Questões de EFAF Português
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Questão 6 10180766
IFCE* 1° Ano 2010/2TORNAR-SE PESSOA – UM EMPREENDIMENTO
Para compreender a “aventura de tornar-se cônscio de si mesmo” e descobrir as fontes de vigor e
segurança íntima que são a recompensa do empreendimento, comecemos por indagar: “Que é esta pessoa,
este senso de self que procuramos?”
Há alguns anos, um psicólogo adquiriu um chimpanzé da mesma idade de seu filho bebê. Com a ideia
[5] de fazer uma experiência, como é hábito entre os de sua especialidade, criou o ser humano e o macaco juntos
em sua casa. Durante os primeiros meses, os dois evoluíram mais ou menos no mesmo ritmo, brincando juntos
e revelando poucas diferenças. Mas, após um ano, uma transformação começou a manifestar-se no bebê, e daí
em diante a diferença entre os dois tornou-se pronunciada.
Deu-se exatamente o que era de se esperar, pois existe pouca diversidade entre o ser humano e
[10] qualquer filhote de mamífero, desde a origem do feto no ventre materno, passando pelo primeiro pulsar do
coração, até a expulsão no momento do parto, o início da respiração independente e os primeiros meses de
vida. Mas aos dois anos, mais ou menos, surge no ser humano a mais importante e radical ocorrência no
processo evolutivo, isto é, a autoconsciência. Ele começa a perceber que é um “eu”. Quando feto, no ventre
materno, fazia parte do “nós original” com sua mãe. Mas, àquela altura, a criança, pela primeira vez, toma
[15] consciência de sua liberdade. Sente-a, segundo Gregory Bateson, no contexto do relacionamento com os pais.
Sente a si mesma como um indivíduo independente, capaz de opor-se a eles, se necessário. Esta notável
ocorrência constitui o nascimento da pessoa no animal humano.
MAY, R. O homem à procura de si mesmo. Trad. Áurea Brito Weissenberg. 32 ed. Petrópolis: Vozes, 02001.
A palavra “liberdade” (linha 15), se flexionada no plural, muda de sentido, isto é, passa a significar “atrevimento”.
O mesmo acontece com o par de palavras:
Questão 5 10180572
IFCE* 1° Ano 2010/2TORNAR-SE PESSOA – UM EMPREENDIMENTO
Para compreender a “aventura de tornar-se cônscio de si mesmo” e descobrir as fontes de vigor e
segurança íntima que são a recompensa do empreendimento, comecemos por indagar: “Que é esta pessoa,
este senso de self que procuramos?”
Há alguns anos, um psicólogo adquiriu um chimpanzé da mesma idade de seu filho bebê. Com a ideia
[5] de fazer uma experiência, como é hábito entre os de sua especialidade, criou o ser humano e o macaco juntos
em sua casa. Durante os primeiros meses, os dois evoluíram mais ou menos no mesmo ritmo, brincando juntos
e revelando poucas diferenças. Mas, após um ano, uma transformação começou a manifestar-se no bebê, e daí
em diante a diferença entre os dois tornou-se pronunciada.
Deu-se exatamente o que era de se esperar, pois existe pouca diversidade entre o ser humano e
[10] qualquer filhote de mamífero, desde a origem do feto no ventre materno, passando pelo primeiro pulsar do
coração, até a expulsão no momento do parto, o início da respiração independente e os primeiros meses de
vida. Mas aos dois anos, mais ou menos, surge no ser humano a mais importante e radical ocorrência no
processo evolutivo, isto é, a autoconsciência. Ele começa a perceber que é um “eu”. Quando feto, no ventre
materno, fazia parte do “nós original” com sua mãe. Mas, àquela altura, a criança, pela primeira vez, toma
[15] consciência de sua liberdade. Sente-a, segundo Gregory Bateson, no contexto do relacionamento com os pais.
Sente a si mesma como um indivíduo independente, capaz de opor-se a eles, se necessário. Esta notável
ocorrência constitui o nascimento da pessoa no animal humano.
MAY, R. O homem à procura de si mesmo. Trad. Áurea Brito Weissenberg. 32 ed. Petrópolis: Vozes, 02001.
Só não estão relacionadas no texto as palavras ou expressões do item
Questão 13 10176995
IFCE* 1° Ano 2010/1A orelha da sétima edição de Memorial de Maria Moura traz a seguinte nota do editor:
“Protesto. Denúncia. Indignação. Raiva. Orgulho. Soberba. Alucinação. Exasperação de todos os sentimentos – péssimos e ótimos – passíveis de serem experimentados por esse ser que teima, se obstina em ainda se humano.”
Depois de ler o texto acima, o leitor não deve esperar que o romance
Questão 12 10176991
IFCE* 1° Ano 2010/1Sobre a autora de “Memorial de Maria Moura”, é falso o que se afirma em
Questão 11 10176984
IFCE* 1° Ano 2010/1O BEATO ROMANO
Saí dali zonzo. Tinha sido fácil demais. Meu Deus, eu que pensava ir encontrar uma fera – encontrei o
quê? Um chefe de bando, um comandante, uma sinhá governando a sua senzala?
Ela mandou que o João Rufo me arranjasse uma rede. Jogaram no chão a trouxa que eu trazia e o
João Rufo disse:
[5] – Tome os seus molambos!
Mas falou quase como se fosse uma prosa, uma brincadeira. Via-se que não estava seguro a meu
respeito; no começo me tratou com pouco caso, arrogante, mas agora parecia desconfiado. Não sei se engoliu
a história do Beato Romano; eu não tinha chegado ali com roupa de beato, mas de calça e blusa, como um
homem qualquer. E a espingardinha velha não era de cabra de respeito, a faca só servia pra picar fumo. Que é
[10] que eu vinha fazer para a Dona Moura, se não era um guerreiro?
E João Rufo chegou a me fazer essas perguntas, enquanto eu atava as cordas da minha rede.
Pequena e ruim, por sinal. Me deram também um prato com pirão de peixe cozido, e um taco de rapadura.
Eu ainda pedi ao homem notícias do meu cavalo.
– Se não morrer de tão estropiado que está, vai engordar solto. Ainda tem por aí muita capoeira com
[15] pasto.
Na rede, onde eu caí, não devia parecer um adormecido, mas um defunto em caminho da cova. Só de
ceroulas, sem camisa, o calor tão forte... Queria pensar, mas morria de cansado. Deus do céu, o que iria pela
cabeça da Dona? Lembrar, ela lembrou, disso eu tenho certeza... Mas a minha dúvida é outra: que é que ela
vai fazer de mim? Não sei se acreditou na minha história e se a aceita. Quem sabe me mata?
[20] Ora, se quisesse me matar já tinha feito... Mas, por outro lado, para que ela vai me querer vivo? Que
serventia eu posso ter, nesta praça de guerra? Talvez ela ainda mande os cabras me darem um aperto. E pode
ser que eu aguente. Afinal, mesmo debaixo de confissão, não posso dizer nada que interesse à Dona. Nada.
Toda a minha tragédia se passou depois que ela foi embora. Na gente com quem eu andei e ando, ela nunca
ouviu nem falar. Gente sem poder... Sem dinheiro... Sem força... Deus do céu, creio que, pelo menos por agora,
[25] eu já posso dormir.
QUEIROZ, Rachel de. Memorial de Maria Moura. 7 ed. São Paulo; Siciliano, 1992. P. 15-16.
O acento indicativo de crase do trecho “... interesse à Dona” (linha 22) fica mantido obrigatoriamente, se a palavra grifada for trocada por
Questão 10 10176978
IFCE* 1° Ano 2010/1O BEATO ROMANO
Saí dali zonzo. Tinha sido fácil demais. Meu Deus, eu que pensava ir encontrar uma fera – encontrei o
quê? Um chefe de bando, um comandante, uma sinhá governando a sua senzala?
Ela mandou que o João Rufo me arranjasse uma rede. Jogaram no chão a trouxa que eu trazia e o
João Rufo disse:
[5] – Tome os seus molambos!
Mas falou quase como se fosse uma prosa, uma brincadeira. Via-se que não estava seguro a meu
respeito; no começo me tratou com pouco caso, arrogante, mas agora parecia desconfiado. Não sei se engoliu
a história do Beato Romano; eu não tinha chegado ali com roupa de beato, mas de calça e blusa, como um
homem qualquer. E a espingardinha velha não era de cabra de respeito, a faca só servia pra picar fumo. Que é
[10] que eu vinha fazer para a Dona Moura, se não era um guerreiro?
E João Rufo chegou a me fazer essas perguntas, enquanto eu atava as cordas da minha rede.
Pequena e ruim, por sinal. Me deram também um prato com pirão de peixe cozido, e um taco de rapadura.
Eu ainda pedi ao homem notícias do meu cavalo.
– Se não morrer de tão estropiado que está, vai engordar solto. Ainda tem por aí muita capoeira com
[15] pasto.
Na rede, onde eu caí, não devia parecer um adormecido, mas um defunto em caminho da cova. Só de
ceroulas, sem camisa, o calor tão forte... Queria pensar, mas morria de cansado. Deus do céu, o que iria pela
cabeça da Dona? Lembrar, ela lembrou, disso eu tenho certeza... Mas a minha dúvida é outra: que é que ela
vai fazer de mim? Não sei se acreditou na minha história e se a aceita. Quem sabe me mata?
[20] Ora, se quisesse me matar já tinha feito... Mas, por outro lado, para que ela vai me querer vivo? Que
serventia eu posso ter, nesta praça de guerra? Talvez ela ainda mande os cabras me darem um aperto. E pode
ser que eu aguente. Afinal, mesmo debaixo de confissão, não posso dizer nada que interesse à Dona. Nada.
Toda a minha tragédia se passou depois que ela foi embora. Na gente com quem eu andei e ando, ela nunca
ouviu nem falar. Gente sem poder... Sem dinheiro... Sem força... Deus do céu, creio que, pelo menos por agora,
[25] eu já posso dormir.
QUEIROZ, Rachel de. Memorial de Maria Moura. 7 ed. São Paulo; Siciliano, 1992. P. 15-16.
Em “... eu tinha chegado...” (linha 8), a forma verbal composta corresponde a chegara e expressa uma ação
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