Questões de EFAF Português - Sintaxe
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Questão 9 10134613
CMJF 1° Ano - Prova de Português 2017TEXTO
Até aqui, tudo bem!
Na mesa do meu escritório, de onde avisto os prédios do bairro de classe média alta de
Higienópolis, do outro lado da Avenida Pacaembu, em São Paulo, há um porta-retrato. Nele, uma
fotografia embaçada registra uma estranha composição: em primeiro plano um menino, trajando uma
curta blusa de flanela, um desajeitado short e um sujo par de chinelos de dedo, tristes e assustados
[5] olhos semifechados. Pousadas em seus ombros magros, duas mãos femininas; ao lado, parte de uma
perna de calça e uma barriga, que se adivinha em breve proeminente, indica a existência de um
homem (marido das mãos femininas, talvez). Assentada sobre o braço da mulher, uma outra mão.
Pela posição das sombras, deduz-se a tarde, e pelas roupas, o final de inverno. Assim a foto sobre a
mesa: o menino surge de corpo inteiro, mas os outros três personagens são inidentificáveis — falta-
[10] lhes o rosto, página em branco onde se imprime nossa individualidade, nossa singularidade, nossa
história, enfim.
Todo o meu esforço como escritor tem sido o de tentar recompor essa imagem. O menino,
identifico-o, sou eu, aos cinco ou seis anos de idade. Mas quem são os outros três personagens que,
numa tarde de inverno para sempre perdida, imobilizaram-se para o olhar amador de alguém por
[15] detrás da máquina fotográfica? (...)
Tive o privilégio de nascer numa pequena cidade do interior de Minas Gerais chamada
Cataguases. Digo privilégio pelo fato de ter crescido num lugar de forte tradição industrial - onde os
interesses de classe são bem demarcados, conformando-nos uma visão de mundo menos ingênua,
mais pragmática. (...)
[20] A indústria têxtil implantou-se em Cataguases a partir da década de 1910, fruto da inversão de
capitais da cafeicultura em crise, e expandiu-se, atraindo mão de obra da região, afundada na
pasmaceira da agricultura de subsistência. Na década de 1950, recém-casados, meus pais
abandonaram a total falta de perspectiva da roça e buscaram dias melhores em Cataguases. Ambos,
embora meu pai semi-analfabeto e minha mãe analfabeta, tinham consciência de que somente o
[25] conhecimento formal acenaria com possibilidades de mudanças reais para os filhos e incentivaram-
nos a estudar. Sonhavam para nós uma vida de operários especializados, com salário suficiente para
comprar casa própria, enfeitá-la com inúmeros eletrodomésticos, casar, ter filhos saudáveis, futuro
garantido, estável... Tudo o que lhes foi negado, enfim...
Meu irmão formou-se ajustador-mecânico. Fez carreira brilhante: trabalhou em Diadema, na
[30] Grande São Paulo, voltou, a convite, para Cataguases, e com 26 anos conquistava o lugar de
encarregado-geral de uma fábrica de tecidos. Mas, por essa época, uma descarga de 22 mil volts
interrompeu sua ascensão... Minha irmã, tecelã, largou os estudos e o trabalho para se casar... Hoje é
merendeira de uma escola pública municipal... Quanto a mim... Bem, quanto a mim, posso dizer a
meu favor que tudo se encaminhava segundo os preceitos de meus pais: estudante mediano,
[35] cavalgava-me, até que, num início de ano letivo, refugiando minha timidez numa biblioteca, passeava
meus olhos displicentes pela lombada dos livros, quando a bibliotecária, confundindo distração com
interesse, pescou-me, felicissima, depositando em minhas mãos um livro, que por polidez não
recusei. Carreguei-o para casa, abri-o e, em dois ou três dias de profunda excitação, li-o, deitado
numa poltrona de napa amarela, as janelas escancaradas para a imóvel tarde anil de verão.
[40] Nunca deixarei de lembrar daquela semana, daquele verão, daquela poltrona, daquele livro, do
barulho liquido que vinha do puxado de telhas de amianto onde minha mãe, esfregando roupas no
tanque, calada intuía o veneno que exalava das aparentemente inocentes páginas impressas, que,
consumindo-me em febres, me conduziam a abismos de onde ninguém volta incólume. Eu tinha doze
anos e pela primeira vez me dava conta de que o mundo era maior que meu bairro, maior que minha
[45] cidade, maior talvez que as montanhas que azulavam lá longe. E isso descobri pelas palavras de um
escritor ucraniano, então soviético, Anatoly Kusnetzov, e seu romance-documentário, Bábi lar, que
narra o genocídio de milhares de judeus num campo de extermínio nas proximidades de Kiev. Por
erráticos mistérios, o menino do bairro do Paraíso, em Cataguases, identificou-se imediatamente com
a solidão, a angústia, o senso de sobrevivência daquelas famílias judias em plena Segunda Guerra
[50] Mundial.
Então, minha cidade, que julgava tão Íntima, surgiu outra à minha frente. Percebi, assustado,
que minha sina seria seguir os passos do meu irmão e da minha irmã, que acordavam antes do sol e,
ensonados, dirigiam-se de bicicleta rumo à fábrica, incendiando seus sonhos por detrás de janelas
hermeticamente fechadas, calor e barulho insuportáveis. Ou dos nossos conhecidos, que levavam a
[55] tristeza aos botequins para embriagar-se de álcool e futebol. Ou dos nossos vizinhos, cujos filhos
sumiam em direção a São Paulo ou Rio de Janeiro, em busca de uma alforria nunca assinada. Ou
das mulheres todas, que se entupiam de tranquilizantes ou de ilusões. E abracei-me aos oitis e fícus
que protegem as calçadas e irriguei o leito do rio Pomba, que corta a cidade. Passei a frequentar com
assiduidade a biblioteca. Li todos os dezoito volumes do Tesouro da Juventude e devorei a esmo
[60] romances brasileiros e estrangeiros, afundando-me, cada vez mais, na areia movediça da
inquietação.
(RUFFATO, Luiz. "Até aqui, tudo bem!”. Agua da palavra: revista de literatura e teorias, número 03, março de 2011, p. 01-02).
Assinale a alternativa que contenha a classificação correta das orações sublinhadas abaixo, todas retiradas do Texto:
I. “Ambos, embora meu pai fosse semianalfabeto e minha mãe analfabeta, tinham consciência” (linhas 23 e 24 – adaptadas)
II. “tinham consciência de que somente o conhecimento formal acenaria com possibilidades de mudanças reais” (linhas 24 e 25).
III. “Percebi, assustado, que minha sina seria a mesma dos meus irmãos” (linhas 51 e 52 – adaptadas).
IV. “E abracei-me aos oitis e fícus que protegem as calçadas” (linhas 57 e 58).
Questão 18 10121819
CMRJ 1° Ano - Prova de Português 2017TEXTO

Infográfico retirado da reportagem “O celular que escraviza”, da Revista Época,15/06/2012. Disponível em http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html. Último acesso, 03/10/2017.
No período “As estimativas sugerem que o número de hiperconectados só deve aumentar” (texto), a oração sublinhada
Questão 18 1381390
CN 2° Dia 2017Em que opção a colocação pronominal está de acordo com a modalidade padrão?
Questão 16 1381384
CN 2° Dia 2017Em que opção todas as preposições em destaque estão de acordo com a regência do nome?
Questão 15 1381381
CN 2° Dia 2017No que se refere à concordância verbal, observe as frases abaixo.
I- Espera-se muitas novidades no campo da informática educacional este ano.
II- Em todos os países, faz-se muitas promessas aos fabricantes de mídias digitais.
III- Choveram reclamações sobre o novo celular disponibilizado nas lojas do ramo.
IV- Houveram-se muito bem os expositores da Feira de Tecnologia no Anhembi.
Assinale a opção correta.
Questão 1 622277
COTUCA 2017Leia o texto a seguir para responder à questão.
HQ1 amazônica em que Aruã, Sucuri e Iara salvam o mundo
[1] O enredo é o de praxe, mas a versão é brasileira. Um novo projeto dos quadrinistas paraenses Joe
Bennet e Alan Yango coloca as lendas e histórias amazônicas na função dos típicos heróis dos quadrinhos
que combatem vilões e salvam o mundo.
Criado inicialmente em 2000 como uma campanha publicitária da extinta operadora de telefonia
[2] Amazônia Celular, o Esquadrão Amazônia volta agora como história, em 40 páginas, capa cartonada e
impressa em cores, com recursos de financiamento coletivo. A primeira edição da HQ será lançada em
dezembro de 2016, durante a Comic Con Experience, um dos maiores eventos de cultura pop do país.
[3] Bennet é um dos nomes mais proeminentes dos quadrinhos no país, com passagem pelas gigantes
Marvel e DC Comics. Foi antes de sua carreira internacional, porém, que conheceu Yango, na década de
1980. Desde então, dedicados a projetos particulares, os dois adiam uma parceria.
[4] Ela chegou neste ano com a ideia de reviver o Esquadrão, projeto de Bennet criado a pedido de uma
agência publicitária de Belém. Na época, o grupo ilustrava uma cartilha educacional de 20 páginas, ao longo
das quais seus personagens pitorescos ensinavam pessoas a usarem celulares.
[5] A nova versão trará os mesmos personagens, todos baseados nos elementos amazônicos, porém
mais aprofundados. São sete ao todo: Jurema, Onça, Búfalo, Aruã, Sucuri, Iara e o indígena Açu, líder da
equipe. Na trama, uma nave espacial chega à floresta enfraquecida, levando as lendas amazônicas a se
unirem para combater um mal premente.
Adaptado do texto de Beatriz Montesanti para o Nexo Jornal. Disponível em https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/08/12/O-HQamaz% C3%B4nico-em-que-Aru%C3%A3-Sucuri-e-Iara-salvam-o-mundo. Acessado em 23/8/2016.
GLOSSÁRIO
1 HQ são as iniciais de “história em quadrinhos”.
Releia o seguinte trecho: “O enredo é o de praxe, mas a versão é brasileira”. Observando a conjunção “mas”, no contexto da matéria jornalística, podemos compreender que:
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