Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 10 10616114
Colégio Embraer 2020Leia o texto para responder à questão
Dois anos depois do nascimento de Artur, o Rei Uther Pendragon adoeceu gravemente e teve de ficar acamado por muito tempo. Os inimigos aproveitaram a ocasião para invadir suas terras, matando muitos de seus homens e causando grandes tumultos.
– Senhor – aconselhou Merlin –, sem o vosso comando, nossos exércitos não serão vitoriosos. Mesmo que seja numa liteira levada por cavalos, Vossa Majestade deve ir ao campo de batalha.
O conselho foi seguido, e o rei foi transportado ao local onde estavam suas tropas para combater os inimigos. Sua simples presença deu novo ânimo aos soldados, que lutaram com muito mais disposição, vencendo os inimigos que ameaçavam o norte do país.
Uther voltou a Londres; a cidade rejubilava-se com a vitória obtida. Mas o esforço tinha sido grande demais para quem estava tão doente; durante três dias e três noites, ele não conseguiu nem mesmo falar.
Preocupados, os nobres se reuniram e consultaram Merlin.
– Não há nada a fazer, a não ser deixar que se cumpra a vontade de Deus – disse o sábio. – Mas já que estamos todos reunidos, podemos perguntar ao nosso soberano sobre o futuro do reino.
E, na presença de todos os nobres, Uther Pendragon declarou bem alto, para que todos ouvissem:
– Que Deus abençoe meu filho Artur como eu o abençoo, para que ele possa rezar por minha alma e herdar minha coroa. Dele será o reino da Inglaterra, e quando for chegada a hora vós sabereis reconhecer o verdadeiro descendente de Uther Pendragon, único herdeiro de toda a Inglaterra. Depois de dizer isso, entregou sua alma a Deus.
(Thomas Malory, Os cavaleiros da Távola Redonda [Tradução de Ana Maria Machado], 1991)
Considere a fala a seguir:
– Senhor – aconselhou Merlin –, sem o vosso comando, nossos exércitos não serão vitoriosos. (2° parágrafo)
Na fala da personagem, o sujeito da oração é a expressão
Questão 6 10616060
Colégio Embraer 2020Leia a tira para responder à questão

(Fernando Gonsales, “Níquel Náusea”. Folha de S.Paulo, 25.06.2020. Adaptado)
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do primeiro quadrinho devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Questão 4 10616051
Colégio Embraer 2020Leia o texto para responder à questão
Eu Nunca... terá segunda temporada?
Eu Nunca... chegou à Netflix em 27 de abril e, em duas semanas no ar, já está no top 5 entre os dez títulos mais vistos divulgados pela plataforma. Sucesso de audiência no Brasil e no mundo, a pergunta que muita gente está fazendo é se teremos uma continuação e quando ela chega.
Divertida e leve na medida, a série acompanha Devi Vishwakumar (Maitreyi Ramakrishnan), uma menina de 15 anos e seus anseios e questionamentos de adolescente.
Como um bônus muito interessante, Eu Nunca... ainda aborda vários pontos da cultura indiana, fruto do trabalho e da inspiração de sua criadora, Mindy Kaling. A atriz, produtora e roteirista americana é filha de indianos e ficou muito famosa com seu trabalho em um clássico das séries de comédia: The Office.
Oficialmente, a Netflix ainda não confirmou uma segunda temporada da série de Mindy Kaling. Mas, dada a boa recepção do público em todo o mundo e os rumos do final da primeira, tudo leva a crer que sim.
(Renata Nogueira, “Eu Nunca... terá segunda temporada? Tudo o que já sabemos sobre a série”. https://entretenimento.uol.com.br, 15.05.2020. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o enunciado, elaborado com informações do último parágrafo do texto, atende à norma-padrão de concordância nominal e concordância verbal.
Questão 12 10576426
FAETEC 2020Leia o texto para responder à questão
Texto
Quais os efeitos da cultura do cancelamento?
Juliana Domingos de Lima
Além dos seus usos mais tradicionais – como deixar de assinar um serviço ou desmarcar um compromisso agendado –, o verbo “cancelar” tem sido empregado com frequência, recentemente, para pessoas. O ato de cancelar alguém costuma ser aplicado a figuras públicas que tenham feito ou dito algo considerado condenável, ofensivo ou preconceituoso.
São inúmeros os exemplos de cancelados, e a lista aumenta a cada semana. O cancelamento é primeiramente decretado numa rede social, onde gera uma onda de críticas e comentários. Depois estampa manchetes e, normalmente, é seguido de uma retratação do cancelado, que pode ou não ser acatada por seus críticos. Cancelar alguém publicamente requer um anúncio, o que torna o alvo do cancelamento objeto de atenção.
Para ser cancelado, não é preciso nem mesmo estar vivo: a internet brasileira proclamou no fim de outubro o cancelamento do músico Raul Seixas, após uma nova biografia levantar suspeitas de que ele tenha delatado o amigo Paulo Coelho a agentes da ditadura militar.
A arquiteta e feminista negra Stephanie Ribeiro disse que os cancelamentos não são propriamente uma novidade. “Há um ou dois anos atrás, a gente não falava em cancelamento, mas em linchamento virtual”, disse. Ela liga essas movimentações às redes sociais, “às possibilidades de interação e de resposta muito mais rápidas”, tanto no que diz respeito a reagir a algo que desagrada quanto a conectar pessoas que pensam da mesma maneira.
Leonardo Goldberg, psicólogo e doutor em psicologia, aponta que, com isso, o usuário pode participar ativamente dos perfis, das contas e das carreiras dos artistas. “Acho que a cultura do cancelamento é uma consequência desse usuário ativo, que consegue, de modo engajado, social, político e coletivo dizer se está ou não gostando” das condutas daqueles que acompanha pelas redes.
M u i t o s d a q u e l e s q u e f o r a m a l v o d e cancelamentos, ou que se solidarizam com pessoas que tenham sido criticadas dessa forma, se queixam de uma perseguição inquisitorial que cercearia o discurso e as ações de comediantes, artistas, políticos e youtubers. Críticos apontam ainda que as reações muitas vezes alcançam dimensões desproporcionais ou se dão sem base em fatos.
Os efeitos da cultura do cancelamento, no entanto, são em geral menos efetivos do que os “canceladores” poderiam desejar e do que os “ c a n c e l a d o s ” c o s t u m a m a l a r d e a r .
O autor do artigo da New Republic, Osita Nwanevu, vai ao encontro desses questionamentos sobre o verdadeiro impacto da cultura do cancelamento, sugerindo um entendimento mundano da questão: enxergá-la como expressões públicas e corriqueiras de desagrado, manifestadas por pessoas comuns em novas plataformas.
Embora critique a ausência de diálogo que impede “qualquer operação simbólica que possa fazer aquela pessoa mudar de opinião, porque ela é simplesmente cancelada”, Goldberg vê de maneira positiva que as críticas transformam os discursos públicos. Todos aqueles que passam a emitir discursos públicos vão ter que se haver com aquilo que dizem”.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/ 2019/11/01/Quais-os-efeitos-da-cultura-do-cancelamento) Adaptado
“Os efeitos da cultura do cancelamento, no entanto, são em geral menos efetivos do que os 'canceladores' poderiam desejar e do que os 'cancelados' costumam alardear.”
No trecho, a expressão sublinhada pode ser substituída sem mudança de sentido por:
Questão 15 10541956
OBJETIVO 9º Ano - Português 2020Texto - DIMINUTIVOS
Sempre pensei que ninguém batia o brasileiro no uso do diminutivo, essa nossa mania de reduzir tudo à mesma dimensão, seja um cafezinho, um cineminha ou uma vidinha. Só o que varia é a inflexão da voz. Se alguém diz, por exemplo, “Ó vidinha!” você sabe que ele está se referindo a uma vida com todas as mordomias. Nem é uma vida, é um comercial de cigarro com longa metragem. Um vidão. Mas se disser “Ah vidinha...” o coitado está se queixando dela e com toda a razão. Há anos que o seu único divertimento é tirar sapatos e fazer xixi. Mas nos dois casos o diminutivo é usado com o mesmo carinho.
O francês tem o seu tout petit peu, que não é um diminutivo, é um exagero. Um “pouco todo pequeno” é muita explicação para tão pouco. Os mexicanos usam o poco, o poquito e – menos ainda do que o poquito – o poquetim! Mas ninguém bate o brasileiro.
Era o que eu pensava até o dia, na Itália, em que ouvi alguém dizer que alguma coisa duraria um mezzoretto. Não sei se a grafia é essa mesma, mas um povo que consegue, numa palavra, reduzir uma meia hora de tamanho – e você não tem nenhuma dúvida de que um mezzoretto dura os mesmos 30 minutos de uma meia hora convencional, mas passa muito mais depressa – é invencível em matéria de diminutivo.
O diminutivo é uma maneira ao mesmo tempo afetuosa e precavida de usar a linguagem. Afetuosa porque geralmente o usamos para designar o que é agradável, aquelas coisas tão afáveis que se deixam diminuir sem perder o sentido. E precavida porque também o usamos para desarmar certas palavras que, na sua forma original, são ameaçadoras demais.
Operação, por exemplo. É uma palavra assustadora. Pior do que intervenção cirúrgica, porque promete uma intromissão muito mais radical nos intestinos. Uma operação certamente durará horas e os resultados são incertos. Suas chances de sobreviver a uma operação... sei não. Melhor se preparar para o pior.
Já uma operaçãozinha é uma mera formalidade. Anestesia local e duas aspirinas depois. Uma coisa tão banal que quase dispensa a presença do paciente.
– Alô, doutor? Olha, aquele meu quisto no braço direito que nós íamos tirar hoje? A operaçãozinha?
– Sim.
– Não vou poder ir, mas o Asdrúbal vai no meu lugar
– O Asdrúbal?
– Meu assistente direto aqui na firma. Homem de confiança.
– Mas ele vai fazer a operaçãozinha por você?
– Ele é o meu braço direito, doutor.
Se alguém disser que precisa ter uma conversa com você, cuidado. É coisa da maior importância. Os próprios destinos do Pacto do Atlântico podem estar em jogo. Uma conversa é sempre com hora marcada.
Já uma conversinha raramente passa do nível da mais cândida inconsequência. E geralmente é fofoca. A hora para uma conversinha é sempre qualquer hora dessas.
Num jogo você arrisca tudo, até a hora. Num joguinho aceita-se até o cheque frio.
Entre ter um caso e ter um casinho a diferença, às vezes, é a tragédia passional.
No Brasil, usa-se o diminutivo principalmente com relação à comida. Nada nos desperta sentimentos tão carinhosos quanto uma boa comidinha.
– Mais um feijãozinho?
O feijãozinho passou dois dias borbulhando num daqueles caldeirões de antropófagos com capacidade para três missionários. Leva porcos inteiros, todos os miúdos e temperos conhecidos e, parece, um missionário. Mas a dona da casa o trata como um mingau de todos os dias.
– Mais um feijãozinho?
– Um pouquinho
– E uma farofinha?
– Ao lado do arrozinho?
– Isso.
– E quem sabe uma cervejinha?
– Obrigadinho
diminutivo é também uma forma de disfarçar o nosso entusiasmo pelas grandes porções. E tem um efeito psicológico inegável. Você pode passar horas tomando cervejinha em cima de cervejinha sem nenhum dos efeitos que sofreria depois de apenas duas cervejas.
– E agora, um docinho.
E surge um tacho de ambrosia que é um porta-aviões.
(Luis Fernando Veríssimo. Diminutivos. Comédia da vida privada. 101 crônicas escolhidas. Porto Alegre: LP&M, 1994.)
No trecho “Sempre pensei que ninguém batia o brasileiro no uso do diminutivo...”, o autor revela sentimento de
Questão 13 10541937
OBJETIVO 9º Ano - Português 2020Texto - DIMINUTIVOS
Sempre pensei que ninguém batia o brasileiro no uso do diminutivo, essa nossa mania de reduzir tudo à mesma dimensão, seja um cafezinho, um cineminha ou uma vidinha. Só o que varia é a inflexão da voz. Se alguém diz, por exemplo, “Ó vidinha!” você sabe que ele está se referindo a uma vida com todas as mordomias. Nem é uma vida, é um comercial de cigarro com longa metragem. Um vidão. Mas se disser “Ah vidinha...” o coitado está se queixando dela e com toda a razão. Há anos que o seu único divertimento é tirar sapatos e fazer xixi. Mas nos dois casos o diminutivo é usado com o mesmo carinho.
O francês tem o seu tout petit peu, que não é um diminutivo, é um exagero. Um “pouco todo pequeno” é muita explicação para tão pouco. Os mexicanos usam o poco, o poquito e – menos ainda do que o poquito – o poquetim! Mas ninguém bate o brasileiro.
Era o que eu pensava até o dia, na Itália, em que ouvi alguém dizer que alguma coisa duraria um mezzoretto. Não sei se a grafia é essa mesma, mas um povo que consegue, numa palavra, reduzir uma meia hora de tamanho – e você não tem nenhuma dúvida de que um mezzoretto dura os mesmos 30 minutos de uma meia hora convencional, mas passa muito mais depressa – é invencível em matéria de diminutivo.
O diminutivo é uma maneira ao mesmo tempo afetuosa e precavida de usar a linguagem. Afetuosa porque geralmente o usamos para designar o que é agradável, aquelas coisas tão afáveis que se deixam diminuir sem perder o sentido. E precavida porque também o usamos para desarmar certas palavras que, na sua forma original, são ameaçadoras demais.
Operação, por exemplo. É uma palavra assustadora. Pior do que intervenção cirúrgica, porque promete uma intromissão muito mais radical nos intestinos. Uma operação certamente durará horas e os resultados são incertos. Suas chances de sobreviver a uma operação... sei não. Melhor se preparar para o pior.
Já uma operaçãozinha é uma mera formalidade. Anestesia local e duas aspirinas depois. Uma coisa tão banal que quase dispensa a presença do paciente.
– Alô, doutor? Olha, aquele meu quisto no braço direito que nós íamos tirar hoje? A operaçãozinha?
– Sim.
– Não vou poder ir, mas o Asdrúbal vai no meu lugar
– O Asdrúbal?
– Meu assistente direto aqui na firma. Homem de confiança.
– Mas ele vai fazer a operaçãozinha por você?
– Ele é o meu braço direito, doutor.
Se alguém disser que precisa ter uma conversa com você, cuidado. É coisa da maior importância. Os próprios destinos do Pacto do Atlântico podem estar em jogo. Uma conversa é sempre com hora marcada.
Já uma conversinha raramente passa do nível da mais cândida inconsequência. E geralmente é fofoca. A hora para uma conversinha é sempre qualquer hora dessas.
Num jogo você arrisca tudo, até a hora. Num joguinho aceita-se até o cheque frio.
Entre ter um caso e ter um casinho a diferença, às vezes, é a tragédia passional.
No Brasil, usa-se o diminutivo principalmente com relação à comida. Nada nos desperta sentimentos tão carinhosos quanto uma boa comidinha.
– Mais um feijãozinho?
O feijãozinho passou dois dias borbulhando num daqueles caldeirões de antropófagos com capacidade para três missionários. Leva porcos inteiros, todos os miúdos e temperos conhecidos e, parece, um missionário. Mas a dona da casa o trata como um mingau de todos os dias.
– Mais um feijãozinho?
– Um pouquinho
– E uma farofinha?
– Ao lado do arrozinho?
– Isso.
– E quem sabe uma cervejinha?
– Obrigadinho
diminutivo é também uma forma de disfarçar o nosso entusiasmo pelas grandes porções. E tem um efeito psicológico inegável. Você pode passar horas tomando cervejinha em cima de cervejinha sem nenhum dos efeitos que sofreria depois de apenas duas cervejas.
– E agora, um docinho.
E surge um tacho de ambrosia que é um porta-aviões.
(Luis Fernando Veríssimo. Diminutivos. Comédia da vida privada. 101 crônicas escolhidas. Porto Alegre: LP&M, 1994.)
A ideia central do texto é mostrar que os diminutivos são usados como
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