Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 8 11117591
IFSC Integrados 2022/2Texto VII

Fonte: GOMES, Higor. Eu fico com medo da facilidade [...]. 18 abr. 2022. Twitter: @hhigorgomes. Disponível em: https://twitter.- com/hhigorgomes. Acesso em: 19 abr. 2022.
Texto VIII

Fonte: FABIANO. Se eu entrar no BBB [...]. 18 abr. 2022. Twitter: @sourgothick. Disponível em: https://twitter.com/sourgothick. Acesso em: 19 abr. 2022.
Nas proposições abaixo, assinale (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as falsas, de acordo com a leitura dos Textos VII e VIII:
( ) Os verbos estalquear e deletar são formas aportuguesadas dos verbos to stalk e to delete, ambos do inglês.
( ) O uso de palavras estrangeiras deve ser evitado pelos falantes de português para preservar sua língua.
( ) Os verbos estalquear e deletar obedecem às regras morfossintáticas dos verbos da língua portuguesa.
( ) O aportuguesamento dos verbos estalquear e deletar inclui uma adaptação na grafia e na fonética para atender aos padrões do português.
( ) Os verbos estalquear e deletar tiveram seus significados alterados ao serem incluídos ao português.
Assinale a alternativa com a sequência CORRETA.
Questão 6 11117502
IFSC Integrados 2022/2Texto
Há crianças portuguesas que só falam “brasileiro”
Dizem grama em vez de relva, autocarro é ônibus, rebuçado é bala, riscas são listras e leite está na geladeira em vez de no frigorífico. Os educadores notam-no sobretudo depois do confinamento – à conta de muita horas de exposição a conteúdos feitos por youtubers brasileiros. As opiniões de pais, professores e especialistas dividem-se entre a preocupação e os que relativizam, por considerarem tratar-se de uma fase, como aconteceu com as novelas.
Fonte: LUZ, Paula Sofia. Há crianças portuguesas que só falam “brasileiro”. In: Diário de Notícias, 2021. Disponível em: https://www.dn.pt/sociedade/ha-criancas-portuguesas-que-so-falam-brasileiro-14292845.html. Acesso em: 13 mar. 2022.
Nas proposições abaixo, assinale (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as falsas de acordo com a leitura do Texto V.
( ) Segundo o jornal português Diário de Notícias, há crianças portuguesas que consomem conteúdo de youtubers brasileiros.
( ) A palavra “brasileiro” presente na manchete da notícia sinaliza diferenças linguísticas entre o português falado no Brasil e o português de Portugal.
( ) As crianças portuguesas que utilizam palavras do português brasileiro, como grama, ônibus, bala, listras e geladeira – em vez de relva, autocarro, rebuçado, riscas e frigorífico, respectivamente – desconhecem a norma-padrão da língua portuguesa.
( ) O uso de palavras do português brasileiro por crianças portuguesas indica a ocorrência de empréstimos linguísticos, um fenômeno comum nas línguas naturais.
Assinale a alternativa com a sequência CORRETA.
Questão 4 11117362
IFSC Integrados 2022/2Texto III

Fonte: PREVIDELLI, F. Tiro ao álvaro: ditadura militar brasileira não poupou nem Adoniran Barbosa da censura. UOL. Disponível em: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/tiro-ao-alvaro-ditadura-militar-brasileira-nao-poupou-nemadoniran-barbosa-da-censura.phtml. Acesso em: 29 mar. 2022.
Texto IV
[...] Quando o Ato Institucional nº5, o AI-5, passou a vigorar, em 13 de dezembro de 1968, Barbosa temia que suas novas composições fossem censuradas. Assim, decidiu lançar um álbum com seus maiores sucessos, um grande compilado. [...] Porém, foi pego de surpresa ao receber um documento oficial que vetava algumas de suas canções. Em “Tiro ao Álvaro”, de 1960, por exemplo, foi usado a justificativa de que a “falta de gosto impede a liberação da letra”.
Fonte: PREVIDELLI, F. Tiro ao álvaro: ditadura militar brasileira não poupou nem Adoniran Barbosa da censura. UOL. Disponível em: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/tiro-ao-alvaro-ditadura-militar-brasileira-nao-poupounem-adoniran-barbosa-da-censura.phtml. Acesso em: 29 mar. 2022.
A partir da leitura dos Textos III e IV, bem como mobilizando seus conhecimentos sobre variação linguística, assinale a alternativa CORRETA.
Questão 2 11117331
IFSC Integrados 2022/2Texto
UM APÓLOGO – Machado de Assis
ERA UMA VEZ uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Por que lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e
falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar?
Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao
que eu faço e mando ...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho,
vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto ...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de
uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou
da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano
adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto
uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa
comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa,
como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta,
calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plíc-plic-plic-plic
da agulha no pano. Caindo, o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no
outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no
corpinho, para dar algum ponto necessário.
E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando,
abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância?
Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir
para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre
agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na
caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
Fonte: Machado de Assis, J. M. Várias Histórias. In: Obra Completa. Rio de Janeiro: Aguillar, 1962, p. 554-556.
Escolha a alternativa em que se evidencia a interlocução do narrador com o leitor no Texto.
Assinale a alternativa CORRETA.
Questão 13 11116987
IFSC Integrados 2022/1Leia o TEXTO, a seguir, para responder à questão.
TEXTO
GPS
Entrei no táxi e falei o meu destino.
— Rua Araribóia, por favor.
— Araribóia? Espera um minuto!.. — rebateu o homem.
Programou então seu GPS e arrancou.
[5] — Não precisa de GPS, amigo. Sei mais ou menos onde fica. Posso lhe orientar.
— Ah, não. Não saio mais de casa sem isto — declarou.
Resmunguei em silêncio. E lá se foi o taxista seguindo seu brinquedinho falante — “vire à
esquerda”; “a 50 metros você vai virar à direita", “daqui a 300 metros faça o retorno à
esquerda”...
[10] De repente, entre uma e outra prosa, vi ele se afastando da direção que eu julgava ser a
correta.
— Amigo, acho que você está na direção contrária. Tinha que ter entrado naquela rua à
direita, melhor fazer o retorno na frente.
— Não, não, olha aqui — apontou pra geringonça, orgulhoso como ele só. É esse
[15] mesmo o caminho.
Cocei a cabeça irritado. Embora eu não soubesse exatamente qual o trajeto a seguir,
sabia que aquele caminho que ele fazia era estupidamente mais longo e complexo.
Argumentei mais uma vez, já na iminência de explodir.
— Moço, desculpe, mas tenho quase certeza de que você está fazendo um caminho
[20] muito mais longo do que devia.
— Não esquenta a cabeça não, companheiro. Tá aqui no GPS, ó. Não vou discutir com
a tecnologia, né, amigo?
“Não vou discutir com a tecnologia." Sim, eu havia ouvido aquilo. E mais que uma
frase de efeito de um chofer de praça, aquilo era uma senha que explicava muita coisa,
[25] talvez explicasse até toda uma época.
O sujeito deixava de lado sua inteligência (se é que a tinha), a experiência de anos
perambulando a bordo do seu táxi pelas quebradas da cidade e o próprio poder de dedução
para seguir uma engenhoca surda e cega — mas “tecnológica” — sem questioná-la, e sem
que eu também pudesse fazê-lo.
[30] Não quero parecer um dinossauro (embora por vezes eu inevitavelmente pareça), mas
sempre defendi um uso inteligente, comedido e crítico dos apetrechos eletrônicos. Conheço
pessoas que, por comodidade, condicionamento ou deslumbramento com o novo mundo
cibemético, não se deslocam mais à esquina para comprar pão sem que façam uso de GPS,
Google Maps e o escambau.
[35] Tenho um sobrinho, um pensador irreverente de botequim, que gosta de dizer o
seguinte:
— As rodas de bar ficaram muito chatas depois do iPhone. Ninguém mais pode ter
dúvida alguma. Se alguém perguntar: "como é o nome daquele cantor que cantava aquela
música?”; ou então: “quem era o centroavante da seleção de 867”, logo algum bobo alegre
[40] vai acessar a internet e buscar a resposta. E aí acabar com a graça, a mágica e o mistério...
Não sobra assunto pro próximo encontro.
Outro amigo, filósofo de padaria, tem uma tese/profecia tenebrosa sobre o uso sem
critério dos tecnobreguetes: Diz ele:
— Num futuro próximo, as pessoas deixarão de ter memória. Para que lembrar, se tudo
[45] caberá num HD externo?
É. Faz bastante sentido a tese do meu amigo. Aliás, há tempos não o vejo, o... o...
Como é mesmo o nome dele, gente? Aníbal, não. Átila, não... É um nome assim, meio
histórico... Desculpem aí, vou ter que espiar na agenda do meu celular.
Fonte: BALEIRO, Zeca. GPS. In: Isto É, 2011. Disponível em: https://istoe.com.br/133775_GPS/. Acesso em: 04 dez. 2021.
No TEXTO, lê-se o seguinte fragmento: “Não quero parecer um dinossauro (embora por vezes eu inevitavelmente pareça), mas sempre defendi um uso inteligente, comedido e crítico dos apetrechos eletrônicos”. (linhas 30 e 31)
Há prejuízo de sentido na sequência dos períodos se o termo em negrito for substituído por:
Questão 11 11116799
IFSC Integrados 2022/1Leia o TEXTO, a seguir, para responder à questão.
TEXTO
GPS
Entrei no táxi e falei o meu destino.
— Rua Araribóia, por favor.
— Araribóia? Espera um minuto!.. — rebateu o homem.
Programou então seu GPS e arrancou.
[5] — Não precisa de GPS, amigo. Sei mais ou menos onde fica. Posso lhe orientar.
— Ah, não. Não saio mais de casa sem isto — declarou.
Resmunguei em silêncio. E lá se foi o taxista seguindo seu brinquedinho falante — “vire à
esquerda”; “a 50 metros você vai virar à direita", “daqui a 300 metros faça o retorno à
esquerda”...
[10] De repente, entre uma e outra prosa, vi ele se afastando da direção que eu julgava ser a
correta.
— Amigo, acho que você está na direção contrária. Tinha que ter entrado naquela rua à
direita, melhor fazer o retorno na frente.
— Não, não, olha aqui — apontou pra geringonça, orgulhoso como ele só. É esse
[15] mesmo o caminho.
Cocei a cabeça irritado. Embora eu não soubesse exatamente qual o trajeto a seguir,
sabia que aquele caminho que ele fazia era estupidamente mais longo e complexo.
Argumentei mais uma vez, já na iminência de explodir.
— Moço, desculpe, mas tenho quase certeza de que você está fazendo um caminho
[20] muito mais longo do que devia.
— Não esquenta a cabeça não, companheiro. Tá aqui no GPS, ó. Não vou discutir com
a tecnologia, né, amigo?
“Não vou discutir com a tecnologia." Sim, eu havia ouvido aquilo. E mais que uma
frase de efeito de um chofer de praça, aquilo era uma senha que explicava muita coisa,
[25] talvez explicasse até toda uma época.
O sujeito deixava de lado sua inteligência (se é que a tinha), a experiência de anos
perambulando a bordo do seu táxi pelas quebradas da cidade e o próprio poder de dedução
para seguir uma engenhoca surda e cega — mas “tecnológica” — sem questioná-la, e sem
que eu também pudesse fazê-lo.
[30] Não quero parecer um dinossauro (embora por vezes eu inevitavelmente pareça), mas
sempre defendi um uso inteligente, comedido e crítico dos apetrechos eletrônicos. Conheço
pessoas que, por comodidade, condicionamento ou deslumbramento com o novo mundo
cibemético, não se deslocam mais à esquina para comprar pão sem que façam uso de GPS,
Google Maps e o escambau.
[35] Tenho um sobrinho, um pensador irreverente de botequim, que gosta de dizer o
seguinte:
— As rodas de bar ficaram muito chatas depois do iPhone. Ninguém mais pode ter
dúvida alguma. Se alguém perguntar: "como é o nome daquele cantor que cantava aquela
música?”; ou então: “quem era o centroavante da seleção de 867”, logo algum bobo alegre
[40] vai acessar a internet e buscar a resposta. E aí acabar com a graça, a mágica e o mistério...
Não sobra assunto pro próximo encontro.
Outro amigo, filósofo de padaria, tem uma tese/profecia tenebrosa sobre o uso sem
critério dos tecnobreguetes: Diz ele:
— Num futuro próximo, as pessoas deixarão de ter memória. Para que lembrar, se tudo
[45] caberá num HD externo?
É. Faz bastante sentido a tese do meu amigo. Aliás, há tempos não o vejo, o... o...
Como é mesmo o nome dele, gente? Aníbal, não. Átila, não... É um nome assim, meio
histórico... Desculpem aí, vou ter que espiar na agenda do meu celular.
Fonte: BALEIRO, Zeca. GPS. In: Isto É, 2011. Disponível em: https://istoe.com.br/133775_GPS/. Acesso em: 04 dez. 2021.
Analise os itens abaixo de acordo com a leitura e interpretação do TEXTO.
I. O texto aborda o tema do uso exagerado da tecnologia nos dias de hoje.
II. O fato que dá origem ao texto é uma corrida de táxi.
III. O motorista do táxi não concorda com o caminho proposto pelo GPS.
IV. O passageiro e o motorista acreditam que o GPS sugeriu uma rota mais curta até o destino final.
Estão CORRETAS (assinale apenas uma alternativa):
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