Questões de EFAF Português
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Questão 11 15406677
CAp-UERJ 1 Ano - Ensino Médio 2020O texto a seguir foi retirado do livro Por parte de pai, do escritor Bartolomeu Campos Queirós. Nesse livro, o personagem principal relembra sua infância, vivida em uma cidade do interior. Uma figura central em suas lembranças é seu avô paterno.
POR PARTE DE PAI
Debruçado na janela, meu avô espreitava a rua da Paciência, inclinada e estreita. Nascia lá em
cima, entre casas miúdas e se espichava preguiçosa, morro abaixo. Morria depois da curva, num
largo com sapataria, armazém, armarinho, farmácia, igreja, tudo perto da escola Maria Tangará, no
Alto de São Francisco. (...)
[5] Pelas manhãs, com os deveres cumpridos dentro da sacola, eu seguia a rua da Paciência entre as
casas acabando de acordar, para alcançar a escola. Nós éramos tantos, assentados de dois em dois,
cercados de mapas do mundo e do fundo dos mares. Sem despregar os olhos da lousa, copiávamos
os pontos da história, os erros dos ditados, os problemas da aritmética. Dividir e multiplicar as maçãs
em muitas partes, as laranjas em gomos, os ovos em dúzias, distribuí-los entre todos, em quantidades
[10] iguais, eram as nossas tarefas.
Filhos de muitos ofícios – pedreiros, lavadeiras, professores, médicos, motoristas, órfãos – e sem
inquietações pelas diferenças, nós nos gostávamos em silêncio, vencendo o destino sonhado, um a
um. E o recreio era o lugar das trocas: bolo por araticum*, maçã por manga, goiaba por chocolate,
banana por doce cristalizado. E assim experimentávamos o gosto da vida do outro, sem reservas.
[15] A nossa diferença era a nossa alegria.
Para meu avô eu repetia, em casa, as histórias das calmarias, do Cabo das Tormentas. E como
um bom aluno ele me escutava, sem pestanejar, duvidando, eu sei, dos movimentos de rotação ou
translação. Ele sabia ler as estações, as fases da Lua, o sentido dos girassóis na cerca de bambu.
Depois ele me tomava as lições ou me pedia para escrever até 100 ou até 1000, pelo prazer de me
[20] ver mordendo a língua no esforço de não saltar nem um número. Eu sabia dos algarismos romanos,
bordados no mostrador do relógio e não mais precisava decifrar o tempo, mas apenas ler a posição
dos ponteiros. E meus colegas elogiavam a minha atenção, enquanto meu avô me ensinava, junto
com a escola, a saldar a vida.
BARTOLOMEU CAMPOS QUEIRÓS Por parte de pai. Belo Horizonte: RHJ, 1995.
No primeiro parágrafo, para descrever a rua da Paciência, o narrador usa a seguinte figura de linguagem:
Questão 10 15406674
CAp-UERJ 1 Ano - Ensino Médio 2020No texto a seguir, o escritor Rubem Alves conta como se apaixonou pela Escola da Ponte, em Portugal, um lugar onde alunos e professores convivem como amigos na fascinante experiência da descoberta.
A ESCOLA DOS MEUS SONHOS
Quando criança, eu me levantava às 5 horas e me punha a andar pela casa fazendo barulho. Queria
que os adultos dorminhocos despertassem do seu sono. Minha curiosidade me levou a desmontar
o relógio de pulso de minha mãe, ele era o único que ela tinha. Queria saber como ele funcionava,
suas engrenagens fascinantes. Infelizmente, não consegui montá-lo de novo.
[5] No tempo da Segunda Guerra Mundial, as batalhas entravam em nossa casa pelo rádio. Meu pai
afixou um mapa da Europa na parede e nele íamos seguindo os movimentos das tropas. O mapa,
os países, o nome das cidades, dos rios, das montanhas – tudo estava vivo para mim.
Conto essas coisas da minha vida de menino para dizer que as crianças são curiosas naturalmente
e têm o desejo de aprender. Ao longo da minha vida, tenho estado à procura da escola que daria
[10] asas à curiosidade do menino que fui. Pois, de repente, sem que eu esperasse, eu me encontrei com
a escola dos meus sonhos. E me apaixonei.
Fui convidado por Ademar Ferreira dos Santos para ir a Portugal e falar aos professores da
Universidade de Braga e a adolescentes de uma escola secundária. Fui e fiz. Foi bom. Aí, numa manhã,
ele me disse: “Vou levar-te a conhecer uma escola diferente.” “Diferente como?”, perguntei. “Não é
[15] possível dizer-te. Tu verás.” Chegamos à escola. Na sua frente havia um pátio arborizado. Lá estava
o diretor, professor José Pacheco. Mais tarde, aprendi que ele se recusa a ser chamado de diretor.
Minha expectativa era que o diretor, por um mínimo dever de cortesia, haveria de levar-me a
conhecer a escola. Vinha passando à nossa frente uma menina de uns 9 anos. Ele a chamou e disse:
“Tu podes mostrar e explicar a nossa escola ao nosso visitante?” “Pois, pois”, respondeu a menina,
[20] sem mostrar nenhuma surpresa. Nunca imaginei que fosse possível que um diretor entregasse a uma
aluna a tarefa de mostrar e explicar a sua escola a um educador estrangeiro. A menina não se fez de
rogada. Encaminhou-se resolutamente na direção da porta da escola e, obedientemente, eu a segui.
Andamos um pouco e a menina abriu a porta da escola. Era uma grande sala, com muitas
mesinhas, crianças pequenas, crianças grandes, algumas com síndrome de Down, todas juntas no
[25] mesmo espaço. Cada uma fazendo a sua coisa. Algumas professoras assentadas às mesinhas junto
das crianças. Ninguém falava alto. Só sussurros.
A menina continuou a me guiar. Chegamos a uma mesa onde estava trabalhando uma aluna
com síndrome de Down. Senti que sua presença ali era algo normal e feliz na rede de relação de
solidariedade e de aprendizado que constitui a escola. Aquela menina era parte dessa rede. Com
[30] algumas peculiaridades e limitações, é claro. Mas, como todos os outros, ela se dedicava a aprender.
Na Escola da Ponte não há programas. Isso não quer dizer que a aprendizagem aconteça ao sabor
dos desejos das crianças. Imagine um homem do campo, que só conheça as comidas mais simples:
polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne. Imagine que ele venha à cidade e seja levado por um
amigo a um restaurante. “Que é que o senhor deseja?”, lhe perguntaria o garçom. Ele certamente
[35] responderia falando de polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne, pois esse é o seu repertório
de pratos. Aí, o amigo lhe diria: “Quero sugerir que você experimente uns pratos diferentes.”
Assim acontece na relação entre professor e aluno. Os professores sabem mais. É por isso
que são professores. E uma de suas tarefas é “seduzir” as crianças para coisas que elas ainda
não experimentaram, um mundo desconhecido de literatura, música, natureza, história, ciências,
[40] matemática. Já disse um filósofo que “a primeira tarefa da educação é ensinar a ver”. Não é obrigatório
que elas gostem do que veem. Mas é importante que seus horizontes se alarguem.
RUBEM ALVES Adaptado de revistaeducacao.com.br, 10/09/2011.
Imagine que, no pátio em frente à Escola da Ponte, há um canteiro com grama e quatro árvores plantadas em círculos com diâmetro de 1 m, conforme mostra a figura. Não há grama no interior dos círculos.

Considerando π = 3, a área total, em m2, coberta com grama é igual a:
Questão 9 15406673
CAp-UERJ 1 Ano - Ensino Médio 2020No texto a seguir, o escritor Rubem Alves conta como se apaixonou pela Escola da Ponte, em Portugal, um lugar onde alunos e professores convivem como amigos na fascinante experiência da descoberta.
A ESCOLA DOS MEUS SONHOS
Quando criança, eu me levantava às 5 horas e me punha a andar pela casa fazendo barulho. Queria
que os adultos dorminhocos despertassem do seu sono. Minha curiosidade me levou a desmontar
o relógio de pulso de minha mãe, ele era o único que ela tinha. Queria saber como ele funcionava,
suas engrenagens fascinantes. Infelizmente, não consegui montá-lo de novo.
[5] No tempo da Segunda Guerra Mundial, as batalhas entravam em nossa casa pelo rádio. Meu pai
afixou um mapa da Europa na parede e nele íamos seguindo os movimentos das tropas. O mapa,
os países, o nome das cidades, dos rios, das montanhas – tudo estava vivo para mim.
Conto essas coisas da minha vida de menino para dizer que as crianças são curiosas naturalmente
e têm o desejo de aprender. Ao longo da minha vida, tenho estado à procura da escola que daria
[10] asas à curiosidade do menino que fui. Pois, de repente, sem que eu esperasse, eu me encontrei com
a escola dos meus sonhos. E me apaixonei.
Fui convidado por Ademar Ferreira dos Santos para ir a Portugal e falar aos professores da
Universidade de Braga e a adolescentes de uma escola secundária. Fui e fiz. Foi bom. Aí, numa manhã,
ele me disse: “Vou levar-te a conhecer uma escola diferente.” “Diferente como?”, perguntei. “Não é
[15] possível dizer-te. Tu verás.” Chegamos à escola. Na sua frente havia um pátio arborizado. Lá estava
o diretor, professor José Pacheco. Mais tarde, aprendi que ele se recusa a ser chamado de diretor.
Minha expectativa era que o diretor, por um mínimo dever de cortesia, haveria de levar-me a
conhecer a escola. Vinha passando à nossa frente uma menina de uns 9 anos. Ele a chamou e disse:
“Tu podes mostrar e explicar a nossa escola ao nosso visitante?” “Pois, pois”, respondeu a menina,
[20] sem mostrar nenhuma surpresa. Nunca imaginei que fosse possível que um diretor entregasse a uma
aluna a tarefa de mostrar e explicar a sua escola a um educador estrangeiro. A menina não se fez de
rogada. Encaminhou-se resolutamente na direção da porta da escola e, obedientemente, eu a segui.
Andamos um pouco e a menina abriu a porta da escola. Era uma grande sala, com muitas
mesinhas, crianças pequenas, crianças grandes, algumas com síndrome de Down, todas juntas no
[25] mesmo espaço. Cada uma fazendo a sua coisa. Algumas professoras assentadas às mesinhas junto
das crianças. Ninguém falava alto. Só sussurros.
A menina continuou a me guiar. Chegamos a uma mesa onde estava trabalhando uma aluna
com síndrome de Down. Senti que sua presença ali era algo normal e feliz na rede de relação de
solidariedade e de aprendizado que constitui a escola. Aquela menina era parte dessa rede. Com
[30] algumas peculiaridades e limitações, é claro. Mas, como todos os outros, ela se dedicava a aprender.
Na Escola da Ponte não há programas. Isso não quer dizer que a aprendizagem aconteça ao sabor
dos desejos das crianças. Imagine um homem do campo, que só conheça as comidas mais simples:
polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne. Imagine que ele venha à cidade e seja levado por um
amigo a um restaurante. “Que é que o senhor deseja?”, lhe perguntaria o garçom. Ele certamente
[35] responderia falando de polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne, pois esse é o seu repertório
de pratos. Aí, o amigo lhe diria: “Quero sugerir que você experimente uns pratos diferentes.”
Assim acontece na relação entre professor e aluno. Os professores sabem mais. É por isso
que são professores. E uma de suas tarefas é “seduzir” as crianças para coisas que elas ainda
não experimentaram, um mundo desconhecido de literatura, música, natureza, história, ciências,
[40] matemática. Já disse um filósofo que “a primeira tarefa da educação é ensinar a ver”. Não é obrigatório
que elas gostem do que veem. Mas é importante que seus horizontes se alarguem.
RUBEM ALVES Adaptado de revistaeducacao.com.br, 10/09/2011.
Mas é importante que seus horizontes se alarguem. (l. 41)
O pronome possessivo sublinhado indica que os “horizontes” pertencem a alguém, que no caso são os:
Questão 8 15406672
CAp-UERJ 1 Ano - Ensino Médio 2020No texto a seguir, o escritor Rubem Alves conta como se apaixonou pela Escola da Ponte, em Portugal, um lugar onde alunos e professores convivem como amigos na fascinante experiência da descoberta.
A ESCOLA DOS MEUS SONHOS
Quando criança, eu me levantava às 5 horas e me punha a andar pela casa fazendo barulho. Queria
que os adultos dorminhocos despertassem do seu sono. Minha curiosidade me levou a desmontar
o relógio de pulso de minha mãe, ele era o único que ela tinha. Queria saber como ele funcionava,
suas engrenagens fascinantes. Infelizmente, não consegui montá-lo de novo.
[5] No tempo da Segunda Guerra Mundial, as batalhas entravam em nossa casa pelo rádio. Meu pai
afixou um mapa da Europa na parede e nele íamos seguindo os movimentos das tropas. O mapa,
os países, o nome das cidades, dos rios, das montanhas – tudo estava vivo para mim.
Conto essas coisas da minha vida de menino para dizer que as crianças são curiosas naturalmente
e têm o desejo de aprender. Ao longo da minha vida, tenho estado à procura da escola que daria
[10] asas à curiosidade do menino que fui. Pois, de repente, sem que eu esperasse, eu me encontrei com
a escola dos meus sonhos. E me apaixonei.
Fui convidado por Ademar Ferreira dos Santos para ir a Portugal e falar aos professores da
Universidade de Braga e a adolescentes de uma escola secundária. Fui e fiz. Foi bom. Aí, numa manhã,
ele me disse: “Vou levar-te a conhecer uma escola diferente.” “Diferente como?”, perguntei. “Não é
[15] possível dizer-te. Tu verás.” Chegamos à escola. Na sua frente havia um pátio arborizado. Lá estava
o diretor, professor José Pacheco. Mais tarde, aprendi que ele se recusa a ser chamado de diretor.
Minha expectativa era que o diretor, por um mínimo dever de cortesia, haveria de levar-me a
conhecer a escola. Vinha passando à nossa frente uma menina de uns 9 anos. Ele a chamou e disse:
“Tu podes mostrar e explicar a nossa escola ao nosso visitante?” “Pois, pois”, respondeu a menina,
[20] sem mostrar nenhuma surpresa. Nunca imaginei que fosse possível que um diretor entregasse a uma
aluna a tarefa de mostrar e explicar a sua escola a um educador estrangeiro. A menina não se fez de
rogada. Encaminhou-se resolutamente na direção da porta da escola e, obedientemente, eu a segui.
Andamos um pouco e a menina abriu a porta da escola. Era uma grande sala, com muitas
mesinhas, crianças pequenas, crianças grandes, algumas com síndrome de Down, todas juntas no
[25] mesmo espaço. Cada uma fazendo a sua coisa. Algumas professoras assentadas às mesinhas junto
das crianças. Ninguém falava alto. Só sussurros.
A menina continuou a me guiar. Chegamos a uma mesa onde estava trabalhando uma aluna
com síndrome de Down. Senti que sua presença ali era algo normal e feliz na rede de relação de
solidariedade e de aprendizado que constitui a escola. Aquela menina era parte dessa rede. Com
[30] algumas peculiaridades e limitações, é claro. Mas, como todos os outros, ela se dedicava a aprender.
Na Escola da Ponte não há programas. Isso não quer dizer que a aprendizagem aconteça ao sabor
dos desejos das crianças. Imagine um homem do campo, que só conheça as comidas mais simples:
polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne. Imagine que ele venha à cidade e seja levado por um
amigo a um restaurante. “Que é que o senhor deseja?”, lhe perguntaria o garçom. Ele certamente
[35] responderia falando de polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne, pois esse é o seu repertório
de pratos. Aí, o amigo lhe diria: “Quero sugerir que você experimente uns pratos diferentes.”
Assim acontece na relação entre professor e aluno. Os professores sabem mais. É por isso
que são professores. E uma de suas tarefas é “seduzir” as crianças para coisas que elas ainda
não experimentaram, um mundo desconhecido de literatura, música, natureza, história, ciências,
[40] matemática. Já disse um filósofo que “a primeira tarefa da educação é ensinar a ver”. Não é obrigatório
que elas gostem do que veem. Mas é importante que seus horizontes se alarguem.
RUBEM ALVES Adaptado de revistaeducacao.com.br, 10/09/2011.
Na Escola da Ponte não há programas. Isso não quer dizer que a aprendizagem aconteça ao sabor dos desejos das crianças. (l. 31-32)
Da linha 32 até a 38, o autor explica o que disse no trecho acima utilizando determinado recurso de linguagem.
Esse recurso é a:
Questão 7 15406671
CAp-UERJ 1 Ano - Ensino Médio 2020No texto a seguir, o escritor Rubem Alves conta como se apaixonou pela Escola da Ponte, em Portugal, um lugar onde alunos e professores convivem como amigos na fascinante experiência da descoberta.
A ESCOLA DOS MEUS SONHOS
Quando criança, eu me levantava às 5 horas e me punha a andar pela casa fazendo barulho. Queria
que os adultos dorminhocos despertassem do seu sono. Minha curiosidade me levou a desmontar
o relógio de pulso de minha mãe, ele era o único que ela tinha. Queria saber como ele funcionava,
suas engrenagens fascinantes. Infelizmente, não consegui montá-lo de novo.
[5] No tempo da Segunda Guerra Mundial, as batalhas entravam em nossa casa pelo rádio. Meu pai
afixou um mapa da Europa na parede e nele íamos seguindo os movimentos das tropas. O mapa,
os países, o nome das cidades, dos rios, das montanhas – tudo estava vivo para mim.
Conto essas coisas da minha vida de menino para dizer que as crianças são curiosas naturalmente
e têm o desejo de aprender. Ao longo da minha vida, tenho estado à procura da escola que daria
[10] asas à curiosidade do menino que fui. Pois, de repente, sem que eu esperasse, eu me encontrei com
a escola dos meus sonhos. E me apaixonei.
Fui convidado por Ademar Ferreira dos Santos para ir a Portugal e falar aos professores da
Universidade de Braga e a adolescentes de uma escola secundária. Fui e fiz. Foi bom. Aí, numa manhã,
ele me disse: “Vou levar-te a conhecer uma escola diferente.” “Diferente como?”, perguntei. “Não é
[15] possível dizer-te. Tu verás.” Chegamos à escola. Na sua frente havia um pátio arborizado. Lá estava
o diretor, professor José Pacheco. Mais tarde, aprendi que ele se recusa a ser chamado de diretor.
Minha expectativa era que o diretor, por um mínimo dever de cortesia, haveria de levar-me a
conhecer a escola. Vinha passando à nossa frente uma menina de uns 9 anos. Ele a chamou e disse:
“Tu podes mostrar e explicar a nossa escola ao nosso visitante?” “Pois, pois”, respondeu a menina,
[20] sem mostrar nenhuma surpresa. Nunca imaginei que fosse possível que um diretor entregasse a uma
aluna a tarefa de mostrar e explicar a sua escola a um educador estrangeiro. A menina não se fez de
rogada. Encaminhou-se resolutamente na direção da porta da escola e, obedientemente, eu a segui.
Andamos um pouco e a menina abriu a porta da escola. Era uma grande sala, com muitas
mesinhas, crianças pequenas, crianças grandes, algumas com síndrome de Down, todas juntas no
[25] mesmo espaço. Cada uma fazendo a sua coisa. Algumas professoras assentadas às mesinhas junto
das crianças. Ninguém falava alto. Só sussurros.
A menina continuou a me guiar. Chegamos a uma mesa onde estava trabalhando uma aluna
com síndrome de Down. Senti que sua presença ali era algo normal e feliz na rede de relação de
solidariedade e de aprendizado que constitui a escola. Aquela menina era parte dessa rede. Com
[30] algumas peculiaridades e limitações, é claro. Mas, como todos os outros, ela se dedicava a aprender.
Na Escola da Ponte não há programas. Isso não quer dizer que a aprendizagem aconteça ao sabor
dos desejos das crianças. Imagine um homem do campo, que só conheça as comidas mais simples:
polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne. Imagine que ele venha à cidade e seja levado por um
amigo a um restaurante. “Que é que o senhor deseja?”, lhe perguntaria o garçom. Ele certamente
[35] responderia falando de polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne, pois esse é o seu repertório
de pratos. Aí, o amigo lhe diria: “Quero sugerir que você experimente uns pratos diferentes.”
Assim acontece na relação entre professor e aluno. Os professores sabem mais. É por isso
que são professores. E uma de suas tarefas é “seduzir” as crianças para coisas que elas ainda
não experimentaram, um mundo desconhecido de literatura, música, natureza, história, ciências,
[40] matemática. Já disse um filósofo que “a primeira tarefa da educação é ensinar a ver”. Não é obrigatório
que elas gostem do que veem. Mas é importante que seus horizontes se alarguem.
RUBEM ALVES Adaptado de revistaeducacao.com.br, 10/09/2011.
Admita que o rádio pelo qual a família ouvia notícias custava R$ 100,00 à vista. Não tendo o valor total, o pai optou por pagar R$ 40,00 de entrada e uma parcela, ao final de dois meses, calculada com juros simples de 5% ao mês.
O valor dessa parcela foi de:
Questão 6 15406670
CAp-UERJ 1 Ano - Ensino Médio 2020No texto a seguir, o escritor Rubem Alves conta como se apaixonou pela Escola da Ponte, em Portugal, um lugar onde alunos e professores convivem como amigos na fascinante experiência da descoberta.
A ESCOLA DOS MEUS SONHOS
Quando criança, eu me levantava às 5 horas e me punha a andar pela casa fazendo barulho. Queria
que os adultos dorminhocos despertassem do seu sono. Minha curiosidade me levou a desmontar
o relógio de pulso de minha mãe, ele era o único que ela tinha. Queria saber como ele funcionava,
suas engrenagens fascinantes. Infelizmente, não consegui montá-lo de novo.
[5] No tempo da Segunda Guerra Mundial, as batalhas entravam em nossa casa pelo rádio. Meu pai
afixou um mapa da Europa na parede e nele íamos seguindo os movimentos das tropas. O mapa,
os países, o nome das cidades, dos rios, das montanhas – tudo estava vivo para mim.
Conto essas coisas da minha vida de menino para dizer que as crianças são curiosas naturalmente
e têm o desejo de aprender. Ao longo da minha vida, tenho estado à procura da escola que daria
[10] asas à curiosidade do menino que fui. Pois, de repente, sem que eu esperasse, eu me encontrei com
a escola dos meus sonhos. E me apaixonei.
Fui convidado por Ademar Ferreira dos Santos para ir a Portugal e falar aos professores da
Universidade de Braga e a adolescentes de uma escola secundária. Fui e fiz. Foi bom. Aí, numa manhã,
ele me disse: “Vou levar-te a conhecer uma escola diferente.” “Diferente como?”, perguntei. “Não é
[15] possível dizer-te. Tu verás.” Chegamos à escola. Na sua frente havia um pátio arborizado. Lá estava
o diretor, professor José Pacheco. Mais tarde, aprendi que ele se recusa a ser chamado de diretor.
Minha expectativa era que o diretor, por um mínimo dever de cortesia, haveria de levar-me a
conhecer a escola. Vinha passando à nossa frente uma menina de uns 9 anos. Ele a chamou e disse:
“Tu podes mostrar e explicar a nossa escola ao nosso visitante?” “Pois, pois”, respondeu a menina,
[20] sem mostrar nenhuma surpresa. Nunca imaginei que fosse possível que um diretor entregasse a uma
aluna a tarefa de mostrar e explicar a sua escola a um educador estrangeiro. A menina não se fez de
rogada. Encaminhou-se resolutamente na direção da porta da escola e, obedientemente, eu a segui.
Andamos um pouco e a menina abriu a porta da escola. Era uma grande sala, com muitas
mesinhas, crianças pequenas, crianças grandes, algumas com síndrome de Down, todas juntas no
[25] mesmo espaço. Cada uma fazendo a sua coisa. Algumas professoras assentadas às mesinhas junto
das crianças. Ninguém falava alto. Só sussurros.
A menina continuou a me guiar. Chegamos a uma mesa onde estava trabalhando uma aluna
com síndrome de Down. Senti que sua presença ali era algo normal e feliz na rede de relação de
solidariedade e de aprendizado que constitui a escola. Aquela menina era parte dessa rede. Com
[30] algumas peculiaridades e limitações, é claro. Mas, como todos os outros, ela se dedicava a aprender.
Na Escola da Ponte não há programas. Isso não quer dizer que a aprendizagem aconteça ao sabor
dos desejos das crianças. Imagine um homem do campo, que só conheça as comidas mais simples:
polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne. Imagine que ele venha à cidade e seja levado por um
amigo a um restaurante. “Que é que o senhor deseja?”, lhe perguntaria o garçom. Ele certamente
[35] responderia falando de polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne, pois esse é o seu repertório
de pratos. Aí, o amigo lhe diria: “Quero sugerir que você experimente uns pratos diferentes.”
Assim acontece na relação entre professor e aluno. Os professores sabem mais. É por isso
que são professores. E uma de suas tarefas é “seduzir” as crianças para coisas que elas ainda
não experimentaram, um mundo desconhecido de literatura, música, natureza, história, ciências,
[40] matemática. Já disse um filósofo que “a primeira tarefa da educação é ensinar a ver”. Não é obrigatório
que elas gostem do que veem. Mas é importante que seus horizontes se alarguem.
RUBEM ALVES Adaptado de revistaeducacao.com.br, 10/09/2011.
Aí, numa manhã, ele me disse: “Vou levar-te a conhecer uma escola diferente.” “Diferente como?”, perguntei. “Não é possível dizer-te. Tu verás.” (l. 13-15)
O amigo do autor não diz qual a diferença da Escola da Ponte.
Com base na leitura do texto, essa atitude do amigo pode ser explicada pelo seguinte motivo:
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