Questões de EFAF Português
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Questão 6 10768259
COLTEC 2022Leia os Textos para responder às questões
Texto 1 - Choronavírus, pãodemia e cloroquiners deveriam entrar para o dicionário
Na pandemia da Covid-19, nós ressuscitamos uma dezena de palavras moribundas e mortiças
Gregorio Duvivier
Você deve ter lido esta matéria: a língua alemã criou mais de mil palavras na pandemia. Chamam de “coronaangst” o medo da pandemia, e de “impfneid” a inveja das pessoas que já se vacinaram. Tem nome até praquele corte de cabelo que você fez em si próprio: “coronafrisur”, ou coronacorte.
“Até nisso os alemães trabalham mais que a gente!”, pensei, invejoso, antes de perceber que não ficamos pra trás. Não criamos mais de mil palavras, claro. Em português não é assim que funciona.
Palavra aqui não é mosquito, que basta um pouco de água parada pra se reproduzir. Nosso léxico, romântico, precisa de clima pra acasalar. Não se faz uma palavra assim: coronarraiva. Tá vendo? Não rolou. Em português tem que ter química pra dar match. Mas quando rola é bonito de ver. E aconteceu diversas vezes nessa pandemia.
À proliferação de padeiros deram o nome brilhante de pãodemia. Chamamos de choronavírus a tristeza pandêmica e as crises de choro tão comuns no confinamento.
Quarenteners são os que ainda acreditam nas recomendação da OMS, em contraponto aos cloroquiners [...]. Os participantes de uma festa pandêmica são os covidados.
Já o imunizante chinês foi batizado por seus detratores de vachina. Repleto de bonecas e brinquedos, o lugar em que escrevo virou um ex-critório. Esse acabei de inventar. Perdão.
Não só de palavras novas se encheu nossa boca. Ressuscitamos uma dezena de palavras moribundas, mortiças como a palavra mortiça. Os alemães, tão atentos à sustentabilidade, deveriam se perguntar: por que fabricar palavras com tantas encostadas, apodrecendo no armário? Lavou, tá nova.
“Assintomático” constava nos compêndios médicos, nunca tinha frequentado conversa de WhatsApp. A palavra “imune” pertencia ao Big Brother, assim como “confinamento” e “casa de vidro”. [...]
“Pandemia” morava nos cafundós do dicionário, perto da palavra “quarentena” — outra palavra mortiça que voltou a nos assombrar. Ou “platô”, antes restrita aos geólogos, e “cepa”, antes restrita aos enólogos. Disso também tenho saudades.
Não devemos nada aos gringos na abundância vocabular. Talvez só nisso, mesmo. Deve existir em alemão uma palavra pra inveja de alguém por algo que nós já temos. Em português existe: complexo de vira-lata. Aliás: vira-lata, que palavra.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2021/04/choronaviruspaodemia-e-cloroquiners-deveriam-entrar-para-o-dicionario.shtml. Acesso em: 06 jul. 2021. (Adapt.)
Texto 2 - Meu neologismo favorito
Thaís Nicoleti
Uma palavra nova, inventada, começa a circular na língua aqui e ali e, depois de uma espécie de fase de testes, é incorporada ao léxico ou descartada, condenada ao esquecimento, quando não ao uso particular de um falante ou de um grupo. Em geral, é a inclusão em dicionários que atesta a entrada do neologismo no léxico da língua, uma forma de reconhecimento de sua vitalidade.
Nossos leitores aceitaram uma provocação para interagir com a Folha, que os convidava a dizer qual era o seu neologismo predileto. Como não poderia deixar de ser, não faltou quem se lembrasse do repertório novo surgido com a pandemia de Covid-19, que, por um deles, foi chamado de covidioma.
Lá estão arrolados covidário (já usado por médicos para fazer referência à ala de pacientes de Covid-19) e as invenções covidar (pegar a doença / Fulano covidou), descoronar (desinfetar com sentido específico de livrar do coronavírus / Fulano descoronou as compras), clorokiller e cloroquiner – estes últimos, mesclas das sílabas iniciais de “cloroquina” com elementos da língua inglesa, têm uso ligado especificamente ao contexto brasileiro de enfrentamento da pandemia e, por certo, dispensam explicação.
Covidário a alguns incomoda pela associação com os antigos “leprosários”, que eram estabelecimentos onde permaneciam isolados os pacientes de lepra (hoje hanseníase) quando a doença não tinha cura. O sufixo “-ário”, nesse caso, apenas indica a ideia de coleção, como, de resto, em apiário, serpentário, ranário etc. O exemplo é bom porque mostra um dos processos de criação de palavras: o uso de sufixos preexistentes na língua associados a novos radicais.
Em covidioma, temos um caso de composição, com dois radicais justapostos (Covid + idioma), outro processo bastante fecundo de criação. As formas verbais, é bom que se diga, sempre pertencem à primeira conjugação (terminada em “-ar”), que é a única fértil no momento atual da língua, aparecendo também no sufixo “-izar”. Assim se explicam covidar, descoronar e outros verbos que surgiram na enquete. [...]
Disponível em: https://thaisnicoleti.blogfolha.uol.com.br/2021/07/01/meu-neologismo-favorito/. Acesso em: 06 jul. 2021. (Adapt.)
Os textos 1 e 2 apresentam similaridade quanto à temática tratada. No entanto, comparando-se os dois, é CORRETO afirmar que o texto 1
Questão 4 10768257
COLTEC 2022Leia o Texto para responder às questões
Choronavírus, pãodemia e cloroquiners deveriam entrar para o dicionário
Na pandemia da Covid-19, nós ressuscitamos uma dezena de palavras moribundas e mortiças
Gregorio Duvivier
Você deve ter lido esta matéria: a língua alemã criou mais de mil palavras na pandemia. Chamam de “coronaangst” o medo da pandemia, e de “impfneid” a inveja das pessoas que já se vacinaram. Tem nome até praquele corte de cabelo que você fez em si próprio: “coronafrisur”, ou coronacorte.
“Até nisso os alemães trabalham mais que a gente!”, pensei, invejoso, antes de perceber que não ficamos pra trás. Não criamos mais de mil palavras, claro. Em português não é assim que funciona.
Palavra aqui não é mosquito, que basta um pouco de água parada pra se reproduzir. Nosso léxico, romântico, precisa de clima pra acasalar. Não se faz uma palavra assim: coronarraiva. Tá vendo? Não rolou. Em português tem que ter química pra dar match. Mas quando rola é bonito de ver. E aconteceu diversas vezes nessa pandemia.
À proliferação de padeiros deram o nome brilhante de pãodemia. Chamamos de choronavírus a tristeza pandêmica e as crises de choro tão comuns no confinamento.
Quarenteners são os que ainda acreditam nas recomendação da OMS, em contraponto aos cloroquiners [...]. Os participantes de uma festa pandêmica são os covidados.
Já o imunizante chinês foi batizado por seus detratores de vachina. Repleto de bonecas e brinquedos, o lugar em que escrevo virou um ex-critório. Esse acabei de inventar. Perdão.
Não só de palavras novas se encheu nossa boca. Ressuscitamos uma dezena de palavras moribundas, mortiças como a palavra mortiça. Os alemães, tão atentos à sustentabilidade, deveriam se perguntar: por que fabricar palavras com tantas encostadas, apodrecendo no armário? Lavou, tá nova.
“Assintomático” constava nos compêndios médicos, nunca tinha frequentado conversa de WhatsApp. A palavra “imune” pertencia ao Big Brother, assim como “confinamento” e “casa de vidro”. [...]
“Pandemia” morava nos cafundós do dicionário, perto da palavra “quarentena” — outra palavra mortiça que voltou a nos assombrar. Ou “platô”, antes restrita aos geólogos, e “cepa”, antes restrita aos enólogos. Disso também tenho saudades.
Não devemos nada aos gringos na abundância vocabular. Talvez só nisso, mesmo. Deve existir em alemão uma palavra pra inveja de alguém por algo que nós já temos. Em português existe: complexo de vira-lata. Aliás: vira-lata, que palavra.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2021/04/choronaviruspaodemia-e-cloroquiners-deveriam-entrar-para-o-dicionario.shtml. Acesso em: 06 jul. 2021. (Adapt.)
O fragmento do texto em que NÃO há termo usado no sentido conotativo/figurado é
Questão 11 10767377
CTI (UNIFICADO) C. Gerais 2022Leia o texto para responder à questão.
A polícia suburbana
Noticiam os jornais que um delegado inspecionando, durante uma noite destas, algumas delegacias suburbanas, encontrou-as às moscas, comissários a dormir e soldados a sonhar.
Dizem mesmo que o delegado-inspetor surrupiou objetos para pôr mais à mostra o descaso dos seus subordinados.
Os jornais, com aquele seu louvável bom senso de sempre, aproveitaram a oportunidade para reforçar as suas reclamações contra a falta de policiamento nos subúrbios.
Leio sempre essas reclamações e pasmo. Moro nos subúrbios há muitos anos e tenho o hábito de ir para a casa alta noite.
Uma vez ou outra eu encontro um vigilante noturno, um policial e muito poucas vezes é-me dado ler notícias nas ruas que atravesso.
A impressão que tenho é de que a vida e a propriedade daquelas paragens estão entregues aos bons sentimentos dos outros e que os pequenos furtos de galinhas e coradouros1 não exigem um aparelho custoso de patrulhas e apitos.
Aquilo lá vai muito bem, todos se entendem livremente e o Estado não precisa intervir corretivamente para fazer respeitar a propriedade alheia.
Penso mesmo que, se as coisas não passassem assim, os vigilantes, obrigados a mostrar serviço, procurariam meios e modos de efetuar detenções e os notívagos, como eu, ou os pobres-diabos que lá procuram dormida, seriam incomodados, com pouco proveito para a lei e para o Estado.
Os policiais suburbanos têm toda a razão. Devem continuar a dormir. Ainda bem.
(Lima Barreto, Vidas urbanas. Adaptado)
1 coradouro: lugar onde se deixa a roupa mais branca
No 4º parágrafo, o autor afirma: “Leio sempre essas reclamações e pasmo.” Nesse sentido, conclui-se corretamente que ele
Questão 9 10766075
CTI (UNIFICADO) C. Gerais 2022A paleontologia é um híbrido de geociências e biociências que tenta compreender a vida do passado. Há um de detetive no trabalho de quem segue essa carreira. Por meio de fósseis, cientistas se esforçam em reconstruir peça peça aspectos da (paleo)biologia de organismos que desapareceram da Terra há milhões de anos, muitas vezes sem deixar . Enquanto biólogos empreendem expedições para observar seres vivos em seu habitat natural, ao paleontólogo resta (com sorte) um punhado de fósseis para estudar, os quais ele de volta “vida”, valendo-se da paleontologia virtual e de simulações biomecânicas.
(https://cienciahoje.org.br. Adaptado)
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Questão 8 10766067
CTI (UNIFICADO) C. Gerais 2022Leia a charge para responder à questão.

(Fabiane Langona, “Viver dói”. Folha de S.Paulo, 01.09.2021. Adaptado)
Na frase da charge, tem-se um predicado
Questão 6 10766048
CTI (UNIFICADO) C. Gerais 2022Leia o texto para responder à questão.
A saída da estadista?
Se há um líder político que se consagrou como estadista1 nos últimos anos, esse líder é a chanceler alemã Angela Merkel. Ela soube como ninguém conciliar o pragmatismo2 com o respeito a princípios civilizacionais, como se viu na crise dos refugiados de 2015-16.
Enfrentou a Covid-19 com competência e transparência, recorrendo sempre à abordagem científica, com a qual, na condição de química quântica, está plenamente familiarizada. Até pela ausência de concorrentes à altura, tornou-se a principal líder da União Europeia.
Ao longo de 16 anos no poder, foi capaz de capitalizar tudo isso em prestígio pessoal. Trata-se de uma política incomumente popular, não apenas na Alemanha como em vários outros países europeus.
Paradoxalmente, é considerável a probabilidade de Merkel ver sua aliança política conservadora CDU/CSU naufragar nas eleições marcadas para o próximo dia 26.
Que a chanceler deixaria o cargo já era sabido. Faz um bom tempo que a líder anunciou a intenção de aposentar-se ao término do atual mandato, mas, diante do sucesso que é sua administração, pretendia entregar o posto a um sucessor de seu próprio partido.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 01.09.2021. Adaptado)
1 estadista: pessoa que exerce liderança política com sabedoria
2 pragmatismo: consideração das coisas de um ponto de vista prático
A metáfora que sugere algo malsucedido está corretamente destacada em:
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