos do melhor jeito possível e iniciamos a viagem que duraria aproximadamente oito horas, cortando o igarapé cabitutu que nos levaria até a aldeia Katô.
A floresta amazônica é algo surpreendente. Eu a conheço bem e sempre me extasio diante de sua grandiosidade e beleza. Em muitos lugares só se chega a pé ou de canoa. Alguns braços dos seus rios são tão sinuosos que nem mesmo o mais experiente piloto se aventura a desobedecer às ordens que essa natureza impõe.
Nicolau, no entanto, já havia feito tantas vezes aquele caminho que o conhecia de cor e salteado e, ainda assim, seguia um ritual do qual não abria mão. Preferia sair bem cedinho para evitar surpresas como a chuva, o mau tempo e outros pequenos incidentes que sempre acontecem. Um desses “incidentes” ele nos contou quando já estávamos em pleno Tapajós.
MUNDURUKU, D. Um estranho sonho de futuro: casos de índio. São Paulo; FTD, 2004.
A relação semântica estabelecida entre as orações do trecho “... tão logo chegamos, já havia um automóvel...” (1º parágrafo) é a mesma presente em:
Questão 9 10135709
CMBel 1°ano - Português 2020TEXTO II
AÇAÍ Poético
(Roseane Namosstês)
Alimentas meus desejos despertos
Suprindo ânsias: de ti, de poesia
Por isso a ti oferto meus versos
Quero dizer da tua inegável magia...
Tua cor, ah como atrai
Linda, forte, vibrante
Vinho vivo, cor alegre
AÇAÍ, que cor marcante...
E a textura? Cremosa!
Sumo grosso, consistente!
Sorvo-te, te como, contente
Fruta esperta e formosa...
Teus caroços são lindos
Gostosa tua polpa é
A população nutrindo
De qualquer jeito é bem-vindo!
Aqui no Norte te deliciamos
Com peixe frito, carne-seca
Pirarucu, camarão, degustamos
Farinhas d'água ou tapioca, cá estamos!
Teu sorvete é divino, especial
Lá no Sudeste é só sucesso
Mas bom mesmo é te ter puro
Depois atar a rede, no quintal!
Confesso por ti meu gosto
Aos teus atrativos entrego-me
É fruto de mil encantos
Sou louca por ti, não nego!
AÇAÍ, fruta imensamente rica
Alimento, sabores e alegrias
Do povo, a fome sacias
Quem te toma por aqui fica!
(Texto adaptado) Disponível em: https://www.recantodasletras.com.br/poesias-regionais/1756014. Acesso em: 1º set. 2020. (Roseane Namastê)
TEXTO III
Açaí: essa fruta refrescante esconde um perigo!
Na época do calor, muita gente adora tomar um açaí para refrescar-se. Também pudera: essa fruta é deliciosa e pode ser combinada com vários outros ingredientes e frutas.
Acontece que essa saborosa fruta pode esconder um perigo: o parasita que transmite a doença de Chagas. Segundo uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 10% dos alimentos à base de açaí no Pará e no Rio de Janeiro apresentaram DNA do parasita dessa doença.
A Fiocruz colheu amostras de açaí em feiras e supermercados, entre 2010 e 2015, no Pará, e entre 2010 e 2012, no Rio de Janeiro, e constatou a presença de material genético, embora isso não signifique risco de contágio. A análise de 140 amostras de alimentos à base de açaí encontrou o parasita Trypanosoma cruzi em 14 produtos, o que representa 10% do total da amostragem. O inseto que transmite o Trypanosoma cruzi, conhecido popularmente como barbeiro, também foi indentificado em uma das amostras.
Nos dois estados, estão sendo comercializados produtos contaminados, entre eles, xarope de guaraná, sucos de açaí, polpas congeladas e frutos frescos. Segundo a Fundação, a presença do DNA do parasita nesses alimentos não provoca a transmissão à doença de Chagas, visto que o material genético pode manter-se na amostra mesmo o organismo já estando morto. Nesse estado, ele é incapaz de provocar uma infecção.
Mas, ainda assim, a Fiocruz alerta para a necessidade de serem observadas boas práticas de higiene e de manipulação dos produtos derivados do açaí. O pesquisador do Laboratório de Biologia Molecular de Doenças Endêmicas da Fiocruz, Otacílio Moreira, diz: "Reforçamos que, como não foi avaliado o potencial de infecção dos microrganismos, é provável que eles estivessem mortos e não pudessem provocar o agravo. Mas a simples presença do DNA do parasita mostra que houve contato com o alimento, apontando para falhas no processo de produção, que podem levar à transmissão da doença de Chagas”.
Não apenas quem vende e compra os produtos devem observar tais práticas, mas, sobretudo, quem os produz, pois em itens produzidos pela indústria alimentícia, que deveria aplicar normas de segurança alimentar, foi identificado o DNA do parasita.
A pesquisadora da Fiocruz Renata Trotta Barroso Ferreira explica que: “Apesar de existirem importantes estratégias sendo implementadas, o Brasil ainda está num estágio embrionário e pontual no combate à doença de Chagas, transmitida pelo consumo alimentar, incluindo o açaí, por exemplo. As boas práticas de higiene e de manufatura, assim como a aproximação entre instituições de ciência e os produtores de açaí, são essenciais para contribuir na solução deste problema”,
Segundo dados do Ministério da Saúde, foram registrados no país, entre 2007 e 2016, cerca de 200 casos agudos de doença de Chagas, anualmente, sendo 69% causados por transmissão oral, ou seja, por contaminação de bebidas e comidas. Das notificações registradas nesse período, quase a totalidade (95%) ocorreu na região Norte, sendo 85% no Pará, estado onde o consumo do suco fresco de açaí é uma tradição alimentar.
A doença de Chagas é tipicamente uma doença tropical, causada pelo parasita Trypanosoma cruzi. O site DNDi alerta que à ingestão oral de alimentos contaminados se dá por barbeiros infectados ou suas fezes, e o alto número de parasitas que entram no organismo pode agravar ainda mais a doença, levando, inclusive, a óbito a pessoa infectada.
Diante disso, quando for tomar açaí, analise as condições de armazenamento da fruta, seja fresca, seja em polpa, e se quem a está manipulando aplica corretamente regras de higiene e métodos de manuseio e venda adequados.
(Texto adaptado) https://www.greenme.com.br/consumir/consumo-consciente/7689-acai-esconde-um-perigo/. Acesso
em: 14 set. 2020
Ao comparar os textos II e III, percebe-se que
Questão 3 10135667
CMBel 1°ano - Português 2020TEXTO
AÇAÍ Poético
(Roseane Namosstês)
Alimentas meus desejos despertos
Suprindo ânsias: de ti, de poesia
Por isso a ti oferto meus versos
Quero dizer da tua inegável magia...
Tua cor, ah como atrai
Linda, forte, vibrante
Vinho vivo, cor alegre
AÇAÍ, que cor marcante...
E a textura? Cremosa!
Sumo grosso, consistente!
Sorvo-te, te como, contente
Fruta esperta e formosa...
Teus caroços são lindos
Gostosa tua polpa é
A população nutrindo
De qualquer jeito é bem-vindo!
Aqui no Norte te deliciamos
Com peixe frito, carne-seca
Pirarucu, camarão, degustamos
Farinhas d'água ou tapioca, cá estamos!
Teu sorvete é divino, especial
Lá no Sudeste é só sucesso
Mas bom mesmo é te ter puro
Depois atar a rede, no quintal!
Confesso por ti meu gosto
Aos teus atrativos entrego-me
É fruto de mil encantos
Sou louca por ti, não nego!
AÇAÍ, fruta imensamente rica
Alimento, sabores e alegrias
Do povo, a fome sacias
Quem te toma por aqui fica!
(Texto adaptado) Disponível em: https://www.recantodasletras.com.br/poesias-regionais/1756014. Acesso em: 1º set. 2020. (Roseane Namastê)
Quanto à colocação do pronome oblíquo, conforme a norma padrão da língua, estão corretas as seguintes construções, EXCETO:
Questão 9 10135228
CMSM 1° Ano - Prova de Língua Portuguesa 2020Observe o texto abaixo para responder o item.
TEXTO

Fonte: https://static dietdiler/faSc£260x91e50757-2bffedle.Line
Na fala da personagem da charge "...que 'viralizar' fosse uma coisa legal",o trecho destacado:
Questão 8 10135186
CMSM 1° Ano - Prova de Língua Portuguesa 2020Observe o texto abaixo para responder o item.
TEXTO

Fonte: https://static dietdiler/faSc£260x91e50757-2bffedle.Line
No trecho "que 'viralizar' fosse uma coisa legal" identificamos:
Questão 12 10129320
CMF 1° Ano - Prova de Português 2020TEXTO
As Baleias (Roberto Carlos)
Não é possível que você suporte a barra
De olhar nos olhos do que morre em suas mãos
E ver no mar se debater o sofrimento
E até sentir-se um vencedor neste momento
Não é possível que no fundo do seu peito
Seu coração não tenha lágrimas guardadas
Pra derramar sobre o vermelho derramado
No azul das águas que você deixou manchadas
Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão
O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão
Como é possível que você tenha coragem
De não deixar nascer a vida que se faz
Em outra vida que sem ter lugar seguro
Te pede a chance de existência no futuro
Mudar seu rumo e procurar seus sentimentos
Vai te fazer um verdadeiro vencedor
Ainda é tempo de ouvir a voz dos ventos
Numa canção que fala muito mais de amor
Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão
O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão
Não é possível que você suporte a barra
Fonte: Disponível em: https://www.vagalume.com.br/roberto-carlos/as-baleias-letras.html. Acesso em: 10 ago. 2020.
“Mudar seu rumo e procurar seus sentimentos/Vai te fazer um verdadeiro vencedor”.
No trecho do Texto, os verbos expressam que o eu-lírico:
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