Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
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Questão 13 10159311
CMBH 1° ano prova de Língua portuguesa 2012TEXTO
A CARTEIRA
... DE REPENTE, Honório olhou para o chão e viu uma carteira. Abaixar-se, apanhá-la e guardá-la foi obra de alguns instantes. Ninguém o viu, salvo um homem que estava à porta de uma loja, e que, sem o conhecer, lhe disse rindo:
–– Olhe, se não dá por ela; perdia-a de uma vez.
[5] –– É verdade, concordou Honório envergonhado.
Para avaliar a oportunidade desta carteira, é preciso saber que Honório tem de pagar amanhã uma dívida, quatrocentos e tantos mil-réis, e a carteira trazia o bojo recheado. A dívida não parece grande para um homem da posição de Honório, que advoga; mas todas as quantias são grandes ou pequenas, segundo as circunstâncias, e as dele não podiam ser piores. Gastos de família excessivos, a princípio por servir a
[10] parentes, e depois por agradar à mulher, que vivia aborrecida da solidão; baile daqui, jantar dali, chapéus, leques, tanta cousa mais, que não havia remédio senão ir descontando o futuro. Endividou-se. Começou pelas contas de lojas e armazéns; passou aos empréstimos, duzentos a um, trezentos a outro, quinhentos a outro, e tudo a crescer, e os bailes a darem-se, e os jantares a comerem-se, um turbilhão perpétuo, uma voragem.
–– Tu agora vais bem, não? dizia-lhe ultimamente o Gustavo C..., advogado e familiar da casa.
[15] –– Agora vou, mentiu o Honório
A verdade é que ia mal. Poucas causas, de pequena monta, e constituintes remissos; por desgraça perdera ultimamente um processo, em que fundara grandes esperanças. Não só recebeu pouco, mas até parece que ele lhe tirou alguma cousa à reputação jurídica; em todo caso, andavam mofinas nos jornais. D. Amélia não sabia nada; ele não contava nada à mulher, bons ou maus negócios. Não
[20]contava nada a ninguém. Fingia-se tão alegre como se nadasse em um mar de prosperidades. Quando o Gustavo, que ia todas as noites à casa dele, dizia uma ou duas pilhérias, ele respondia com três e quatro; e depois ia ouvir os trechos de música alemã, que D. Amélia tocava muito bem ao piano, e que o Gustavo escutava com indizível prazer, ou jogavam cartas, ou simplesmente falavam de política.
Um dia, a mulher foi achá-lo dando muitos beijos à filha, criança de quatro anos, e viu-lhe os olhos
[25]molhados; ficou espantada, e perguntou -lhe o que era.
–– Nada, nada.
Compreende-se que era o medo do futuro e o horror da miséria. Mas as esperanças voltavam com facilidade. A ideia de que os dias melhores tinham de vir dava-lhe conforto para a luta. Estava com trinta e quatro anos; era o princípio da carreira: todos os princípios são difíceis. E toca a trabalhar, a
[30]esperar, a gastar, pedir fiado ou emprestado, para pagar mal, e a más horas.
A dívida urgente de hoje são uns malditos quatrocentos e tantos mil-réis de carros. Nunca demorou tanto a conta, nem ela cresceu tanto, como agora; e, a rigor, o credor não lhe punha a faca aos peitos; mas disse-lhe hoje uma palavra azeda, com um gesto mau, e Honório quer pagar-lhe hoje mesmo. Eram cinco horas da tarde. Tinha-se lembrado de ir a um agiota, mas voltou sem ousar pedir nada.
[35] Ao enfiar pela Rua da Assembléia é que viu a carteira no chão, apanhou-a, meteu no bolso, e foi andando.
Durante os primeiros minutos, Honório não pensou nada; foi andando, andando, andando, até o Largo da Carioca. No Largo parou alguns instantes, - enfiou depois pela Rua da Carioca, mas voltou logo, e entrou na Rua Uruguaiana. Sem saber como, achou-se daí a pouco no Largo de S. Francisco de Paula; e ainda, sem saber como, entrou em um Café. Pediu alguma cousa e encostou-se à parede,
[40]olhando para fora. Tinha medo de abrir a carteira; podia não achar nada, apenas papéis e sem valor para ele.
Ao mesmo tempo, e esta era a causa principal das reflexões, a consciência perguntava-lhe se podia utilizar-se do dinheiro que achasse. Não lhe perguntava com o ar de quem não sabe, mas antes com uma expressão irônica e de censura.
Podia lançar mão do dinheiro, e ir pagar com ele a dívida?
[45] Eis o ponto. A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia levar a carteira à polícia,
ou anunciá-la; mas tão depressa acabava de lhe dizer isto, vinham os apuros da ocasião, e puxavam por
ele, e convidavam-no a ir pagar a cocheira. Chegavam mesmo a dizer-lhe que, se fosse ele que a
tivesse perdido, ninguém iria entregar-lha; insinuação que lhe deu ânimo.
Tudo isso antes de abrir a carteira. Tirou-a do bolso, finalmente, mas com medo, quase às
[50] escondidas; abriu-a, e ficou trêmulo. Tinha dinheiro, muito dinheiro; não contou, mas viu duas notas de duzentos mil-réis, algumas de cinquenta e vinte; calculou uns setecentos mil réis ou mais; quando
menos, seiscentos. Era a dívida paga; eram menos algumas despesas urgentes.
Honório teve tentações de fechar os olhos, correr à cocheira, pagar, e, depois de paga a dívida, adeus; reconciliar-se-ia consigo. Fechou a carteira, e com medo de a perder, tornou a guardá-la.
[55] Mas daí a pouco tirou-a outra vez, e abriu-a, com vontade de contar o dinheiro. Contar para quê? Era dele? Afinal venceu-se e contou: eram setecentos e trinta mil-réis. Honório teve um calafrio.
Ninguém viu, ninguém soube; podia ser um lance da fortuna, a sua boa sorte, um anjo... Honório teve pena de não crer nos anjos...
Mas por que não havia de crer neles? E voltava ao dinheiro, olhava, passava-o pelas mãos; depois,
[60] resolvia o contrário, não usar do achado, restituí-lo. Restituí-lo a quem? Tratou de ver se havia na carteira algum sinal.
“Se houver um nome, uma indicação qualquer, não posso utilizar-me do dinheiro,” pensou ele.
Esquadrinhou os bolsos da carteira. Achou cartas, que não abriu, bilhetinhos dobrados, que
não leu, e por fim um cartão de visita; leu o nome; era do Gustavo. Mas então, a carteira?... Examinou-a
[65] por fora, e pareceu-lhe efetivamente do amigo. Voltou ao interior; achou mais dois cartões, mais três,
mais cinco. Não havia duvidar; era dele.
A descoberta entristeceu-o. Não podia ficar com o dinheiro, sem praticar um ato ilícito, e, naquele
caso, doloroso ao seu coração porque era em dano de um amigo. Todo o castelo levantado esboroou- se
como se fosse de cartas. Bebeu a última gota de café, sem reparar que estava frio. Saiu, e só então
[70] reparou que era quase noite. Caminhou para casa. Parece que a necessidade ainda lhe deu uns dois empurrões, mas ele resistiu.
“Paciência, disse ele consigo; verei amanhã o que posso fazer.”
Chegando a casa, já ali achou o Gustavo, um pouco preocupado. E a própria D. Amélia o parecia também. Entrou rindo, e perguntou ao amigo se lhe faltava alguma cousa.
[75]–– Nada.
–– Nada?
–– Por quê?
–– Mete a mão no bolso; não te falta nada?
–– Falta-me a carteira, disse o Gustavo sem meter a mão no bolso. Sabes se alguém a achou?
[80]–– Achei-a eu, disse Honório entregando-lha.
Gustavo pegou dela precipitadamente, e olhou desconfiado para o amigo. Esse olhar foi para
Honório como um golpe de estilete; depois de tanta luta com a necessidade, era um triste prêmio.
Sorriu amargamente; e, como o outro lhe perguntasse onde a achara, deu-lhe as explicações precisas.
–– Mas conheceste-a?
[85]–– Não; achei os teus bilhetes de visita.
Honório deu duas voltas, e foi mudar de toilette para o jantar. Então Gustavo sacou novamente a carteira, abriu-a, foi a um dos bolsos, tirou um dos bilhetinhos, que o outro não quis abrir nem ler, e estendeu-o a D. Amélia, que, ansiosa e trêmula, rasgou-o em trinta mil pedaços: era um bilhetinho de amor.
(ASSIS, Machado de. A carteira. www.domíniopublico.gov.br/dowload/texto/bv000169. pdf. Acesso em 01/07/2012)
No desfecho da história, só não se pode dizer que há:
Questão 5 10159192
CMBH 1° ano prova de Língua portuguesa 2012TEXTO
A CARTEIRA
... DE REPENTE, Honório olhou para o chão e viu uma carteira. Abaixar-se, apanhá-la e guardá-la foi obra de alguns instantes. Ninguém o viu, salvo um homem que estava à porta de uma loja, e que, sem o conhecer, lhe disse rindo:
–– Olhe, se não dá por ela; perdia-a de uma vez.
[5] –– É verdade, concordou Honório envergonhado.
Para avaliar a oportunidade desta carteira, é preciso saber que Honório tem de pagar amanhã uma dívida, quatrocentos e tantos mil-réis, e a carteira trazia o bojo recheado. A dívida não parece grande para um homem da posição de Honório, que advoga; mas todas as quantias são grandes ou pequenas, segundo as circunstâncias, e as dele não podiam ser piores. Gastos de família excessivos, a princípio por servir a
[10] parentes, e depois por agradar à mulher, que vivia aborrecida da solidão; baile daqui, jantar dali, chapéus, leques, tanta cousa mais, que não havia remédio senão ir descontando o futuro. Endividou-se. Começou pelas contas de lojas e armazéns; passou aos empréstimos, duzentos a um, trezentos a outro, quinhentos a outro, e tudo a crescer, e os bailes a darem-se, e os jantares a comerem-se, um turbilhão perpétuo, uma voragem.
–– Tu agora vais bem, não? dizia-lhe ultimamente o Gustavo C..., advogado e familiar da casa.
[15] –– Agora vou, mentiu o Honório
A verdade é que ia mal. Poucas causas, de pequena monta, e constituintes remissos; por desgraça perdera ultimamente um processo, em que fundara grandes esperanças. Não só recebeu pouco, mas até parece que ele lhe tirou alguma cousa à reputação jurídica; em todo caso, andavam mofinas nos jornais. D. Amélia não sabia nada; ele não contava nada à mulher, bons ou maus negócios. Não
[20]contava nada a ninguém. Fingia-se tão alegre como se nadasse em um mar de prosperidades. Quando o Gustavo, que ia todas as noites à casa dele, dizia uma ou duas pilhérias, ele respondia com três e quatro; e depois ia ouvir os trechos de música alemã, que D. Amélia tocava muito bem ao piano, e que o Gustavo escutava com indizível prazer, ou jogavam cartas, ou simplesmente falavam de política.
Um dia, a mulher foi achá-lo dando muitos beijos à filha, criança de quatro anos, e viu-lhe os olhos
[25]molhados; ficou espantada, e perguntou -lhe o que era.
–– Nada, nada.
Compreende-se que era o medo do futuro e o horror da miséria. Mas as esperanças voltavam com facilidade. A ideia de que os dias melhores tinham de vir dava-lhe conforto para a luta. Estava com trinta e quatro anos; era o princípio da carreira: todos os princípios são difíceis. E toca a trabalhar, a
[30]esperar, a gastar, pedir fiado ou emprestado, para pagar mal, e a más horas.
A dívida urgente de hoje são uns malditos quatrocentos e tantos mil-réis de carros. Nunca demorou tanto a conta, nem ela cresceu tanto, como agora; e, a rigor, o credor não lhe punha a faca aos peitos; mas disse-lhe hoje uma palavra azeda, com um gesto mau, e Honório quer pagar-lhe hoje mesmo. Eram cinco horas da tarde. Tinha-se lembrado de ir a um agiota, mas voltou sem ousar pedir nada.
[35] Ao enfiar pela Rua da Assembléia é que viu a carteira no chão, apanhou-a, meteu no bolso, e foi andando.
Durante os primeiros minutos, Honório não pensou nada; foi andando, andando, andando, até o Largo da Carioca. No Largo parou alguns instantes, - enfiou depois pela Rua da Carioca, mas voltou logo, e entrou na Rua Uruguaiana. Sem saber como, achou-se daí a pouco no Largo de S. Francisco de Paula; e ainda, sem saber como, entrou em um Café. Pediu alguma cousa e encostou-se à parede,
[40]olhando para fora. Tinha medo de abrir a carteira; podia não achar nada, apenas papéis e sem valor para ele.
Ao mesmo tempo, e esta era a causa principal das reflexões, a consciência perguntava-lhe se podia utilizar-se do dinheiro que achasse. Não lhe perguntava com o ar de quem não sabe, mas antes com uma expressão irônica e de censura.
Podia lançar mão do dinheiro, e ir pagar com ele a dívida?
[45] Eis o ponto. A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia levar a carteira à polícia,
ou anunciá-la; mas tão depressa acabava de lhe dizer isto, vinham os apuros da ocasião, e puxavam por
ele, e convidavam-no a ir pagar a cocheira. Chegavam mesmo a dizer-lhe que, se fosse ele que a
tivesse perdido, ninguém iria entregar-lha; insinuação que lhe deu ânimo.
Tudo isso antes de abrir a carteira. Tirou-a do bolso, finalmente, mas com medo, quase às
[50] escondidas; abriu-a, e ficou trêmulo. Tinha dinheiro, muito dinheiro; não contou, mas viu duas notas de duzentos mil-réis, algumas de cinquenta e vinte; calculou uns setecentos mil réis ou mais; quando
menos, seiscentos. Era a dívida paga; eram menos algumas despesas urgentes.
Honório teve tentações de fechar os olhos, correr à cocheira, pagar, e, depois de paga a dívida, adeus; reconciliar-se-ia consigo. Fechou a carteira, e com medo de a perder, tornou a guardá-la.
[55] Mas daí a pouco tirou-a outra vez, e abriu-a, com vontade de contar o dinheiro. Contar para quê? Era dele? Afinal venceu-se e contou: eram setecentos e trinta mil-réis. Honório teve um calafrio.
Ninguém viu, ninguém soube; podia ser um lance da fortuna, a sua boa sorte, um anjo... Honório teve pena de não crer nos anjos...
Mas por que não havia de crer neles? E voltava ao dinheiro, olhava, passava-o pelas mãos; depois,
[60] resolvia o contrário, não usar do achado, restituí-lo. Restituí-lo a quem? Tratou de ver se havia na carteira algum sinal.
“Se houver um nome, uma indicação qualquer, não posso utilizar-me do dinheiro,” pensou ele.
Esquadrinhou os bolsos da carteira. Achou cartas, que não abriu, bilhetinhos dobrados, que
não leu, e por fim um cartão de visita; leu o nome; era do Gustavo. Mas então, a carteira?... Examinou-a
[65] por fora, e pareceu-lhe efetivamente do amigo. Voltou ao interior; achou mais dois cartões, mais três,
mais cinco. Não havia duvidar; era dele.
A descoberta entristeceu-o. Não podia ficar com o dinheiro, sem praticar um ato ilícito, e, naquele
caso, doloroso ao seu coração porque era em dano de um amigo. Todo o castelo levantado esboroou- se
como se fosse de cartas. Bebeu a última gota de café, sem reparar que estava frio. Saiu, e só então
[70] reparou que era quase noite. Caminhou para casa. Parece que a necessidade ainda lhe deu uns dois empurrões, mas ele resistiu.
“Paciência, disse ele consigo; verei amanhã o que posso fazer.”
Chegando a casa, já ali achou o Gustavo, um pouco preocupado. E a própria D. Amélia o parecia também. Entrou rindo, e perguntou ao amigo se lhe faltava alguma cousa.
[75]–– Nada.
–– Nada?
–– Por quê?
–– Mete a mão no bolso; não te falta nada?
–– Falta-me a carteira, disse o Gustavo sem meter a mão no bolso. Sabes se alguém a achou?
[80]–– Achei-a eu, disse Honório entregando-lha.
Gustavo pegou dela precipitadamente, e olhou desconfiado para o amigo. Esse olhar foi para
Honório como um golpe de estilete; depois de tanta luta com a necessidade, era um triste prêmio.
Sorriu amargamente; e, como o outro lhe perguntasse onde a achara, deu-lhe as explicações precisas.
–– Mas conheceste-a?
[85]–– Não; achei os teus bilhetes de visita.
Honório deu duas voltas, e foi mudar de toilette para o jantar. Então Gustavo sacou novamente a carteira, abriu-a, foi a um dos bolsos, tirou um dos bilhetinhos, que o outro não quis abrir nem ler, e estendeu-o a D. Amélia, que, ansiosa e trêmula, rasgou-o em trinta mil pedaços: era um bilhetinho de amor.
(ASSIS, Machado de. A carteira. www.domíniopublico.gov.br/dowload/texto/bv000169. pdf. Acesso em 01/07/2012)
Machado de Assis utiliza-se da metonímia no seguinte trecho:
Questão 7 10158768
CMJF 1° Ano - Prova de Português 2012TEXTO
Juventude e a cidadania antecipada
Por: Pe. Zezinho
1 Eles nasceram há vinte ou dezesseis anos atrás. Enfrentam, como jovens, maiores problemas do que seus pais que hoje passam dos quarenta; sofrem maiores tentações e desafios do que seus pais sofreram; parecem mais livres e senhores de si; têm menos tabus e bandeiras; engajam-se menos: sabem alguma coisa vaga sobre o Brasil e o mundo; não despertaram ainda para a política, mas estão convidados a opinar e jogar seu peso na eleição de presidentes e de outros altos dirigentes da nação. A Constituição lhes dá esse direito. Direito que no Brasil é dever, porque, em podendo e não votando, o cidadão sofre sanções.
2 Os adolescentes e jovens abaixo de vinte anos, como os pobres e marginalizados, nunca tiveram voz neste país. Os meios de comunicação falam muito deles, mas eles mesmos não falam muito nesses meios que falam muito deles e a eles. Ajudam a comprar e a vender mais que seus pais, são um. excelente mercado de roupas, música, alimento, sapatos, livros, brinquedos, veículos leves e novidades eletrônicas. Os senhores da propaganda e do marketing sabem que eles são uma força, embora eles mesmos não tenham consciência dessa força. Às religiões assustam-se com a ideia de perdê-los, porque significaria uma baixa considerável em qualquer igreja que se preze. Além do mais, são lindos, teimosos, adoráveis, agressivos, amorosos, simpáticos, exigentes, opiniosos, e... filhos, sobrinhos, amigos, netos e ... Jovens! Quantos são? No Brasil quase toda estatística é imprecisa. Fala-se em 10 a 12 milhões de adolescentes na faixa dos 16 anos. Aventa-se em 25 milhões o número de jovens entre os 16 e 18 anos. Seria de cerca de 32 milhões o número de jovens entre os 18 e 20 anos. Não é fácil concordar com os números. Mas formariam um enorme país. E formam, de direito e fato, um enorme país adolescente, jovem e buliçoso, que está longe de ser despreocupado. Com droga, AIDS, desemprego dos pais, economia errática, violência crescente nas ruas, insegurança e raiva incontida de adultos ao seu redor, família em conflito, aborto, divórcio e quebra de valores a rondá-los todos os dias, como podem fingir que nada os atinge? São os filhos de um país sem rumo certo que nasceram num navio de refugiados econômicos, fugindo de algum problema e sem porto seguro à vista. Tudo o que escutam é que o país é maior do que o abismo e que o Brasil é viável. Não estão convencidos.
3 O resultado é palpável. Não acreditam em políticos, não mostram paixão pela política, não se orgulham de seu pais. A religião, em geral, os incomoda. Poucos aderem a grupos religiosos de adolescentes por escolha própria. Aceitam facilmente modismos estrangeiros e cantam com enorme facilidade canções que ouviram no rádio, até mesmo em inglês, que não falam, mas que conhecem de som. Os mais pobres têm seus desafogos e alienações dentro dos limites de sua enorme carência. E há os que caem vitimas da mesma violência que sofreram. Seu recurso a gangues, violência, drogas e atos antissociais são seu jeito agressivo de votar contra a sua cidade e seu pais.
4 São bons e ainda acreditam no amanhã. Precisam acreditar, se desejam ver alguma coisa de melhor neste pais. Mas receberam uma cidadania precoce, isto é, sobre suas cabeças jovens e bonitas, seus ombros juvenis e ainda despreparados, o país joga uma responsabilidade muito grande. A nação quer a opinião deles sobre negócios de Estado, mas não tem pensado muito neles. Vejam nossas grandes cidades da periferia. Onde estão as praças de esporte, o verde e o lugar onde possam expandir sua alegria e energia? Aonde pode um adolescente ir despreocupado com seus companheiros? O Brasil de 8.500 km2 constrói cidades sem espaço para crianças e adolescentes. Talvez o voto deles mude ao menos ISSO...
Disponível em: http:/Avww.catolicanet.com.br/ Acesso em 04/10/2012.
Vocabulário:
Tabu: proibição, restrição. o
Sanção: penalidades.
Aventar: fazer estimativa, hipotetizar.
Buliçoso: ativo, agitado.
Errática: sem rumo certo.
De acordo com os dados estatísticos apresentados no 2º parágrafo do texto, observa-se que há uma relação de causa e consequência quanto às ideias apresentadas.
Assinale a alternativa em que isso se evidencie:
Questão 7 624385
COTUCA 2012O texto abaixo será usado para responder à questão. Leia-o com atenção.
No centro do jogo
Apesar da condição de nação emergente, nenhum país [como o Brasil] venceu mais Copas do Mundo de
futebol, poucos podem se comparar no vôlei, o basquete tem títulos de campeão tanto no masculino como no
feminino, tivemos um tenista no topo do ranking e um dos maiores pugilistas da história. A lista segue com
campeões olímpicos de judô, atletismo, hipismo, iatismo, natação e até tiro. Sem contar os ídolos no rodeio,
[5] automobilismo e nos ringues de vale-tudo, para citar modalidades menos convencionais. Até agora, no entanto, o
sucesso brasileiro nos esportes esteve limitado à atuação dentro dos estádios, quadras, pistas e piscinas. Fora
deles, o país teve pouco do que se orgulhar. Estruturas precárias, gestões amadoras de clubes, escândalos de
corrupção e falta de recursos marcaram, quase sempre, a organização esportiva no país. Em 2007, quando o
Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo de 2014, começou a se esboçar uma mudança da situação. (...)
[10] A conquista do direito de sediar dois importantes eventos garantiu ao país, durante os próximos cinco anos, uma
exposição jamais obtida em toda a história, uma espécie de medalha de ouro no universo dos negócios. Com
isso, abriu-se um enorme mercado para setores que vão da construção de estádios à venda de cachorros
quentes. (...) Não é apenas no mundo dos negócios que a realização dos dois maiores eventos esportivos do
mundo tem impactos positivos. "A exposição é boa para aumentar a autoestima do povo, divulgar o país no
[15] exterior e realizar melhorias de infraestrutura", diz o professor Greyser, de Harvard. A exposição excessiva, no
entanto, não traz só benefícios. (...) Nos próximos anos, o que estará em jogo para o Brasil vai muito além de
conquistar o hexacampeonato de futebol ou uma boa posição no quadro de medalhas olímpicas. O país vai
mostrar ao mundo se tem ou não capacidade de ser um grande centro de negócios.
(ONAGA, M. No centro do jogo. Exame, 999, 119, 07/09/11. Adaptado.)
Assinale a alternativa INCORRETA, de acordo com o texto:
Questão 3 624342
COTUCA 2012“Os provérbios são, normalmente, anônimos e têm sua origem na sabedoria popular. Geralmente expressam uma advertência, uma experiência, um conselho. Em várias situações, essas “frases feitas” podem ser usadas pelo falante como estratégia de convencimento. Acima de tudo, são sempre expressões de natureza poética, ou seja, utilizam a linguagem figurada.”
(BELTRÃO, E. S.; GORDILHO, T. Coleção Diálogo, 6º ano, página 137, 2009.)
Observe a sequência de provérbios abaixo e escolha a alternativa CORRETA, quanto ao uso da linguagem figurada:
I. Quem semeia ventos colhe tempestades.
II. Quem tudo quer tudo perde.
III. De grão em grão, a galinha enche o papo.
IV. Uma andorinha só não faz verão.
V. Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe.
Questão 25 618516
CTI (UNIFICADO) 2012Analise os textos.
Texto I

(Charge de Luis Fernando Veríssimo. Em: jopbj.blogspot.com/2010/09)
Texto II
(...) atualmente, os trabalhadores rurais desprovidos de terra são constantemente marginalizados, vivendo sob condições precárias, o que acentua o êxodo rural. Movimentos pela reforma agrária, como o MST (Movimento dos Sem Terra), são constantemente criminalizados pela mídia tradicional, em detrimento de suas reivindicações de ocupação e invasão de terras. Movimentos como este só comprovam que a distribuição rural em nosso país carece de revisão.
(www.revistaovies.com/reportagens)
Analisando os textos I e II, está correto concluir que
06
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