Questões de EFAF Português
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Questão 2 10736934
COTUCA 2023Leia o texto a seguir para responder à questão.
Ismália (Emicida)
Com a fé de quem olha do banco a cena
Do gol que nós mais precisava na trave
A felicidade do branco é plena
A pé, trilha em brasa e barranco, que pena
Se até pra sonhar tem entrave
A felicidade do branco é plena
A felicidade do preto é quase
Olhei no espelho, Ícaro me encarou:
"Cuidado, não voa tão perto do sol
Eles num guenta te ver livre, imagina te ver rei"
O abutre quer te ver de algema pra dizer:
"Ó, num falei?!"
[...]
Ela quis ser chamada de morena
Que isso camufla o abismo entre si e a humanidade plena
A raiva insufla, pensa nesse esquema
A ideia imunda, tudo inunda
A dor profunda é que todo mundo é meu tema
[...]
80 tiros te lembram que existe pele alva e pele alvo
Quem disparou usava farda (Mais uma vez)
Quem te acusou nem lá num tava (Banda de espírito de porco)
[...]
No fim das conta é tudo Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
Ter pele escura é ser Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
(Terminou no chão)
Primeiro cê sequestra eles, rouba eles, mente sobre eles
Nega o deus deles, ofende, separa eles
Se algum sonho ousa correr, cê para ele
E manda eles debater com a bala que vara eles, mano
Infelizmente onde se sente o sol mais quente
O lacre ainda tá presente só no caixão dos adolescente
Quis ser estrela e virou medalha num boçal
Que coincidentemente tem a cor que matou seu ancestral
Um primeiro salário
Duas fardas policiais
Três no banco traseiro
Da cor dos quatro Racionais
Cinco vida interrompida
Moleques de ouro e bronze
Tiros e tiros e tiros
O menino levou 111
Quem disparou usava farda (Ismália)
Quem te acusou nem lá num tava (Ismália)
É a desunião dos preto junto à visão sagaz (Ismália)
De quem tem tudo, menos cor, onde a cor importa demais
[...]
Disponível em: https://g.co/kgs/etYQ8J. Acesso em 07 ago. 2022.
Releia a segunda estrofe da música “Ismália”, transcrita a seguir. Nela, o eu-lírico estabelece um diálogo com Ícaro, personagem de um famoso mito grego.
Olhei no espelho, Ícaro me encarou:
"Cuidado, não voa tão perto do sol
Eles num guenta te ver livre, imagina te ver rei"
O abutre quer te ver no lixo pra dizer:
"Ó, num falei?!" [...]
Na mitologia grega, Ícaro era filho de Dédalo, importante arquiteto, artesão e inventor ateniense, que trabalhava para o rei Minos de Creta.
De acordo com o mito, Dédalo projetou o labirinto onde vivia o Minotauro (monstro mitológico com corpo humano e cabeça de touro), na ilha de Creta. Porém, Dédalo revelou os segredos do labirinto para Ariadne, que repassou essas informações para Teseu, que, assim, entrou no labirinto e matou o Minotauro.
Para nunca mais revelar os segredos do local, o rei Minos prendeu no labirinto Dédalo e seu filho, Ícaro. O pai não queria que seu filho vivesse preso àquele lugar para sempre, queria que ele visse o mundo, conhecesse outros lugares, alçasse voo. Em busca da fuga, Dédalo projetou asas feitas com penas e coladas com cera de abelha para si e para seu filho.
O plano deu certo e os dois fugiram voando da ilha de Creta. Porém, Ícaro, maravilhado no momento do voo, se esqueceu do conselho de seu pai e resolveu voar bem alto, como se fosse um deus poderoso. Ao ficar mais próximo do Sol, o calor aumentou, a cera de abelha derreteu e as penas se desprenderam da asa. Ícaro caiu no mar Egeu e morreu afogado.
Texto adaptado e disponível em: https://www.suapesquisa.com/mitologiagrega/icaro.htm. Acesso em 22 jul. 2022.
Sobre a relação entre o mito grego de Ícaro e a música “Ismália”, é possível afirmar que Emicida:
Questão 1 10736929
COTUCA 2023Leia o texto a seguir para responder à questão.
Ismália (Emicida)
Com a fé de quem olha do banco a cena
Do gol que nós mais precisava na trave
A felicidade do branco é plena
A pé, trilha em brasa e barranco, que pena
Se até pra sonhar tem entrave
A felicidade do branco é plena
A felicidade do preto é quase
Olhei no espelho, Ícaro me encarou:
"Cuidado, não voa tão perto do sol
Eles num guenta te ver livre, imagina te ver rei"
O abutre quer te ver de algema pra dizer:
"Ó, num falei?!"
[...]
Ela quis ser chamada de morena
Que isso camufla o abismo entre si e a humanidade plena
A raiva insufla, pensa nesse esquema
A ideia imunda, tudo inunda
A dor profunda é que todo mundo é meu tema
[...]
80 tiros te lembram que existe pele alva e pele alvo
Quem disparou usava farda (Mais uma vez)
Quem te acusou nem lá num tava (Banda de espírito de porco)
[...]
No fim das conta é tudo Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
Ter pele escura é ser Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
(Terminou no chão)
Primeiro cê sequestra eles, rouba eles, mente sobre eles
Nega o deus deles, ofende, separa eles
Se algum sonho ousa correr, cê para ele
E manda eles debater com a bala que vara eles, mano
Infelizmente onde se sente o sol mais quente
O lacre ainda tá presente só no caixão dos adolescente
Quis ser estrela e virou medalha num boçal
Que coincidentemente tem a cor que matou seu ancestral
Um primeiro salário
Duas fardas policiais
Três no banco traseiro
Da cor dos quatro Racionais
Cinco vida interrompida
Moleques de ouro e bronze
Tiros e tiros e tiros
O menino levou 111
Quem disparou usava farda (Ismália)
Quem te acusou nem lá num tava (Ismália)
É a desunião dos preto junto à visão sagaz (Ismália)
De quem tem tudo, menos cor, onde a cor importa demais
[...]
Disponível em: https://g.co/kgs/etYQ8J. Acesso em 07 ago. 2022.
As escolhas linguísticas feitas por Emicida na música “Ismália” conferem ao texto:
Questão 15 10735054
IFSP Prova B 2023Leia o texto e responda à questão:
Uma abordagem truculenta e covarde de guardas municipais feita a um adolescente que vendia doces em uma rua de Itajaí será investigada pela prefeitura.
Um vídeo que mostra os abusos cometidos por agentes da Guarda Municipal repercute no início desta semana. As imagens mostram, primeiro, os profissionais tentando imobilizar o rapaz, que resiste e pede ajuda. Depois, com ele já algemado, um guarda o joga no chão com um golpe “mata- -leão”. Indignadas, testemunhas que tentavam ajudar o garoto foram contidas com spray de pimenta.
O episódio aconteceu na tarde desta segunda-feira (13), na Rua Hercílio Luz, no Centro de Itajaí. Segundo o pai do vendedor, o garoto diariamente vende alfajores na região central da cidade para ajudar a família e poder guardar dinheiro para custear um curso. Ele sonha em ser militar do Exército e aprendeu a fazer os doces em uma aula on-line de confeitaria. (...)
BERTOLI, Bianca. Vendedor de alfajor é vítima de ação truculenta e covarde de guardas em Itajaí; 14 set. 2021. Disponível em: https://www.nsctotal.com.br/noticias/ vendedor-de-alfajor-e-vitima-de-acao-truculenta-e-covardede-guardas-em-itajai-veja-video. Acesso em: 03 out. 2021. Fragmento.
Espera-se que o jornalismo informativo seja marcado por caráter objetivo, neutro, ou bem próximo disso. Entretanto, por mais que as notícias pareçam ter essas características, elas podem conter posicionamentos e impressões pessoais de quem as escreve.
No texto, esse fato pode ser constatado
Questão 14 10735051
IFSP Prova B 2023Leia a seguir um fragmento da peça de teatro “Homens de papel”, de Plínio Marcos, em que o personagem Berrão, que sempre compra o papelão catado pelos demais personagens, recusa-se a comprá-lo, mesmo sabendo que o dinheiro seria usado pela catadora Nhanha para pagar o enterro de sua filha que acaba de morrer:
Berrão: (puxa o revólver) Sabe o que é isso? [...] Eu mando um pra glória. [...]
Nhanha: Atira aqui! Atira! Falta peito? Tu não tem coragem? [...] Tem medo? Então dá o dinheiro! (Pausa) Atira! Tu me mata. E daí? Já morri de fome, morri de frio, morri de medo, morri de ver minha cria morrer. E agora chegou a tua vez. Atira! Atira! Mas tu não escapa. Gasta a tua verdade aqui no meu peito! Anda! Daí eles te pegam e te azaram. Esta é a hora de acertar as contas. Quem tiver se danado mais está com a razão. [...]
Berrão: É... É... vou ajudar tu enterrar a criança. Afinal é só isso que tu quer, não é? (Berrão pega todo o dinheiro e dá pra Nhanha) Pronto. Já tem o que queria.
MARCOS, Plínio. Homens de Papel. Guarulhos: Parma, 1990. p. 85-87.
No trecho, a argumentação de Nhanha se sobrepõe à violência de Berrão e ela consegue convencê-lo a pagar pelo papelão catado.
Assinale a alternativa correta a respeito dos elementos que fortaleceram a argumentação de Nhanha:
Questão 10 10735041
IFSP Prova B 2023Sabe-se que existem 3 (três) formas de referir-se às falas de interlocutores, sendo o discurso direto aquele que reproduz exatamente as palavras do interlocutor, o discurso indireto aquele que incorpora as falas do interlocutor com uso de verbos declarativos e o discurso indireto livre aquele que aplica características dos discursos anteriores. Considerando isso, analise o parágrafo abaixo, retirado de um artigo científico, prestando atenção às falas dos interlocutores.
O exemplo da Argentina, que aplicou um isolamento social estrito, pode ser ilustrativo. Ainda que o Brasil e a Argentina tenham começado a adotar medidas de controle no mesmo momento, contando com um ou dois óbitos, dois meses mais tarde, a Argentina conta 450 mortes por Covid-19 e o Brasil supera o número de 21 mil óbitos. Tudo parece indicar que, como afirma Naomar Almeida Filho: “As estratégias chamadas de mitigação, sem distanciamento social generalizado, não serão eficazes para reduzir o impacto da pandemia. Para achatar a curva epidêmica, será preciso recorrer a estratégias chamadas de supressão. Isso quer dizer drástica redução do contato social” (Almeida Filho; Dias; Martins, 2020, p.3).
CAPONI, Sandra. Covid-13 no Brasil: entre o negacionsimo e a razão neoliberal. Estudos Avançados. 34 (99), 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ea/a/tz4b 6kWP4sHZD7ynw9LdYYJ/?format=pdf&lang=pt . Acesso em: 04 out. 2021.
Quanto ao uso dos discursos, no trecho acima, está correto o que se afirma em:
Questão 8 10735038
IFSP Prova B 2023Leia o texto abaixo e responda à questão:
Seu Irineu Boaventura não era tão bem aventurado assim, pois sua saúde não era lá para que se diga. Pelo contrário, seu Irineu ultimamente já tava até curvando a espinha, tendo merecido, por parte de vizinhos mais irrelevantes, o significado apelido “Pé-na-Cova”. Se havia expectativa em torno do passamento do seu Irineu? Havia sim. O velho tinha os seus guardados. Não eram bens imóveis, pois seu Irineu conhecia de sobra Altamirando, seu sobrinho, e sabia que, se comprasse terreno, o nefando parente se instalaria nele sem a menor cerimônia. De mais a mais, o velho era antigão: não comprava o que não precisava e nem dava dinheiro por papel pintado. Dessa forma, não possuía bens imóveis nem ações (...). A erva dele era viva. Tudo guardado em pacotinhos, num cofrão verde que ele tinha no escritório.
O sobrinho, embora mais mau-caráter do que o resto da família, foi o que teve a atitude mais leal, porque, numa tarde em que seu Irineu tossia muito, perguntou assim de supetão:
– Titio, se o senhor puser o bloco na rua, pra quem fica o seu dinheiro, hem?(...)
PONTE PRETA, Stanislaw. A vontade do Falecido. In: FEBEAPÁ: Festival de besteira que assola o país. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. Fragmento.
No conto de Stanislaw Ponte Preta há vários exemplos de linguagem conotativa que trazem um caráter mais subjetivo e criativo ao texto.
Pode-se destacar como expressões conotativas:
06
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