Questões de EFAF Português
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Questão 8367595
ENEM (2ª APLICAÇÃO) ENEM 2010 1 FaseU LINMAT (2) 2010

Se você tiver febre alta com dor de cabeça, dor atrás dos olhos,
no corpo e nas juntas, vá imediatamente a uma unidade de saúde.
Revista Nova Escola. São Paulo: Abril, ago. 2009.

Se você tiver febre alta com dor de cabeça, dor atrás dos olhos,
no corpo e nas juntas, vá imediatamente a uma unidade de saúde.
Revista Nova Escola. São Paulo: Abril, ago. 2009.
Esse texto é uma propaganda veiculada nacionalmente. Esse gênero textual utiliza-se da persuasão com uma intencionalidade específica. O principal objetivo desse texto é:
Questão 8367559
ETECSP ETECSP 2010 2 FaseU Gerais 2010
Final feliz
Há uma casa morrendo na minha rua. Penso em quem a pôs de pé. Tinha certamente um sonho, um projeto em que devem ter entrado amor e filhos, talvez netos e esperanças. Deve ter chegado com ar triunfante ao alto da colina das Perdizes, quando os raros moradores ainda dividiam espaços com as preás*, pois consta que perdizes não havia. Ele deve ter descortinado lá embaixo o vale desabitado do Pacaembu; na colina oposta, as elegantes chaminés de Higienópolis e, lá longe, as fumaças da laboriosa Lapa. E deve ter pensado: é aqui o lugar! A casa deve ter sido imponente: seis enormes janelas laterais, uma espaçosa e comprida varanda voltada para um extenso terreno onde houve, algum dia, um pomar e um jardim. Dois bancos de alvenaria protegidos por quatro colunas sugerem a existência de uma pérgula*. Atrevo-me a imaginar que alguém, às tardes, ficava ali a ler, ou a bordar, sob uma parreira de uvas roxas... Mas agora, abandonada, é como se a casa tivesse desistido aos poucos de viver. moradores levianos param de amá-las, depois que desaparecem aqueles que mandaram erguê-las e, assim, a casa ressente-se da ausência humana e logo perde o viço*. A tinta das janelas racha, as paredes estalam, o vento levanta sua pele de cal e silêncios, os telhados cedem ao peso da responsabilidade de décadas sem uma palavra d e agradecimento, vidraças explodem castigadas e ratos e morcegos se instalam oportunistas. Mas, para ter um final feliz, imaginei contar, ao contrário, a história de um desses casarões que se deixam morrer nessa cidade. Ela começaria com um sem-teto arrancando a janela rachada para aquecer-se numa noite fria, assustando os morcegos e ratos, e iria caminhando para trás, ano após ano, a pintura refazendo-se, o pó sumindo, o verde voltando, os moradores a desfrutando, prazerosamente, a festa de inauguração, a janela de pinho-de-riga sendo instalada, a mesma janela viajando de navio para o Brasil, junto com outros materiais, e terminaria com um senhor trajado de roupas do início do século passado dizendo com confiança e energia:
— Vou construir aqui uma casa que meus netos e bisnetos vão amar!
Ivan Ângelo, Veja SP, 24 jan. 2001. (Adaptado)
*preás: pequenos roedores.
*pérgula: espécie de galeria coberta de barrotes espacejados assentados em pilares.
*viço: força; beleza.
Final feliz
Há uma casa morrendo na minha rua. Penso em quem a pôs de pé. Tinha certamente um sonho, um projeto em que devem ter entrado amor e filhos, talvez netos e esperanças. Deve ter chegado com ar triunfante ao alto da colina das Perdizes, quando os raros moradores ainda dividiam espaços com as preás*, pois consta que perdizes não havia. Ele deve ter descortinado lá embaixo o vale desabitado do Pacaembu; na colina oposta, as elegantes chaminés de Higienópolis e, lá longe, as fumaças da laboriosa Lapa. E deve ter pensado: é aqui o lugar! A casa deve ter sido imponente: seis enormes janelas laterais, uma espaçosa e comprida varanda voltada para um extenso terreno onde houve, algum dia, um pomar e um jardim. Dois bancos de alvenaria protegidos por quatro colunas sugerem a existência de uma pérgula*. Atrevo-me a imaginar que alguém, às tardes, ficava ali a ler, ou a bordar, sob uma parreira de uvas roxas... Mas agora, abandonada, é como se a casa tivesse desistido aos poucos de viver. moradores levianos param de amá-las, depois que desaparecem aqueles que mandaram erguê-las e, assim, a casa ressente-se da ausência humana e logo perde o viço*. A tinta das janelas racha, as paredes estalam, o vento levanta sua pele de cal e silêncios, os telhados cedem ao peso da responsabilidade de décadas sem uma palavra d e agradecimento, vidraças explodem castigadas e ratos e morcegos se instalam oportunistas. Mas, para ter um final feliz, imaginei contar, ao contrário, a história de um desses casarões que se deixam morrer nessa cidade. Ela começaria com um sem-teto arrancando a janela rachada para aquecer-se numa noite fria, assustando os morcegos e ratos, e iria caminhando para trás, ano após ano, a pintura refazendo-se, o pó sumindo, o verde voltando, os moradores a desfrutando, prazerosamente, a festa de inauguração, a janela de pinho-de-riga sendo instalada, a mesma janela viajando de navio para o Brasil, junto com outros materiais, e terminaria com um senhor trajado de roupas do início do século passado dizendo com confiança e energia:
— Vou construir aqui uma casa que meus netos e bisnetos vão amar!
Ivan Ângelo, Veja SP, 24 jan. 2001. (Adaptado)
*preás: pequenos roedores.
*pérgula: espécie de galeria coberta de barrotes espacejados assentados em pilares.
*viço: força; beleza.
Considere o trecho:
A casa deve ter sido imponente: seis enormes janelas laterais, uma espaçosa e comprida varanda voltada para um extenso terreno onde houve, algum dia, um pomar e um jardim. Dois bancos de alvenaria protegidos por quatro colunas sugerem a existência de uma pérgula.
Trata-se de um trecho
Questão 8367527
EPCAR EPCAR 2010 1 FaseU POR 2010
Jubileu de ouro
Aluno Brito
Cinquenta anos(04) é muito tempo para(06) a vida humana, mas um simples grão na ciranda universal. (07)Por meio século(08), corações, aço, nervos, músculos bradaram e lutaram pela vitória, choraram e suaram para construir a EPCAR(05) de hoje. Cada tijolo desta Escola presenciou momentos intensos, cada grão seu foi esmagado pela mão na posição da flexão, toda poeira sua já foi aos céus e voltou com os passos firmes batidos em seu chão. E ela nunca(13) reclamou, nunca(13) disse "não"! Nunca(13) nos negou olhar (02)para este céu maravilhoso, nunca nos impediu de sonhar, e sonhou conosco, e viveu conosco(03).
Em certo tempo, o homem tentou atrofiar essa máquina de honras, acabar com esse ninho de guerreiros. Ora, mas não se pode parar algo que se locomove nas asas do ideal! (16)E que foi percorrida pelos fantasmas(17) dos alunos que já a povoaram um dia e, assim(01), permaneceu viva.
Aqueles que por aqui passaram, deixaram de si um pouco, todos que tiveram suas vidas transformadas, mesmo os que não conseguiram, (22)juntaram-se à sua estrutura(23), para sempre. Em cada fresta sua, respira-se uma lembrança, por suas portas passaram grandes líderes, futuros e passados líderes, e, como um pai, viu-nos crescer para partir, na esperança de um dia voltarmos.
(11)Aqui, cresci e aprendi(12). (14)Para sempre a recordarei(15), lembranças suas estarão sempre em minha mente. Fui marcado pelo poder e aqui alimentei (18)meu desejo de ares(19), minha fome de suprema liberdade. E quando, sobre o (09)chão de nuvens(10), (24)estiver (20)ligado à máquina do meu ideal(21)(25), meu coração baterá firme, e me lembrarei da turma com a qual vivi, chorei e cresci!
Para sempre EPCAR!
(In: Senta a Pua! Turma "Tudo Av.", Barbacena, Dez 99.)
Assinale a alternativa correta.
Jubileu de ouro
Aluno Brito
Cinquenta anos(04) é muito tempo para(06) a vida humana, mas um simples grão na ciranda universal. (07)Por meio século(08), corações, aço, nervos, músculos bradaram e lutaram pela vitória, choraram e suaram para construir a EPCAR(05) de hoje. Cada tijolo desta Escola presenciou momentos intensos, cada grão seu foi esmagado pela mão na posição da flexão, toda poeira sua já foi aos céus e voltou com os passos firmes batidos em seu chão. E ela nunca(13) reclamou, nunca(13) disse "não"! Nunca(13) nos negou olhar (02)para este céu maravilhoso, nunca nos impediu de sonhar, e sonhou conosco, e viveu conosco(03).
Em certo tempo, o homem tentou atrofiar essa máquina de honras, acabar com esse ninho de guerreiros. Ora, mas não se pode parar algo que se locomove nas asas do ideal! (16)E que foi percorrida pelos fantasmas(17) dos alunos que já a povoaram um dia e, assim(01), permaneceu viva.
Aqueles que por aqui passaram, deixaram de si um pouco, todos que tiveram suas vidas transformadas, mesmo os que não conseguiram, (22)juntaram-se à sua estrutura(23), para sempre. Em cada fresta sua, respira-se uma lembrança, por suas portas passaram grandes líderes, futuros e passados líderes, e, como um pai, viu-nos crescer para partir, na esperança de um dia voltarmos.
(11)Aqui, cresci e aprendi(12). (14)Para sempre a recordarei(15), lembranças suas estarão sempre em minha mente. Fui marcado pelo poder e aqui alimentei (18)meu desejo de ares(19), minha fome de suprema liberdade. E quando, sobre o (09)chão de nuvens(10), (24)estiver (20)ligado à máquina do meu ideal(21)(25), meu coração baterá firme, e me lembrarei da turma com a qual vivi, chorei e cresci!
Para sempre EPCAR!
(In: Senta a Pua! Turma "Tudo Av.", Barbacena, Dez 99.)
Questão 8367514
EPCAR EPCAR 2010 1 FaseU POR 2010Texto I
Da leitura do texto, é correto inferir queCarta à Minha Escola
Aluno FuriaMinha querida EPCAR,
Já és uma senhora. Uma balzaquiana cheia de vida, de esperanças e de sonhos não sonhados, uma senhora responsável por centenas de jovens corações pulsando vibrantes, com o futuro correndo nas veias, (21) e a paixão estalando nos ossos.
Ah, mas não há uma noite que a saudade não se faça presente, não há um de seus dias sempre iguais, em que a solidão e a alma não estejam repletas de incertezas quanto ao futuro. (01) Como são bravos os teus filhos (02), tão cheios de vontade, capazes de dar a vida que ainda não tiveram para honrar o teu nome! São filhos do sonho de voar (19) , netos de Ícaro (19), sobrinhos de Bartolomeu de Gusmão (19), herdeiros de Santos Dumont.
Ah (19), minha Senhora (19), já viste tantas coisas! Quantos segredos ouviste e não contaste a ninguém. (03) Quantos amores teus (16) já partiram (17) sem que (04) derramasses uma única lágrima. Quantos meninos de olhos assustados transformaste em homens de coragem incontestável na arte de pilotar um avião ou enaltecer a vida civil. Quantos destinos aqui se cruzaram. (12) Quantos anos se passaram... (13)
Em cada canto um nome, uma história para contar.
EPCAR (07), (10) ninguém pode te explicar(11),(20) nem tudo tem explicações (20). (08) Mas teu lema ecoa (09) como um suspiro de saudade no fundo do peito de cada um que já esteve em teus braços e acalentaste com teu afago, e cada um, ainda que por um momento, entendeu o "Nom multa sed multum.”
Há cinquenta e um anos vens moldando o caráter de cidadãos brasileiros, ensinando-lhes a dignidade, a união, a compaixão e a amizade. De Barbacena, dizes a todos que o destino dos sonhadores (05) ainda não foi escrito e (14) que ela continua azul (06)(15)... E, se hoje completas mais um ano de existência, faze-o (18) com a certeza de ter cumprido tua missão, com a certeza de que amanhã, quando a corneta tocar, outros meninos chegarão, serão irmanados e, como todos os que aqui se formaram, guardarão na memória, com suave ternura, teu legado de honra em prol da educação militar no Brasil.
(In: Senta a Pua! Turma Ponto 50 - Barbacena, Dez 2000.)
Questão 8367507
EFOMM EFOMM 2010 1 FaseU PORING 2010Bruno Lichtenstein
Rubem Braga
18 de Julho de 1939
Foi preso o menino Bruno Lichtenstein, que arrombou a Faculdade de Medicina. O menino Bruno Lichtenstein não é arrombador profissional. Apenas acontece que o menino Bruno Lichtenstein tem um amigo, e esse amigo é um cachorro, e esse cachorro ia ser trucidado cientificamente, para estudos, na Faculdade de Medicina. O poeta mineiro Djalma Andrade tem um soneto que acaba mais ou menos assim:
"se entre os amigos encontrei cachorros,
entre os cachorros encontrei-te, amigo”.
Mas com toda a certeza o menino Bruno Lichtenstein jamais leu esses versos. Também com certeza nunca lhe explicaram o que é vivissecção, nem lhe disseram que seu cão ia ser vivisseccionado. Tudo o que ele sabia é que lhe haviam carregado o cachorro e que iam matá-lo. Se fosse pedi-lo, naturalmente, não o dariam. Quem, neste mundo, haveria de se preocupar com o pobre menino Bruno Lichtenstein e o seu pobre cão? Mas o cachorro era seu amigo — e estava lá, metido em um porão, esperando a hora de morrer. E só uma pessoa no mundo podia salvá-lo: um menino pobre chamado Bruno Lichtenstein. Com esse sobrenome de principado, Bruno Lichtenstein é um garoto sem dinheiro. Não pagará a licença de seu amigo. Mas Bruno Lichtenstein havia de salvar a vida de seu amigo — de qualquer jeito. E jeito só havia um: ir lá e tirar o cachorro. De longe, Bruno Lichtenstein chorava, pensando ouvir o ganido triste de um condenado à morte. Via homens cruéis metendo o bisturi na carne quente de seu amigo: via sangue derramado. Horrível, horrível. Bruno Lichtenstein sentiu que seria o último dos infames se não agisse imediatamente.
Agiu. Escalou uma janela, arrebentou um vidro, saltou. Estava dentro do edifício. Andando pelas salas desertas, foi até onde estava o seu amigo. Sentiu que o seu coração batia mais depressa. Deu um assovio, um velho assovio de amizade.
Um vulto se destacou em um salto - e um focinho quente e úmido lambeu a mão de Bruno Lichtenstein. Agora era fugir para a rua, para a liberdade, para a vida...
Bruno Lichtenstein, da cabeça aos pés, tremia de susto e de alegria. Foi aí que ele ouviu uma voz áspera e espantada de homem. Era o dr. Loforte. O dr. Loforte surpreendeu o menino. Um menino podre, que tremia, que havia arrombado a Faculdade. Só podia ser um ladrão! Bruno Lichtenstein não explicou nada — e fez bem. Para o dr. Loforte um cachorro não é um cachorro — é um material de estudo como outro qualquer.
Na polícia apareceu o pai do menino. O pai, o professor e o delegado conversaram longamente — e Bruno Lichtenstein não ouvia nada. Só ouvia, lá longe, o ganir de um condenado à morte.
Já te entregaram o cachorro, esse cachorro ia ser trucidado cientificamente, para estudos, na Faculdade de Medicina. Tu o mereceste, porque tu foste amigo. Não te deram nem te darão medalha nenhuma — porque não há medalha nenhuma para distinguir a amizade. Mas te entregaram o teu cachorro, o cachorro que reivindicaste como um pequeno herói. Tu é um homem, Bruno Lichtenstein — um homem no sentido decente da palavra, muito mais homem que muito homem. Um aperto de mão, Bruno Lichtenstein.
Na sequência de palavras sublinhadas abaixo, uma delas se acentua por uma regra diferente das demais. Assinale a opção em que essa palavra aparece.BRAGA, Rubem. 1939 — Um episódio em Porto Alegre (Uma fada no front). Rio de Janeiro. Record, 2002. pg 37.
Questão 8367499
EFOMM EFOMM 2010 1 FaseU PORING 2010Bruno Lichtenstein
Rubem Braga
18 de Julho de 1939
Foi preso o menino Bruno Lichtenstein, que arrombou a Faculdade de Medicina. O menino Bruno Lichtenstein não é arrombador profissional. Apenas acontece que o menino Bruno Lichtenstein tem um amigo, e esse amigo é um cachorro, e esse cachorro ia ser trucidado cientificamente, para estudos, na Faculdade de Medicina. O poeta mineiro Djalma Andrade tem um soneto que acaba mais ou menos assim:
"se entre os amigos encontrei cachorros,
entre os cachorros encontrei-te, amigo”.
Mas com toda a certeza o menino Bruno Lichtenstein jamais leu esses versos. Também com certeza nunca lhe explicaram o que é vivissecção, nem lhe disseram que seu cão ia ser vivisseccionado. Tudo o que ele sabia é que lhe haviam carregado o cachorro e que iam matá-lo. Se fosse pedi-lo, naturalmente, não o dariam. Quem, neste mundo, haveria de se preocupar com o pobre menino Bruno Lichtenstein e o seu pobre cão? Mas o cachorro era seu amigo — e estava lá, metido em um porão, esperando a hora de morrer. E só uma pessoa no mundo podia salvá-lo: um menino pobre chamado Bruno Lichtenstein. Com esse sobrenome de principado, Bruno Lichtenstein é um garoto sem dinheiro. Não pagará a licença de seu amigo. Mas Bruno Lichtenstein havia de salvar a vida de seu amigo — de qualquer jeito. E jeito só havia um: ir lá e tirar o cachorro. De longe, Bruno Lichtenstein chorava, pensando ouvir o ganido triste de um condenado à morte. Via homens cruéis metendo o bisturi na carne quente de seu amigo: via sangue derramado. Horrível, horrível. Bruno Lichtenstein sentiu que seria o último dos infames se não agisse imediatamente.
Agiu. Escalou uma janela, arrebentou um vidro, saltou. Estava dentro do edifício. Andando pelas salas desertas, foi até onde estava o seu amigo. Sentiu que o seu coração batia mais depressa. Deu um assovio, um velho assovio de amizade.
Um vulto se destacou em um salto - e um focinho quente e úmido lambeu a mão de Bruno Lichtenstein. Agora era fugir para a rua, para a liberdade, para a vida...
Bruno Lichtenstein, da cabeça aos pés, tremia de susto e de alegria. Foi aí que ele ouviu uma voz áspera e espantada de homem. Era o dr. Loforte. O dr. Loforte surpreendeu o menino. Um menino podre, que tremia, que havia arrombado a Faculdade. Só podia ser um ladrão! Bruno Lichtenstein não explicou nada — e fez bem. Para o dr. Loforte um cachorro não é um cachorro — é um material de estudo como outro qualquer.
Na polícia apareceu o pai do menino. O pai, o professor e o delegado conversaram longamente — e Bruno Lichtenstein não ouvia nada. Só ouvia, lá longe, o ganir de um condenado à morte.
Já te entregaram o cachorro, esse cachorro ia ser trucidado cientificamente, para estudos, na Faculdade de Medicina. Tu o mereceste, porque tu foste amigo. Não te deram nem te darão medalha nenhuma — porque não há medalha nenhuma para distinguir a amizade. Mas te entregaram o teu cachorro, o cachorro que reivindicaste como um pequeno herói. Tu é um homem, Bruno Lichtenstein — um homem no sentido decente da palavra, muito mais homem que muito homem. Um aperto de mão, Bruno Lichtenstein.
Às vezes, por razões de expressividade, a posição do adjetivo na frase, em relação ao substantivo, altera o sentido daquele. Esse exemplo encontra-se em:BRAGA, Rubem. 1939 — Um episódio em Porto Alegre (Uma fada no front). Rio de Janeiro. Record, 2002. pg 37.
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