Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 6 10726904
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2008Texto
Sinais de preconceito lingüístico
Houve um lado bom na polêmica declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na convenção do PSDB, noticiada com destaque na imprensa no fim de semana.
O assunto forçou a mídia a discutir publicamente questões ligadas às diferentes variantes da língua, assunto ainda muito restrito à academia.
Foi "certo" o que o ex-presidente disse? Ou era aceitável", posto que muitos falam assim?
O debate é pertinente e jornalisticamente atual.
Faltou, talvez, incluir na discussão a questão do preconceito lingüístico, conceito ainda pouco conhecido no país.
Esse tipo de preconceito estava na base da declaração do ex-presidente (reproduzo trecho de matéria da Folha Online):
- "Queremos brasileiros melhor educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria"
O ponto tão alardeado pela imprensa no sábado e no domingo foi quanto ao uso inadequado do trecho "melhor educados".
Do ponto da variante culta da língua (a chamada norma culta), deveria ser "mais bem educados".
Esse foi, inclusive, o tema desta coluna na quinta- feira da semana passada.
O que a fala de Fernando Henrique esconde é a percepção de que "quem fala errado ou não domina a língua culta é pouco inteligente ou desprovido de autoridade intelectual".
Essa forma de raciocínio é o tal preconceito lingüístico: pela intolerância em aceitar a diferença no uso da língua, opta-se pelo preconceito.
Há, evidentemente, situações que exigem uma adequação maior à norma culta.
A fala do ex-presidente era uma delas, posto que criticava abertamente quem não seguia a variante culta (socialmente, a mais prestigiada do país).
Mas, em outros contextos, é comum uma flexibilização maior da norma.
É só ver as sessões de bate-papo do UOL.
Há abreviações e adaptações que, muitas vezes, tentam simular a fala.
A própria fala pode servir de exemplo.
Quem segue todas as regras de colocação pronominal numa conversa informal?
Me contaram algo sobre você ou contaram-me algo sobre você? Qual soa mais coloquial?
Claro que é a forma em que ocorre a próclise.
A construção, então, está errada?
Do ponto de vista da norma culta, sim.
Mas isso não quer dizer que não possa ser usada. Vai depender muito da situação e do contexto em que o trecho é produzido.
Em termos argumentativos, a fala de Fernando Henrique contradizia a crítica que tentava trazer.
Mas trouxe, por outro lado, a rara oportunidade de discutir o preconceito lingüístico.
É um conceito ignorado por muitos, mas que, para alguns autores, é tão grave quanto outras formas de preconceito.
Um abraço,
Paulo Ramos
Paulo Ramos
Paulo Ramos é jornalista, professor e consultor de língua portuguesa do Grupo Folha-UOL.
Disponível em http://educacao.uol.com.br/dicas-portugues/ult2781u669.jhtm. Acessado em 27/11/2007.
Em relação à frase anterior, do texto, o termo em outros contextos, exerce a função sintática de:
Questão 5 10726903
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2008Texto
Sinais de preconceito lingüístico
Houve um lado bom na polêmica declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na convenção do PSDB, noticiada com destaque na imprensa no fim de semana.
O assunto forçou a mídia a discutir publicamente questões ligadas às diferentes variantes da língua, assunto ainda muito restrito à academia.
Foi "certo" o que o ex-presidente disse? Ou era aceitável", posto que muitos falam assim?
O debate é pertinente e jornalisticamente atual.
Faltou, talvez, incluir na discussão a questão do preconceito lingüístico, conceito ainda pouco conhecido no país.
Esse tipo de preconceito estava na base da declaração do ex-presidente (reproduzo trecho de matéria da Folha Online):
- "Queremos brasileiros melhor educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria"
O ponto tão alardeado pela imprensa no sábado e no domingo foi quanto ao uso inadequado do trecho "melhor educados".
Do ponto da variante culta da língua (a chamada norma culta), deveria ser "mais bem educados".
Esse foi, inclusive, o tema desta coluna na quinta- feira da semana passada.
O que a fala de Fernando Henrique esconde é a percepção de que "quem fala errado ou não domina a língua culta é pouco inteligente ou desprovido de autoridade intelectual".
Essa forma de raciocínio é o tal preconceito lingüístico: pela intolerância em aceitar a diferença no uso da língua, opta-se pelo preconceito.
Há, evidentemente, situações que exigem uma adequação maior à norma culta.
A fala do ex-presidente era uma delas, posto que criticava abertamente quem não seguia a variante culta (socialmente, a mais prestigiada do país).
Mas, em outros contextos, é comum uma flexibilização maior da norma.
É só ver as sessões de bate-papo do UOL.
Há abreviações e adaptações que, muitas vezes, tentam simular a fala.
A própria fala pode servir de exemplo.
Quem segue todas as regras de colocação pronominal numa conversa informal?
Me contaram algo sobre você ou contaram-me algo sobre você? Qual soa mais coloquial?
Claro que é a forma em que ocorre a próclise.
A construção, então, está errada?
Do ponto de vista da norma culta, sim.
Mas isso não quer dizer que não possa ser usada. Vai depender muito da situação e do contexto em que o trecho é produzido.
Em termos argumentativos, a fala de Fernando Henrique contradizia a crítica que tentava trazer.
Mas trouxe, por outro lado, a rara oportunidade de discutir o preconceito lingüístico.
É um conceito ignorado por muitos, mas que, para alguns autores, é tão grave quanto outras formas de preconceito.
Um abraço,
Paulo Ramos
Paulo Ramos
Paulo Ramos é jornalista, professor e consultor de língua portuguesa do Grupo Folha-UOL.
Disponível em http://educacao.uol.com.br/dicas-portugues/ult2781u669.jhtm. Acessado em 27/11/2007.
Na frase: “Mas, em outros contextos, é comum uma flexibilização maior da norma.”, o elemento grifado exerce a função sintática de:
Questão 2 10726900
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2008
Texto 3
Vício na Fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.
ANDRADE,Oswald de. Pau-Brasil. São Paulo:Globo,1990.
Texto 4
Evocação do Recife
(...)
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil (...)
BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira - poesias reunidas. 7ª ed. Rio de Janeiro. José Olympio editora, 1979.
Texto 5
Doloso
Era preciso cometer aquele erro
de concordância, de regência,
de colocação pronominal
(a música das palavras exigia),
embora soubesse da Gramática
e de sua intransigência de burocrata
E era imprescindível saber.
O crime culposo seria inadmissível.
MACEDO, Maurício de. Fragmento. Maceió: Cata-vento, 2007.
Em relação aos textos 3, 4 e 5, podemos observar, quanto à linguagem empregada, que:
Questão 46 10868997
Liceu-SP C. Gerais 2007Texto para a questão.
INFÂNCIA
A Abgar Renault
MEU PAI montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala ― e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
― Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e Prosa. Rio de Janeiro: Aguilar: 1992.
Na segunda estrofe, "No meio-dia branco de luz" e "a ninar nos longes da senzala" são, respectivamente:
Questão 6 10736462
CMBH 6° Ano - Português 2007A PEDRA NO CAMINHO
Conta-se a lenda de um rei que viveu num país além-mar há muitos anos. Ele era muito sábio e não poupava esforços para ensinar bons hábitos a seu povo. Freqüentemente fazia coisas que pareciam estranhas e inúteis; mas tudo que fazia era para ensinar o povo a ser trabalhador e cauteloso.
– Nada de bom pode vir de uma nação – dizia ele – cujo povo reclama e espera que outros resolvam seus problemas. Deus dá as coisas boas da vida a quem lida com os problemas por conta própria.
Uma noite, enquanto todos dormiam, ele pôs uma enorme pedra na estrada que passava pelo palácio. Depois foi se esconder atrás de uma cerca, e esperou para ver o que acontecia.
Primeiro veio um fazendeiro com uma carroça carregada de sementes que ele levava para moagem na usina.
– Quem já viu tamanho descuido? – disse ele contrariadamente, enquanto desviava sua parelha e contornava a pedra. – Por que esses preguiçosos não mandam retirar essa pedra da estrada? – E continuou reclamando da inutilidade dos outros, mas sem ao menos tocar, ele próprio, na pedra.
Logo depois, um jovem soldado veio cantando pela estrada. A longa pluma do seu quepe ondulava na brisa, e uma espada reluzente pendia à sua cintura. Ele pensava na maravilhosa coragem que mostraria na guerra.
O soldado não viu a pedra, mas tropeçou nela e se estatelou no chão poeirento. Ergueu-se, sacudiu a poeira da roupa, pegou a espada e enfureceu-se com os preguiçosos que insensatamente haviam largado uma pedra imensa na estrada. Então, ele também se afastou, sem pensar uma única vez que ele próprio poderia retirar a pedra.
Assim correu o dia. Todos que por ali passavam reclamavam e resmungavam por causa da pedra colocada na estrada, mas ninguém a tocava.
Finalmente, ao cair da noite, a filha do moleiro por lá passou. Era muito trabalhadora, e estava cansada, pois desde cedo andava ocupada no moinho.
Mas disse a si mesma: “Já está quase escurecendo, alguém pode tropeçar nesta pedra à noite e se ferir gravemente. Vou tirá-la do caminho.”
E tentou arrastar dali a pedra. Era muito pesada, mas a moça a empurrou, e empurrou, e puxou, e inclinou, até que conseguiu retirá-la do lugar. Para sua surpresa, encontrou uma caixa debaixo da pedra.
Ergueu a caixa. Era pesada, pois estava cheia de alguma coisa. Havia na tampa os seguintes dizeres: “Esta caixa pertence a quem retirar a pedra.”
Ela abriu a caixa e descobriu que estava cheia de ouro.
A filha do moleiro foi para casa com o coração feliz. Quando o fazendeiro e o soldado e todos os outros ouviram o que havia ocorrido, juntaram-se em torno do local na estrada onde a pedra estava. Revolveram o pó da estrada com os pés, na esperança de encontrar um pedaço de ouro.
– Meus amigos – disse o rei –, com freqüência encontramos obstáculos e fardos no caminho. Podemos reclamar em alto e bom som enquanto nos desviamos deles se assim preferirmos, ou podemos erguê-los e descobrir o que eles significam. A decepção é normalmente o preço da preguiça.
Então o sábio rei montou em seu cavalo e com um delicado boa-noite retirou-se.
(Autor desconhecido. O Livro das Virtudes. Ed. Nova Fronteira, 1996)
As alternativas abaixo apresentam sentimentos das pessoas ao encontrarem a pedra, exceto em:
Questão 25 10794830
EPCAR 1° Ano - Língua Portuguesa 2006Leia o fragmento abaixo escrito por Zuenir Ventura, retirado do jornal O Globo.
As palavras têm vida, evoluem, se transformam e às vezes alteram seu significado, como denegrir e judiar; há termos que começam carregando uma pesada carga negativa e, com o tempo, vão perdendo-a e adquirindo uma conotação inversa. Quando o negro Dorival Caymmi canta Quem vai ao Bonfim, minha nega, ele está querendo dizer meu amor. O politicamente correto não considera essas nuances e sobretudo não tem espírito crítico nem humor: os eufemismos e circunlóquios que propõe são ridículos.
(Circunlóquio = rodeio de palavras.)
Baseando-se nesse fragmento, marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso nas sentenças abaixo; a seguir, assinale a opção correta.
( ) Um exemplo de circunlóquio é a substituição de “Quem vai ao Bonfim, minha nega” por “Quem vai ao Bonfim, meu amor”.
( ) Eufemismos são termos que possuem uma pesada carga negativa e, com o tempo, vão perdendo-a e adquirindo uma conotação inversa.
( ) Denegrir é um vocábulo originário de negro, e judiar vem de judeu. Ambas as raças são vistas com preconceito por uma parcela da sociedade. Segundo o texto, esses termos mantêm, ainda hoje, uma conotação pejorativa.
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