Questões de EFAF Português
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Questão 8393267
Concursos POR XAF 022 ENU001 2021O período abaixo foi escrito por Machado de Assis em seu Conto de Escola. A alternativa que apresenta a pontuação de acordo com a norma culta é:
Questão 8393263
Concursos POR XAF 022 ENU001 2021A frase escrita corretamente, de acordo com as normas de pontuação e ortografia, é:
Questão 8393262
Concursos POR XAF 022 ENU001 2021Assinale a alternativa correta quanto ao uso da pontuação.
Questão 8393261
Concursos POR XAF 022 ENU001 2021Marque a alternativa em que a ausência de vírgula não altera o sentido do enunciado.
Questão 8393258
Concursos POR XAF 022 ENU001 2021Seja feliz, tome remédios
A felicidade é um produto engarrafado que se adquire no supermercado da esquina? É o que sugere o neoliberalismo, criticado pelo clássico romance de Aldous Huxley, Admirável mundo novo (1932). A narrativa propõe construir uma sociedade saudável através da ingestão de medicamentos.
Aos deprimidos se distribui um narcótico intitulado “soma”, de modo a superarem seus sofrimentos e alcançarem a felicidade pelo controle de suas emoções. Assim, a sociedade não estaria ameaçada por gente como o atirador de Las Vegas.
Huxley declarou mais tarde que a realidade havia confirmado muito de sua ficção. De fato, hoje a nossa subjetividade é controlada por medicamentos. São ingeridos comprimidos para dormir, acordar, ir ao banheiro, abrir o apetite, estimular o cérebro, fazer funcionar melhor as glândulas, reduzir o colesterol, emagrecer, adquirir vitalidade, obter energia etc. O que explica encontrar uma farmácia em cada esquina e, quase sempre, repleta de consumidores.
O neoliberalismo rechaça a nossa condição de seres pensantes e cidadãos. Seu paradigma se resume na sociedade consumista. A felicidade, adverte o sistema, consiste em comprar, comprar, comprar. Fora do mercado não há salvação. E dentro dele feliz é quem sabe empreender com sucesso, manter-se perenemente jovem, brilhar aos olhos alheios. A receita está prescrita nos livros de autoajuda que encabeçam a lista da biblioterapia.
Se você não corresponde ao figurino neoliberal é porque sofre de algum transtorno. As doenças estão em moda. Respiramos a cultura da medicalização. Não nos perguntamos por que há tantas enfermidades e enfermos. Esta indagação não convém à indústria farmacêutica nem ao sistema cujo objetivo primordial é a apropriação privada da riqueza.
Estão em moda a síndrome de pânico e o transtorno bipolar. Já em 1985, Freud havia diagnosticado a síndrome de pânico sob o nome de neurose de angústia. O transtorno bipolar era conhecido como psicose maníaco-depressiva. Muitas pessoas sofrem, de fato, dessas enfermidades, e precisam ser tratadas e medicadas. Há profissionais que se sentem afetados por elas devido à cultura excessivamente competitiva e à exigência de demonstrar altíssimos rendimentos no trabalho segundo os atléticos parâmetros do mercado.
Em relação às crianças se constata o aumento do Transtorno por Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Ora, é preciso cuidado no diagnóstico. Hiperatividade e impulsividade são características da infância, às vezes rebaixadas à categoria de transtorno neurobiológico, de desordem do cérebro. Submeta seu filho a um diagnóstico precoce.
Quando um suposto diagnóstico científico arvora-se em quantificar nosso grau de tristeza e frustração, de hiperatividade e alegria, é sinal de que não somos nós os doentes, e sim a sociedade, que, submissa ao paradigma do mercado, pretende reduzir todos nós a meros objetos mecânicos, cujos funcionamentos podem ser decompostos em suas diferenças peças facilmente azeitadas por quilos de medicamentos.
CHRISTO, C. A. L. Seja feliz, tome remédios. Hoje em dia, [s. l.], 20 out. 2017. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/seja-feliz-tome-remedios-1.568235. Acesso em: 28 mar. 2023.
Carlos Alberto Libânio Christo, ou Frei Betto, é um frade dominicano e escritor brasileiro.
Observe o título da crônica: “Seja feliz, tome remédios”. Considerando a argumentação de Frei Betto, a leitura do título evidencia a existência de um(a)
Questão 8393254
Concursos POR XAF 022 ENU001 2021EXITUS LETALIS
A bula, da mesma forma que a poesia, tem as suas metáforas, os seus eufemismos, os seus mistérios, e as partes melhores são sempre as que vêm sob os títulos “precauções e/ou advertências” e “reações adversas”. Essa parte da bula é certamente produzida por uma equipe da qual fazem parte cientistas, gramáticos, advogados especialistas em ações indenizatórias, poetas, criptógrafos, advogados criminalistas, marqueteiros, financistas e planejadores gráficos. Você tem que alertar o usuário dos riscos que ele corre (e, não se iluda, todo remédio tem um potencial de risco), ainda que eufemicamente, pois, se o doente sofrer uma reação grave ao ingerir o remédio, o laboratório, por intermédio dos seus advogados, se defenderá dizendo que o doente e o seu médico conheciam esses riscos, devidamente explicitados na bula.
Vejam esta maravilha de eufemismo, de figura de retórica usada para amenizar, maquiar ou camuflar expressões desagradáveis empregando outras mais amenas e incompreensíveis. Trecho da bula de determinado remédio: “Uma proporção maior ou mesmo menor do que 10% de (...)” (não cito o nome do remédio, aconselhado pelo meu advogado) “pode evoluir para exitus letalis” (o itálico é da bula).
Qual o poeta, mesmo entre os modernos, os herméticos e os concretistas, capaz de eufemizar, camuflando de maneira tão rica, o risco de morte — “evoluir para exitus letalis”?
FONSECA, Rubem. O romance morreu. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007.
O recurso da ironia não foi utilizado no trecho:
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