Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 8 15497906
CPM/ERJ 6 Ano 2026Dez minutos de idade
A enfermeira surgida de uma porta me impôs silêncio com o dedo junto aos lábios e mandou-me entrar. Estava nascendo! Era um menino.
Nem bonito nem feio; tem boca, orelhas, sexo e nariz no seu devido lugar, cinco dedos em cada mão e em cada pé. Realizou a grande temeridade de nascer, e saiu-se bem da empreitada. Já enfrentou dez minutos de vida. Ainda traz consigo, nos olhinhos esgazeados, um resto de eternidade.
Portanto, alegremo-nos. A vida também não é bonita nem feia. Tem bocas que murmuram preces, orelhas sábias no escutar, sexos que se contentam, perfumes vários para o nariz, mãos que se apertam, dedos que acariciam, múltiplos caminhos para os pés. É verdade que algumas palavras, melhor fora nunca dizê-las, outras nunca escutá-las. Olhos há que procuram ver o que não podem, alguns narizes se metem onde não devem. Há muito prazer insatisfeito, muito desejo vão. Mãos que se fecham. Pés que se atropelam. Mas o simples ato de nascer já pressupõe tudo isso, o primeiro ar que se respira já contém as impurezas do mundo. O primeiro vagido é um desafio. A vida aceitou um novo corpo e o batismo vai traçar-lhe um destino. A luta se inicia: mais um que será salvo. Portanto, alegremo-nos.
Menino sem nome ainda, não te prometo nada. Não sei se terás infância: brinquedos, quintal, monte de areia, fruta verde, casca de árvore, passarinho, porão de fantasmas, formigas em fila, beira de rio, galinha no choco, caco de vidro, pé machucado. O mundo de hoje, tal como o estou vendo da janela do meu apartamento, desconfio que te reserva para a infância um miraculoso aparelho eletrocosmogônico de brincar. Ou apenas uma eterna garrafa de Coca-Cola e um delicioso Chicabon.
Aceita, menino, esses inofensivos divertimentos. Leva-os a sério, com toda aquela seriedade grave da infância, chupa o Chicabon, bebe a Coca-Cola, desmonta e torna a montar a miraculosa máquina de brincar de nosso século que a imaginação de teu pai jamais poderia sequer conceber. Impõe a essas coisas e a essa vida que te oferecerão como infância a sofreguidão da tua boca, a ousadia de teus olhos e a força de tuas mãos. Imprime a tudo que tocares a alegria que me deste por nasceres. Qualquer que seja tua infância, conquista-a, que te abençoo. Dela te nascerá uma convicção. Conquista-a também – e vá viver, em meu nome. Nada te posso dar senão um nome.
Nada te posso dar. No teu primeiro instante de vida minha estrela não se apagou. Partiu-se em duas e lá no alto uma delas te espera, será tua. Nada te posso dar senão um nome e esta estrela. Se acreditares em estrela, vai buscá-la.
SABINO, Fernando. Dez minutos de idade. In: A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 216-218.]. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13156/dez-minutosde-idade. Acesso em: 05 ago. 2025.
Glossário:
• Chicabon: picolé.
• Temeridade: ousadia excessiva.
• Esgazeados: agitados.
Em: “No teu primeiro instante de vida minha estrela não se apagou.” , pode-se considerar que as palavras destacadas são, respectivamente,
Questão 1 15497575
CPM/ERJ 6 Ano 2026Dez minutos de idade
A enfermeira surgida de uma porta me impôs silêncio com o dedo junto aos lábios e mandou-me entrar. Estava nascendo! Era um menino.
Nem bonito nem feio; tem boca, orelhas, sexo e nariz no seu devido lugar, cinco dedos em cada mão e em cada pé. Realizou a grande temeridade de nascer, e saiu-se bem da empreitada. Já enfrentou dez minutos de vida. Ainda traz consigo, nos olhinhos esgazeados, um resto de eternidade.
Portanto, alegremo-nos. A vida também não é bonita nem feia. Tem bocas que murmuram preces, orelhas sábias no escutar, sexos que se contentam, perfumes vários para o nariz, mãos que se apertam, dedos que acariciam, múltiplos caminhos para os pés. É verdade que algumas palavras, melhor fora nunca dizê-las, outras nunca escutá-las. Olhos há que procuram ver o que não podem, alguns narizes se metem onde não devem. Há muito prazer insatisfeito, muito desejo vão. Mãos que se fecham. Pés que se atropelam. Mas o simples ato de nascer já pressupõe tudo isso, o primeiro ar que se respira já contém as impurezas do mundo. O primeiro vagido é um desafio. A vida aceitou um novo corpo e o batismo vai traçar-lhe um destino. A luta se inicia: mais um que será salvo. Portanto, alegremo-nos.
Menino sem nome ainda, não te prometo nada. Não sei se terás infância: brinquedos, quintal, monte de areia, fruta verde, casca de árvore, passarinho, porão de fantasmas, formigas em fila, beira de rio, galinha no choco, caco de vidro, pé machucado. O mundo de hoje, tal como o estou vendo da janela do meu apartamento, desconfio que te reserva para a infância um miraculoso aparelho eletrocosmogônico de brincar. Ou apenas uma eterna garrafa de Coca-Cola e um delicioso Chicabon.
Aceita, menino, esses inofensivos divertimentos. Leva-os a sério, com toda aquela seriedade grave da infância, chupa o Chicabon, bebe a Coca-Cola, desmonta e torna a montar a miraculosa máquina de brincar de nosso século que a imaginação de teu pai jamais poderia sequer conceber. Impõe a essas coisas e a essa vida que te oferecerão como infância a sofreguidão da tua boca, a ousadia de teus olhos e a força de tuas mãos. Imprime a tudo que tocares a alegria que me deste por nasceres. Qualquer que seja tua infância, conquista-a, que te abençoo. Dela te nascerá uma convicção. Conquista-a também – e vá viver, em meu nome. Nada te posso dar senão um nome.
Nada te posso dar. No teu primeiro instante de vida minha estrela não se apagou. Partiu-se em duas e lá no alto uma delas te espera, será tua. Nada te posso dar senão um nome e esta estrela. Se acreditares em estrela, vai buscá-la.
SABINO, Fernando. Dez minutos de idade. In: A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962. p. 216-218.]. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13156/dez-minutosde-idade. Acesso em: 05 ago. 2025.
Glossário:
• Chicabon: picolé.
• Temeridade: ousadia excessiva.
• Esgazeados: agitados.
No decorrer do texto, o narrador mescla realidade e imaginação ao refletir sobre o nascimento de uma criança.
O principal efeito desse recurso é
Questão 40 15480397
CMRJ 6 ano 2026TEXTO
O Leão Covarde
Por todo esse tempo, Dorothy e os companheiros andaram em meio à densa floresta.
- Quanto tempo leva para sairmos da floresta? - perguntou ela ao Lenhador.
- Não sei, nunca fui à Cidade das Esmeraldas. Meu pai foi uma vez. Disse que a viagem é longa
e o percurso, perigoso, mas tudo fica bonito, próximo à cidade onde vive o Grande Oz. Não temos o
[5] que temer. Trouxe a lata de óleo, o Espantalho não se machuca e você traz na testa a marca que a
protege de qualquer perigo.
- Mas, e Totó? O que vai protegê-lo?
- Nós o protegeremos, caso corra perigo - disse o Lenhador.
Nesse exato momento, ouviu-se terrível rugido e um leão enorme surgiu no meio do caminho.
[10] Bastou erguer uma pata para o Espantalho voar para fora da estrada. Atacou o Lenhador de Lata com
garras afiadas.
O cachorrinho tinha, agora, um inimigo pela frente. Correu em direção à fera, e o leão abriu a
bocarra para devorá-lo. Dorothy, sentindo que poderia perder o amigo, sem avaliar o perigo, avançou
e deu um tapa no focinho do leão. Gritou:
[15] - Você não vai morder o Totó! Onde já se viu bicho do seu tamanho brigar com cachorrinho tão
pequeno? Não tem vergonha, não?
- Mas eu não mordi - disse o Leão, esfregando a pata no focinho, onde a menina tinha batido.
- Não, mas tentou. Você não passa de um covarde.
- Eu sei disso - disse o Leão, baixando a cabeça, envergonhado. - Sou mesmo um covarde, o que
[20] posso fazer?
- E eu é que vou saber? Imagine, atacar um homem de palha como o Espantalho!
- Ele é de palha, é? - perguntou o Leão, surpreso, ao ver Dorothy erguer o companheiro.
- É claro que é! - respondeu ela, ainda furiosa.
- Ah, então foi por isso que caiu fácil. Fiquei surpreso ao vê-lo sair voando. O outro também é
[25] de palha?
- Não, é de lata. - enquanto falava, ajudava o Lenhador a ficar em pé.
- Então foi por isso que estraguei as unhas. Quando arranharam a lata, senti um frio na espinha.
E esse animal que você gosta tanto, o que é?
- É Totó, o meu cachorro.
[30] - É de lata ou de palha?
- Nem de uma coisa nem de outra. É de carne.
- Como é estranho e pequenino, visto de perto. Ninguém atacaria um animalzinho desses, a não
ser um covarde como eu - disse, triste, o Leão.
- E por que você é covarde? - perguntou ela, admirada com a declaração.
[35] - Ah, é um mistério. Acho que nasci assim. Os outros animais da floresta pensam que sou valente,
pois o leão é considerado o Rei dos animais. Disseram-me que, se rugir alto, deixo todos apavorados
e fogem do meu caminho. Mas, se encontro alguém à minha frente, quem fica em pânico sou eu. Se
um elefante, tigre ou urso resolvesse me enfrentar, eu sairia correndo. Sou um completo covarde. Sorte
minha os bichos fugirem, mal ouvem o meu rugido.
[40] - Isso não está certo. O Rei dos Animais não pode ser um covarde. - disse o Espantalho.
- Sei disso - respondeu o Leão, enxugando uma lágrima com a ponta da cauda. - É o que me
deixa infeliz. Basta eu pressentir perigo que meu coração dispara.
- Talvez você tenha algum problema cardíaco - disse o Lenhador.
- É, pode ser - foi o comentário do Leão.
[45] - Se for, sorte sua. Prova que tem coração. Eu, como não tenho, jamais vou sofrer de doença
cardíaca.
O Leão, pensativo, disse:
- Talvez, se eu tivesse coração, não fosse covarde.
- Você tem cérebro? - perguntou o Espantalho.
[50] - Acho que sim. Nunca olhei para saber.
- Eu não tenho. Minha cabeça é cheia de palha. Por isso vou ao Grande Oz pedir que me dê um.
- E eu vou pedir um coração - disse o Lenhador.
- E eu, que me mande, com Totó, de volta para casa - acrescentou Dorothy.
- Posso ir com vocês? - perguntou o Leão. - A vida sem um pouco de coragem é insuportável.
[55] - Vai ser bom - disse a menina. - Assim os animais selvagens vão se manter afastados.
Mais uma vez, o grupo se pôs a caminho.
(BAUM, L. Frank. O Mágico de Oz. Tradução e adaptação Ugia Cademartori. São Paulo: FTD, 2008. p. 25-27)
Releia o trecho do texto a seguir:
| "O cachorrinho tinha, agora, um inimigo pela frente. Correu em direção à fera, e o leão abriu a bocarra para devorá-lo. Dorothy, sentindo que poderia perder o amigo, sem avaliar o perigo, avançou e deu um tapa no focinho do leão. Gritou: - Você não vai morder o Totó! Onde já se viu bicho do seu tamanho brigar com cachorrinho tão pequeno? Não tem vergonha, não? - Mas eu não mordi - disse o Leão, esfregando a pata no focinho, onde a menina tinha batido." (1. 12-17) |
A reação de Dorothy, no trecho acima, é gerada por um fato que a faz agir impulsivamente.
O fato e a conclusão a que Dorothy chega a partir dele são, respectivamente,
Questão 38 15480395
CMRJ 6 ano 2026TEXTO
O Leão Covarde
Por todo esse tempo, Dorothy e os companheiros andaram em meio à densa floresta.
- Quanto tempo leva para sairmos da floresta? - perguntou ela ao Lenhador.
- Não sei, nunca fui à Cidade das Esmeraldas. Meu pai foi uma vez. Disse que a viagem é longa
e o percurso, perigoso, mas tudo fica bonito, próximo à cidade onde vive o Grande Oz. Não temos o
[5] que temer. Trouxe a lata de óleo, o Espantalho não se machuca e você traz na testa a marca que a
protege de qualquer perigo.
- Mas, e Totó? O que vai protegê-lo?
- Nós o protegeremos, caso corra perigo - disse o Lenhador.
Nesse exato momento, ouviu-se terrível rugido e um leão enorme surgiu no meio do caminho.
[10] Bastou erguer uma pata para o Espantalho voar para fora da estrada. Atacou o Lenhador de Lata com
garras afiadas.
O cachorrinho tinha, agora, um inimigo pela frente. Correu em direção à fera, e o leão abriu a
bocarra para devorá-lo. Dorothy, sentindo que poderia perder o amigo, sem avaliar o perigo, avançou
e deu um tapa no focinho do leão. Gritou:
[15] - Você não vai morder o Totó! Onde já se viu bicho do seu tamanho brigar com cachorrinho tão
pequeno? Não tem vergonha, não?
- Mas eu não mordi - disse o Leão, esfregando a pata no focinho, onde a menina tinha batido.
- Não, mas tentou. Você não passa de um covarde.
- Eu sei disso - disse o Leão, baixando a cabeça, envergonhado. - Sou mesmo um covarde, o que
[20] posso fazer?
- E eu é que vou saber? Imagine, atacar um homem de palha como o Espantalho!
- Ele é de palha, é? - perguntou o Leão, surpreso, ao ver Dorothy erguer o companheiro.
- É claro que é! - respondeu ela, ainda furiosa.
- Ah, então foi por isso que caiu fácil. Fiquei surpreso ao vê-lo sair voando. O outro também é
[25] de palha?
- Não, é de lata. - enquanto falava, ajudava o Lenhador a ficar em pé.
- Então foi por isso que estraguei as unhas. Quando arranharam a lata, senti um frio na espinha.
E esse animal que você gosta tanto, o que é?
- É Totó, o meu cachorro.
[30] - É de lata ou de palha?
- Nem de uma coisa nem de outra. É de carne.
- Como é estranho e pequenino, visto de perto. Ninguém atacaria um animalzinho desses, a não
ser um covarde como eu - disse, triste, o Leão.
- E por que você é covarde? - perguntou ela, admirada com a declaração.
[35] - Ah, é um mistério. Acho que nasci assim. Os outros animais da floresta pensam que sou valente,
pois o leão é considerado o Rei dos animais. Disseram-me que, se rugir alto, deixo todos apavorados
e fogem do meu caminho. Mas, se encontro alguém à minha frente, quem fica em pânico sou eu. Se
um elefante, tigre ou urso resolvesse me enfrentar, eu sairia correndo. Sou um completo covarde. Sorte
minha os bichos fugirem, mal ouvem o meu rugido.
[40] - Isso não está certo. O Rei dos Animais não pode ser um covarde. - disse o Espantalho.
- Sei disso - respondeu o Leão, enxugando uma lágrima com a ponta da cauda. - É o que me
deixa infeliz. Basta eu pressentir perigo que meu coração dispara.
- Talvez você tenha algum problema cardíaco - disse o Lenhador.
- É, pode ser - foi o comentário do Leão.
[45] - Se for, sorte sua. Prova que tem coração. Eu, como não tenho, jamais vou sofrer de doença
cardíaca.
O Leão, pensativo, disse:
- Talvez, se eu tivesse coração, não fosse covarde.
- Você tem cérebro? - perguntou o Espantalho.
[50] - Acho que sim. Nunca olhei para saber.
- Eu não tenho. Minha cabeça é cheia de palha. Por isso vou ao Grande Oz pedir que me dê um.
- E eu vou pedir um coração - disse o Lenhador.
- E eu, que me mande, com Totó, de volta para casa - acrescentou Dorothy.
- Posso ir com vocês? - perguntou o Leão. - A vida sem um pouco de coragem é insuportável.
[55] - Vai ser bom - disse a menina. - Assim os animais selvagens vão se manter afastados.
Mais uma vez, o grupo se pôs a caminho.
(BAUM, L. Frank. O Mágico de Oz. Tradução e adaptação Ugia Cademartori. São Paulo: FTD, 2008. p. 25-27)
O personagem Leão afirma para Dorothy que tem sorte por seu rugido espantar os bichos, pois ele é quem fica em pânico quando encontra alguém à sua frente.
A respeito desse fato, a reação dos bichos revela que
Questão 37 15480393
CMRJ 6 ano 2026TEXTO
O Leão Covarde
Por todo esse tempo, Dorothy e os companheiros andaram em meio à densa floresta.
- Quanto tempo leva para sairmos da floresta? - perguntou ela ao Lenhador.
- Não sei, nunca fui à Cidade das Esmeraldas. Meu pai foi uma vez. Disse que a viagem é longa
e o percurso, perigoso, mas tudo fica bonito, próximo à cidade onde vive o Grande Oz. Não temos o
[5] que temer. Trouxe a lata de óleo, o Espantalho não se machuca e você traz na testa a marca que a
protege de qualquer perigo.
- Mas, e Totó? O que vai protegê-lo?
- Nós o protegeremos, caso corra perigo - disse o Lenhador.
Nesse exato momento, ouviu-se terrível rugido e um leão enorme surgiu no meio do caminho.
[10] Bastou erguer uma pata para o Espantalho voar para fora da estrada. Atacou o Lenhador de Lata com
garras afiadas.
O cachorrinho tinha, agora, um inimigo pela frente. Correu em direção à fera, e o leão abriu a
bocarra para devorá-lo. Dorothy, sentindo que poderia perder o amigo, sem avaliar o perigo, avançou
e deu um tapa no focinho do leão. Gritou:
[15] - Você não vai morder o Totó! Onde já se viu bicho do seu tamanho brigar com cachorrinho tão
pequeno? Não tem vergonha, não?
- Mas eu não mordi - disse o Leão, esfregando a pata no focinho, onde a menina tinha batido.
- Não, mas tentou. Você não passa de um covarde.
- Eu sei disso - disse o Leão, baixando a cabeça, envergonhado. - Sou mesmo um covarde, o que
[20] posso fazer?
- E eu é que vou saber? Imagine, atacar um homem de palha como o Espantalho!
- Ele é de palha, é? - perguntou o Leão, surpreso, ao ver Dorothy erguer o companheiro.
- É claro que é! - respondeu ela, ainda furiosa.
- Ah, então foi por isso que caiu fácil. Fiquei surpreso ao vê-lo sair voando. O outro também é
[25] de palha?
- Não, é de lata. - enquanto falava, ajudava o Lenhador a ficar em pé.
- Então foi por isso que estraguei as unhas. Quando arranharam a lata, senti um frio na espinha.
E esse animal que você gosta tanto, o que é?
- É Totó, o meu cachorro.
[30] - É de lata ou de palha?
- Nem de uma coisa nem de outra. É de carne.
- Como é estranho e pequenino, visto de perto. Ninguém atacaria um animalzinho desses, a não
ser um covarde como eu - disse, triste, o Leão.
- E por que você é covarde? - perguntou ela, admirada com a declaração.
[35] - Ah, é um mistério. Acho que nasci assim. Os outros animais da floresta pensam que sou valente,
pois o leão é considerado o Rei dos animais. Disseram-me que, se rugir alto, deixo todos apavorados
e fogem do meu caminho. Mas, se encontro alguém à minha frente, quem fica em pânico sou eu. Se
um elefante, tigre ou urso resolvesse me enfrentar, eu sairia correndo. Sou um completo covarde. Sorte
minha os bichos fugirem, mal ouvem o meu rugido.
[40] - Isso não está certo. O Rei dos Animais não pode ser um covarde. - disse o Espantalho.
- Sei disso - respondeu o Leão, enxugando uma lágrima com a ponta da cauda. - É o que me
deixa infeliz. Basta eu pressentir perigo que meu coração dispara.
- Talvez você tenha algum problema cardíaco - disse o Lenhador.
- É, pode ser - foi o comentário do Leão.
[45] - Se for, sorte sua. Prova que tem coração. Eu, como não tenho, jamais vou sofrer de doença
cardíaca.
O Leão, pensativo, disse:
- Talvez, se eu tivesse coração, não fosse covarde.
- Você tem cérebro? - perguntou o Espantalho.
[50] - Acho que sim. Nunca olhei para saber.
- Eu não tenho. Minha cabeça é cheia de palha. Por isso vou ao Grande Oz pedir que me dê um.
- E eu vou pedir um coração - disse o Lenhador.
- E eu, que me mande, com Totó, de volta para casa - acrescentou Dorothy.
- Posso ir com vocês? - perguntou o Leão. - A vida sem um pouco de coragem é insuportável.
[55] - Vai ser bom - disse a menina. - Assim os animais selvagens vão se manter afastados.
Mais uma vez, o grupo se pôs a caminho.
(BAUM, L. Frank. O Mágico de Oz. Tradução e adaptação Ugia Cademartori. São Paulo: FTD, 2008. p. 25-27)
Ao Leão falta a coragem, mas não a linguagem cuidada, típica de um "Rei dos Animais".
Em "Basta eu pressentir perigo que meu coração dispara." (1. 42), o termo destacado reflete esse cuidado e pode ser substituído, sem prejuízo gramatical ou de sentido, por
Questão 29 15480338
CMRJ 6 ano 2026TEXTO
Quem tem medo de quê?
[1] Eu vou contar pra você
o que é meu maior segredo.
Há uma coisa no mundo
que me mete muito medo!
[5] Não tenho medo de pai,
nem de mãe e nem de irmão.
Mas eu tenho muito medo
do barulho do trovão.
Do trovão? Mas que bobagem!
[10] Que medo mais infantil!
Quando o trovão faz barulho
o raio até já caiu... (...)
Sabe do que eu tenho medo?
Que me dói o coração?
[15] Até me arrepia a espinha...
Tenho medo de injeção!
Ah, injeção eu não gosto,
mas não fico apavorada.
Existe só uma coisa
[20] que me deixa até gelada...
Do que eu tenho muito medo,
que me deixa num apuro...
É uma coisa meio besta:
é ter de ficar no escuro...
[25] Que medo mais bobo o seu!
É verdade, eu asseguro,
que é só acender a luz
e pronto! Acabou-se o escuro!
O medo maior que eu tenho,
[30] o que me causa pavor,
é de pensar em vampiro.
Vampiro me causa horror!
Vampiro não me dá medo...
Acho que nunca senti...
[35] Tenho medo do que existe,
e não do que nunca vi.
Mas existe uma coisinha...
Eu de medo até me encolho!
Eu tenho um medo danado
[40] mas é de pegar piolho.
Piolho é um bichinho à-toa...
Não complica nossa vida.
É coisa que a gente cura
com sabão e inseticida!
[45] Agora, mais perigoso
pra mim, até que leão,
tenho medo é de cachorro,
cachorrinho ou cachorrão!
Cachorro eu até que gosto.
[50] Na minha casa tem três.
Agora, o que eu tenho medo
eu vou contar de uma vez.
Não tenho medo de nada! (...)
Mas apesar de valente
[55] tenho medo de avião!
É mais pesado que o ar
e tem motor de explosão...
Mas apesar disso tudo,
eu não tenho medo, não!
[60] Mas (...), pato, galinha, (...)
tudo que é bicho de pena
me põe de cabelo em pé!
Pelo que vemos, pessoal,
ter medo não é vergonha.
[65] Todo mundo tem um medo,
que a gente nem mesmo sonha.
Mas eu vou andando agora.
Não temo bicho, nem homem!
É que está chegando a hora
[70] de aparecer lobisomem...
(ROCHA, Ruth. Quem tem medo de quê? São Paulo: Salamandra, 2012. Adaptado.)
No poema, a tonicidade das palavras contribui bastante para a musicalidade do texto. Não só a presença de sílabas tônicas e átonas, como também a posição de cada uma delas podem conferir esse efeito.
Assinale a opção cujo par de vocábulos apresenta a mesma posição da sílaba tônica.
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)