Questões de EFAF Português
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Questão 5 10993841
IFCE* 2023Leia o texto que segue.
A Pianista
Machado de Assis
[1] Tinha vinte e dois anos e era professora de piano. Era alta, formosa, morena e modesta. Fascinava e impunha respeito;
mas através do recato que ela sabia manter sem cair na afetação ridícula de muitas mulheres, via-se que era uma alma ardente
e apaixonada, capaz de atirar-se ao mar, como Safo ou de enterrar-se com o seu amante, como Cleópatra.
Ensinava piano. Era esse o único recurso que tinha para sustentar-se e a sua mãe, pobre velha a quem os anos e a
[5] fadiga de uma vida trabalhosa não permitiam já tomar parte nos labores de sua filha.
Malvina (era o nome da pianista) era estimada onde quer que fosse exercer a sua profissão. A distinção de suas
maneiras, a delicadeza de sua linguagem, a beleza rara e fascinante, e mais do que isso, a boa fama de mulher honesta acima
de toda a insinuação, tinha-lhe granjeado a estima de todas as famílias.
Era admitida nos saraus e jantares de família, não só como pianista, mas ainda como conviva elegante e simpática,
[10] sendo que ela sabia pagar com a mais perfeita distinção as atenções de que era objeto.
Nunca se lhe desmentira a estima que em todas as famílias encontrava. Essa estima estendia-se até à pobre Teresa,
sua mãe, que participava igualmente dos convites que faziam a Malvina.
O pai de Malvina morrera pobre, deixando à família a lembrança honrosa de uma vida honrada. Era um pobre
advogado sem carta, que, à custa de longa prática, conseguira poder exercer as funções da advocacia com tanto sucesso como
[15] se houvera cursado os estudos acadêmicos. O mealheiro do pobre homem foi sempre um tonel das Danaides, escoando-se por
um lado o que entrava por outro, graças às necessidades de honra que o mau destino lhe deparava. Quando pretendia começar
a fazer pecúlio para garantir o futuro da viúva e da órfã que deixasse, deu a alma a Deus.
Tinha, além de Malvina, um filho, principal causa dos danos pecuniários que sofreu; mas esse, mal faleceu o pai,
abandonou a família, e vivia, na época desta narrativa, uma vida de opróbrio.
[20] Era Malvina o único amparo de sua velha mãe, a quem amava com um amor de adoração.
Edição referência: http://www2.uol.com.br/machadodeassis Publicado originalmente em Jornal das Famílias 1866 Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/fs000068pdf.pdf Acesso em: 20 de setembro de 2022.
“[...] Quando pretendia começar a fazer pecúlio para garantir o futuro da viúva e da órfã que deixasse, deu a alma a Deus.” (linhas 16 e 17). O termo em destaque, com as devidas alterações, pode ser substituído sem prejuízo ao sentido do texto por
Questão 4 10993834
IFCE* 2023Leia o texto que segue.
A Pianista
Machado de Assis
[1] Tinha vinte e dois anos e era professora de piano. Era alta, formosa, morena e modesta. Fascinava e impunha respeito;
mas através do recato que ela sabia manter sem cair na afetação ridícula de muitas mulheres, via-se que era uma alma ardente
e apaixonada, capaz de atirar-se ao mar, como Safo ou de enterrar-se com o seu amante, como Cleópatra.
Ensinava piano. Era esse o único recurso que tinha para sustentar-se e a sua mãe, pobre velha a quem os anos e a
[5] fadiga de uma vida trabalhosa não permitiam já tomar parte nos labores de sua filha.
Malvina (era o nome da pianista) era estimada onde quer que fosse exercer a sua profissão. A distinção de suas
maneiras, a delicadeza de sua linguagem, a beleza rara e fascinante, e mais do que isso, a boa fama de mulher honesta acima
de toda a insinuação, tinha-lhe granjeado a estima de todas as famílias.
Era admitida nos saraus e jantares de família, não só como pianista, mas ainda como conviva elegante e simpática,
[10] sendo que ela sabia pagar com a mais perfeita distinção as atenções de que era objeto.
Nunca se lhe desmentira a estima que em todas as famílias encontrava. Essa estima estendia-se até à pobre Teresa,
sua mãe, que participava igualmente dos convites que faziam a Malvina.
O pai de Malvina morrera pobre, deixando à família a lembrança honrosa de uma vida honrada. Era um pobre
advogado sem carta, que, à custa de longa prática, conseguira poder exercer as funções da advocacia com tanto sucesso como
[15] se houvera cursado os estudos acadêmicos. O mealheiro do pobre homem foi sempre um tonel das Danaides, escoando-se por
um lado o que entrava por outro, graças às necessidades de honra que o mau destino lhe deparava. Quando pretendia começar
a fazer pecúlio para garantir o futuro da viúva e da órfã que deixasse, deu a alma a Deus.
Tinha, além de Malvina, um filho, principal causa dos danos pecuniários que sofreu; mas esse, mal faleceu o pai,
abandonou a família, e vivia, na época desta narrativa, uma vida de opróbrio.
[20] Era Malvina o único amparo de sua velha mãe, a quem amava com um amor de adoração.
Edição referência: http://www2.uol.com.br/machadodeassis Publicado originalmente em Jornal das Famílias 1866 Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/fs000068pdf.pdf Acesso em: 20 de setembro de 2022.
“[...] Quando pretendia começar a fazer pecúlio para garantir o futuro da viúva e da órfã que deixasse, deu a alma a Deus.” (linhas 16 e 17).
Quanto às figuras de linguagem, há, na oração em destaque:
Questão 2 10993816
IFCE* 2023Leia o texto que segue.
A Pianista
Machado de Assis
[1] Tinha vinte e dois anos e era professora de piano. Era alta, formosa, morena e modesta. Fascinava e impunha respeito;
mas através do recato que ela sabia manter sem cair na afetação ridícula de muitas mulheres, via-se que era uma alma ardente
e apaixonada, capaz de atirar-se ao mar, como Safo ou de enterrar-se com o seu amante, como Cleópatra.
Ensinava piano. Era esse o único recurso que tinha para sustentar-se e a sua mãe, pobre velha a quem os anos e a
[5] fadiga de uma vida trabalhosa não permitiam já tomar parte nos labores de sua filha.
Malvina (era o nome da pianista) era estimada onde quer que fosse exercer a sua profissão. A distinção de suas
maneiras, a delicadeza de sua linguagem, a beleza rara e fascinante, e mais do que isso, a boa fama de mulher honesta acima
de toda a insinuação, tinha-lhe granjeado a estima de todas as famílias.
Era admitida nos saraus e jantares de família, não só como pianista, mas ainda como conviva elegante e simpática,
[10] sendo que ela sabia pagar com a mais perfeita distinção as atenções de que era objeto.
Nunca se lhe desmentira a estima que em todas as famílias encontrava. Essa estima estendia-se até à pobre Teresa,
sua mãe, que participava igualmente dos convites que faziam a Malvina.
O pai de Malvina morrera pobre, deixando à família a lembrança honrosa de uma vida honrada. Era um pobre
advogado sem carta, que, à custa de longa prática, conseguira poder exercer as funções da advocacia com tanto sucesso como
[15] se houvera cursado os estudos acadêmicos. O mealheiro do pobre homem foi sempre um tonel das Danaides, escoando-se por
um lado o que entrava por outro, graças às necessidades de honra que o mau destino lhe deparava. Quando pretendia começar
a fazer pecúlio para garantir o futuro da viúva e da órfã que deixasse, deu a alma a Deus.
Tinha, além de Malvina, um filho, principal causa dos danos pecuniários que sofreu; mas esse, mal faleceu o pai,
abandonou a família, e vivia, na época desta narrativa, uma vida de opróbrio.
[20] Era Malvina o único amparo de sua velha mãe, a quem amava com um amor de adoração.
Edição referência: http://www2.uol.com.br/machadodeassis Publicado originalmente em Jornal das Famílias 1866 Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/fs000068pdf.pdf Acesso em: 20 de setembro de 2022.
Na frase “[...] A distinção de suas maneiras, a delicadeza de sua linguagem, a beleza rara e fascinante, e mais do que isso, a boa fama de mulher honesta acima de toda a insinuação, tinha-lhe granjeado a estima de todas as famílias.”
(da linha 6 à 8), o substantivo destacado, em conformidade com o texto, tem sentido de
Questão 33 10850866
COLUNI/UFV 1° Dia 2023/1Leia o poema a seguir.
O Mundo do Menino Impossível Jorge de Lima
Fim da tarde, boquinha da noite
Com as primeiras estrelas
E os derradeiros sinos.
Entre as estrelas e lá detrás da igreja,
Surge a lua cheia
Para chorar com os poetas.
E vão dormir as duas coisas novas desse
mundo:
O sol e os meninos.
Mas ainda vela
O menino impossível
Aí do lado
Enquanto todas as crianças mansas
Dormem
Acalentadas
Por Mãe-negra noite.
O menino impossível
Que destruiu
Os brinquedos perfeitos
Que os vovós lhe deram:
O urso de Nüremberg,
O velho barbado iugoslavo,
As poupées de Paris aux
Cheveux crêpés
O carrinho português
Feito de folha-de-flandres,
A caixinha de música tcheco-eslovaca,
O polichinelo italiano
Made in England,
O trem de ferro de U.S.A
E o macaco brasileiro
De Buenos-Aires
Moviendo la cola y la cabeza.
O menino impossível
Que destruiu até
Os soldados de chumbo de Moscou
E furou os olhos de um Papá Noel,
Brinca com sabugos de milho,
Caixas vazias,
Tacos de pau,
Pedrinhas brancas do rio...
“Faz de conta que os sabugos
São bois...”
“Faz de conta...”
“Faz de conta...”
E os sabugos de milho
Mugem como bois de verdade...
E os tacos que deveriam ser
Soldadinhos de chumbo são
cangaceiros de chapéus de couro...
E as pedrinhas balem!
Coitadinhas das ovelhas mansas
Longe das mães
Presas nos currais de papelão!
É boquinha da noite
No mundo que o menino impossível
Povoou sozinho!
A mamãe cochila.
O papai cabeceia.
O relógio badala.
E vem descendo
Uma noite encantada
Da lâmpada que expira
Lentamente
Na parede da sala...
O menino poisa a testa
E sonha dentro da noite quieta
Da lâmpada apagada
Com o mundo maravilhoso
Que ele tirou do nada...
Xô! Xô! Pavão!
Sai de cima do telhado!
Deixa o menino dormir
Seu soninho sossegado!
NUNES, Cassiano; BRITO, Mário da Silva. Poesia Brasileira. Editora Clubinho Literário, 2021. p. 145-147.
O mundo moderno encontra-se de tal modo integrado em redes de diversos tipos, num intenso processo de globalização, que em vários âmbitos encontram-se situações semelhantes a do menino impossível diante dos brinquedos ganhados dos avós...
Sobre os diversos brinquedos do menino e sua origem, é INCORRETO afirmar:
Questão 9 10834602
COLUNI/UFV 1° Dia 2023/1Leia o trecho a seguir.
Conseguir o Clocky naturalmente não seria fácil, mas, com a ajuda de amigos que estudavam no Instituto Tecnológico de Massachusetts, obteve uma cópia do projeto, com a promessa de mantê-lo em segredo. Já confeccionar o despertador não foi difícil: ele era técnico em eletrônica e tinha uma habilidade incrível. Assim, logo tinha em sua mesa de cabeceira a engenhoca.
[...] Uma manhã, contudo, Clocky ultrapassou todos os limites. Tocava como um demônio, e ia de peça em peça, seu dono correndo atrás.
Clocky, o implacável. SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. 3. ed. Porto Alegre: L&PM Editores, 2017. p. 129-130.(Adaptado).
As palavras destacadas no trecho acima: mas, Assim, e contudo expressam, respectivamente, a ideia de:
Questão 6 10834599
COLUNI/UFV 1° Dia 2023/1Analise o trecho:
“Acenou nervosamente para o motorista para que desviasse, e aí nova surpresa: o homem também lhe acenava, com o mesmo propósito.”
Na contramão da história.
SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. 3. ed. Porto Alegre: L&PM Editores, 2018. p. 9. (Adaptado).
Verifique as alternativas que expressam a mesma circunstância do termo em destaque no trecho acima:
I. “Uma alteração tão significativa deveria ter sido previamente divulgada; e teria sido necessário colocar avisos na rodovia.”
(SCLIAR, Moacyr. O rádio apaixonado. In: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. 3. ed. Porto Alegre: L&M Editores, 2018. p.9).
II. “Enfrentara corajosamente o julgamento, sem mudar de opinião. E ele não mudaria de pista.”
(SCLIAR, Moacyr. O rádio apaixonado. In: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. 3. ed. Porto Alegre: L&M Editores, 2018. p.10).
III. “Um dia, porém, a VERDADE apareceria naquela estrada. Avançando celeremente, e na mesma mão em que ele estava.”
(SCLIAR, Moacyr. O rádio apaixonado. In: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. 3. ed. Porto Alegre: L&M Editores, 2018. p.9).
Está CORRETO o que se afirma em:
06
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