Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 16 15269895
CMRJ 1 ano Ensino Médio 2022Como é a vida escolar dos filhos de artistas circenses
Em apenas um ano, crianças chegam a estudar em mais de dez escolas diferentes
Por Natany Borges
1 É no ano em que aprende a formar sílabas, compreender palavras e dar sentido às frases que
Antônio Bartolo Neto, de apenas sete anos, experimenta a vida "nômade" em contraponto à
"permanência" na escola. Representante da oitava geração de uma família de artistas de circo, ele já
sabe que a cada novo mês conhecerá uma nova cidade, será matriculado em uma nova instituição de
5 ensino e precisará interagir com uma turma já entrosada nas atividades de alfabetização. Somente em
2017, o pequeno aluno acumula registros de sete escolas em seu caderno. A última foi em Venâncio
Aires. Penúltima, Rio de Janeiro. Antepenúltima, Nova Iguaçu (RJ). A próxima? Rio Pardo.
Enquanto isso, é em Santa Cruz do Sul que estabelece uma rotina que já completa quatro
semanas. Amparado pela professora da Escola Ernesto Alves, Elisângela Mees, o aluno trabalhou nos
10 últimos dias as vogais. "No primeiro dia de aula olhei o caderninho dele e depois fiz um ditado para
entender em que nível ele estava", explicou. Enquanto boa parte da turma já consegue decifrar as
palavras, o pequeno Neto ainda apresenta certa dificuldade. Nada, entretanto, que comprometa o seu
desempenho em sala de aula. "O que dificulta é essa 'quebra' de sequência. Por isso, eles têm o ritmo
15 um pouco mais lento". Em sala de aula, a professora do segundo ano iniciais já está acostumada a lecionar
para crianças nômades. Todo mês de outubro, por exemplo, dá aula para os trabalhadores
do parque de diversões que vêm à Oktoberfest.
A matrícula desses alunos – filhos de profissionais itinerantes – é assegurada por meio da Lei
Federal 6.533/78, a qual assegura a mudança de escola em escola, mediante apresentação de
20 certificado da instituição de origem. É por isso que o pai de Neto, o artista do Circo Italiano, Bartolo
Júnior, guarda a sete chaves o tal documento, junto com o histórico escolar do pequeno. "Assim que
definimos uma nova cidade e o espaço para a estada do circo, a primeira questão a providenciar é
uma escola para os pequenos", explica Júnior. Segundo o malabarista, dificilmente há contratempos na
hora de garantir uma vaga. Basta levar a documentação para que no mesmo dia ou no seguinte, os
25 pequenos já estejam matriculados. "Conquanto queiram seguir com a vida de circo, eles precisam
estudar. Sempre digo que com educação vão ser alguém na vida. Nesse contexto, o pai acrescenta
que a cobrança "em casa" – o interior do motorhome – é a mesma dos pais que têm trabalho fixo na
cidade. "Depois da aula, a Paula (mãe) verifica o caderno e ajuda ele na lição. Só depois é que ele vai
brincar ou acompanhar as atividades do circo", finaliza. Além de Neto, Júnior também é pai de Alice,
30 12, e Daniel, 14. Ambos estão no sétimo ano e também estudam no Ernesto.
Apesar de já ter lecionado para alunos itinerantes, esta foi a primeira vez que Elisângela Mees
foi desafiada a ensinar filhos de circenses. Sensibilizada com reportagem publicada pela Gazeta do Sul
19 e 20 de agosto, "Uma vida na estrada dedicada aos espetáculos", ela resolveu trabalhar, ao longo
de toda a semana, a temática com a turma de pouco mais de 20 alunos. Entre as atividades propostas,
35 estiveram ditados, imagens para colorir e leituras como "O nosso colega Antônio é artista do Circo
Italiano e o sonho dele quando crescer é ser homem pássaro e equilibrista". Durante uma das aulas, a
turminha, em coro, repetiu a frase e fez questão de verbalizar os aprendizados da semana. "Foi uma
experiência muito bacana, ainda mais porque o Antônio estava ali para compartilhar suas experiências
com a turma. Um mundo novo foi apresentado", disse Elisângela.
(Adaptado de: www.gaz.com.br/ Acessado em: 17.08.2021)
A fim de melhor compreender a rotina do pequeno Antônio Bartolo Neto, a reportagem faz uso de diversos períodos compostos, dentre eles, o que se segue:
"É no ano em que aprende a formar sílabas, compreender palavras e dar sentido às frases que Antônio Bartolo Neto, de apenas sete anos, experimenta a vida 'nômade' em contraponto à 'permanência' na escola."
Observa-se que a partícula destacada acima é classificada como __________ e tem a finalidade de retomar o significado previamente apresentado de ________.
Questão 15 15269868
CMRJ 1 ano Ensino Médio 2022Unesco: 47% de crianças refugiadas no mundo não vão à escola
Publicação revela que 84% dos adolescentes também não vão ao colégio
Publicado em 02.02.2020 - Por Heloisa Cristaldo - Agência Brasil
1 Em todo o mundo, cerca de 47% das crianças refugiadas não foram matriculadas na educação
primária, e 84% dos adolescentes refugiados (entre 15 e 17 anos) não frequentavam a educação
secundária em 2016. As informações fazem parte da publicação "Proteção do Direito à Educação dos
Refugiados", lançada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
5 (Unesco).
O documento analisa questões sobre o direito à educação de refugiados, o marco legal
internacional do direito à educação e os instrumentos normativos que o garantem a todas as
pessoas, incluindo refugiados e quem vive nessas condições. Segundo a publicação, mais de 65
milhões de pessoas procuram asilo, são deslocadas internamente ou são refugiadas.
10 Metade dos refugiados do mundo são crianças menores de 18 anos. A duração média de
exílio de um refugiado é de cerca de 20 anos, "o que é mais do que toda uma infância e representa
"uma fração significativa dos anos produtivos da vida de uma pessoa", avalia o documento. (...)
Acesso à educação
A publicação aponta que, entre os refugiados, apenas 50% das crianças frequentam a
educação primária e apenas 25% estão na educação secundária. "No Oriente Médio e no Norte da
15 África, na última década, os países investiram recursos consideráveis para aumentar a frequência
escolar das crianças. Entretanto, recentemente, esse progresso parou. (...)
"Sem acesso à educação secundária, as crianças e os adolescentes refugiados ficam
vulneráveis ao trabalho infantil, à exploração e a problemas de comportamentos negativos (...) A
educação de meninas também pode protegê-las do casamento e/ou da gravidez precoce e dos
20 riscos da exploração sexual", indica a publicação. (...)
Fonte: www.agenciabrasil.ebc.com.br/ Acessado em: 16.08.2021)
No trecho a seguir – "O documento analisa questões sobre o direito à educação de refugiados, o marco legal internacional do direito à educação e os instrumentos normativos que o garantem a todas as pessoas (...)" – texto – a palavra ou expressão que melhor substitui a estrutura "instrumentos normativos" sem prejuízo semântico é:
Questão 10 14957801
ONHB Fase 4 2022Leia a letra e ouça a canção “Reconvexo”:
Reconvexo
Eu sou a chuva que lança a areia do Saara
Sobre os automóveis de Roma
Eu sou a sereia que dança, a destemida Iara
Água e folha da Amazônia
Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra
Você não me pega, você nem chega a me ver
Meu som te cega, careta, quem é você?
Que não sentiu o suingue de Henri Salvador
Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô
E que não riu com a risada de Andy Warhol
Que não, que não, e nem disse que não
Eu sou o preto norte-americano forte
Com um brinco de ouro na orelha
Eu sou a flor da primeira música a mais velha
Mais nova espada e seu corte
Eu sou o cheiro dos livros desesperados, sou Gita Gogóia
Seu olho me olha, mas não me pode alcançar
Não tenho escolha, careta, vou descartar
Quem não rezou a novena de Dona Canô
Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor
Quem não amou a elegância sutil de Bobô
Quem não é recôncavo e nem pode ser reconvexo
Eu sou o preto norte-americano forte
Com um brinco de ouro na orelha
Eu sou a flor da primeira música a mais velha
Mais nova espada e seu corte
Eu sou o cheiro dos livros desesperados, sou Gita Gogóia
Seu olho me olha, mas não me pode alcançar
Não tenho escolha, careta, vou descartar
Quem não rezou a novena de Dona Canô
Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor
Quem não amou a elegância sutil de Bobô
Quem não é recôncavo e nem pode ser reconvexo
Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Canção ORIGEM: LP/CD: MEMÓRIA DA PELE Gravadora: Polygram Ano: 1989 Compositor: Caetano Veloso Intérprete: Maria Bethânia CRÉDITOS: Compositor: Caetano Veloso Intérprete: Maria Bethânia GLOSSÁRIO: Roma Negra : referência à cidade de Salvador.
Henri Salvador : Henri Gabriel Salvador (1917 - 2008) cantor, compositor e guitarrista francês de jazz.
Pelô : Referência ao Pelourinho em Salvador.
Andy Warhol : Andrew Warhol (1928-1987) artista norte americano.
Gita : referência à canção “Gita” de composta por Raul Seixas e Paulo Coelho, e gravada em 1974.
Gogóia : referência à canção “Fruta Gogoia” – música tradicional baiana interpretada por Gal Costa no LP FA-TAL GAL A TODO VAPOR de 1971.
Dona Canô : Claudionor Viana Teles Veloso (1907 —2012) mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia.
Joãozinho Beija-Flor : João Clemente Jorge Trinta (1933-2011) carnavalesco.
Bobô : Raimundo Nonato Tavares da Silva (1962-) jogador de futebol.
Recôncavo : concavidade; terra em torno de cidade ou porto; formando enseada ; referência ao Recôncavo Baiano.
Reconvexo (referente a convexo) : que faz bojo para a parte de fora; elevado em forma curva; curvo ou arredondado para a parte externa.
PALAVRAS-CHAVE: história da música, brasil contemporâneo
Sobre a canção escolha a alternativa mais pertinente.
Questão 2 14957343
ONHB Fase 4 2022Brasil de Braços Abertos

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Curso ORIGEM: Brasil de Braços Abertos, 2017. Ministério do Turismo. Curso encerrado. CRÉDITOS: Ministério do Turismo PALAVRAS-CHAVE: língua portuguesa, curso de formação, indígenas
O documento acima é o print de uma página de curso de formação disponibilizado pelo Ministério do Turismo e já encerrado. A partir das informações disponibilizadas, é correto afirmar que:
Questão 1 14957284
ONHB Fase 4 2022Os Estatutos do Homem
(Ato Institucional Permanente) A Carlos Heitor Cony
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
que agora vale a vida,
e que de mãos dadas,
trabalharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo Único:
O homem confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha sempre
o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
a qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo.
muito mais belo que a estrela da manhã
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade.
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
Santiago do Chile, abril de 1964
Publicado no livro Faz Escuro Mas Eu Canto: Porque a Manhã Vai Chegar (1965)
Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Literatura ORIGEM: Thiago de Mello. Vento geral, 1951/1981: doze livros de poemas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984. CRÉDITOS: Thiago de Mello. PALAVRAS-CHAVE: brasil contemporâneo, literatura
A partir do poema de Thiago de Mello (1926-2022), assinale a alternativa mais pertinente:
Questão 3 14956944
ONHB Fase 3 2022Leia o trecho a seguir e assinale a alternativa mais pertinente:
Capítulo XVIII- O que podemos chamar leis e policiamento entre os selvagens; modo por que tratam os visitantes amigos; prantos e discursos festivos das mulheres por ocasião das boas-vindas
(...)
As mulheres, a quem cabe todo o trabalho doméstico, fabricam muitos potes e vasilhas de barro para guardar o caium ; fazem ainda panelas redondas ovais, frigideiras e pratos de diversos tamanhos e ainda certa espécie de vaso de barro que não é muito liso por fora mas tão completamente polido por dentro e tão bem vidrado que não fazem melhor os nossos oleiros. Para esse serviço usam um certo licor branco que logo endurece.
(...)
Ao chegarmos, pouco antes do pôr do sol, encontramos os selvagens dançando e bebendo cauim em homenagem a um prisioneiro morto seis horas antes e cujos restos ainda pudemos ver no moquém . Naturalmente fiquei estarrecido diante de semelhante tragédia (...) Entramos numa casa da aldeia onde, de acordo com o costume da terra nos sentamos cada qual em sua rede. Logo depois puseram-se as mulheres a carpir enquanto o dono da casa nos dava as boas-vindas.
(...)
Não havendo cavalos nem asnos ou outros animais de carga nesse país, o transporte se faz em geral a pé e se o viajante se sente cansado basta acenar com uma faca para que os selvagens se ofereçam como carregadores. Quando eu viajava na América havia selvagens que chegavam a nos carregar aos ombros a cavalo e nos transportar assim mais de uma légua sem descansar. E se, apiedados, os convidávamos para um repouso caçoavam de nós dizendo: — ”Julgais então que somos mulheres ou tão covardes e fracos que não possamos aguentar o vosso peso?” Um deles que me trazia certa vez ao pescoço disse-me: ”Eu vos carregaria um dia inteiro sem parar”. Por isso montando essas cavalgaduras de dois pés nós as estimulávamos dizendo: ”Vamos, vamos”, e ríamos vendo-os fazer das tripas coração como diz o ditado.
Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Relato ORIGEM: Jean de Léry. Viagem à terra do Brasil. Tradução integra e notas de Sérgio Millet, segundo a edição de Paul Gaffárel. Biblioteca do Exército - editora. 1961. p.183-194. CRÉDITOS: Jean de Léry
GLOSSÁRIO: Cauim : bebida alcoólica preparada a partir da mandioca ou milho;
Moquém : grelha de paus usada para colocar carne para assar ou secar.
PALAVRAS-CHAVE: usos e costumes, relato de viajante, indígenas
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