Questões de EFAF Português - Morfologia
903 Questões
Questão 32 10252252
EFOMM 1º Dia 2020Texto
Como Dizia Meu Pai
Já se tomou hábito meu, em meio a uma conversa, preceder algum comentário por uma introdução:
— Como dizia meu pai...
Nem sempre me reporto a algo que ele realmente dizia, sendo apenas uma maneira coloquial de dar ênfase a alguma opinião.
De uns tempos para cá, porém, comecei a perceber que a opinião, sem ser de caso pensado, parece de fato corresponder a alguma coisa que Seu Domingos costumava dizer. Isso significará talvez — Deus queira — que insensivelmente vou me tomando com o correr dos anos cada vez mais parecido com ele. Ou, pelo menos, me identificando com a herança espiritual que dele recebi. Não raro me surpreendo, antes de agir, tentando descobrir como ele agiria em semelhantes circunstâncias, repetindo uma atitude sua, até mesmo esboçando um gesto seu. Ao formular uma ideia, percebo que estou concebendo, para nortear meu pensamento, um princípio que, se não foi enunciado por ele, só pode ter sido inspirado por sua presença dentro de mim.
— No fim tudo dá certo...
Ainda ontem eu tranquilizava um de meus filhos com esta frase, sem reparar que repetia literalmente o que ele costumava dizer, sempre concluindo com olhar travesso:
— Se não deu certo, é porque ainda não chegou no fim.
Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho, a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde, egresso do escritório situado no porão. Ou depois do jantar, sentado com minha mãe no sofá de palhinha da varanda, como namorados, trocando notícias do dia. Os filhos guardavam zelosa distância, até que ela ia aos seus afazeres e ele se punha à disposição de cada um, para ouvir nossos problemas e ajudar a resolvê-los. Finda a última audiência, passava a mão no chapéu e na bengala e saía para uma volta, um encontro eventual com algum amigo. Regressava religiosamente uma hora depois, e tendo descido a pé até o centro, subia sempre de bonde. Se acaso ainda estávamos acordados, podíamos contar com o saquinho de balas que o paizinho nunca deixava de trazer.
Costumava se distrair realizando pequenos consertos domésticos: uma boia de descarga, a bucha de uma torneira, um fusível queimado. Dispunha para isso da necessária habilidade e de uma preciosa caixa de ferramentas em que ninguém mais podia tocar. Aprendi com ele como é indispensável, para a boa ordem da casa, ter à mão pelo menos um alicate e uma chave de fenda. Durante algum tempo andou às voltas com o velho relógio de parede que fora de seu pai, hoje me pertence e amanhã será de meu filho: estava atrasando. Depois de remexer durante vários dias em suas entranhas, deu por findo o trabalho, embora ao remontá-lo houvessem sobrado umas pecinhas, que alegou não fazerem falta. O relógio passou a funcionar sem atrasos, e as batidas a soar em horas desencontradas. Como, aliás, acontece até hoje.
Tinha por hábito emitir um pequeno sopro de assovio, que tanto podia ser indício de paz de espírito como do esforço para controlar a perturbação diante de algum aborrecimento.
— As coisas são como são e não como deviam ser. Ou como gostaríamos que fossem.
Este pronunciamento se fazia ouvir em geral quando diante de uma fatalidade a que não se poderia fugir. Queria dizer que devemos nos conformar com o fato de nossa vontade não poder prevalecer sobre a vontade de Deus - embora jamais fosse assim eloquente em suas conclusões. Estas quase sempre eram, mesmo, eivadas de certo ceticismo preventivo ante as esperanças vãs:
— O que não tem solução, solucionado está.
E tudo que acontece é bom — talvez não chegasse ao cúmulo do otimismo de afirmar isso, como seu filho Gerson, mas não vacilava em sustentar que toda mudança é para melhor: se mudou, é porque não estava dando certo. E se quiser que mude, não podendo fazer nada para isso, espere, que mudará por si.
[...]
Tudo isso que de uns tempos para cá me vem ocorrendo, às vezes inconscientemente, como legado de meu pai, teve seu coroamento há poucos dias, quando eu ia caminhando distraído pela praia. Revirava na cabeça, não sei a que propósito, uma frase ouvida desde a infância e que fazia parte de sua filosofia: não se deve aumentar a aflição dos aflitos. Esta máxima me conduziu a outra, enunciada por Carlos Drummond de Andrade no filme que fiz sobre ele, a qual certamente Seu Domingos perfilharia: não devemos exigir das pessoas mais do que elas podem dar. De repente fui fulminado por uma verdade tão absoluta que tive de parar, completamente zonzo, fechando os olhos para entender melhor. No entanto era uma verdade evangélica, de clareza cintilante como um raio de sol, cheguei a fazer uma vênia de gratidão a Seu Domingos por me havê-la enviado:
— Só há um meio de resolver qualquer problema nosso: é resolver primeiro o do outro.
Com o tempo, a cidade foi tomando conhecimento do seu bom senso, da experiência adquirida ao longo de uma vida sem maiores ambições: Seu Domingos, além de representante de umas firmas inglesas, era procurador de partes — solene designação para uma atividade que hoje talvez fosse referida como a de um despachante. A princípio os amigos, conhecidos, e depois até desconhecidos passaram a procurá-lo para ouvir um conselho ou receber dele uma orientação. Era de se ver a romaria no seu escritório todas as manhãs: um funcionário que dera desfalque, uma mulher abandonada pelo marido, um pai agoniado com problemas do filho — era gente assim que vinha buscar com ele alívio para a sua dúvida, o seu medo, a sua aflição. O próprio Governador, que não o conhecia pessoalmente, certa vez o consultou através de um secretário, sobre questão administrativa que o atormentava. Não se falando nos filhos: mesmo depois de ter saído de casa, mais de uma vez tomei trem ou avião e fui colher uma palavra sua que hoje tanta falta me faz.
Resta apenas evocá-la, como faço agora, para me servir de consolo nas horas más. No momento, ele próprio está aqui a meu lado, com o seu sorriso bom.
SABINO, Fernando. A volta por cima. In: Obra Reunida v. III. Rio de Janeiro: Ed. Nova Aguilar, 1996. (Texto adaptado)
Assinale a opção em que se cometeu erro na análise da função sintática concernente às orações destacadas.
Questão 28 10252234
EFOMM 1º Dia 2020“O relógio passou a funcionar sem atrasos, e as batidas a soar em horas desencontradas”. (10°§)
Analisando detidamente o fragmento acima, é correto afirmar que
Questão 27 10251892
EFOMM 1º Dia 2020Assinale a opção em que a flexão de grau do substantivo destacado é utilizada exclusivamente para pôr em primeiro plano uma linguagem que demonstra valor afetivo.
Questão 11 10135266
CMSM 1° Ano - Prova de Língua Portuguesa 2020Leia o texto abaixo, para responder ao item.

Fonte: https://www.12 senado.leg.br/noticias/materion/2020/04/08/1cdio-senado-faz-companha-informativa-sobre covid-19-nos-redes sociais/Radio-Senado Imagem-1.jpg/images/image/imagem materia.
A respeito do texto publicitário acima, no trecho "Não é só pelos outros, é por você.", temos um referente implícito.
Assinale a alternativa que apresenta esse referente
Questão 4 10129277
CMF 1° Ano - Prova de Português 2020TEXTO
Direito Militar – Na leitura do brilhante currículo de Vossa Excelência, é possível verificar dentre
as inúmeras funções que exerceu a de Comandante do 1º Batalhão de Infantaria de Selva, a de Chefia
do Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia e a de Comandante Militar da Amazônia,
demonstrando possuir vasto conhecimento sobre aquela estratégica região do território nacional. Como
[5] vem sendo na atualidade a atuação do Exército Brasileiro naquela região?
Eduardo Dias da Costa Villas Bôas – A agenda do Exército Brasileiro sobre defesa e preservação
da Amazônia está alicerçada no seu compromisso com o estoico povo brasileiro, que habita e promove
a integração e o desenvolvimento da região e, principalmente, honra o esforço de nossos antepassados
que, em um desafio imensurável, deixaram como legado histórico os marcos de fronteira que delimitam
[10] nosso território. Coerente com esse compromisso e com a sua missão constitucional, a atuação do
Exército Brasileiro, na Amazônia, baseia-se na Estratégia da Presença e da Dissuasão.
A Estratégia da Presença garante que o Exército reduza o hiato da presença do Estado, em uma
região que representa 60% do território brasileiro, inclui a maior floresta tropical do mundo,
compartilha aproximadamente 11.000 Km de fronteiras com sete países, é possuidora de imensas
[15] reservas de água potável e da maior província mineral do planeta.
[...] A evolução do Exército, na Amazônia, em termos de efetivo, é notória. Com apenas 1.000
militares em 1956, o efetivo aumentou exponencialmente, e hoje temos cerca de 30.000 militares,
servindo em mais de 128 Unidades Militares. Entre essas Organizações Militares, destacam-se os
Pelotões Especiais de Fronteira, onde militares e suas famílias, como verdadeiros pioneiros,
[20] materializam a presença do Exército Brasileiro ao longo da faixa de fronteira.
Dentre outras missões, o Exército vem participando de operações interagências na faixa de
fronteira, contribuindo com outros Órgãos no combate aos ilícitos transnacionais, como o contrabando
e o tráfico de armas e drogas. Tem prestado apoio logístico aos órgãos governamentais que atuam
contra o desmatamento ilegal, o contrabando de riquezas minerais e a biopirataria em todo o território
[25] da Amazônia. Além disso, o Exército tem assistido as comunidades locais, ribeirinhas e indígenas,
prestando apoio de saúde, de socorro e resgate durante situações de calamidade.
A Estratégia da Dissuasão, por sua vez, faz com que o Exército mantenha tropas com alto grau de
preparo e de mobilidade para serem empregadas em qualquer ponto da fronteira e também em
profundidade, preservando e garantindo a soberania nacional.
[30] Nesse contexto, o Exército criou o Programa Estratégico Amazônia Protegida. O programa
contempla ações que visam a fortalecer a presença militar na região por meio de um estratégico
posicionamento de tropas articuladas na fronteira e em profundidade. Prevê, ainda, a adequação das
Organizações Militares existentes e a dotação de equipamentos com avançada tecnologia, para a
interligação e aumento da mobilidade da tropa, compatíveis com a dimensão da Amazônia.
[35] Concomitantemente, o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) é a
proposta do Exército Brasileiro para a vigilância das fronteiras que norteará a “Atuação Conjunta e
Multissetorial” de defesa da Amazônia, ampliando a capacidade de controle das fronteiras terrestres,
atualizando e integrando todos os subsistemas de monitoramento existentes. Os sofisticados meios do
SISFRON estarão em contato direto com os atuadores (tropas, instituições e órgãos do poder público)
[40] localizados mais próximos às áreas de ocorrência de ilícitos que, após a tomada de decisão, responderão
com o emprego de pessoal e meios adequados à situação.
[...]
Fonte: Direito Militar: Revista da Associação dos Magistrados das Justiças Estaduais – AMAJME. Ano XX, N. 126, set.- dez. 2017. ISSN 1981-3414. Adaptado.
Acerca das relações de coesão e coerência presentes no Texto, assinale a alternativa correta:
Questão 8 11546465
Pref. de São Paulo 6º Ano Prova Semestral 2019Sudeste volta a ter chuva nos próximos dias
A semana que começou mais seca na região Sudeste vai terminar com o retorno da chuva em muitas áreas. Uma nova frente fria está prevista para chegar ao litoral paulista nesta quinta-feira (6) e também vai levar chuva para áreas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. A umidade deve aumentar no Espírito Santo no final da semana.
Disponível em: https://www.climatempo.com.br. Acesso em: 30 abr. 2017.
No texto, a locução verbal “vai terminar” produz efeito de certeza e ideia de futuro. O verbo que pode substituí-la sem alteração de sentido é
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