Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 14 169984
IFMT 2010/2Texto 4
AS ORIGENS, SEGUNDO TOSTÃO
[1] Dizem que o futebol começou na China, há mais ou menos 2.000 anos. Até hoje, os chineses não aprenderam a
jogar. Sabem como jogar, mas não sabem jogar. Na Idade Média, o futebol foi levado para a Europa. Os
trabalhadores brincavam com a bola nos intervalos das construções das igrejas medievais. Talvez por isso, elas
tenham levado tanto tempo para ficarem prontas. Os ingleses, espalhados pela Europa, levaram o esporte para a
Inglaterra. Multidões corriam atrás da bola pelas ruelas de Londres. Destruíam tudo, e o futebol foi proibido em
1814, pelo rei Eduardo 2º. De nada adiantou.
[2] Em 1863 foi o ato oficial de fundação em Londres da Football Association, a primeira entidade a organizar o
esporte. Foram confirmadas as 17 regras e os 11 jogadores, que continuam até hoje. Em 1872, aconteceu o
primeiro jogo internacional, entre Inglaterra e Escócia.
[3] O placar só poderia terminar em 0 a 0. Daí, nasceu a retranca. Segundo versões oficiais, o futebol chegou ao
Brasil em 1894, trazido por Charles Miller, filho de um inglês com uma brasileira. Ele trouxe duas bolas, uma
agulha, dois jogos de uniformes e dois livros de regras. Charles Miller era um centroavante oportunista.
Desconfio que a verdadeira história seja diferente. Contam que o Descobrimento do Brasil não foi por acaso. [...]
[4] Em 22 de abril, logo que as 12 embarcações avistaram a terra, Cabral gritou: “Bola à vista”! A tripulação desceu e
combinou uma partida para depois da missa. Pero Vaz de Caminha foi o juiz. Ele escreveu ao rei Dom Manoel 1º:
“Em se treinando, bom futebol dá”. Aproveitou para pedir emprego à sua família. Nascia o nepotismo. Os índios
jogavam nus e, daí, nasceu a pelada. Eles ganharam a partida por 10 a 1. Em troca de brincos e outros presentes,
deixaram os colonizadores fazerem um gol. No início, o futebol era apenas para os brancos e ricos. Foi um desastre.
[5] Na década de 20, o Vasco foi o primeiro clube a contratar um negro. A miscigenação foi responsável pela arte do
futebol brasileiro. Em 1933, iniciou-se a profissionalização do futebol no Brasil. Desde menino, ouço que o Brasil
é o país do futuro, e que o futebol é desorganizado fora de campo.
[6] O futuro nunca chega. Sempre me intrigou porque escolheram 11 jogadores para formar um time, e não dez ou
12. Foi uma sábia decisão.
[7] Discordo dos que acham que hoje os times deveriam ter um jogador a menos, com a justificativa de que os
atletas correm muito, que diminuíram os espaços e que o campo ficou pequeno. Fora o goleiro, escolheram um
número par de jogadores.
[8] A simetria está presente em tudo. Existe no ser humano uma obsessão inata, compulsiva, pela simetria. Mesmo
os grandes artistas, que costumam transgredir e reinventar o mundo, têm atração pelo duplo.
[9] As primeiras grandes obras de arte conhecidas já tinham essa preocupação. Imagino que a simetria seja uma
expressão da dualidade humana, dividida entre o bem e o mal, entre a paixão e a razão, entre o certo e o errado,
entre o princípio do prazer e o princípio da realidade.
[10] Poderia ser ainda uma maneira de reprimir os impulsos instintivos e de conciliar os opostos. O esquema tático
hoje mais utilizado é o da simetria, com dois zagueiros, dois laterais, dois volantes, dois meias e dois atacantes.
[11] Mais ainda, os técnicos preferem um zagueiro rebatedor e outro clássico; um volante habilidoso e outro brucutu,
um lateral que apoia mais e outro que marca mais; um meia organizador e outro mais agressivo; um atacante
mais leve e que joga pelos lados e outro, centroavante, finalizador.
[12] Tudo simétrico. Como não dá para ter mais de um jogador no gol, o goleiro ficou sozinho, isolado. Deve ser por
isso que os goleiros são mais individualistas, exibicionistas e esquisitos. Sentem falta do outro.
(Adaptado de: AS ORIGENS, SEGUNDO TOSTÃO. Folha de S. Paulo. Caderno Esporte. São Paulo, 6 jun. 2010.)
As questões de 14 a 19 referem-se ao Texto 4.
A argumentação do texto se baseia, principalmente, em:
Questão 12 169981
IFMT 2010/2
Observe os recursos linguísticos presentes nesse texto e assinale a alternativa incorreta.
Questão 11 169980
IFMT 2010/2
As questões de 11 a 13 referem-se ao Texto 3.
O uso da linguagem não-verbal no anúncio tem como objetivo principal:
Questão 10 169979
IFMT 2010/2TEXTO
Leia com atenção a charge abaixo, para responder a questão.

No final da fala do último quadrinho, as reticências demonstram:
Questão 9 169978
IFMT 2010/2TEXTO

Pode-se afirmar que seu sentido é dado:
Questão 8 169977
IFMT 2010/2Texto 1
A COPA DEIXA VOCÊ MAIS POBRE. E MAIS FELIZ.
[1] No dia em que a África do Sul ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo, em 2004, o bairro negro do
Soweto, em Johanesburgo, gritou: “A grana está vindo!”. Eles estavam expressando algo que os brasileiros
devem ter ouvido: que sediar uma copa traz dinheiro. Em qualquer lugar que se candidate a uma Copa do
Mundo, políticos tecem loas à “bonança econômica”. Falam das hordas de turistas prontos para gastar os
tubos, da propaganda gratuita para as cidades-sede, dos benefícios de longo prazo que as estradas e os
estádios a ser construídos vão trazer. Não surpreende que o Brasil tenha querido tanto a copa.
[2] Mas esse argumento econômico é uma enganação. Os brasileiros vão descobrir logo. E os sul-africanos já o
fizeram: a conta pela construção de estádios, em US$ 1,7 bilhão, já é 6 vezes maior que as estimativas iniciais; a
quantidade de turistas esperados é bem menor que a prometida e a Fifa não vai deixar os sul-africanos pobres
vender suas salsichas do lado de fora dos estádios. Que fique claro: uma copa não deixa o país mais rico.
[3] Tipicamente, um país prestes a receber um mundial paga para que economistas-fantoches publiquem estudos
dizendo que a copa vai impulsionar a economia. Já a maioria dos economistas de verdade – pagos por
universidades para escrever sobre o que realmente acreditam – pensa o inverso. E faz as perguntas que os
promotores de novos estádios não gostam: de onde veem os trabalhadores temporários que vão participar
dessas construções? Eles não tinham emprego antes? Isso não vai deixar outras áreas com menos
trabalhadores experientes? E tem mais.
[4] Gastar com uma copa significa menos hospitais e escolas. Pior: estádios novos quase nunca produzem os
benefícios prometidos. A maior parte acaba usada poucas vezes por ano. É preciso que fique claro o que
significam os gastos públicos com a construção e a reforma de estádios. Trata-se de uma transferência.
Benefícios que iriam para o contribuinte vão para os clubes (que ganham arenas e reformas de graça) e os
torcedores (que aproveitam as casas novas ou renovadas de seus times). Depois que o contribuinte pagou por
estádios melhores, provavelmente mais pessoas vão querer ver jogos neles. O Brasil pós-2014 deve testemunhar
o mesmo que aconteceu na Inglaterra após a melhoria dos estádios no começo dos anos 90: a chegada de mais
torcedores de classe média, de mulheres, e públicos maiores nos jogos. É verdade que a Inglaterra é mais rica
que o Brasil e pôde bancar isso. Mas o Brasil hoje é mais rico que os estádios dilapidados que tem. [...]
(A COPA DEIXA VOCÊ MAIS POBRE. E MAIS FELIZ. Adaptado de: Superinteressante, jun. 2010. Disponível em: . Acesso em: 10 jun. 2010.)
A palavra “fantoches”, na expressão “economistas-fantoches” (3º parágrafo), funciona como:
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)