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Questão 4 6308119
CN 2° Dia 2021Texto
Nunca imaginei um dia
Até alguns anos atrás, eu costumava dizer frases como “eu jamais vou fazer isso” ou “nem morta eu faço aquilo”, limitando minhas possibilidades de descoberta e emoção. Não é fácil libertar-se do manual de instruções que nos autoimpomos. Às vezes, leva-se uma vida inteira, e nem assim conseguimos viabilizar esse projeto. Por sorte, minha ficha caiu há tempo.
Começou quando iniciei um relacionamento com alguém completamente diferente de mim, diferente a um ponto radical mesmo: ele, por si só, foi meu primeiro “nunca imaginei um dia”. Feitos para ficarem a dois planetas de distância um do outro. Mas o amor não respeita a lógica, e eu, que sempre me senti tão confortável num mundo planejado, inaugurei a instabilidade emocional na minha vida. Prendi a respiração e dei um belo mergulho.
A partir daí, comecei a fazer coisas que nunca havia feito. Mergulhar, aliás, foi uma delas. Sempre respeitosa com o mar e chata para molhar os cabelos, afundei em busca de tartarugas gigantes e peixes coloridos no mar de Fernando de Noronha. Traumatizada com cavalos (por causa de um equino que quase me levou ao chão quando eu tinha oito anos), participei da minha primeira cavalgada depois dos 40, em São Francisco de Paula. Roqueira convicta e avessa a pagode, assisti a um show'do Zeca Pagodinho na Lapa. Para ver o Ronaldo Fenômeno jogar ao vivo, me infiltrei na torcida do Olímpico num -jogo entre Grêmio e Corinthians, mesmo sendo colorada.
Meu paladar deixou de ser monótono: comecei aprovar alimentos que nunca havia provado antes. E muitas outras coisas vetadas por causa do “medo do ridículo” receberam alvará de soltura. O ridículo deixou de existir na minha vida.
Não deixei de ser eu. Apenas abri o leque, me permitindo ser um “eu” mais amplo. E sinto que é um caminho sem volta.
Um mês atrás participei de outro capítulo da série “Nunca imaginei um dia”. Viajei numa excursão, eu que sempre rejeitei essa modalidade turística. Sigo preferindo viajar a dois ou sozinha, mas foi uma experiência fascinante, ainda mais que a viagem não tinha como destino um país do circuito Elizabeth Arden (Paris- Londres-Nova York), mas um país africano, muçulmano e desértico. Aliás, o deserto de Atacama, no Chile, será meu provável “nunca imaginei um dia” do próximo ano.
E agora cometi a loucura jamais pensada, a insanidade que nunca me permiti, o ato que me faria merecer uma camisa-de-força: eu, que nunca me comovi “com bichos de estimação, adotei um gato de rua.
Ainda há muitas experiências a conferir. fazer compras pela internet, andar num balão, cozinhar dignamente, me tatuar, ler livros pelo kindie, viajar de navio e mais umas 400 coisas que nunca imaginei fazer um dia, mas que já não duvido. Pois tem essa também:
deixei de ser tão cética.
Já que é improvável que o próximo ano seja diferente de qualquer outro, que a novidade sejamos nós.
Medeiros, Martha. Nunca imaginei um dia. 2009. Disponível em: http://alagoinhaipaumirim.blogspot.com/2009/12/nunca- imaginei-um-dia-martha-medeiros.html. Acesso em: 10 fev. 2021.
Leia o período abaixo e assinale a opção correta quanto às orações em destaque.
“E agora cometi a loucura jamais pensada, a insanidade que. nunca me permiti, o ato que me faria merecer uma camisa-de-força: eu, que nunca me comovi com: bichos de estimação, adotei um gato de rua.” (7º§)
Questão 3 6308113
CN 2° Dia 2021Texto
Nunca imaginei um dia
Até alguns anos atrás, eu costumava dizer frases como “eu jamais vou fazer isso” ou “nem morta eu faço aquilo”, limitando minhas possibilidades de descoberta e emoção. Não é fácil libertar-se do manual de instruções que nos autoimpomos. Às vezes, leva-se uma vida inteira, e nem assim conseguimos viabilizar esse projeto. Por sorte, minha ficha caiu há tempo.
Começou quando iniciei um relacionamento com alguém completamente diferente de mim, diferente a um ponto radical mesmo: ele, por si só, foi meu primeiro “nunca imaginei um dia”. Feitos para ficarem a dois planetas de distância um do outro. Mas o amor não respeita a lógica, e eu, que sempre me senti tão confortável num mundo planejado, inaugurei a instabilidade emocional na minha vida. Prendi a respiração e dei um belo mergulho.
A partir daí, comecei a fazer coisas que nunca havia feito. Mergulhar, aliás, foi uma delas. Sempre respeitosa com o mar e chata para molhar os cabelos, afundei em busca de tartarugas gigantes e peixes coloridos no mar de Fernando de Noronha. Traumatizada com cavalos (por causa de um equino que quase me levou ao chão quando eu tinha oito anos), participei da minha primeira cavalgada depois dos 40, em São Francisco de Paula. Roqueira convicta e avessa a pagode, assisti a um show'do Zeca Pagodinho na Lapa. Para ver o Ronaldo Fenômeno jogar ao vivo, me infiltrei na torcida do Olímpico num -jogo entre Grêmio e Corinthians, mesmo sendo colorada.
Meu paladar deixou de ser monótono: comecei aprovar alimentos que nunca havia provado antes. E muitas outras coisas vetadas por causa do “medo do ridículo” receberam alvará de soltura. O ridículo deixou de existir na minha vida.
Não deixei de ser eu. Apenas abri o leque, me permitindo ser um “eu” mais amplo. E sinto que é um caminho sem volta.
Um mês atrás participei de outro capítulo da série “Nunca imaginei um dia”. Viajei numa excursão, eu que sempre rejeitei essa modalidade turística. Sigo preferindo viajar a dois ou sozinha, mas foi uma experiência fascinante, ainda mais que a viagem não tinha como destino um país do circuito Elizabeth Arden (Paris- Londres-Nova York), mas um país africano, muçulmano e desértico. Aliás, o deserto de Atacama, no Chile, será meu provável “nunca imaginei um dia” do próximo ano.
E agora cometi a loucura jamais pensada, a insanidade que nunca me permiti, o ato que me faria merecer uma camisa-de-força: eu, que nunca me comovi “com bichos de estimação, adotei um gato de rua.
Ainda há muitas experiências a conferir. fazer compras pela internet, andar num balão, cozinhar dignamente, me tatuar, ler livros pelo kindie, viajar de navio e mais umas 400 coisas que nunca imaginei fazer um dia, mas que já não duvido. Pois tem essa também:
deixei de ser tão cética.
Já que é improvável que o próximo ano seja diferente de qualquer outro, que a novidade sejamos nós.
Medeiros, Martha. Nunca imaginei um dia. 2009. Disponível em: http://alagoinhaipaumirim.blogspot.com/2009/12/nunca- imaginei-um-dia-martha-medeiros.html. Acesso em: 10 fev. 2021.
Assinale a opção que possui somente um período composto por coordenação.
Questão 2 6308111
CN 2° Dia 2021Texto
Nunca imaginei um dia
Até alguns anos atrás, eu costumava dizer frases como “eu jamais vou fazer isso” ou “nem morta eu faço aquilo”, limitando minhas possibilidades de descoberta e emoção. Não é fácil libertar-se do manual de instruções que nos autoimpomos. Às vezes, leva-se uma vida inteira, e nem assim conseguimos viabilizar esse projeto. Por sorte, minha ficha caiu há tempo.
Começou quando iniciei um relacionamento com alguém completamente diferente de mim, diferente a um ponto radical mesmo: ele, por si só, foi meu primeiro “nunca imaginei um dia”. Feitos para ficarem a dois planetas de distância um do outro. Mas o amor não respeita a lógica, e eu, que sempre me senti tão confortável num mundo planejado, inaugurei a instabilidade emocional na minha vida. Prendi a respiração e dei um belo mergulho.
A partir daí, comecei a fazer coisas que nunca havia feito. Mergulhar, aliás, foi uma delas. Sempre respeitosa com o mar e chata para molhar os cabelos, afundei em busca de tartarugas gigantes e peixes coloridos no mar de Fernando de Noronha. Traumatizada com cavalos (por causa de um equino que quase me levou ao chão quando eu tinha oito anos), participei da minha primeira cavalgada depois dos 40, em São Francisco de Paula. Roqueira convicta e avessa a pagode, assisti a um show'do Zeca Pagodinho na Lapa. Para ver o Ronaldo Fenômeno jogar ao vivo, me infiltrei na torcida do Olímpico num -jogo entre Grêmio e Corinthians, mesmo sendo colorada.
Meu paladar deixou de ser monótono: comecei aprovar alimentos que nunca havia provado antes. E muitas outras coisas vetadas por causa do “medo do ridículo” receberam alvará de soltura. O ridículo deixou de existir na minha vida.
Não deixei de ser eu. Apenas abri o leque, me permitindo ser um “eu” mais amplo. E sinto que é um caminho sem volta.
Um mês atrás participei de outro capítulo da série “Nunca imaginei um dia”. Viajei numa excursão, eu que sempre rejeitei essa modalidade turística. Sigo preferindo viajar a dois ou sozinha, mas foi uma experiência fascinante, ainda mais que a viagem não tinha como destino um país do circuito Elizabeth Arden (Paris- Londres-Nova York), mas um país africano, muçulmano e desértico. Aliás, o deserto de Atacama, no Chile, será meu provável “nunca imaginei um dia” do próximo ano.
E agora cometi a loucura jamais pensada, a insanidade que nunca me permiti, o ato que me faria merecer uma camisa-de-força: eu, que nunca me comovi “com bichos de estimação, adotei um gato de rua.
Ainda há muitas experiências a conferir. fazer compras pela internet, andar num balão, cozinhar dignamente, me tatuar, ler livros pelo kindie, viajar de navio e mais umas 400 coisas que nunca imaginei fazer um dia, mas que já não duvido. Pois tem essa também:
deixei de ser tão cética.
Já que é improvável que o próximo ano seja diferente de qualquer outro, que a novidade sejamos nós.
Medeiros, Martha. Nunca imaginei um dia. 2009. Disponível em: http://alagoinhaipaumirim.blogspot.com/2009/12/nunca- imaginei-um-dia-martha-medeiros.html. Acesso em: 10 fev. 2021.
Em relação ao período composto por subordinação, assinale a opção INCORRETA quanto à classificação das “orações destacadas.
Questão 1 6308099
CN 2° Dia 2021Texto
Nunca imaginei um dia
Até alguns anos atrás, eu costumava dizer frases como “eu jamais vou fazer isso” ou “nem morta eu faço aquilo”, limitando minhas possibilidades de descoberta e emoção. Não é fácil libertar-se do manual de instruções que nos autoimpomos. Às vezes, leva-se uma vida inteira, e nem assim conseguimos viabilizar esse projeto. Por sorte, minha ficha caiu há tempo.
Começou quando iniciei um relacionamento com alguém completamente diferente de mim, diferente a um ponto radical mesmo: ele, por si só, foi meu primeiro “nunca imaginei um dia”. Feitos para ficarem a dois planetas de distância um do outro. Mas o amor não respeita a lógica, e eu, que sempre me senti tão confortável num mundo planejado, inaugurei a instabilidade emocional na minha vida. Prendi a respiração e dei um belo mergulho.
A partir daí, comecei a fazer coisas que nunca havia feito. Mergulhar, aliás, foi uma delas. Sempre respeitosa com o mar e chata para molhar os cabelos, afundei em busca de tartarugas gigantes e peixes coloridos no mar de Fernando de Noronha. Traumatizada com cavalos (por causa de um equino que quase me levou ao chão quando eu tinha oito anos), participei da minha primeira cavalgada depois dos 40, em São Francisco de Paula. Roqueira convicta e avessa a pagode, assisti a um show'do Zeca Pagodinho na Lapa. Para ver o Ronaldo Fenômeno jogar ao vivo, me infiltrei na torcida do Olímpico num -jogo entre Grêmio e Corinthians, mesmo sendo colorada.
Meu paladar deixou de ser monótono: comecei aprovar alimentos que nunca havia provado antes. E muitas outras coisas vetadas por causa do “medo do ridículo” receberam alvará de soltura. O ridículo deixou de existir na minha vida.
Não deixei de ser eu. Apenas abri o leque, me permitindo ser um “eu” mais amplo. E sinto que é um caminho sem volta.
Um mês atrás participei de outro capítulo da série “Nunca imaginei um dia”. Viajei numa excursão, eu que sempre rejeitei essa modalidade turística. Sigo preferindo viajar a dois ou sozinha, mas foi uma experiência fascinante, ainda mais que a viagem não tinha como destino um país do circuito Elizabeth Arden (Paris- Londres-Nova York), mas um país africano, muçulmano e desértico. Aliás, o deserto de Atacama, no Chile, será meu provável “nunca imaginei um dia” do próximo ano.
E agora cometi a loucura jamais pensada, a insanidade que nunca me permiti, o ato que me faria merecer uma camisa-de-força: eu, que nunca me comovi “com bichos de estimação, adotei um gato de rua.
Ainda há muitas experiências a conferir. fazer compras pela internet, andar num balão, cozinhar dignamente, me tatuar, ler livros pelo kindie, viajar de navio e mais umas 400 coisas que nunca imaginei fazer um dia, mas que já não duvido. Pois tem essa também:
deixei de ser tão cética.
Já que é improvável que o próximo ano seja diferente de qualquer outro, que a novidade sejamos nós.
Medeiros, Martha. Nunca imaginei um dia. 2009. Disponível em: http://alagoinhaipaumirim.blogspot.com/2009/12/nunca- imaginei-um-dia-martha-medeiros.html. Acesso em: 10 fev. 2021.
Assinale a opção em que, pluralizando-se a frase, as palavras destacadas permanecem invariáveis.
Questão 10 6308057
CN 1° Dia 2021Para qualquer x real e maior que zero, associe Os polinômios da 1ª coluna aos seus correspondentes, na forma fatorada, da 2ª coluna e assinale a opção que corresponde à sequência correta.
(I) (x+1).(x-1).(x2-x+1).(x2+x+1) () x3 + 8
(II) (x+2).(x2-2x + 4) () x6 + 2x3 + 1
(III) (x - 4).(x2 + 4x + 16) () x6 - 1
(IV) (x+1)2. (x2 - x + 1)2 () x3 - 64
(V) (x+5).(x2 - 5x + 25) () x5 - x2
(VI) (x + 8).(x+3)
Questão 20 15406686
CAp-UERJ 1 Ano - Ensino Médio 2020TEXTO 1
No texto a seguir, o escritor Rubem Alves conta como se apaixonou pela Escola da Ponte, em Portugal, um lugar onde alunos e professores convivem como amigos na fascinante experiência da descoberta.
A ESCOLA DOS MEUS SONHOS
Quando criança, eu me levantava às 5 horas e me punha a andar pela casa fazendo barulho. Queria
que os adultos dorminhocos despertassem do seu sono. Minha curiosidade me levou a desmontar
o relógio de pulso de minha mãe, ele era o único que ela tinha. Queria saber como ele funcionava,
suas engrenagens fascinantes. Infelizmente, não consegui montá-lo de novo.
[5] No tempo da Segunda Guerra Mundial, as batalhas entravam em nossa casa pelo rádio. Meu pai
afixou um mapa da Europa na parede e nele íamos seguindo os movimentos das tropas. O mapa,
os países, o nome das cidades, dos rios, das montanhas – tudo estava vivo para mim.
Conto essas coisas da minha vida de menino para dizer que as crianças são curiosas naturalmente
e têm o desejo de aprender. Ao longo da minha vida, tenho estado à procura da escola que daria
[10] asas à curiosidade do menino que fui. Pois, de repente, sem que eu esperasse, eu me encontrei com
a escola dos meus sonhos. E me apaixonei.
Fui convidado por Ademar Ferreira dos Santos para ir a Portugal e falar aos professores da
Universidade de Braga e a adolescentes de uma escola secundária. Fui e fiz. Foi bom. Aí, numa manhã,
ele me disse: “Vou levar-te a conhecer uma escola diferente.” “Diferente como?”, perguntei. “Não é
[15] possível dizer-te. Tu verás.” Chegamos à escola. Na sua frente havia um pátio arborizado. Lá estava
o diretor, professor José Pacheco. Mais tarde, aprendi que ele se recusa a ser chamado de diretor.
Minha expectativa era que o diretor, por um mínimo dever de cortesia, haveria de levar-me a
conhecer a escola. Vinha passando à nossa frente uma menina de uns 9 anos. Ele a chamou e disse:
“Tu podes mostrar e explicar a nossa escola ao nosso visitante?” “Pois, pois”, respondeu a menina,
[20] sem mostrar nenhuma surpresa. Nunca imaginei que fosse possível que um diretor entregasse a uma
aluna a tarefa de mostrar e explicar a sua escola a um educador estrangeiro. A menina não se fez de
rogada. Encaminhou-se resolutamente na direção da porta da escola e, obedientemente, eu a segui.
Andamos um pouco e a menina abriu a porta da escola. Era uma grande sala, com muitas
mesinhas, crianças pequenas, crianças grandes, algumas com síndrome de Down, todas juntas no
[25] mesmo espaço. Cada uma fazendo a sua coisa. Algumas professoras assentadas às mesinhas junto
das crianças. Ninguém falava alto. Só sussurros.
A menina continuou a me guiar. Chegamos a uma mesa onde estava trabalhando uma aluna
com síndrome de Down. Senti que sua presença ali era algo normal e feliz na rede de relação de
solidariedade e de aprendizado que constitui a escola. Aquela menina era parte dessa rede. Com
[30] algumas peculiaridades e limitações, é claro. Mas, como todos os outros, ela se dedicava a aprender.
Na Escola da Ponte não há programas. Isso não quer dizer que a aprendizagem aconteça ao sabor
dos desejos das crianças. Imagine um homem do campo, que só conheça as comidas mais simples:
polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne. Imagine que ele venha à cidade e seja levado por um
amigo a um restaurante. “Que é que o senhor deseja?”, lhe perguntaria o garçom. Ele certamente
[35] responderia falando de polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne, pois esse é o seu repertório
de pratos. Aí, o amigo lhe diria: “Quero sugerir que você experimente uns pratos diferentes.”
Assim acontece na relação entre professor e aluno. Os professores sabem mais. É por isso
que são professores. E uma de suas tarefas é “seduzir” as crianças para coisas que elas ainda
não experimentaram, um mundo desconhecido de literatura, música, natureza, história, ciências,
[40] matemática. Já disse um filósofo que “a primeira tarefa da educação é ensinar a ver”. Não é obrigatório
que elas gostem do que veem. Mas é importante que seus horizontes se alarguem.
RUBEM ALVES Adaptado de revistaeducacao.com.br, 10/09/2011.
TEXTO 2
O texto a seguir foi retirado do livro Por parte de pai, do escritor Bartolomeu Campos Queirós. Nesse livro, o personagem principal relembra sua infância, vivida em uma cidade do interior. Uma figura central em suas lembranças é seu avô paterno.
POR PARTE DE PAI
Debruçado na janela, meu avô espreitava a rua da Paciência, inclinada e estreita. Nascia lá em
cima, entre casas miúdas e se espichava preguiçosa, morro abaixo. Morria depois da curva, num
largo com sapataria, armazém, armarinho, farmácia, igreja, tudo perto da escola Maria Tangará, no
Alto de São Francisco. (...)
[5] Pelas manhãs, com os deveres cumpridos dentro da sacola, eu seguia a rua da Paciência entre as
casas acabando de acordar, para alcançar a escola. Nós éramos tantos, assentados de dois em dois,
cercados de mapas do mundo e do fundo dos mares. Sem despregar os olhos da lousa, copiávamos
os pontos da história, os erros dos ditados, os problemas da aritmética. Dividir e multiplicar as maçãs
em muitas partes, as laranjas em gomos, os ovos em dúzias, distribuí-los entre todos, em quantidades
[10] iguais, eram as nossas tarefas.
Filhos de muitos ofícios – pedreiros, lavadeiras, professores, médicos, motoristas, órfãos – e sem
inquietações pelas diferenças, nós nos gostávamos em silêncio, vencendo o destino sonhado, um a
um. E o recreio era o lugar das trocas: bolo por araticum*, maçã por manga, goiaba por chocolate,
banana por doce cristalizado. E assim experimentávamos o gosto da vida do outro, sem reservas.
[15] A nossa diferença era a nossa alegria.
Para meu avô eu repetia, em casa, as histórias das calmarias, do Cabo das Tormentas. E como
um bom aluno ele me escutava, sem pestanejar, duvidando, eu sei, dos movimentos de rotação ou
translação. Ele sabia ler as estações, as fases da Lua, o sentido dos girassóis na cerca de bambu.
Depois ele me tomava as lições ou me pedia para escrever até 100 ou até 1000, pelo prazer de me
[20] ver mordendo a língua no esforço de não saltar nem um número. Eu sabia dos algarismos romanos,
bordados no mostrador do relógio e não mais precisava decifrar o tempo, mas apenas ler a posição
dos ponteiros. E meus colegas elogiavam a minha atenção, enquanto meu avô me ensinava, junto
com a escola, a saldar a vida.
BARTOLOMEU CAMPOS QUEIRÓS Por parte de pai. Belo Horizonte: RHJ, 1995.
Os textos 1 e 2 apresentam semelhanças na organização da narrativa.
O elemento principal dessa organização, identificado em ambos os textos, é:
06
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