Questões de EFAF Português
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Questão 8 10176948
IFCE* 1° Ano 2010/1O BEATO ROMANO
Saí dali zonzo. Tinha sido fácil demais. Meu Deus, eu que pensava ir encontrar uma fera – encontrei o
quê? Um chefe de bando, um comandante, uma sinhá governando a sua senzala?
Ela mandou que o João Rufo me arranjasse uma rede. Jogaram no chão a trouxa que eu trazia e o
João Rufo disse:
[5] – Tome os seus molambos!
Mas falou quase como se fosse uma prosa, uma brincadeira. Via-se que não estava seguro a meu
respeito; no começo me tratou com pouco caso, arrogante, mas agora parecia desconfiado. Não sei se engoliu
a história do Beato Romano; eu não tinha chegado ali com roupa de beato, mas de calça e blusa, como um
homem qualquer. E a espingardinha velha não era de cabra de respeito, a faca só servia pra picar fumo. Que é
[10] que eu vinha fazer para a Dona Moura, se não era um guerreiro?
E João Rufo chegou a me fazer essas perguntas, enquanto eu atava as cordas da minha rede.
Pequena e ruim, por sinal. Me deram também um prato com pirão de peixe cozido, e um taco de rapadura.
Eu ainda pedi ao homem notícias do meu cavalo.
– Se não morrer de tão estropiado que está, vai engordar solto. Ainda tem por aí muita capoeira com
[15] pasto.
Na rede, onde eu caí, não devia parecer um adormecido, mas um defunto em caminho da cova. Só de
ceroulas, sem camisa, o calor tão forte... Queria pensar, mas morria de cansado. Deus do céu, o que iria pela
cabeça da Dona? Lembrar, ela lembrou, disso eu tenho certeza... Mas a minha dúvida é outra: que é que ela
vai fazer de mim? Não sei se acreditou na minha história e se a aceita. Quem sabe me mata?
[20] Ora, se quisesse me matar já tinha feito... Mas, por outro lado, para que ela vai me querer vivo? Que
serventia eu posso ter, nesta praça de guerra? Talvez ela ainda mande os cabras me darem um aperto. E pode
ser que eu aguente. Afinal, mesmo debaixo de confissão, não posso dizer nada que interesse à Dona. Nada.
Toda a minha tragédia se passou depois que ela foi embora. Na gente com quem eu andei e ando, ela nunca
ouviu nem falar. Gente sem poder... Sem dinheiro... Sem força... Deus do céu, creio que, pelo menos por agora,
[25] eu já posso dormir.
QUEIROZ, Rachel de. Memorial de Maria Moura. 7 ed. São Paulo; Siciliano, 1992. P. 15-16.
Sobre o trecho “... que é que ela vai fazer de mim?” (linhas 18 e 19), é correto afirmar-se que
Questão 7 10176924
IFCE* 1° Ano 2010/1O BEATO ROMANO
Saí dali zonzo. Tinha sido fácil demais. Meu Deus, eu que pensava ir encontrar uma fera – encontrei o
quê? Um chefe de bando, um comandante, uma sinhá governando a sua senzala?
Ela mandou que o João Rufo me arranjasse uma rede. Jogaram no chão a trouxa que eu trazia e o
João Rufo disse:
[5] – Tome os seus molambos!
Mas falou quase como se fosse uma prosa, uma brincadeira. Via-se que não estava seguro a meu
respeito; no começo me tratou com pouco caso, arrogante, mas agora parecia desconfiado. Não sei se engoliu
a história do Beato Romano; eu não tinha chegado ali com roupa de beato, mas de calça e blusa, como um
homem qualquer. E a espingardinha velha não era de cabra de respeito, a faca só servia pra picar fumo. Que é
[10] que eu vinha fazer para a Dona Moura, se não era um guerreiro?
E João Rufo chegou a me fazer essas perguntas, enquanto eu atava as cordas da minha rede.
Pequena e ruim, por sinal. Me deram também um prato com pirão de peixe cozido, e um taco de rapadura.
Eu ainda pedi ao homem notícias do meu cavalo.
– Se não morrer de tão estropiado que está, vai engordar solto. Ainda tem por aí muita capoeira com
[15] pasto.
Na rede, onde eu caí, não devia parecer um adormecido, mas um defunto em caminho da cova. Só de
ceroulas, sem camisa, o calor tão forte... Queria pensar, mas morria de cansado. Deus do céu, o que iria pela
cabeça da Dona? Lembrar, ela lembrou, disso eu tenho certeza... Mas a minha dúvida é outra: que é que ela
vai fazer de mim? Não sei se acreditou na minha história e se a aceita. Quem sabe me mata?
[20] Ora, se quisesse me matar já tinha feito... Mas, por outro lado, para que ela vai me querer vivo? Que
serventia eu posso ter, nesta praça de guerra? Talvez ela ainda mande os cabras me darem um aperto. E pode
ser que eu aguente. Afinal, mesmo debaixo de confissão, não posso dizer nada que interesse à Dona. Nada.
Toda a minha tragédia se passou depois que ela foi embora. Na gente com quem eu andei e ando, ela nunca
ouviu nem falar. Gente sem poder... Sem dinheiro... Sem força... Deus do céu, creio que, pelo menos por agora,
[25] eu já posso dormir.
QUEIROZ, Rachel de. Memorial de Maria Moura. 7 ed. São Paulo; Siciliano, 1992. P. 15-16.
Na oração “Saí dali zonzo” (linha 1), o termo grifado
Questão 6 10176921
IFCE* 1° Ano 2010/1O BEATO ROMANO
Saí dali zonzo. Tinha sido fácil demais. Meu Deus, eu que pensava ir encontrar uma fera – encontrei o
quê? Um chefe de bando, um comandante, uma sinhá governando a sua senzala?
Ela mandou que o João Rufo me arranjasse uma rede. Jogaram no chão a trouxa que eu trazia e o
João Rufo disse:
[5] – Tome os seus molambos!
Mas falou quase como se fosse uma prosa, uma brincadeira. Via-se que não estava seguro a meu
respeito; no começo me tratou com pouco caso, arrogante, mas agora parecia desconfiado. Não sei se engoliu
a história do Beato Romano; eu não tinha chegado ali com roupa de beato, mas de calça e blusa, como um
homem qualquer. E a espingardinha velha não era de cabra de respeito, a faca só servia pra picar fumo. Que é
[10] que eu vinha fazer para a Dona Moura, se não era um guerreiro?
E João Rufo chegou a me fazer essas perguntas, enquanto eu atava as cordas da minha rede.
Pequena e ruim, por sinal. Me deram também um prato com pirão de peixe cozido, e um taco de rapadura.
Eu ainda pedi ao homem notícias do meu cavalo.
– Se não morrer de tão estropiado que está, vai engordar solto. Ainda tem por aí muita capoeira com
[15] pasto.
Na rede, onde eu caí, não devia parecer um adormecido, mas um defunto em caminho da cova. Só de
ceroulas, sem camisa, o calor tão forte... Queria pensar, mas morria de cansado. Deus do céu, o que iria pela
cabeça da Dona? Lembrar, ela lembrou, disso eu tenho certeza... Mas a minha dúvida é outra: que é que ela
vai fazer de mim? Não sei se acreditou na minha história e se a aceita. Quem sabe me mata?
[20] Ora, se quisesse me matar já tinha feito... Mas, por outro lado, para que ela vai me querer vivo? Que
serventia eu posso ter, nesta praça de guerra? Talvez ela ainda mande os cabras me darem um aperto. E pode
ser que eu aguente. Afinal, mesmo debaixo de confissão, não posso dizer nada que interesse à Dona. Nada.
Toda a minha tragédia se passou depois que ela foi embora. Na gente com quem eu andei e ando, ela nunca
ouviu nem falar. Gente sem poder... Sem dinheiro... Sem força... Deus do céu, creio que, pelo menos por agora,
[25] eu já posso dormir.
QUEIROZ, Rachel de. Memorial de Maria Moura. 7 ed. São Paulo; Siciliano, 1992. P. 15-16.
No quarto parágrafo, o ponto-e-vírgula
Questão 5 10176917
IFCE* 1° Ano 2010/1O BEATO ROMANO
Saí dali zonzo. Tinha sido fácil demais. Meu Deus, eu que pensava ir encontrar uma fera – encontrei o
quê? Um chefe de bando, um comandante, uma sinhá governando a sua senzala?
Ela mandou que o João Rufo me arranjasse uma rede. Jogaram no chão a trouxa que eu trazia e o
João Rufo disse:
[5] – Tome os seus molambos!
Mas falou quase como se fosse uma prosa, uma brincadeira. Via-se que não estava seguro a meu
respeito; no começo me tratou com pouco caso, arrogante, mas agora parecia desconfiado. Não sei se engoliu
a história do Beato Romano; eu não tinha chegado ali com roupa de beato, mas de calça e blusa, como um
homem qualquer. E a espingardinha velha não era de cabra de respeito, a faca só servia pra picar fumo. Que é
[10] que eu vinha fazer para a Dona Moura, se não era um guerreiro?
E João Rufo chegou a me fazer essas perguntas, enquanto eu atava as cordas da minha rede.
Pequena e ruim, por sinal. Me deram também um prato com pirão de peixe cozido, e um taco de rapadura.
Eu ainda pedi ao homem notícias do meu cavalo.
– Se não morrer de tão estropiado que está, vai engordar solto. Ainda tem por aí muita capoeira com
[15] pasto.
Na rede, onde eu caí, não devia parecer um adormecido, mas um defunto em caminho da cova. Só de
ceroulas, sem camisa, o calor tão forte... Queria pensar, mas morria de cansado. Deus do céu, o que iria pela
cabeça da Dona? Lembrar, ela lembrou, disso eu tenho certeza... Mas a minha dúvida é outra: que é que ela
vai fazer de mim? Não sei se acreditou na minha história e se a aceita. Quem sabe me mata?
[20] Ora, se quisesse me matar já tinha feito... Mas, por outro lado, para que ela vai me querer vivo? Que
serventia eu posso ter, nesta praça de guerra? Talvez ela ainda mande os cabras me darem um aperto. E pode
ser que eu aguente. Afinal, mesmo debaixo de confissão, não posso dizer nada que interesse à Dona. Nada.
Toda a minha tragédia se passou depois que ela foi embora. Na gente com quem eu andei e ando, ela nunca
ouviu nem falar. Gente sem poder... Sem dinheiro... Sem força... Deus do céu, creio que, pelo menos por agora,
[25] eu já posso dormir.
QUEIROZ, Rachel de. Memorial de Maria Moura. 7 ed. São Paulo; Siciliano, 1992. P. 15-16.
Em uma das opções, os substantivos “prato” e “pirão” (linha 12) integram uma construção linguística que se constitui um exemplo de metonímia.
Questão 4 10176914
IFCE* 1° Ano 2010/1O BEATO ROMANO
Saí dali zonzo. Tinha sido fácil demais. Meu Deus, eu que pensava ir encontrar uma fera – encontrei o
quê? Um chefe de bando, um comandante, uma sinhá governando a sua senzala?
Ela mandou que o João Rufo me arranjasse uma rede. Jogaram no chão a trouxa que eu trazia e o
João Rufo disse:
[5] – Tome os seus molambos!
Mas falou quase como se fosse uma prosa, uma brincadeira. Via-se que não estava seguro a meu
respeito; no começo me tratou com pouco caso, arrogante, mas agora parecia desconfiado. Não sei se engoliu
a história do Beato Romano; eu não tinha chegado ali com roupa de beato, mas de calça e blusa, como um
homem qualquer. E a espingardinha velha não era de cabra de respeito, a faca só servia pra picar fumo. Que é
[10] que eu vinha fazer para a Dona Moura, se não era um guerreiro?
E João Rufo chegou a me fazer essas perguntas, enquanto eu atava as cordas da minha rede.
Pequena e ruim, por sinal. Me deram também um prato com pirão de peixe cozido, e um taco de rapadura.
Eu ainda pedi ao homem notícias do meu cavalo.
– Se não morrer de tão estropiado que está, vai engordar solto. Ainda tem por aí muita capoeira com
[15] pasto.
Na rede, onde eu caí, não devia parecer um adormecido, mas um defunto em caminho da cova. Só de
ceroulas, sem camisa, o calor tão forte... Queria pensar, mas morria de cansado. Deus do céu, o que iria pela
cabeça da Dona? Lembrar, ela lembrou, disso eu tenho certeza... Mas a minha dúvida é outra: que é que ela
vai fazer de mim? Não sei se acreditou na minha história e se a aceita. Quem sabe me mata?
[20] Ora, se quisesse me matar já tinha feito... Mas, por outro lado, para que ela vai me querer vivo? Que
serventia eu posso ter, nesta praça de guerra? Talvez ela ainda mande os cabras me darem um aperto. E pode
ser que eu aguente. Afinal, mesmo debaixo de confissão, não posso dizer nada que interesse à Dona. Nada.
Toda a minha tragédia se passou depois que ela foi embora. Na gente com quem eu andei e ando, ela nunca
ouviu nem falar. Gente sem poder... Sem dinheiro... Sem força... Deus do céu, creio que, pelo menos por agora,
[25] eu já posso dormir.
QUEIROZ, Rachel de. Memorial de Maria Moura. 7 ed. São Paulo; Siciliano, 1992. P. 15-16.
O último período do texto permite inferir que a convicção final do narrador é a de que
Questão 3 10176908
IFCE* 1° Ano 2010/1O BEATO ROMANO
Saí dali zonzo. Tinha sido fácil demais. Meu Deus, eu que pensava ir encontrar uma fera – encontrei o
quê? Um chefe de bando, um comandante, uma sinhá governando a sua senzala?
Ela mandou que o João Rufo me arranjasse uma rede. Jogaram no chão a trouxa que eu trazia e o
João Rufo disse:
[5] – Tome os seus molambos!
Mas falou quase como se fosse uma prosa, uma brincadeira. Via-se que não estava seguro a meu
respeito; no começo me tratou com pouco caso, arrogante, mas agora parecia desconfiado. Não sei se engoliu
a história do Beato Romano; eu não tinha chegado ali com roupa de beato, mas de calça e blusa, como um
homem qualquer. E a espingardinha velha não era de cabra de respeito, a faca só servia pra picar fumo. Que é
[10] que eu vinha fazer para a Dona Moura, se não era um guerreiro?
E João Rufo chegou a me fazer essas perguntas, enquanto eu atava as cordas da minha rede.
Pequena e ruim, por sinal. Me deram também um prato com pirão de peixe cozido, e um taco de rapadura.
Eu ainda pedi ao homem notícias do meu cavalo.
– Se não morrer de tão estropiado que está, vai engordar solto. Ainda tem por aí muita capoeira com
[15] pasto.
Na rede, onde eu caí, não devia parecer um adormecido, mas um defunto em caminho da cova. Só de
ceroulas, sem camisa, o calor tão forte... Queria pensar, mas morria de cansado. Deus do céu, o que iria pela
cabeça da Dona? Lembrar, ela lembrou, disso eu tenho certeza... Mas a minha dúvida é outra: que é que ela
vai fazer de mim? Não sei se acreditou na minha história e se a aceita. Quem sabe me mata?
[20] Ora, se quisesse me matar já tinha feito... Mas, por outro lado, para que ela vai me querer vivo? Que
serventia eu posso ter, nesta praça de guerra? Talvez ela ainda mande os cabras me darem um aperto. E pode
ser que eu aguente. Afinal, mesmo debaixo de confissão, não posso dizer nada que interesse à Dona. Nada.
Toda a minha tragédia se passou depois que ela foi embora. Na gente com quem eu andei e ando, ela nunca
ouviu nem falar. Gente sem poder... Sem dinheiro... Sem força... Deus do céu, creio que, pelo menos por agora,
[25] eu já posso dormir.
QUEIROZ, Rachel de. Memorial de Maria Moura. 7 ed. São Paulo; Siciliano, 1992. P. 15-16.
Trocando-se a expressão “... era um guerreiro?” (linha 10) por guerrear, a expressão se não deve transformar-se em senão e corresponde a
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