Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 20 12039063
Prova Brasil Portugues 2011Assaltos insólitos
Assalto não tem graça nenhuma, mas
alguns, contados depois, até que são
engraçados. É igual a certos incidentes de
viagem, que, quando acontecem, deixam a
[5] gente aborrecidíssimo, mas depois, narrados
aos amigos num jantar, passam a ter sabor de
anedota.
Uma vez me contaram de um cidadão que
foi assaltado em sua casa. Até aí, nada
[10] demais. Tem gente que é assaltada na rua, no
ônibus, no escritório, até dentro de igrejas e
hospitais, mas muitos o são na própria casa.
O que não diminui o desconforto da situação.
Pois lá estava o dito-cujo em sua casa,
[15] mas vestido em roupa de trabalho, pois
resolvera dar uma pintura na garagem e na
cozinha. As crianças haviam saído com a
mulher para fazer compras e o marido se
entregava a essa terapêutica atividade,
[20] quando, da garagem, vê adentrar pelo jardim
dois indivíduos suspeitos.
Mal teve tempo de tomar uma atitude e já
ouvia:
— É um assalto, fica quieto senão leva
[25] chumbo.
Ele já se preparava para toda sorte de
tragédias quando um dos ladrões pergunta:
— Cadê o patrão?
Num rasgo de criatividade, respondeu:
[30] — Saiu, foi com a família ao mercado, mas
já volta.
— Então vamos lá dentro, mostre tudo.
Fingindo-se, então, de empregado de si
mesmo, e ao mesmo tempo para livrar sua
[35] cara, começou a dizer:
— Se quiserem levar, podem levar tudo,
estou me lixando, não gosto desse patrão.
Paga mal, é um pão-duro. Por que não levam
aquele rádio ali? Olha, se eu fosse vocês
[40] levava aquele som também. Na cozinha tem
uma batedeira ótima da patroa. Não querem
uns discos? Dinheiro não tem, pois ouvi
dizerem que botam tudo no banco, mas ali
dentro do armário tem uma porção de caixas
[45] de bombons, que o patrão é tarado por
bombom.
Os ladrões recolheram tudo o que o falso
empregado indicou e saíram apressados.
Daí a pouco chegavam a mulher e os
[50] filhos.
Sentado na sala, o marido ria, ria, tanto
nervoso quanto aliviado do próprio assalto que
ajudara a fazer contra si mesmo.
SANTANNA Affonso Romano. PORTA DE COLÉGIO E OUTRAS CRÔNICAS São Paulo:Ática 1995. (Coleção Para gostar de ler).
É exemplo de linguagem formal, no texto
Questão 19 12039043
Prova Brasil Portugues 2011Assaltos insólitos
Assalto não tem graça nenhuma, mas
alguns, contados depois, até que são
engraçados. É igual a certos incidentes de
viagem, que, quando acontecem, deixam a
[5] gente aborrecidíssimo, mas depois, narrados
aos amigos num jantar, passam a ter sabor de
anedota.
Uma vez me contaram de um cidadão que
foi assaltado em sua casa. Até aí, nada
[10] demais. Tem gente que é assaltada na rua, no
ônibus, no escritório, até dentro de igrejas e
hospitais, mas muitos o são na própria casa.
O que não diminui o desconforto da situação.
Pois lá estava o dito-cujo em sua casa,
[15] mas vestido em roupa de trabalho, pois
resolvera dar uma pintura na garagem e na
cozinha. As crianças haviam saído com a
mulher para fazer compras e o marido se
entregava a essa terapêutica atividade,
[20] quando, da garagem, vê adentrar pelo jardim
dois indivíduos suspeitos.
Mal teve tempo de tomar uma atitude e já
ouvia:
— É um assalto, fica quieto senão leva
[25] chumbo.
Ele já se preparava para toda sorte de
tragédias quando um dos ladrões pergunta:
— Cadê o patrão?
Num rasgo de criatividade, respondeu:
[30] — Saiu, foi com a família ao mercado, mas
já volta.
— Então vamos lá dentro, mostre tudo.
Fingindo-se, então, de empregado de si
mesmo, e ao mesmo tempo para livrar sua
[35] cara, começou a dizer:
— Se quiserem levar, podem levar tudo,
estou me lixando, não gosto desse patrão.
Paga mal, é um pão-duro. Por que não levam
aquele rádio ali? Olha, se eu fosse vocês
[40] levava aquele som também. Na cozinha tem
uma batedeira ótima da patroa. Não querem
uns discos? Dinheiro não tem, pois ouvi
dizerem que botam tudo no banco, mas ali
dentro do armário tem uma porção de caixas
[45] de bombons, que o patrão é tarado por
bombom.
Os ladrões recolheram tudo o que o falso
empregado indicou e saíram apressados.
Daí a pouco chegavam a mulher e os
[50] filhos.
Sentado na sala, o marido ria, ria, tanto
nervoso quanto aliviado do próprio assalto que
ajudara a fazer contra si mesmo.
SANTANNA Affonso Romano. PORTA DE COLÉGIO E OUTRAS CRÔNICAS São Paulo:Ática 1995. (Coleção Para gostar de ler).
No trecho "e o marido se entregara a essa terapêutica atividade." (ℓ.18-19), a expressão destacada substitui
Questão 18 12038815
Prova Brasil Portugues 2011Assaltos insólitos
Assalto não tem graça nenhuma, mas
alguns, contados depois, até que são
engraçados. É igual a certos incidentes de
viagem, que, quando acontecem, deixam a
[5] gente aborrecidíssimo, mas depois, narrados
aos amigos num jantar, passam a ter sabor de
anedota.
Uma vez me contaram de um cidadão que
foi assaltado em sua casa. Até aí, nada
[10] demais. Tem gente que é assaltada na rua, no
ônibus, no escritório, até dentro de igrejas e
hospitais, mas muitos o são na própria casa.
O que não diminui o desconforto da situação.
Pois lá estava o dito-cujo em sua casa,
[15] mas vestido em roupa de trabalho, pois
resolvera dar uma pintura na garagem e na
cozinha. As crianças haviam saído com a
mulher para fazer compras e o marido se
entregava a essa terapêutica atividade,
[20] quando, da garagem, vê adentrar pelo jardim
dois indivíduos suspeitos.
Mal teve tempo de tomar uma atitude e já
ouvia:
— É um assalto, fica quieto senão leva
[25] chumbo.
Ele já se preparava para toda sorte de
tragédias quando um dos ladrões pergunta:
— Cadê o patrão?
Num rasgo de criatividade, respondeu:
[30] — Saiu, foi com a família ao mercado, mas
já volta.
— Então vamos lá dentro, mostre tudo.
Fingindo-se, então, de empregado de si
mesmo, e ao mesmo tempo para livrar sua
[35] cara, começou a dizer:
— Se quiserem levar, podem levar tudo,
estou me lixando, não gosto desse patrão.
Paga mal, é um pão-duro. Por que não levam
aquele rádio ali? Olha, se eu fosse vocês
[40] levava aquele som também. Na cozinha tem
uma batedeira ótima da patroa. Não querem
uns discos? Dinheiro não tem, pois ouvi
dizerem que botam tudo no banco, mas ali
dentro do armário tem uma porção de caixas
[45] de bombons, que o patrão é tarado por
bombom.
Os ladrões recolheram tudo o que o falso
empregado indicou e saíram apressados.
Daí a pouco chegavam a mulher e os
[50] filhos.
Sentado na sala, o marido ria, ria, tanto
nervoso quanto aliviado do próprio assalto que
ajudara a fazer contra si mesmo.
SANTANNA Affonso Romano. PORTA DE COLÉGIO E OUTRAS CRÔNICAS São Paulo:Ática 1995. (Coleção Para gostar de ler).
O dono da casa livra-se de toda sorte de tragédias, principalmente, porque
Questão 17 12038735
Prova Brasil Portugues 2011Minha Sombra
De manhã a minha sombra
com meu papagaio e o meu macaco
começam a me arremedar.
E quando eu saio
[5] a minha sombra vai comigo
fazendo o que eu faço
seguindo os meus passos.
Depois é meio-dia.
E a minha sombra fica do tamaninho
[10] de quando eu era menino.
Depois é tardinha.
E a minha sombra tão comprida
brinca de pernas de pau.
Minha sombra, eu só queria
[15] ter o humor que você tem,
ter a sua meninice,
ser igualzinho a você.
E de noite quando, escrevo,
fazer como você faz,
[20] como eu fazia em criança:
Minha sombra
você põe a sua mão
por baixo da minha mão,
vai cobrindo o rascunho dos meus poemas
[25] sem saber ler e escrever.
LIMA, Jorge de. Minha Sombra In: Obra Completa. 19 ed. Rio de Janeiro: José Aguillar Ltda, 1958.
De acordo com o texto, a sombra imita o menino
Questão 16 12038434
Prova Brasil Portugues 2011A dor de cresce
Período de passagem, tempo de
agitação e turbulências. Um fenômeno
psicológico e social, que terá diferentes
particularidades de acordo com o ambiente
[5] social e cultural. Do latim ad, que quer dizer
para, e olescer, que significa crescer, mas
também adoecer, enfermar. Todas essas
definições, por mais verdadeiras que sejam,
foram formuladas por adultos.
[10] "Adolescer dói" − dizem as psicanalistas
[Margarete, Ana Maria e Yeda] – "porque é
um período de grandes transformações. Há
um sofrimento emocional com as mudanças
biológicas e mentais que ocorrem nessa fase.
[15] É a morte da criança para o nascimento do
adulto. Portanto, trata-se de uma passagem
de perdas e ganhos e isso nem sempre é
entendido pelos adultos."
Margarete, Ana Maria e Yeda decidiram
[20] criar o "Ponto de Referência" exatamente
para isso. Para facilitar a vida tanto dos
adolescentes quanto das pessoas que os
rodeiam, como pais e professores. "Estamos
tentando resgatar o sentido da palavra
[25] diálogo" – enfatiza Yeda – "quando os dois
falam, os dois ouvem sempre concordando
um com o outro, nem sempre acatando.
Nosso objetivo maior talvez seja o resgate da
interlocução, com direito, inclusive, a
[30] interrupções.
" Frutos de uma educação autoritária, os
pais de hoje se queixam de estar vivendo a
tão alardeada ditadura dos filhos.
Contrapondo o autoritarismo, muitos
[35] enveredaram pelo caminho da liberdade
generalizada e essa tem sido a grande
dúvida dos pais que procuram o "Ponto de
Referência": proibir ou permitir? "O que
propomos aqui" − afirma Margarete −"é a
[40] consciência da liberdade. Nem o vale-tudo e
nem a proibição total. Tivemos acesso a
centros semelhantes ao nosso na Espanha e
em Portugal, onde o setor público funciona
bem e dá muito apoio a esse tipo de trabalho
[45] porque já descobriram a importância de uma
adolescência vivida com um mínimo de
equilíbrio. Já que o processo de passagem é
inevitável, que ele seja feito com menos dor
para todos os envolvidos".
MIRTES Helena. In: Estado de Minas, 16 jun. 1996.
No texto, o argumento que comprova a ideia de ser a adolescência um período de passagem é
Questão 15 11996105
Prova Brasil Portugues 2011Magia das árvores
— Eu já lhe disse que as árvores fazem
frutos do nada e isso é a mais pura magia.
Pense agora como as árvores são grandes e
fortes, velhas e generosas e só pedem em
[5] troca um pouquinho de luz, água, ar e terra. É
tanto por tão pouco! Quase toda a magia da
árvore vem da raiz. Sob a terra, todas as
árvores se unem. É como se estivessem de
mãos dadas. Você pode aprender muito sobre
[10] paciência estudando as raízes. Elas vão
penetrando no solo devagarinho, vencendo a
resistência mesmo dos solos mais duros. Aos
poucos vão crescendo até acharem água.
Não erram nunca a direção. Pedi uma vez a
[15] um velho pinheiro que me explicasse por que
as raízes nunca se enganam quando
procuram água e ele me disse que as outras
árvores que já acharam água ajudam as que
ainda estão procurando.
[20] — E se a árvore estiver plantada sozinha
num prado?
— As árvores se comunicam entre si, não
importa a distância. Na verdade, nenhuma
árvore está sozinha. Ninguém está sozinho.
[25] Jamais. Lembre-se disso.
Máqui. Magia das árvores. São Paulo: FTD, 1992.
No trecho "Ninguém está sozinho. Jamais. Lembre-se disso."
(ℓ.24-25), as frases curtas produzem o efeito de
06
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