Questões de EFAF Português - Sintaxe
1.422 Questões
Questão 3 170162
CEFET MG 2016Texto 1
Dá pra desenhar?
Marcelo Gruman

1º§ Numa cena de um de meus comediantes favoritos, Jerry Seinfeld¹, seu amigo neurótico George se vê às voltas com a necessidade de resgatar alguns livros deixados na casa de uma moça com quem acabou de terminar um relacionamento. Jerry não vê problema algum, mas George não gosta da ideia. Jerry, então, diz para o amigo esquecer os livros, perguntando-lhe se realmente precisa deles. George diz que sim, que precisa dos livros, e Jerry pergunta por quê. George responde que os livros são seus e que, por isso, precisa deles. E por que precisa deles?, insiste Seinfeld. George exclama simplesmente “são livros!”. Seinfeld indaga, então: “Que obsessão é essa com os livros? As pessoas os colocam em suas casas como se fossem troféus. Para que você precisa deles depois de serem lidos?”. E ironiza, finalmente, “Sabe, o legal de ler Moby Dick² pela segunda vez é que Ahab e a baleia ficam amigos”.
2º§ Quando abro a porta de meu apartamento dou de cara com uma estante cheia de livros, meus troféus. Ali estão meus favoritos da literatura brasileira, João Ubaldo, Veríssimo, Rubem Fonseca, Nelson Rodrigues, Cony, e também os estrangeiros, Saramago, Roth, Dostoievski, Tchekhov e muitos outros. Também me orgulha uma pequena biblioteca de livros com a temática judaica e outra com obras que fizeram e fazem parte de minha formação antropológica. A reação de quem se depara com as prateleiras cheias de livros é variada, há quem exclame maravilhado com os títulos ali dispostos, há quem pergunte, à la Seinfeld, para que tanto livro, para que acumular poeira e traças. No quarto de meu filho, a galeria de troféus aumenta um pouco a cada mês, somando-se ao folclore brasileiro e gibis da Turma da Mônica e Batman estórias da porquinha Olivia em português e espanhol e clássicos da literatura estrangeira, como The cat in the hat. A escola faz a sua parte, o troca-troca de livros entre os colegas e a ida semanal à biblioteca garante que, pelo menos, dois livros sejam lidos fora do horário de estudos formal, geralmente à hora de deitar para dormir.
3º§ Damos importância ao livro e, sobretudo, à leitura. Claro, para ler um livro, é preciso, primeiro, saber ler. Cultivamos o hábito da leitura, cultivamos o intelecto, a leitura como instrumento para gerar a autonomia, para a construção da própria trajetó- ria de vida, para a compreensão e interpretação do mundo que nos cerca a partir do nosso ponto de vista, e não de terceiros, uma empobrecida leitura mastigada, enviesada e, muitas vezes, coalhada de preconceitos e estereótipos. A capacidade de ler permite o acesso a mundos até então desconhecidos, do Saci Pererê, do Lobo Mau, da Chapeuzinho Vermelho, da Mula Sem Cabeça. Permite a construção de nossa identidade, daquilo que somos, ou melhor, que estamos, porque aquilo que somos pode mudar sempre, é só querermos. Nada mais emocionante do que ver seu filho, de repente, ler o letreiro de uma loja, pela primeira vez. Um novo mundo se abre: um mundo de possibilidades infinitas, mundos infinitos.
4º§ Para mim, o livro tem de ter cheiro, às favas com minha alergia à poeira. Eu preciso manuseá-lo, tocá-lo, virar suas páginas. O livro é parte constituinte de quem sou, de minha identidade, é extensão de meu corpo, está impregnado de memória, da minha memória, da minha história. Livro não é produto biodegradável, descartável, pós-moderno, do tipo “lavou, está novo”. O livro estabelece ligações afetivas. Lembro-me de um colega de faculdade comentando, certa vez, com certa excitação, que havia encontrado, num sebo, determinado livro que a namorada procurava fazia não sei quanto tempo. O tesouro seria dado como presente de aniversário. Poderia ser o Harry Potter ou Cinquenta tons de cinza, boa literatura, má literatura, o importante é ler...
5º§ As livrarias no Rio de Janeiro estão desaparecendo, sobretudo os sebos, que teimam em comercializar objetos sujos de histó- ria. [...] É a tal “civilização digital”. Se não digital, do kindle³ e do IPhone³, do ambiente asséptico, inodoro, impessoal de cadeias livreiras como Cultura, Travessa ou Saraiva, padronizadas. Chegamos à era da “mcdonaldização” do hábito de ler. Sem passado, sem futuro, um presente contínuo.
6º§ Não bastasse o desprestígio do livro físico, vivemos o “triunfo total da não-leitura”, conforme o editor de não-ficção e literatura brasileira da Editora Record, Carlos Andreazza, que resolveu lançar a campanha pela “maioridade intelectual”, que considera uma provocação à onda dos livros de colorir. Para ele, o editor também é um educador e tem a obrigação de atrair o leitor jovem-adulto, ampliando o público leitor como uma resposta saudável a esta atração cultural que é “o livro de unir os pontinhos”, como ironicamente o define Joaquim Ferreira dos Santos. Andreazza diz que, hoje, somos obrigados a falar redundâncias bárbaras como “livro para ler”. Uma piada de mau gosto porque livro pressupõe leitura.
7º§ [...] Há não muito tempo, perguntávamos a quem não entendia o que falávamos se gostaria que desenhássemos a explicação. Era uma brincadeira, uma forma de infantilizar o interlocutor. Chegou o dia em que a piada perdeu a graça, porque deixou de ser piada.
Fonte: , texto adaptado. Acesso em: 03 set. 2015
Vocabulário de apoio:
1- Jerome “Jerry” Allen Seinfeld – ator e humorista norte-americano, atua em Nova Iorque, EUA.
2- Moby Dick – romance do autor estadunidense Herman Melville. O nome da obra é o de uma baleia enfurecida, de cor branca, que conseguiu destruir baleeiros que a haviam ferido. Originalmente foi publicado em três fascículos com o título de Moby-Dick ou A Baleia, em Londres, em 1851, e, ainda no mesmo ano, em Nova York, em edição integral. O livro foi revolucionário para a época, com descrições intricadas e imaginativas das aventuras do narrador – Ismael, suas reflexões pessoais, e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça a elas, arpões, a cor branca (de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações e funcionamentos, armazenamento de produtos extraídos das baleias.
3- kindle – leitor de livros digitais desenvolvido pela subsidiária da Amazon, que permite aos usuários comprar, baixar, pesquisar e, principalmente, ler livros digitais, jornais, revistas, e outras mídias digitais via rede sem fio.
4- IPhone – linha de smartphones (telefones celulares multifuncionais) concebidos e comercializados pela Apple Inc.
Releia o trecho
“Andreazza diz que, hoje, somos obrigados a falar redundâncias bárbaras como ‘livro para ler’”.
A sentença em que também ocorre um exemplo de redundância é:
Questão 17 169557
IFMT 2016/1TEXTO 3
ENTREVISTA
Affonso Romanno de Sant’anna
Telefonam-me do jornal:
– Fale de amor
diz o repórter,
como se falasse
do assunto mais banal.
– Do amor? -Me rio
informal. Mas
ele insiste:
– Fale-me de amor
sem saber, displicente,
que essa palavra
é vendaval.
– Falar de amor? - Pondero:
o que está querendo, afinal?
Quer me expor
no circo da paixão
como treinado animal?
– Fala...- insiste o outro
– qualquer coisa.
Como se o amor fosse
“qualquer coisa”
pra se embrulhar no jornal.
– Fale bem, fale mal,
uma coisa rapidinha
– ele insiste, como se ignorasse
que as feridas de amor
não se lavam com água e sal.
Ele perguntando
eu resistindo,
porque em matéria de amor
e de entrevista
qualquer palavra mal dita
é fatal.
(Disponível em http://www.jornaldepoesia.jor.br/aromano04.html. Acesso em 31/07/2015).
No trecho...que as feridas de amor/não se lavam com água e sal., o pronome oblíquo se desempenha a função de apassivador do sujeito as feridas.
Aponte a alternativa em que o pronome oblíquo se NÃO desempenha essa mesma função.
Questão 5 169197
IFPE 2016A regência do verbo “faltar”que aparece no verso “Retomar o pedaço que falta no meu coração” não está de acordo com o que é indicado pela gramática normativa padrão que, nesse caso, indica a utilização da preposição “a”. Sendo assim, o verso ficaria “...que falta ao meu coração”. Desvios como esse são muito comuns no falar cotidiano. Sabendo disso, assinale a única alternativa cuja regência verbal segue o que preceitua a norma padrão.
Questão 21 166447
IFRR 2016Questão 21 - Resolvendo a expressão numérica 22 + 32 – 40 . 5, temos como solução:
Questão 7 164985
IFGO 2016Texto 02
Celular e adolescentes: uma relação perigosa
Uma pesquisa feita em Flandres, na Bélgica, com 1.656 estudantes de 13 a 17 anos, revelou que o uso do celular à noite é prática recorrente entre os adolescentes e isso está diretamente relacionado ao aumento do nível de cansaço desses jovens após algum tempo. A preocupação maior dos pais no que diz respeito à mídia é com relação ao tempo que as crianças gastam vendo TV, ouvindo música ou navegando na Internet. O celular é visto como um simples aparelho de comunicação, útil em situações de emergência. Mas os jovens, hoje, usam os meios de comunicação modernos de forma que os pais nem imaginam.
Casos de cansaço excessivo informado pelos adolescentes foram atribuídos ao abuso na utilização do celular, tanto em ligações quanto em trocas de mensagens de texto. Eles gastam muito tempo se conectando com outras pessoas, e alguns deles fazem isso a noite inteira.
Por outro lado, um melhor rendimento escolar está relacionado a uma boa noite de sono. Estudos revelam que adolescentes que dormem menos estão mais propensos a problemas cognitivos ou comportamentais em sala de aula. [...]
Especialistas recomendam que crianças e adolescentes tenham entre oito e dez horas de sono por noite para manter uma vida saudável e um bom desempenho durante o dia. Além disso, os pais que desconfiam que seus filhos estejam sofrendo de distúrbios do sono devem recorrer a consultas com pediatras ou especialistas na área. E dar conselhos como: durma bem para melhorar suas notas.
SOUZA, L. A. Celular e adolescentes: uma relação perigosa: Brasil Escola. Disponível em: . Acesso em: 30 out. 2015 [Adaptado].
Em “Eles gastam muito tempo se conectando com outras pessoas”, o termo sublinhado é, sintaticamente, classificado como
Questão 10 11050422
IFTM Integrados 2015/1Leia a frase de Carlos Drummond de Andrade e faça o que se pede: “Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.”
Assinale a alternativa que contenha, respectivamente, um sinônimo e um antônimo para a palavra sublinhada.
06
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