Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 8352618
CFN CFN 2021 1 FaseU Gerais 2021TEXTO 1
Amor e outros males
Uma delicada leitora me escreve: não gostou de uma crônica minha de outro dia, sobre dois amantes que se mataram . Pouca gente ou ninguém gostou dessa crônica ; paciência. Mas o que a leitora estranha é que o cronista “qualifique o amor, o principal sentimento da humanidade, de coisa tão incômoda”. E diz mais: “Não é possível que o senhor não ame, e que, amando, julgue um sentimento de tal grandeza incômodo”.
Não, minha senhora, não amo ninguém; o coração está velho e cansado . Mas a lembrança que tenho de meu último amor, anos atrás, foi exatamente isso que me inspirou esse vulgar adjetivo — “incômodo” . Na época eu usaria talvez adjetivo mais bonito, pois o amor, ainda que infeliz, era grande ; mas é uma das tristes coisas desta vida sentir que um grande amor pode deixar apenas uma lembrança mesquinha; daquele ficou apenas esse adjetivo, que a aborreceu.
Não sei se vale a pena lhe contar que a minha amada era linda; não, não a descreverei, porque só de revê-la em pensamento alguma coisa dói dentro de mim . Era linda, inteligente, pura e sensível — e não me tinha, nem de longe, amor algum; apenas uma leve amizade, igual a muitas outras e inferior a várias.
A história acaba aqui; é, como vê, uma história terrivelmente sem graça, e que eu poderia ter contado em uma só frase. Mas o pior é que não foi curta. Durou, doeu e — perdoe, minha delicada leitora — incomodou.
Eu andava pela rua e sua lembrança era alguma coisa encostada em minha cara, travesseiro no ar ; era um terceiro braço que me faltava, e doía um pouco; era uma gravata que me enforcava devagar, suspensa de uma nuvem. A senhora acharia exagerado se eu lhe dissesse que aquele amor era uma cruz que eu carregava o dia inteiro e à qual eu dormia pregado ; então serei mais modesto e mais prosaico dizendo que era como um mau jeito no pescoço que de vez em quando doía como bursite. Eu já tive um mês de bursite , minha senhora ; dói de se dar guinchos, de se ter vontade de saltar pela janela. Pois que venha outra bursite, mas não volte nunca um amor como aquele. Bursite é uma dor burra , que dói, dói, mesmo, e vai doendo; a dor do amor tem de repente uma doçura, um instante de sonho que mesmo sabendo que não se tem esperança alguma a gente fica sonhando, como um menino bobo que vai andando distraído e de repente dá uma topada numa pedra. E a angústia lenta de quem parece que está morrendo afogado no ar, e o humilde sentimento de ridículo e de impotência, e o desânimo que às vezes invade o corpo e a alma, e a “vontade de chorar e de morrer”, de que fala o samba?
Por favor, minha delicada leitora; se, pelo que escrevo, me tem alguma estima, por favor: me deseje uma boa bursite .
Analise a frase a seguir: “Na época eu usaria talvez adjetivo mais bonito, o amor, ainda que infeliz, era grande;” (10). Por qual outro elemento de coesão a palavra em destaque pode ser substituída sem que haja alteração no sentido da oração?BRAGA, Rubem. Amor e outros males.
Questão 8352616
CFN CFN 2021 1 FaseU Gerais 2021TEXTO 1
Amor e outros males
Uma delicada leitora me escreve: não gostou de uma crônica minha de outro dia, sobre dois amantes que se mataram . Pouca gente ou ninguém gostou dessa crônica ; paciência. Mas o que a leitora estranha é que o cronista “qualifique o amor, o principal sentimento da humanidade, de coisa tão incômoda”. E diz mais: “Não é possível que o senhor não ame, e que, amando, julgue um sentimento de tal grandeza incômodo”.
Não, minha senhora, não amo ninguém; o coração está velho e cansado . Mas a lembrança que tenho de meu último amor, anos atrás, foi exatamente isso que me inspirou esse vulgar adjetivo — “incômodo” . Na época eu usaria talvez adjetivo mais bonito, pois o amor, ainda que infeliz, era grande ; mas é uma das tristes coisas desta vida sentir que um grande amor pode deixar apenas uma lembrança mesquinha; daquele ficou apenas esse adjetivo, que a aborreceu.
Não sei se vale a pena lhe contar que a minha amada era linda; não, não a descreverei, porque só de revê-la em pensamento alguma coisa dói dentro de mim . Era linda, inteligente, pura e sensível — e não me tinha, nem de longe, amor algum; apenas uma leve amizade, igual a muitas outras e inferior a várias.
A história acaba aqui; é, como vê, uma história terrivelmente sem graça, e que eu poderia ter contado em uma só frase. Mas o pior é que não foi curta. Durou, doeu e — perdoe, minha delicada leitora — incomodou.
Eu andava pela rua e sua lembrança era alguma coisa encostada em minha cara, travesseiro no ar ; era um terceiro braço que me faltava, e doía um pouco; era uma gravata que me enforcava devagar, suspensa de uma nuvem. A senhora acharia exagerado se eu lhe dissesse que aquele amor era uma cruz que eu carregava o dia inteiro e à qual eu dormia pregado ; então serei mais modesto e mais prosaico dizendo que era como um mau jeito no pescoço que de vez em quando doía como bursite. Eu já tive um mês de bursite , minha senhora ; dói de se dar guinchos, de se ter vontade de saltar pela janela. Pois que venha outra bursite, mas não volte nunca um amor como aquele. Bursite é uma dor burra , que dói, dói, mesmo, e vai doendo; a dor do amor tem de repente uma doçura, um instante de sonho que mesmo sabendo que não se tem esperança alguma a gente fica sonhando, como um menino bobo que vai andando distraído e de repente dá uma topada numa pedra. E a angústia lenta de quem parece que está morrendo afogado no ar, e o humilde sentimento de ridículo e de impotência, e o desânimo que às vezes invade o corpo e a alma, e a “vontade de chorar e de morrer”, de que fala o samba?
Por favor, minha delicada leitora; se, pelo que escrevo, me tem alguma estima, por favor: me deseje uma boa bursite .
No texto 1, por que o autor pede à delicada leitora que o deseje uma boa bursite?BRAGA, Rubem. Amor e outros males.
Questão 8352612
CFN CFN 2021 1 FaseU Gerais 2021TEXTO 1
Amor e outros males
Uma delicada leitora me escreve: não gostou de uma crônica minha de outro dia, sobre dois amantes que se mataram . Pouca gente ou ninguém gostou dessa crônica ; paciência. Mas o que a leitora estranha é que o cronista “qualifique o amor, o principal sentimento da humanidade, de coisa tão incômoda”. E diz mais: “Não é possível que o senhor não ame, e que, amando, julgue um sentimento de tal grandeza incômodo”.
Não, minha senhora, não amo ninguém; o coração está velho e cansado . Mas a lembrança que tenho de meu último amor, anos atrás, foi exatamente isso que me inspirou esse vulgar adjetivo — “incômodo” . Na época eu usaria talvez adjetivo mais bonito, pois o amor, ainda que infeliz, era grande ; mas é uma das tristes coisas desta vida sentir que um grande amor pode deixar apenas uma lembrança mesquinha; daquele ficou apenas esse adjetivo, que a aborreceu.
Não sei se vale a pena lhe contar que a minha amada era linda; não, não a descreverei, porque só de revê-la em pensamento alguma coisa dói dentro de mim . Era linda, inteligente, pura e sensível — e não me tinha, nem de longe, amor algum; apenas uma leve amizade, igual a muitas outras e inferior a várias.
A história acaba aqui; é, como vê, uma história terrivelmente sem graça, e que eu poderia ter contado em uma só frase. Mas o pior é que não foi curta. Durou, doeu e — perdoe, minha delicada leitora — incomodou.
Eu andava pela rua e sua lembrança era alguma coisa encostada em minha cara, travesseiro no ar ; era um terceiro braço que me faltava, e doía um pouco; era uma gravata que me enforcava devagar, suspensa de uma nuvem. A senhora acharia exagerado se eu lhe dissesse que aquele amor era uma cruz que eu carregava o dia inteiro e à qual eu dormia pregado ; então serei mais modesto e mais prosaico dizendo que era como um mau jeito no pescoço que de vez em quando doía como bursite. Eu já tive um mês de bursite , minha senhora ; dói de se dar guinchos, de se ter vontade de saltar pela janela. Pois que venha outra bursite, mas não volte nunca um amor como aquele. Bursite é uma dor burra , que dói, dói, mesmo, e vai doendo; a dor do amor tem de repente uma doçura, um instante de sonho que mesmo sabendo que não se tem esperança alguma a gente fica sonhando, como um menino bobo que vai andando distraído e de repente dá uma topada numa pedra. E a angústia lenta de quem parece que está morrendo afogado no ar, e o humilde sentimento de ridículo e de impotência, e o desânimo que às vezes invade o corpo e a alma, e a “vontade de chorar e de morrer”, de que fala o samba?
Por favor, minha delicada leitora; se, pelo que escrevo, me tem alguma estima, por favor: me deseje uma boa bursite .
Observe a oração: “Eu pela rua (...)”, (1). Agora assinale a alternativa cujo verbo apresenta a mesma transitividade do verbo andar na frase acima.BRAGA, Rubem. Amor e outros males.
Questão 8352242
AUTORAIS MAT 9AF 008 ENU045 2021Leia a notícia a seguir:
Moradores registraram neste domingo (29) a tonalidade escura da água no trecho do rio Tietê que passa por Salto, no interior de São Paulo.
O cenário chegou a preocupar os moradores por causa da mudança de cor da água. [...]
Não é a primeira vez que a água do rio Tietê fica escura. Em agosto de 2017, a mesma situação foi registrada.
Além disso, um pouco antes, em novembro de 2014, o rio ficou com cor escura e provocou a morte de 40 toneladas de peixes, que foram retirados do córrego do Ajudante, um afluente que desagua no rio Tietê.
Neste sábado (28), após um mês de estiagem, foi registrada chuva em cidades do interior e na capital do estado de São Paulo. Segundo o Satélite Somar da Defesa Civil Estadual de São Paulo, a chuva que ocorreu é considerada uma das mais volumosas de 2021.
TV TEM. Moradores de Salto registram água preta no rio Tietê: ’Parece petróleo’. G1. 29 de agosto de 2021. Disponível em: <https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2021/08/29/moradores-de-salto-registram-agua-preta-no-rio-tiete-parece-petroleo.ghtml>. Acesso em: 29 ago. 2021.
Releia o trecho abaixo:
“Além disso, um pouco antes, em novembro de 2014, o rio ficou com cor escura e provocou a morte de 40 toneladas de peixes, que foram retirados do córrego do Ajudante, um afluente que desagua no rio Tietê.”
Em relação a ideia expressa no parágrafo anterior, o trecho destacado tem o sentido de
Questão 8352240
AUTORAIS MAT 9AF 008 ENU045 2021Leia a crônica a seguir:
Antigamente, era assim: Quando chegava uma certa idade, a gente acreditava que o corpo precisava parar. Daí era hora de ficar em casa, debaixo das cobertas, esquecer as festas, passeios, se conformar...
É, os conceitos sobre a vida depois dos 60... 70... Mudaram muito nas últimas décadas. A medicina evoluiu e envelhecer nos novos tempos é poder tirar mais proveito da vida.
Hoje, nas ruas, nas festas, nos encontros, nas viagens, essa nova gente de mais idade, leva a vida assim. Parece que no semblante de cada um, tem até uma mensagem que diz mais ou menos isso:
Eu me olho no espelho e por mais que me cuide, vejo rugas. São marcas de minhas expressões na vida, em cada uma delas um pouco de minha história.
Uma cicatriz da infância, os embalos da adolescência e juventude, a insônia pré-vestibular, a preocupação com os filhos que demoravam a voltar pra casa, os acertos, os erros do meu caminho, a vida deu seu jeito. E se cheguei até aqui, foi porque vivi intensamente todas as minhas conquistas.
Tem dias que tenho saudade, mas não queria voltar no tempo. No passado eu me preocupava muito com o futuro, quando jovem tinha medo de ficar velho, mas ao chegar aqui na terceira idade... Descobri que não existe um ponto de chegada e que velhice mesmo, essa não vai me alcançar.
Os anos trouxeram sabedoria pra compreender que a vida é vivida no presente, porque viver... é sempre continuar!
VALLE, Rosana. Um lugar, uma história. Jornal da Tribuna. 1ª edição. Brasil, 08 out. 2013. Disponível em: http://redeglobo.globo.com/sp/tvtribuna/noticia/2013/10/na-semana-do-idoso-cronica-fala-da-vida-depois-dos-60-anos.html. Acesso em: 28 ago. 2021.
Sobre o trecho destacado, é correto afirmar que caracteriza
Questão 8352238
AUTORAIS MAT 9AF 008 ENU045 2021Todo brasileiro deveria assistir Bacurau
Sabe quando você assiste um bom filme e pensa: preciso indicar para o maior número de pessoas? Foi exatamente isso que senti depois das duas horas de Bacurau. É tanto sentimento misturado que me faz ter orgulho de ser brasileira e pensar em como somos bitolados por acreditar que o que é de fora é sempre melhor. [...] O longa apresenta a precariedade por serviços básicos de saneamento e a forma que tapamos os olhos para as dificuldades da nossa gente. Bacurau é sobre igualdade, força e confiança em quem de fato se preocupa com o povo. Bacurau é sobre o falso alcance da superioridade. O Brasil em sua mais sincera essência está em Bacurau.
BURDZINSKI, Cláudia. Todo brasileiro deveria assistir Bacurau. Gazeta Informativa. 10 de janeiro de 2020. Disponível em: <http://www.gazetainformativa.com.br/todo-brasileiro-deveria-assistir-bacurau/>. Acesso em: 27 ago. 2021.
De acordo com o texto, assinale o argumento usado pela autora para validar sua opinião sobre o filme.
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)