Estuda.com Estuda.com
  • Meu painel
  • Treinar
      Questões
    • Questões
    • Lista de exercícios
    • Provas
    • Simulados TRI
    • Simulados
    • Redações
    • Temas de redações
  • Estudar
      Plano de estudo
    • Cronograma de Estudos
    • Trilha de Estudo
    • Aulas
    • Videoaulas
    • Aulas ao vivo
    • Inteligência Artificial
    • Plano Adaptativo (via IA)
    • Duda IA
    • Conteúdos Gratuitos
    • Blogs e Ebooks
    • Resumos
  • Desempenho
      Desempenho
    • Meu Desempenho
    • Raio-X ENEM
    • Simulador SISU
  • Desafios
      Desafios
    • Ranking
    • Medalhas
    • Desafios da Duda
  • Login Criar conta grátis
    Estuda.com
  • Login Criar conta grátis

  • Meu painel
  • Treinar
      Questões
    • Questões
    • Lista de exercícios
    • Provas
    • Simulados TRI
    • Simulados
    • Redações
    • Temas de redações
  • Estudar
      Plano de estudo
    • Cronograma de Estudos
    • Trilha de Estudo
    • Aulas
    • Videoaulas
    • Aulas ao vivo
    • Inteligência Artificial
    • Plano Adaptativo (via IA)
    • Duda IA
    • Conteúdos Gratuitos
    • Blogs e Ebooks
    • Resumos
  • Desempenho
      Desempenho
    • Meu Desempenho
    • Raio-X ENEM
    • Simulador SISU
  • Desafios
      Desafios
    • Ranking
    • Medalhas
    • Desafios da Duda

  • Notificações 20
    • 🚨 OFERTA RELÂMPAGO EXCLUSIVA PRA VOCÊ
      R$ 307 DE DESCONTO + Apostila Redação Nota 1000 DE GRAÇA. Válido por 48h. Corre!
    • ⚠️⚠️⚠️ EI, VOCÊ JÁ COMEÇOU O SIMULADO?
      É sua chance de descobrir sua nota no modelo TRI e concorrer a uma bolsa 100% da Estuda.
    • 🚨🚨🚨 NOTÍCIA URGENTE!
      Assine hoje com 30% OFF e ganhe a Apostila Assuntos que mais caem no Enem. Use cupom ENEM!
    • 🚨 2º SIMULADO ENEM DISPONÍVEL, VEMMMM
      Realize as provas do 2º Simulado Enem 2026 e teste seu desempenho para a prova oficial.
    • 🤔 Se o Enem fosse hoje...
      Qual seria sua nota? Participe do 2º Simulado Enem 2026, receba seu diagnóstico e descubra
    • 🎁 R$ 263 OFF LIBERADO SÓ PARA VOCÊ!
      Resgate HOJE e LEVE DE GRAÇA a Apostila Assuntos que mais caem no Enem. ÚLTIMOS DIAS!
    • 🚨 PRESENTÃO EXCLUSIVO PRA VOCÊ!
      R$ 307 DE DESCONTO nos nossos planos + ALMANAQUE ENEM DE GRAÇA. Válido só HOJE. Corre!
    • 🚨 URGENTE!!!
      Você GANHOU R$ 281 OFF + Manual de Redação Enem 2026. Últimos dias para resgatar, corre!
    • ⚠️ ÚLTIMO DIAAAA DO 08.08 ESTENDIDO
      Você só tem até às 23h59 de HOJE pra resgatar 50% OFF no seu plano preferido. Vai ignorar?
    • 🚨🚨🚨 ACABANDO EM BREVE...
      Correeee que tá acabando sua chance de assinar um dos nossos planos com 50% DE DESCONTO!
    • 😱 APROVAÇÃO NO ENEM = 50% DE DESCONTO!
      É quase uma Black Friday antecipada. Corre pra assinar seu plano com 50% DE DESCONTO!
    • 😱 DESCONTAÇO DO 08.08!
      Por tempo limitado, você tem 50% OFF para assinar o PLANO da sua APROVAÇÃO no Enem. Corre!
    • 👀 Coloque alarme pra amanhã!
      Nosso 08.08 vem com uma condição ANTECIPADA, IMPERDÍVEL e EXCLUSIVA pra você. Não perde!
    • 🎁 PRESENTE PRA VOCÊ!
      35% OFF + Manual de Redação Enem 2026 no plano Aprovado com acesso até o fim do ano!
    • 🟢 A SEGUNDA AULA DO DIA COMEÇOU!
      O prof. Fernando está AO VIVO ensinando como passar no Enem em 100 dias, vem!
    • 🚨🚨🚨 O PROFINHO ESTÁ AO VIVO!
      Corre no YouTube pra conferir os 7 repertórios para TODOS os temas da redação do Enem 2026
    • 🟢 ESTAMOS AO VIVO, VEM!
      Clique no link e participe da aula de Mindfulness e Meditação Guiada antes do aulão!
    • ⚠️ AO VIVO EM 15 MINUTOS!
      17h30 entramos ao vivo no YouTube com Mindfulness + 7 repertórios de Redação, não perde!
    • 😔 Acho que você tá esquecendo algo...
      Seu desconto de 35% OFF + 3 APOSTILAS DE PRESENTE acaba às 23h59 e você vai MESMO perder?
    • 👀 VAI IGNORAR MESMO R$ 307 DE DESCONTO?
      Use o cupom FERIAS e desbloqueie TRÊS BENEFÍCIOS EXTRAS AGORA! Último dia!!!
    • Marcar tudo como lido
Cadastre-se grátis e treine com questões, provas, exercícios e muito mais → CADASTRAR AGORA
Descubra um novo jeito de estudar com a Estuda.com
Já tenho conta Criar conta
Google
- A senha deve conter no mínimo 5 caracteres.
*Usaremos o número de WhatsApp fornecido para contatos referentes a sua compra e/ou comunicações sobre o plano adquirido.
Ao fazer seu cadastro você concorda com nossos Termos de uso e Políticas da Estuda.com
Google
*Usaremos o número de WhatsApp fornecido para contatos referentes a sua compra e/ou comunicações sobre o plano adquirido.
Esqueceu a senha?
[Marketing] Questao Topo - deslogado

Questões de EFAF Português

Filtro rápido

15.488 Questões

Marca Texto
Modo Escuro
Fonte

Questão 12 10737067
Fácil 00:00

CMBH 6° Ano - Português 2011
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Estratégias de leitura Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Conto
  • Exibir tags
Resolução comentada

A DOIDA

Carlos Drummond de Andrade

 

1°§    A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado. E a rua descia para o córrego, onde os meninos costumavam banhar-se.

2°§    Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho. Só com essa intenção. Mas era bom passar pela casa da doida e provocá-la. As mães diziam o contrário: que era horroroso, poucos pecados seriam maiores.

3°§    Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto (contava mais de sessenta anos). Repudiada por todos, ela se fechou naquele chalé, e acabou perdendo o juízo. Perdera antes todas as relações. Ninguém tinha ânimo de visitá-la. O padeiro mal jogava o pão na caixa de madeira, à entrada, e desaparecia. Diziam que nessa caixa uns primos generosos mandavam pôr, à noite, mantimentos e roupas, embora oficialmente a ruptura com a família se mantivesse inalterável.

4°§    Vinte anos de existência, e a legenda está feita. Quarenta, e não há como mudá-la. O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave, uma coisa aberrante, instalou-se no espírito das crianças.

5°§    E assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela porta, fixavam cuidadosamente a vidraça e lascavam uma pedra.

6°§    Os três verificaram que quase não dava mais gosto apedrejar a casa. As vidraças partidas não se recompunham mais. Em todo caso, o mais velho comandou, e os outros obedeceram na forma do sagrado costume. Pegaram calhaus lisos, de ferro, tomaram posição. Cada um jogaria por sua vez, com intervalos para observar o resultado.

7°§    O projétil bateu no canudo de lata enegrecido – blem – e veio espatifar uma telha, com estrondo. Um bem-te-vi assustado fugiu da mangueira próxima. A doida, porém, parecia não ter percebido a agressão, a casa não reagia. Então o do meio vibrou um golpe na primeira janela. Bam! Tinha atingido uma lata, e a onda de som propagou-se lá dentro; o menino sentiu-se recompensado. Esperaram um pouco, para ouvir os gritos. E era tudo a mesma paz.

8°§    Aí o terceiro do grupo, em seus onze anos, sentiu-se cheio de coragem e resolveu invadir o jardim. Os companheiros não queriam segui-lo.

9°§    O garoto empurrou o portão: abriu-se. Então, não vivia trancado?... E ninguém ainda fizera a experiência. Era o primeiro a penetrar no jardim, e pisava firme, posto que cauteloso. Os amigos chamavam-no, impacientes. Mas entrar em terreno proibido é tão excitante que o apelo perdia toda a significação. Pisar um chão pela primeira vez; e chão inimigo. Curioso como o jardim se parecia com qualquer um; apenas era mais selvagem. Lá estava, quentando sol, a mesma lagartixa de todos os jardins. O menino pensou primeiro em matar a lagartixa e depois atacar a janela. Chegou perto do animal, que correu. Na perseguição, foi parar rente do chalé, junto à cancelinha azul que fechava a varanda da frente.

10°§    E o garoto subiu os dois degraus, empurrou a cancela, entrou. Tinha a pedra na mão, mas já não era necessária; jogou-a fora. Tudo tão fácil, que até ia perdendo o senso da precaução.

11°§    A princípio não distinguiu bem, debruçado à janela, a matéria confusa do interior. Os olhos estavam cheios de claridade, mas afinal se acomodaram, e viu a sala, completamente vazia e esburacada, com um corredorzinho no fundo, e no fundo do corredorzinho uma panela no chão, e a pedra que o companheiro jogara. Passou a outra janela e viu o mesmo abandono, a mesma nudez. Mas aquele quarto dava para outro cômodo, com a porta cerrada. Atrás da porta devia pois estar a doida, que inexplicavelmente não se mexia, para enfrentar o inimigo. E o menino saltou a janela, pisou, indagador, no soalho gretado, que cedia. A porta dos fundos cedeu igualmente à pressão leve entreabrindo-se numa faixa estreita que mal dava passagem a um corpo magro.

12°§    Atrás do piano, encurralada a um canto, estava a cama. E nela, busto erguido, a doida esticava o rosto para frente, na investigação do rumor.

13°§    Não adiantava ao menino querer fugir ou esconder-se. E ele estava determinado a conhecer tudo daquela casa. De resto, a doida não deu nenhum sinal de guerra. Apenas levantou as mãos à altura dos olhos, como para protegê-los de uma pedrada.

14°§    Ele encarava-a com interesse. Era simplesmente uma velha. E que pequenininha! O corpo sob a coberta formava uma elevação minúscula. Miúda, escura, desse sujo que o tempo deposita na pele, manchando-a. E parecia ter medo.

15°§    A criança sorriu, envergonhada, sem saber o que fizesse. Então a doida ergueu-se um pouco mais, firmando-se nos cotovelos. A boca remexeu, deixou passar um som vago e tímido.

16°§    Ele teve a impressão de que não era xingamento, parecia antes um chamado. Sentiu-se atraído para a doida. Era um apelo, sim, e os dedos, movendo-se timidamente, o confirmavam.

17°§    Talvez pedisse água. A garrafa de barro para água estava no criado-mudo, entre vidros e papéis. Ele encheu o copo pela metade, estendeu-o. A doida parecia aprovar com a cabeça, e suas mãos queriam segurar sozinhas, mas foi preciso que o menino a ajudasse a beber.

18°§    Fazia tudo naturalmente, e nem conservava qualquer espécie de aversão pela doida. A própria ideia de doida desaparecera. Havia no quarto uma velha com sede, e que talvez estivesse morrendo.

19°§    Nunca vira ninguém morrer, os pais o afastavam se havia em casa um agonizante. Mas deve ser assim que as pessoas morrem.

20°§    Um sentimento de responsabilidade apoderou-se dele. Desajeitadamente, procurou fazer com que a cabeça repousasse sobre o travesseiro. Os músculos rígidos da mulher não o ajudavam.

21°§    Mas a boca deixava passar ainda o mesmo ruído obscuro, que fazia crescer as veias do pescoço, inutilmente. Água não podia ser, talvez remédio...

22°§    Passou-lhe um a um, diante dos olhos, os frasquinhos do criado-mudo. Sem receber qualquer sinal de concordância. Ficou perplexo, indeciso. Seria caso talvez de chamar alguém, avisar o farmacêutico mais próximo, ou ir à procura do médico, que morava longe. Mas hesitava em deixar a mulher sozinha na casa aberta e exposta a pedradas. E tinha medo de que ela morresse em completo abandono, como ninguém no mundo deve morrer. Não deixaria a mulher para chamar ninguém. Sabia que não poderia fazer nada para ajudá-la, a não ser sentar-se à beira da cama, pegar-lhe nas mãos e esperar o que ia acontecer.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia Completa e Prosa. 3 ed. p. 653 a 658. Rio de Janeiro, Companhia José Aguilar, 1973. Texto com adaptações.)

O tema central relacionado ao texto é:

Ver comentários

Questão 11 10737066
Fácil 00:00

CMBH 6° Ano - Português 2011
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Conto
  • Exibir tags
Resolução comentada

A DOIDA

Carlos Drummond de Andrade

 

1°§    A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado. E a rua descia para o córrego, onde os meninos costumavam banhar-se.

2°§    Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho. Só com essa intenção. Mas era bom passar pela casa da doida e provocá-la. As mães diziam o contrário: que era horroroso, poucos pecados seriam maiores.

3°§    Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto (contava mais de sessenta anos). Repudiada por todos, ela se fechou naquele chalé, e acabou perdendo o juízo. Perdera antes todas as relações. Ninguém tinha ânimo de visitá-la. O padeiro mal jogava o pão na caixa de madeira, à entrada, e desaparecia. Diziam que nessa caixa uns primos generosos mandavam pôr, à noite, mantimentos e roupas, embora oficialmente a ruptura com a família se mantivesse inalterável.

4°§    Vinte anos de existência, e a legenda está feita. Quarenta, e não há como mudá-la. O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave, uma coisa aberrante, instalou-se no espírito das crianças.

5°§    E assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela porta, fixavam cuidadosamente a vidraça e lascavam uma pedra.

6°§    Os três verificaram que quase não dava mais gosto apedrejar a casa. As vidraças partidas não se recompunham mais. Em todo caso, o mais velho comandou, e os outros obedeceram na forma do sagrado costume. Pegaram calhaus lisos, de ferro, tomaram posição. Cada um jogaria por sua vez, com intervalos para observar o resultado.

7°§    O projétil bateu no canudo de lata enegrecido – blem – e veio espatifar uma telha, com estrondo. Um bem-te-vi assustado fugiu da mangueira próxima. A doida, porém, parecia não ter percebido a agressão, a casa não reagia. Então o do meio vibrou um golpe na primeira janela. Bam! Tinha atingido uma lata, e a onda de som propagou-se lá dentro; o menino sentiu-se recompensado. Esperaram um pouco, para ouvir os gritos. E era tudo a mesma paz.

8°§    Aí o terceiro do grupo, em seus onze anos, sentiu-se cheio de coragem e resolveu invadir o jardim. Os companheiros não queriam segui-lo.

9°§    O garoto empurrou o portão: abriu-se. Então, não vivia trancado?... E ninguém ainda fizera a experiência. Era o primeiro a penetrar no jardim, e pisava firme, posto que cauteloso. Os amigos chamavam-no, impacientes. Mas entrar em terreno proibido é tão excitante que o apelo perdia toda a significação. Pisar um chão pela primeira vez; e chão inimigo. Curioso como o jardim se parecia com qualquer um; apenas era mais selvagem. Lá estava, quentando sol, a mesma lagartixa de todos os jardins. O menino pensou primeiro em matar a lagartixa e depois atacar a janela. Chegou perto do animal, que correu. Na perseguição, foi parar rente do chalé, junto à cancelinha azul que fechava a varanda da frente.

10°§    E o garoto subiu os dois degraus, empurrou a cancela, entrou. Tinha a pedra na mão, mas já não era necessária; jogou-a fora. Tudo tão fácil, que até ia perdendo o senso da precaução.

11°§    A princípio não distinguiu bem, debruçado à janela, a matéria confusa do interior. Os olhos estavam cheios de claridade, mas afinal se acomodaram, e viu a sala, completamente vazia e esburacada, com um corredorzinho no fundo, e no fundo do corredorzinho uma panela no chão, e a pedra que o companheiro jogara. Passou a outra janela e viu o mesmo abandono, a mesma nudez. Mas aquele quarto dava para outro cômodo, com a porta cerrada. Atrás da porta devia pois estar a doida, que inexplicavelmente não se mexia, para enfrentar o inimigo. E o menino saltou a janela, pisou, indagador, no soalho gretado, que cedia. A porta dos fundos cedeu igualmente à pressão leve entreabrindo-se numa faixa estreita que mal dava passagem a um corpo magro.

12°§    Atrás do piano, encurralada a um canto, estava a cama. E nela, busto erguido, a doida esticava o rosto para frente, na investigação do rumor.

13°§    Não adiantava ao menino querer fugir ou esconder-se. E ele estava determinado a conhecer tudo daquela casa. De resto, a doida não deu nenhum sinal de guerra. Apenas levantou as mãos à altura dos olhos, como para protegê-los de uma pedrada.

14°§    Ele encarava-a com interesse. Era simplesmente uma velha. E que pequenininha! O corpo sob a coberta formava uma elevação minúscula. Miúda, escura, desse sujo que o tempo deposita na pele, manchando-a. E parecia ter medo.

15°§    A criança sorriu, envergonhada, sem saber o que fizesse. Então a doida ergueu-se um pouco mais, firmando-se nos cotovelos. A boca remexeu, deixou passar um som vago e tímido.

16°§    Ele teve a impressão de que não era xingamento, parecia antes um chamado. Sentiu-se atraído para a doida. Era um apelo, sim, e os dedos, movendo-se timidamente, o confirmavam.

17°§    Talvez pedisse água. A garrafa de barro para água estava no criado-mudo, entre vidros e papéis. Ele encheu o copo pela metade, estendeu-o. A doida parecia aprovar com a cabeça, e suas mãos queriam segurar sozinhas, mas foi preciso que o menino a ajudasse a beber.

18°§    Fazia tudo naturalmente, e nem conservava qualquer espécie de aversão pela doida. A própria ideia de doida desaparecera. Havia no quarto uma velha com sede, e que talvez estivesse morrendo.

19°§    Nunca vira ninguém morrer, os pais o afastavam se havia em casa um agonizante. Mas deve ser assim que as pessoas morrem.

20°§    Um sentimento de responsabilidade apoderou-se dele. Desajeitadamente, procurou fazer com que a cabeça repousasse sobre o travesseiro. Os músculos rígidos da mulher não o ajudavam.

21°§    Mas a boca deixava passar ainda o mesmo ruído obscuro, que fazia crescer as veias do pescoço, inutilmente. Água não podia ser, talvez remédio...

22°§    Passou-lhe um a um, diante dos olhos, os frasquinhos do criado-mudo. Sem receber qualquer sinal de concordância. Ficou perplexo, indeciso. Seria caso talvez de chamar alguém, avisar o farmacêutico mais próximo, ou ir à procura do médico, que morava longe. Mas hesitava em deixar a mulher sozinha na casa aberta e exposta a pedradas. E tinha medo de que ela morresse em completo abandono, como ninguém no mundo deve morrer. Não deixaria a mulher para chamar ninguém. Sabia que não poderia fazer nada para ajudá-la, a não ser sentar-se à beira da cama, pegar-lhe nas mãos e esperar o que ia acontecer.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia Completa e Prosa. 3 ed. p. 653 a 658. Rio de Janeiro, Companhia José Aguilar, 1973. Texto com adaptações.)

“E tinha medo de que ela morresse em completo abandono, como ninguém no mundo deve morrer.” (22º parágrafo).

 

Sobre esse trecho e o final do texto em si, podemos afirmar que:

Ver comentários

Questão 10 10737065
Fácil 00:00

CMBH 6° Ano - Português 2011
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Conto
  • Exibir tags
Resolução comentada

A DOIDA

Carlos Drummond de Andrade

 

1°§    A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado. E a rua descia para o córrego, onde os meninos costumavam banhar-se.

2°§    Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho. Só com essa intenção. Mas era bom passar pela casa da doida e provocá-la. As mães diziam o contrário: que era horroroso, poucos pecados seriam maiores.

3°§    Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto (contava mais de sessenta anos). Repudiada por todos, ela se fechou naquele chalé, e acabou perdendo o juízo. Perdera antes todas as relações. Ninguém tinha ânimo de visitá-la. O padeiro mal jogava o pão na caixa de madeira, à entrada, e desaparecia. Diziam que nessa caixa uns primos generosos mandavam pôr, à noite, mantimentos e roupas, embora oficialmente a ruptura com a família se mantivesse inalterável.

4°§    Vinte anos de existência, e a legenda está feita. Quarenta, e não há como mudá-la. O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave, uma coisa aberrante, instalou-se no espírito das crianças.

5°§    E assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela porta, fixavam cuidadosamente a vidraça e lascavam uma pedra.

6°§    Os três verificaram que quase não dava mais gosto apedrejar a casa. As vidraças partidas não se recompunham mais. Em todo caso, o mais velho comandou, e os outros obedeceram na forma do sagrado costume. Pegaram calhaus lisos, de ferro, tomaram posição. Cada um jogaria por sua vez, com intervalos para observar o resultado.

7°§    O projétil bateu no canudo de lata enegrecido – blem – e veio espatifar uma telha, com estrondo. Um bem-te-vi assustado fugiu da mangueira próxima. A doida, porém, parecia não ter percebido a agressão, a casa não reagia. Então o do meio vibrou um golpe na primeira janela. Bam! Tinha atingido uma lata, e a onda de som propagou-se lá dentro; o menino sentiu-se recompensado. Esperaram um pouco, para ouvir os gritos. E era tudo a mesma paz.

8°§    Aí o terceiro do grupo, em seus onze anos, sentiu-se cheio de coragem e resolveu invadir o jardim. Os companheiros não queriam segui-lo.

9°§    O garoto empurrou o portão: abriu-se. Então, não vivia trancado?... E ninguém ainda fizera a experiência. Era o primeiro a penetrar no jardim, e pisava firme, posto que cauteloso. Os amigos chamavam-no, impacientes. Mas entrar em terreno proibido é tão excitante que o apelo perdia toda a significação. Pisar um chão pela primeira vez; e chão inimigo. Curioso como o jardim se parecia com qualquer um; apenas era mais selvagem. Lá estava, quentando sol, a mesma lagartixa de todos os jardins. O menino pensou primeiro em matar a lagartixa e depois atacar a janela. Chegou perto do animal, que correu. Na perseguição, foi parar rente do chalé, junto à cancelinha azul que fechava a varanda da frente.

10°§    E o garoto subiu os dois degraus, empurrou a cancela, entrou. Tinha a pedra na mão, mas já não era necessária; jogou-a fora. Tudo tão fácil, que até ia perdendo o senso da precaução.

11°§    A princípio não distinguiu bem, debruçado à janela, a matéria confusa do interior. Os olhos estavam cheios de claridade, mas afinal se acomodaram, e viu a sala, completamente vazia e esburacada, com um corredorzinho no fundo, e no fundo do corredorzinho uma panela no chão, e a pedra que o companheiro jogara. Passou a outra janela e viu o mesmo abandono, a mesma nudez. Mas aquele quarto dava para outro cômodo, com a porta cerrada. Atrás da porta devia pois estar a doida, que inexplicavelmente não se mexia, para enfrentar o inimigo. E o menino saltou a janela, pisou, indagador, no soalho gretado, que cedia. A porta dos fundos cedeu igualmente à pressão leve entreabrindo-se numa faixa estreita que mal dava passagem a um corpo magro.

12°§    Atrás do piano, encurralada a um canto, estava a cama. E nela, busto erguido, a doida esticava o rosto para frente, na investigação do rumor.

13°§    Não adiantava ao menino querer fugir ou esconder-se. E ele estava determinado a conhecer tudo daquela casa. De resto, a doida não deu nenhum sinal de guerra. Apenas levantou as mãos à altura dos olhos, como para protegê-los de uma pedrada.

14°§    Ele encarava-a com interesse. Era simplesmente uma velha. E que pequenininha! O corpo sob a coberta formava uma elevação minúscula. Miúda, escura, desse sujo que o tempo deposita na pele, manchando-a. E parecia ter medo.

15°§    A criança sorriu, envergonhada, sem saber o que fizesse. Então a doida ergueu-se um pouco mais, firmando-se nos cotovelos. A boca remexeu, deixou passar um som vago e tímido.

16°§    Ele teve a impressão de que não era xingamento, parecia antes um chamado. Sentiu-se atraído para a doida. Era um apelo, sim, e os dedos, movendo-se timidamente, o confirmavam.

17°§    Talvez pedisse água. A garrafa de barro para água estava no criado-mudo, entre vidros e papéis. Ele encheu o copo pela metade, estendeu-o. A doida parecia aprovar com a cabeça, e suas mãos queriam segurar sozinhas, mas foi preciso que o menino a ajudasse a beber.

18°§    Fazia tudo naturalmente, e nem conservava qualquer espécie de aversão pela doida. A própria ideia de doida desaparecera. Havia no quarto uma velha com sede, e que talvez estivesse morrendo.

19°§    Nunca vira ninguém morrer, os pais o afastavam se havia em casa um agonizante. Mas deve ser assim que as pessoas morrem.

20°§    Um sentimento de responsabilidade apoderou-se dele. Desajeitadamente, procurou fazer com que a cabeça repousasse sobre o travesseiro. Os músculos rígidos da mulher não o ajudavam.

21°§    Mas a boca deixava passar ainda o mesmo ruído obscuro, que fazia crescer as veias do pescoço, inutilmente. Água não podia ser, talvez remédio...

22°§    Passou-lhe um a um, diante dos olhos, os frasquinhos do criado-mudo. Sem receber qualquer sinal de concordância. Ficou perplexo, indeciso. Seria caso talvez de chamar alguém, avisar o farmacêutico mais próximo, ou ir à procura do médico, que morava longe. Mas hesitava em deixar a mulher sozinha na casa aberta e exposta a pedradas. E tinha medo de que ela morresse em completo abandono, como ninguém no mundo deve morrer. Não deixaria a mulher para chamar ninguém. Sabia que não poderia fazer nada para ajudá-la, a não ser sentar-se à beira da cama, pegar-lhe nas mãos e esperar o que ia acontecer.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia Completa e Prosa. 3 ed. p. 653 a 658. Rio de Janeiro, Companhia José Aguilar, 1973. Texto com adaptações.)

Podemos afirmar que o gênero desse texto é:

Ver comentários

Questão 9 10737064
Fácil 00:00

CMBH 6° Ano - Português 2011
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Estratégias de leitura Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Conto
  • Exibir tags
Resolução comentada

A DOIDA

Carlos Drummond de Andrade

 

1°§    A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado. E a rua descia para o córrego, onde os meninos costumavam banhar-se.

2°§    Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho. Só com essa intenção. Mas era bom passar pela casa da doida e provocá-la. As mães diziam o contrário: que era horroroso, poucos pecados seriam maiores.

3°§    Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto (contava mais de sessenta anos). Repudiada por todos, ela se fechou naquele chalé, e acabou perdendo o juízo. Perdera antes todas as relações. Ninguém tinha ânimo de visitá-la. O padeiro mal jogava o pão na caixa de madeira, à entrada, e desaparecia. Diziam que nessa caixa uns primos generosos mandavam pôr, à noite, mantimentos e roupas, embora oficialmente a ruptura com a família se mantivesse inalterável.

4°§    Vinte anos de existência, e a legenda está feita. Quarenta, e não há como mudá-la. O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave, uma coisa aberrante, instalou-se no espírito das crianças.

5°§    E assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela porta, fixavam cuidadosamente a vidraça e lascavam uma pedra.

6°§    Os três verificaram que quase não dava mais gosto apedrejar a casa. As vidraças partidas não se recompunham mais. Em todo caso, o mais velho comandou, e os outros obedeceram na forma do sagrado costume. Pegaram calhaus lisos, de ferro, tomaram posição. Cada um jogaria por sua vez, com intervalos para observar o resultado.

7°§    O projétil bateu no canudo de lata enegrecido – blem – e veio espatifar uma telha, com estrondo. Um bem-te-vi assustado fugiu da mangueira próxima. A doida, porém, parecia não ter percebido a agressão, a casa não reagia. Então o do meio vibrou um golpe na primeira janela. Bam! Tinha atingido uma lata, e a onda de som propagou-se lá dentro; o menino sentiu-se recompensado. Esperaram um pouco, para ouvir os gritos. E era tudo a mesma paz.

8°§    Aí o terceiro do grupo, em seus onze anos, sentiu-se cheio de coragem e resolveu invadir o jardim. Os companheiros não queriam segui-lo.

9°§    O garoto empurrou o portão: abriu-se. Então, não vivia trancado?... E ninguém ainda fizera a experiência. Era o primeiro a penetrar no jardim, e pisava firme, posto que cauteloso. Os amigos chamavam-no, impacientes. Mas entrar em terreno proibido é tão excitante que o apelo perdia toda a significação. Pisar um chão pela primeira vez; e chão inimigo. Curioso como o jardim se parecia com qualquer um; apenas era mais selvagem. Lá estava, quentando sol, a mesma lagartixa de todos os jardins. O menino pensou primeiro em matar a lagartixa e depois atacar a janela. Chegou perto do animal, que correu. Na perseguição, foi parar rente do chalé, junto à cancelinha azul que fechava a varanda da frente.

10°§    E o garoto subiu os dois degraus, empurrou a cancela, entrou. Tinha a pedra na mão, mas já não era necessária; jogou-a fora. Tudo tão fácil, que até ia perdendo o senso da precaução.

11°§    A princípio não distinguiu bem, debruçado à janela, a matéria confusa do interior. Os olhos estavam cheios de claridade, mas afinal se acomodaram, e viu a sala, completamente vazia e esburacada, com um corredorzinho no fundo, e no fundo do corredorzinho uma panela no chão, e a pedra que o companheiro jogara. Passou a outra janela e viu o mesmo abandono, a mesma nudez. Mas aquele quarto dava para outro cômodo, com a porta cerrada. Atrás da porta devia pois estar a doida, que inexplicavelmente não se mexia, para enfrentar o inimigo. E o menino saltou a janela, pisou, indagador, no soalho gretado, que cedia. A porta dos fundos cedeu igualmente à pressão leve entreabrindo-se numa faixa estreita que mal dava passagem a um corpo magro.

12°§    Atrás do piano, encurralada a um canto, estava a cama. E nela, busto erguido, a doida esticava o rosto para frente, na investigação do rumor.

13°§    Não adiantava ao menino querer fugir ou esconder-se. E ele estava determinado a conhecer tudo daquela casa. De resto, a doida não deu nenhum sinal de guerra. Apenas levantou as mãos à altura dos olhos, como para protegê-los de uma pedrada.

14°§    Ele encarava-a com interesse. Era simplesmente uma velha. E que pequenininha! O corpo sob a coberta formava uma elevação minúscula. Miúda, escura, desse sujo que o tempo deposita na pele, manchando-a. E parecia ter medo.

15°§    A criança sorriu, envergonhada, sem saber o que fizesse. Então a doida ergueu-se um pouco mais, firmando-se nos cotovelos. A boca remexeu, deixou passar um som vago e tímido.

16°§    Ele teve a impressão de que não era xingamento, parecia antes um chamado. Sentiu-se atraído para a doida. Era um apelo, sim, e os dedos, movendo-se timidamente, o confirmavam.

17°§    Talvez pedisse água. A garrafa de barro para água estava no criado-mudo, entre vidros e papéis. Ele encheu o copo pela metade, estendeu-o. A doida parecia aprovar com a cabeça, e suas mãos queriam segurar sozinhas, mas foi preciso que o menino a ajudasse a beber.

18°§    Fazia tudo naturalmente, e nem conservava qualquer espécie de aversão pela doida. A própria ideia de doida desaparecera. Havia no quarto uma velha com sede, e que talvez estivesse morrendo.

19°§    Nunca vira ninguém morrer, os pais o afastavam se havia em casa um agonizante. Mas deve ser assim que as pessoas morrem.

20°§    Um sentimento de responsabilidade apoderou-se dele. Desajeitadamente, procurou fazer com que a cabeça repousasse sobre o travesseiro. Os músculos rígidos da mulher não o ajudavam.

21°§    Mas a boca deixava passar ainda o mesmo ruído obscuro, que fazia crescer as veias do pescoço, inutilmente. Água não podia ser, talvez remédio...

22°§    Passou-lhe um a um, diante dos olhos, os frasquinhos do criado-mudo. Sem receber qualquer sinal de concordância. Ficou perplexo, indeciso. Seria caso talvez de chamar alguém, avisar o farmacêutico mais próximo, ou ir à procura do médico, que morava longe. Mas hesitava em deixar a mulher sozinha na casa aberta e exposta a pedradas. E tinha medo de que ela morresse em completo abandono, como ninguém no mundo deve morrer. Não deixaria a mulher para chamar ninguém. Sabia que não poderia fazer nada para ajudá-la, a não ser sentar-se à beira da cama, pegar-lhe nas mãos e esperar o que ia acontecer.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia Completa e Prosa. 3 ed. p. 653 a 658. Rio de Janeiro, Companhia José Aguilar, 1973. Texto com adaptações.)

O trecho que NÃO descreve a mudança radical de sentimentos do menino, após sua entrada na casa, com relação à doida, é:

Ver comentários

Questão 8 10737063
Fácil 00:00

CMBH 6° Ano - Português 2011
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Conto
  • Exibir tags
Resolução comentada

A DOIDA

Carlos Drummond de Andrade

 

1°§    A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado. E a rua descia para o córrego, onde os meninos costumavam banhar-se.

2°§    Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho. Só com essa intenção. Mas era bom passar pela casa da doida e provocá-la. As mães diziam o contrário: que era horroroso, poucos pecados seriam maiores.

3°§    Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto (contava mais de sessenta anos). Repudiada por todos, ela se fechou naquele chalé, e acabou perdendo o juízo. Perdera antes todas as relações. Ninguém tinha ânimo de visitá-la. O padeiro mal jogava o pão na caixa de madeira, à entrada, e desaparecia. Diziam que nessa caixa uns primos generosos mandavam pôr, à noite, mantimentos e roupas, embora oficialmente a ruptura com a família se mantivesse inalterável.

4°§    Vinte anos de existência, e a legenda está feita. Quarenta, e não há como mudá-la. O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave, uma coisa aberrante, instalou-se no espírito das crianças.

5°§    E assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela porta, fixavam cuidadosamente a vidraça e lascavam uma pedra.

6°§    Os três verificaram que quase não dava mais gosto apedrejar a casa. As vidraças partidas não se recompunham mais. Em todo caso, o mais velho comandou, e os outros obedeceram na forma do sagrado costume. Pegaram calhaus lisos, de ferro, tomaram posição. Cada um jogaria por sua vez, com intervalos para observar o resultado.

7°§    O projétil bateu no canudo de lata enegrecido – blem – e veio espatifar uma telha, com estrondo. Um bem-te-vi assustado fugiu da mangueira próxima. A doida, porém, parecia não ter percebido a agressão, a casa não reagia. Então o do meio vibrou um golpe na primeira janela. Bam! Tinha atingido uma lata, e a onda de som propagou-se lá dentro; o menino sentiu-se recompensado. Esperaram um pouco, para ouvir os gritos. E era tudo a mesma paz.

8°§    Aí o terceiro do grupo, em seus onze anos, sentiu-se cheio de coragem e resolveu invadir o jardim. Os companheiros não queriam segui-lo.

9°§    O garoto empurrou o portão: abriu-se. Então, não vivia trancado?... E ninguém ainda fizera a experiência. Era o primeiro a penetrar no jardim, e pisava firme, posto que cauteloso. Os amigos chamavam-no, impacientes. Mas entrar em terreno proibido é tão excitante que o apelo perdia toda a significação. Pisar um chão pela primeira vez; e chão inimigo. Curioso como o jardim se parecia com qualquer um; apenas era mais selvagem. Lá estava, quentando sol, a mesma lagartixa de todos os jardins. O menino pensou primeiro em matar a lagartixa e depois atacar a janela. Chegou perto do animal, que correu. Na perseguição, foi parar rente do chalé, junto à cancelinha azul que fechava a varanda da frente.

10°§    E o garoto subiu os dois degraus, empurrou a cancela, entrou. Tinha a pedra na mão, mas já não era necessária; jogou-a fora. Tudo tão fácil, que até ia perdendo o senso da precaução.

11°§    A princípio não distinguiu bem, debruçado à janela, a matéria confusa do interior. Os olhos estavam cheios de claridade, mas afinal se acomodaram, e viu a sala, completamente vazia e esburacada, com um corredorzinho no fundo, e no fundo do corredorzinho uma panela no chão, e a pedra que o companheiro jogara. Passou a outra janela e viu o mesmo abandono, a mesma nudez. Mas aquele quarto dava para outro cômodo, com a porta cerrada. Atrás da porta devia pois estar a doida, que inexplicavelmente não se mexia, para enfrentar o inimigo. E o menino saltou a janela, pisou, indagador, no soalho gretado, que cedia. A porta dos fundos cedeu igualmente à pressão leve entreabrindo-se numa faixa estreita que mal dava passagem a um corpo magro.

12°§    Atrás do piano, encurralada a um canto, estava a cama. E nela, busto erguido, a doida esticava o rosto para frente, na investigação do rumor.

13°§    Não adiantava ao menino querer fugir ou esconder-se. E ele estava determinado a conhecer tudo daquela casa. De resto, a doida não deu nenhum sinal de guerra. Apenas levantou as mãos à altura dos olhos, como para protegê-los de uma pedrada.

14°§    Ele encarava-a com interesse. Era simplesmente uma velha. E que pequenininha! O corpo sob a coberta formava uma elevação minúscula. Miúda, escura, desse sujo que o tempo deposita na pele, manchando-a. E parecia ter medo.

15°§    A criança sorriu, envergonhada, sem saber o que fizesse. Então a doida ergueu-se um pouco mais, firmando-se nos cotovelos. A boca remexeu, deixou passar um som vago e tímido.

16°§    Ele teve a impressão de que não era xingamento, parecia antes um chamado. Sentiu-se atraído para a doida. Era um apelo, sim, e os dedos, movendo-se timidamente, o confirmavam.

17°§    Talvez pedisse água. A garrafa de barro para água estava no criado-mudo, entre vidros e papéis. Ele encheu o copo pela metade, estendeu-o. A doida parecia aprovar com a cabeça, e suas mãos queriam segurar sozinhas, mas foi preciso que o menino a ajudasse a beber.

18°§    Fazia tudo naturalmente, e nem conservava qualquer espécie de aversão pela doida. A própria ideia de doida desaparecera. Havia no quarto uma velha com sede, e que talvez estivesse morrendo.

19°§    Nunca vira ninguém morrer, os pais o afastavam se havia em casa um agonizante. Mas deve ser assim que as pessoas morrem.

20°§    Um sentimento de responsabilidade apoderou-se dele. Desajeitadamente, procurou fazer com que a cabeça repousasse sobre o travesseiro. Os músculos rígidos da mulher não o ajudavam.

21°§    Mas a boca deixava passar ainda o mesmo ruído obscuro, que fazia crescer as veias do pescoço, inutilmente. Água não podia ser, talvez remédio...

22°§    Passou-lhe um a um, diante dos olhos, os frasquinhos do criado-mudo. Sem receber qualquer sinal de concordância. Ficou perplexo, indeciso. Seria caso talvez de chamar alguém, avisar o farmacêutico mais próximo, ou ir à procura do médico, que morava longe. Mas hesitava em deixar a mulher sozinha na casa aberta e exposta a pedradas. E tinha medo de que ela morresse em completo abandono, como ninguém no mundo deve morrer. Não deixaria a mulher para chamar ninguém. Sabia que não poderia fazer nada para ajudá-la, a não ser sentar-se à beira da cama, pegar-lhe nas mãos e esperar o que ia acontecer.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia Completa e Prosa. 3 ed. p. 653 a 658. Rio de Janeiro, Companhia José Aguilar, 1973. Texto com adaptações.)

O trecho que descreve o suposto sentimento da doida com relação à chegada do menino é:

Ver comentários

Questão 7 10737062
Fácil 00:00

CMBH 6° Ano - Português 2011
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Estratégias de leitura Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Conto
  • Exibir tags
Resolução comentada

A DOIDA

Carlos Drummond de Andrade

 

1°§    A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado. E a rua descia para o córrego, onde os meninos costumavam banhar-se.

2°§    Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho. Só com essa intenção. Mas era bom passar pela casa da doida e provocá-la. As mães diziam o contrário: que era horroroso, poucos pecados seriam maiores.

3°§    Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto (contava mais de sessenta anos). Repudiada por todos, ela se fechou naquele chalé, e acabou perdendo o juízo. Perdera antes todas as relações. Ninguém tinha ânimo de visitá-la. O padeiro mal jogava o pão na caixa de madeira, à entrada, e desaparecia. Diziam que nessa caixa uns primos generosos mandavam pôr, à noite, mantimentos e roupas, embora oficialmente a ruptura com a família se mantivesse inalterável.

4°§    Vinte anos de existência, e a legenda está feita. Quarenta, e não há como mudá-la. O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave, uma coisa aberrante, instalou-se no espírito das crianças.

5°§    E assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela porta, fixavam cuidadosamente a vidraça e lascavam uma pedra.

6°§    Os três verificaram que quase não dava mais gosto apedrejar a casa. As vidraças partidas não se recompunham mais. Em todo caso, o mais velho comandou, e os outros obedeceram na forma do sagrado costume. Pegaram calhaus lisos, de ferro, tomaram posição. Cada um jogaria por sua vez, com intervalos para observar o resultado.

7°§    O projétil bateu no canudo de lata enegrecido – blem – e veio espatifar uma telha, com estrondo. Um bem-te-vi assustado fugiu da mangueira próxima. A doida, porém, parecia não ter percebido a agressão, a casa não reagia. Então o do meio vibrou um golpe na primeira janela. Bam! Tinha atingido uma lata, e a onda de som propagou-se lá dentro; o menino sentiu-se recompensado. Esperaram um pouco, para ouvir os gritos. E era tudo a mesma paz.

8°§    Aí o terceiro do grupo, em seus onze anos, sentiu-se cheio de coragem e resolveu invadir o jardim. Os companheiros não queriam segui-lo.

9°§    O garoto empurrou o portão: abriu-se. Então, não vivia trancado?... E ninguém ainda fizera a experiência. Era o primeiro a penetrar no jardim, e pisava firme, posto que cauteloso. Os amigos chamavam-no, impacientes. Mas entrar em terreno proibido é tão excitante que o apelo perdia toda a significação. Pisar um chão pela primeira vez; e chão inimigo. Curioso como o jardim se parecia com qualquer um; apenas era mais selvagem. Lá estava, quentando sol, a mesma lagartixa de todos os jardins. O menino pensou primeiro em matar a lagartixa e depois atacar a janela. Chegou perto do animal, que correu. Na perseguição, foi parar rente do chalé, junto à cancelinha azul que fechava a varanda da frente.

10°§    E o garoto subiu os dois degraus, empurrou a cancela, entrou. Tinha a pedra na mão, mas já não era necessária; jogou-a fora. Tudo tão fácil, que até ia perdendo o senso da precaução.

11°§    A princípio não distinguiu bem, debruçado à janela, a matéria confusa do interior. Os olhos estavam cheios de claridade, mas afinal se acomodaram, e viu a sala, completamente vazia e esburacada, com um corredorzinho no fundo, e no fundo do corredorzinho uma panela no chão, e a pedra que o companheiro jogara. Passou a outra janela e viu o mesmo abandono, a mesma nudez. Mas aquele quarto dava para outro cômodo, com a porta cerrada. Atrás da porta devia pois estar a doida, que inexplicavelmente não se mexia, para enfrentar o inimigo. E o menino saltou a janela, pisou, indagador, no soalho gretado, que cedia. A porta dos fundos cedeu igualmente à pressão leve entreabrindo-se numa faixa estreita que mal dava passagem a um corpo magro.

12°§    Atrás do piano, encurralada a um canto, estava a cama. E nela, busto erguido, a doida esticava o rosto para frente, na investigação do rumor.

13°§    Não adiantava ao menino querer fugir ou esconder-se. E ele estava determinado a conhecer tudo daquela casa. De resto, a doida não deu nenhum sinal de guerra. Apenas levantou as mãos à altura dos olhos, como para protegê-los de uma pedrada.

14°§    Ele encarava-a com interesse. Era simplesmente uma velha. E que pequenininha! O corpo sob a coberta formava uma elevação minúscula. Miúda, escura, desse sujo que o tempo deposita na pele, manchando-a. E parecia ter medo.

15°§    A criança sorriu, envergonhada, sem saber o que fizesse. Então a doida ergueu-se um pouco mais, firmando-se nos cotovelos. A boca remexeu, deixou passar um som vago e tímido.

16°§    Ele teve a impressão de que não era xingamento, parecia antes um chamado. Sentiu-se atraído para a doida. Era um apelo, sim, e os dedos, movendo-se timidamente, o confirmavam.

17°§    Talvez pedisse água. A garrafa de barro para água estava no criado-mudo, entre vidros e papéis. Ele encheu o copo pela metade, estendeu-o. A doida parecia aprovar com a cabeça, e suas mãos queriam segurar sozinhas, mas foi preciso que o menino a ajudasse a beber.

18°§    Fazia tudo naturalmente, e nem conservava qualquer espécie de aversão pela doida. A própria ideia de doida desaparecera. Havia no quarto uma velha com sede, e que talvez estivesse morrendo.

19°§    Nunca vira ninguém morrer, os pais o afastavam se havia em casa um agonizante. Mas deve ser assim que as pessoas morrem.

20°§    Um sentimento de responsabilidade apoderou-se dele. Desajeitadamente, procurou fazer com que a cabeça repousasse sobre o travesseiro. Os músculos rígidos da mulher não o ajudavam.

21°§    Mas a boca deixava passar ainda o mesmo ruído obscuro, que fazia crescer as veias do pescoço, inutilmente. Água não podia ser, talvez remédio...

22°§    Passou-lhe um a um, diante dos olhos, os frasquinhos do criado-mudo. Sem receber qualquer sinal de concordância. Ficou perplexo, indeciso. Seria caso talvez de chamar alguém, avisar o farmacêutico mais próximo, ou ir à procura do médico, que morava longe. Mas hesitava em deixar a mulher sozinha na casa aberta e exposta a pedradas. E tinha medo de que ela morresse em completo abandono, como ninguém no mundo deve morrer. Não deixaria a mulher para chamar ninguém. Sabia que não poderia fazer nada para ajudá-la, a não ser sentar-se à beira da cama, pegar-lhe nas mãos e esperar o que ia acontecer.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia Completa e Prosa. 3 ed. p. 653 a 658. Rio de Janeiro, Companhia José Aguilar, 1973. Texto com adaptações.)

Quem tomou a iniciativa de adentrar a casa da doida?

Ver comentários
Anterior 12345678910111213141516171819202122232425262728293031323334353637383940414243444546474849505152535455565758596061626364656667686970717273747576777879808182838485868788899091929394959697989910010110210310410510610710810911011111211311411511611711811912012112212312412512612712812913013113213313413513613713813914014114214314414514614714814915015115215315415515615715815916016116216316416516616716816917017117217317417517617717817918018118218318418518618718818919019119219319419519619719819920020120220320420520620720820921021121221321421521621721821922022122222322422522622722822923023123223323423523623723823924024124224324424524624724824925025125225325425525625725825926026126226326426526626726826927027127227327427527627727827928028128228328428528628728828929029129229329429529629729829930030130230330430530630730830931031131231331431531631731831932032132232332432532632732832933033133233333433533633733833934034134234334434534634734834935035135235335435535635735835936036136236336436536636736836937037137237337437537637737837938038138238338438538638738838939039139239339439539639739839940040140240340440540640740840941041141241341441541641741841942042142242342442542642742842943043143243343443543643743843944044144244344444544644744844945045145245345445545645745845946046146246346446546646746846947047147247347447547647747847948048148248348448548648748848949049149249349449549649749849950050150250350450550650750850951051151251351451551651751851952052152252352452552652752852953053153253353453553653753853954054154254354454554654754854955055155255355455555655755855956056156256356456556656756856957057157257357457557657757857958058158258358458558658758858959059159259359459559659759859960060160260360460560660760860961061161261361461561661761861962062162262362462562662762862963063163263363463563663763863964064164264364464564664764864965065165265365465565665765865966066166266366466566666766866967067167267367467567667767867968068168268368468568668768868969069169269369469569669769869970070170270370470570670770870971071171271371471571671771871972072172272372472572672772872973073173273373473573673773873974074174274374474574674774874975075175275375475575675775875976076176276376476576676776876977077177277377477577677777877978078178278378478578678778878979079179279379479579679779879980080180280380480580680780880981081181281381481581681781881982082182282382482582682782882983083183283383483583683783883984084184284384484584684784884985085185285385485585685785885986086186286386486586686786886987087187287387487587687787887988088188288388488588688788888989089189289389489589689789889990090190290390490590690790890991091191291391491591691791891992092192292392492592692792892993093193293393493593693793893994094194294394494594694794894995095195295395495595695795895996096196296396496596696796896997097197297397497597697797897998098198298398498598698798898999099199299399499599699799899910001001100210031004100510061007100810091010101110121013101410151016101710181019102010211022102310241025102610271028102910301031103210331034103510361037103810391040104110421043104410451046104710481049105010511052105310541055105610571058105910601061106210631064106510661067106810691070107110721073107410751076107710781079108010811082108310841085108610871088108910901091109210931094109510961097109810991100110111021103110411051106110711081109111011111112111311141115111611171118111911201121112211231124112511261127112811291130113111321133113411351136113711381139114011411142114311441145114611471148114911501151115211531154115511561157115811591160116111621163116411651166116711681169117011711172117311741175117611771178117911801181118211831184118511861187118811891190119111921193119411951196119711981199120012011202120312041205120612071208120912101211121212131214121512161217121812191220122112221223122412251226122712281229123012311232123312341235123612371238123912401241124212431244124512461247124812491250125112521253125412551256125712581259126012611262126312641265126612671268126912701271127212731274127512761277127812791280128112821283128412851286128712881289129012911292129312941295129612971298129913001301130213031304130513061307130813091310131113121313131413151316131713181319132013211322132313241325132613271328132913301331133213331334133513361337133813391340134113421343134413451346134713481349135013511352135313541355135613571358135913601361136213631364136513661367136813691370137113721373137413751376137713781379138013811382138313841385138613871388138913901391139213931394139513961397139813991400140114021403140414051406140714081409141014111412141314141415141614171418141914201421142214231424142514261427142814291430143114321433143414351436143714381439144014411442144314441445144614471448144914501451145214531454145514561457145814591460146114621463146414651466146714681469147014711472147314741475147614771478147914801481148214831484148514861487148814891490149114921493149414951496149714981499150015011502150315041505150615071508150915101511151215131514151515161517151815191520152115221523152415251526152715281529153015311532153315341535153615371538153915401541154215431544154515461547154815491550155115521553155415551556155715581559156015611562156315641565156615671568156915701571157215731574157515761577157815791580158115821583158415851586158715881589159015911592159315941595159615971598159916001601160216031604160516061607160816091610161116121613161416151616161716181619162016211622162316241625162616271628162916301631163216331634163516361637163816391640164116421643164416451646164716481649165016511652165316541655165616571658165916601661166216631664166516661667166816691670167116721673167416751676167716781679168016811682168316841685168616871688168916901691169216931694169516961697169816991700170117021703170417051706170717081709171017111712171317141715171617171718171917201721172217231724172517261727172817291730173117321733173417351736173717381739174017411742174317441745174617471748174917501751175217531754175517561757175817591760176117621763176417651766176717681769177017711772177317741775177617771778177917801781178217831784178517861787178817891790179117921793179417951796179717981799180018011802180318041805180618071808180918101811181218131814181518161817181818191820182118221823182418251826182718281829183018311832183318341835183618371838183918401841184218431844184518461847184818491850185118521853185418551856185718581859186018611862186318641865186618671868186918701871187218731874187518761877187818791880188118821883188418851886188718881889189018911892189318941895189618971898189919001901190219031904190519061907190819091910191119121913191419151916191719181919192019211922192319241925192619271928192919301931193219331934193519361937193819391940194119421943194419451946194719481949195019511952195319541955195619571958195919601961196219631964196519661967196819691970197119721973197419751976197719781979198019811982198319841985198619871988198919901991199219931994199519961997199819992000200120022003200420052006200720082009201020112012201320142015201620172018201920202021202220232024202520262027202820292030203120322033203420352036203720382039204020412042204320442045204620472048204920502051205220532054205520562057205820592060206120622063206420652066206720682069207020712072207320742075207620772078207920802081208220832084208520862087208820892090209120922093209420952096209720982099210021012102210321042105210621072108210921102111211221132114211521162117211821192120212121222123212421252126212721282129213021312132213321342135213621372138213921402141214221432144214521462147214821492150215121522153215421552156215721582159216021612162216321642165216621672168216921702171217221732174217521762177217821792180218121822183218421852186218721882189219021912192219321942195219621972198219922002201220222032204220522062207220822092210221122122213221422152216221722182219222022212222222322242225222622272228222922302231223222332234223522362237223822392240224122422243224422452246224722482249225022512252225322542255225622572258225922602261226222632264226522662267226822692270227122722273227422752276227722782279228022812282228322842285228622872288228922902291229222932294229522962297229822992300230123022303230423052306230723082309231023112312231323142315231623172318231923202321232223232324232523262327232823292330233123322333233423352336233723382339234023412342234323442345234623472348234923502351235223532354235523562357235823592360236123622363236423652366236723682369237023712372237323742375237623772378237923802381238223832384238523862387238823892390239123922393239423952396239723982399240024012402240324042405240624072408240924102411241224132414241524162417241824192420242124222423242424252426242724282429243024312432243324342435243624372438243924402441244224432444244524462447244824492450245124522453245424552456245724582459246024612462246324642465246624672468246924702471247224732474247524762477247824792480248124822483248424852486248724882489249024912492249324942495249624972498249925002501250225032504250525062507250825092510251125122513251425152516251725182519252025212522252325242525252625272528252925302531253225332534253525362537253825392540254125422543254425452546254725482549255025512552255325542555255625572558255925602561256225632564256525662567256825692570257125722573257425752576257725782579258025812582 Próximo
Pastas

/

06


Faça seu login GRÁTIS


Compartilhar questão
ENEM estuda.com é um sistema para estudantes que desejam ingressar em um curso de nível superior. Resolva questões através do computador, tablet ou celular. vestibular,enem,questoes,estudar,alunos,simulados,questões enem,simulados enem,simulados vestibular,vestibular,provas,provas enem Estuda.com
logo da estuda.com
  • Quem somos
  • Blog
  • Trabalhe conosco

SEJA TEAM ESTUDA

  • Assine agora
  • Cadastre-se

NOSSAS SOLUÇÕES

  • Planos
  • Estudantes
  • Escolas
  • Professores

NOSSAS MATÉRIAS

  • Questões de Matemática
  • Questões de Português
  • Questões de História
  • Questões de Biologia
  • Questões de Geografia

ENEM E VESTIBULARES

  • Questões de Enem
  • Temas de Redação
  • ITA Vestibular
  • Questões Fuvest
  • Vestibular Unesp

SUPORTE

  • Central de ajuda
  • Ouvidoria

Disponível no Google Play Disponível na App Store
Termos de uso Política de privacidade

Todos os direitos reservados

Estuda Tecnologias LTDA

CNPJ 22951899000160