Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 6 10781596
Liceu-SP C. Gerais 2017Leia o texto para responder à questão.
Voo cego
Em 29 de setembro de 2006, o Boeing da Gol que levava 154 pessoas chocou-se com o jato executivo Legacy e caiu numa floresta densa no Mato Grosso. Não houve sobreviventes no Boeing; o Legacy conseguiu pousar na base aérea do Cachimbo (PA), sem feridos.
Como em geral ocorre em casos dessa amplitude, uma combinação de erros revelou-se fatal, permitindo que duas aeronaves voassem, na mesma altitude e horário, em sentido contrário.
O desastre descortinou uma série de graves deficiências do controle aéreo do país. Radares e rádios não cobriam todo o território nacional – e por isso Brasília ficou sem contato com os pilotos do Legacy por quase uma hora.
A formação deficiente e a sobrecarga de trabalho foram outros argumentos apontados pelos agentes para explicar a tragédia. Em um cenário tão desfavorável, chega a dar calafrios imaginar quantos outros acidentes não terão sido evitados por puro acaso.
Felizmente, uma década depois, o ambiente parece mais seguro. Segundo a Aeronáutica, intensificou-se o treinamento para situações de perda de contato com a aeronave. O número de controladores, ademais, saltou de 2.800 para 4.200.
De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), a média de acidentes anuais em voos no Brasil, para cada milhão de decolagens, caiu de 3,5 em 2007 para 1,33 em 2015.
Todavia, restam lacunas graves a serem sanadas. Ainda há falhas na comunicação via rádio, sobretudo no norte do país. Passados dez anos, já era tempo de o Brasil ter incorporado plenamente lições aprendidas de forma tão dura.
(Folha de S.Paulo, 28.09.2016)
Nas passagens “… e caiu numa floresta densa no Mato Grosso.” (1º parágrafo), “Como em geral ocorre em casos dessa amplitude…” (2º parágrafo) e “… restam lacunas graves a serem sanadas.” (último parágrafo), os termos em destaque significam, respectivamente,
Questão 5 10781594
Liceu-SP C. Gerais 2017Leia o texto para responder à questão.
Voo cego
Em 29 de setembro de 2006, o Boeing da Gol que levava 154 pessoas chocou-se com o jato executivo Legacy e caiu numa floresta densa no Mato Grosso. Não houve sobreviventes no Boeing; o Legacy conseguiu pousar na base aérea do Cachimbo (PA), sem feridos.
Como em geral ocorre em casos dessa amplitude, uma combinação de erros revelou-se fatal, permitindo que duas aeronaves voassem, na mesma altitude e horário, em sentido contrário.
O desastre descortinou uma série de graves deficiências do controle aéreo do país. Radares e rádios não cobriam todo o território nacional – e por isso Brasília ficou sem contato com os pilotos do Legacy por quase uma hora.
A formação deficiente e a sobrecarga de trabalho foram outros argumentos apontados pelos agentes para explicar a tragédia. Em um cenário tão desfavorável, chega a dar calafrios imaginar quantos outros acidentes não terão sido evitados por puro acaso.
Felizmente, uma década depois, o ambiente parece mais seguro. Segundo a Aeronáutica, intensificou-se o treinamento para situações de perda de contato com a aeronave. O número de controladores, ademais, saltou de 2.800 para 4.200.
De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), a média de acidentes anuais em voos no Brasil, para cada milhão de decolagens, caiu de 3,5 em 2007 para 1,33 em 2015.
Todavia, restam lacunas graves a serem sanadas. Ainda há falhas na comunicação via rádio, sobretudo no norte do país. Passados dez anos, já era tempo de o Brasil ter incorporado plenamente lições aprendidas de forma tão dura.
(Folha de S.Paulo, 28.09.2016)
De acordo com o texto, o acidente envolvendo o Boeing da Gol e o jato executivo Legacy
Questão 2 10781585
Liceu-SP C. Gerais 2017Leia o texto para responder à questão.
No excelente texto da atriz e escritora Fernanda Torres sobre Spalding Gray, na revista Piauí 109, tropecei na seguinte construção: “O carma do suicídio e a obsessão com a morte são temas frequentes, como também uma curiosidade infantil, uma abertura para o mundo que o permite entrar no carro de um desconhecido…”.
(Sírio Possenti, Correção em excesso. Em: www.cienciahoje.org.br. 30.10.2015)
Ao ler a frase de Fernanda Torres, o estudioso da linguagem Sírio Possenti observou que uma passagem não atendia ao português padrão.
Trata-se de
Questão 4 10780581
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2017TEXTO
Conversas iluminadas
Tem coisa mais xarope do que faltar luz? Outro dia estava terminando de escrever um texto e não
consegui concluí-lo: o céu enegreceu, trovões começaram a espocar e foi-se a energia da casa. Eram 15h10
da tarde. A luz só voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então bati à porta do
quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa, sem conseguir desfrutar da companhia
[5] inseparável do seu laptop. Ficamos as duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos
em sua cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os que eu tinha na idade dela, e de
como a vida me surpreendeu desde lá até aqui. E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam
mesmo sair de sua cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si mesma. Então
[10] ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu estive viajando, e ela disse que eu teria
adorado, e combinamos de ir juntas na próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com ela no teatro, e vimos as fotos
juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de
que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete
[15] músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento que eu estava mesmo desprezando. Então foi
minha vez de tocar pra ela uma música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu.
E rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha comer um resto de salada de
fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não passava uma tarde tão luminosa.
[20] Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e voltou minha filha para seu
Facebook, e só o que se escutava pela casa era o barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis -
falávamos com quem? Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É ficarmos reféns da tecnologia,
deixando de conversar com quem está ao nosso lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para
[25] resgatar a energia humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de casa, uma
horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande. Se acontecer de novo, prometo não
reclamar para a CEEE*, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira
e que seja suficiente para me alimentar da clarividência e brilho de um bom papo.
MEDEIROS , Martha. Porto Alegre: Jornal Zero Hora, 15 de dez.2013.
*Companhia Estadual de Energia Elétrica - Rio Grande do Sul
O sentido do título da crônica foi construído através da conotação.
Portanto, na expressão “conversas iluminadas”, tem-se a seguinte figura de linguagem:
Questão 11 10779796
IFMT 2017/2Texto
Tecnologia
Para começar, ele nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha de cima, com su-
perioridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. Parece estar dizendo: vamos lá, seu
desprezível pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer. A máquina de escrever faz tudo que você manda,
mesmo que seja a tapa. Com o computador é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tu-
[5] do ao modo dele, senão ele não aceita. Simplesmente ignora você. Mas se apenas ignorasse ainda seria
suportável. Ele responde. Repreende. Corrige. Uma tela vazia, muda, nenhuma reação aos nossos coman-
dos digitais, tudo bem. Quer dizer, você se sente como aquele cara que cantou a secretária eletrônica. É
um vexame privado. Mas quando você o manda fazer alguma coisa, mas manda errado, ele diz “Errado”.
Não diz “Burro”, mas está implícito. É pior, muito pior. Às vezes, quando a gente erra, ele faz “bip”. Assim,
[10] para todo mundo ouvir. Comecei a usar o computador na redação do jornal e volta e meia errava. E lá vi-
nha ele: “Bip!” “Olha aqui, pessoal: ele errou.” “O burro errou!”
Outra coisa: ele é mais inteligente que você. Sabe muito mais coisa e não tem nenhum pudor em dizer que
sabe. Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto quem a usa não vale com ele. Es-
tá subentendido, nas suas relações com o computador, que você jamais aproveitará metade das coisas
[15] que ele tem para oferecer. Que ele só desenvolverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver
programando. A máquina de escrever podia ter recursos que você nunca usaria, mas não tinha a mesma
empáfia, o mesmo ar de quem só aguentava os humanos por falta de coisa melhor, no momento. E a má-
quina, mesmo nos seus instantes de maior impaciência conosco, jamais faria “bip” em público.
Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas dificilmente voltará à
[20] máquina de escrever sem a sensação de que está desembarcando de uma Mercedes e voltando à carroça.
Está certo, jamais teremos com ele a mesma confortável cumplicidade que tínhamos com a velha máquina.
É outro tipo de relacionamento, mais formal e exigente. Mas é fascinante. Agora compreendo o entusias-
mo de gente como Millôr Fernandes e Fernando Sabino, que dividem a sua vida profissional em antes dele
e depois dele. Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a palavra
[25] que faltou na hora, e que nele foi substituída por um botão, que, além de mais rápido, jamais nos sujará os
dedos, mas acho que estou sucumbindo. Sei que nunca seremos íntimos, mesmo porque ele não ia querer
se rebaixar a ser meu amigo, mas retiro tudo o que pensei sobre ele. Claro que você pode concluir que eu
só estou querendo agradá-lo, precavidamente, mas juro que é sincero.
Quando saí da redação do jornal depois de usar o computador pela primeira vez, cheguei em casa e bati
[30] na minha máquina. Sabendo que ela aguentaria sem reclamar, como sempre, a pobrezinha.
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Pai não entende nada. Porto Alegre: L&PM, 1990, p. 58-60.)
Considerando as regras de acentuação gráfica, analise as seguintes palavras retiradas do texto e assinale V para as afirmações verdadeiras e F para as falsas.
I. máquina, implícito e eletrônico.
II. desprezível, suportável e confortável.
III. secretária, negócio e impaciência.
( ) As palavras nos itens I e II são acentuadas, porque obedecem à mesma regra.
( ) As palavras no item III são paroxítonas terminadas em ditongo, portanto, elas devem ser acentua- das.
( ) As regras de acentuação das palavras no item I são iguais ao do item III.
( ) No item II todas as palavras foram acentuadas, porque são paroxítonas terminadas em L.
Assinale a sequência correta.
Questão 5 10779784
IFMT 2017/2Texto
Tecnologia
Para começar, ele nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha de cima, com su-
perioridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. Parece estar dizendo: vamos lá, seu
desprezível pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer. A máquina de escrever faz tudo que você manda,
mesmo que seja a tapa. Com o computador é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tu-
[5] do ao modo dele, senão ele não aceita. Simplesmente ignora você. Mas se apenas ignorasse ainda seria
suportável. Ele responde. Repreende. Corrige. Uma tela vazia, muda, nenhuma reação aos nossos coman-
dos digitais, tudo bem. Quer dizer, você se sente como aquele cara que cantou a secretária eletrônica. É
um vexame privado. Mas quando você o manda fazer alguma coisa, mas manda errado, ele diz “Errado”.
Não diz “Burro”, mas está implícito. É pior, muito pior. Às vezes, quando a gente erra, ele faz “bip”. Assim,
[10] para todo mundo ouvir. Comecei a usar o computador na redação do jornal e volta e meia errava. E lá vi-
nha ele: “Bip!” “Olha aqui, pessoal: ele errou.” “O burro errou!”
Outra coisa: ele é mais inteligente que você. Sabe muito mais coisa e não tem nenhum pudor em dizer que
sabe. Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto quem a usa não vale com ele. Es-
tá subentendido, nas suas relações com o computador, que você jamais aproveitará metade das coisas
[15] que ele tem para oferecer. Que ele só desenvolverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver
programando. A máquina de escrever podia ter recursos que você nunca usaria, mas não tinha a mesma
empáfia, o mesmo ar de quem só aguentava os humanos por falta de coisa melhor, no momento. E a má-
quina, mesmo nos seus instantes de maior impaciência conosco, jamais faria “bip” em público.
Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas dificilmente voltará à
[20] máquina de escrever sem a sensação de que está desembarcando de uma Mercedes e voltando à carroça.
Está certo, jamais teremos com ele a mesma confortável cumplicidade que tínhamos com a velha máquina.
É outro tipo de relacionamento, mais formal e exigente. Mas é fascinante. Agora compreendo o entusias-
mo de gente como Millôr Fernandes e Fernando Sabino, que dividem a sua vida profissional em antes dele
e depois dele. Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a palavra
[25] que faltou na hora, e que nele foi substituída por um botão, que, além de mais rápido, jamais nos sujará os
dedos, mas acho que estou sucumbindo. Sei que nunca seremos íntimos, mesmo porque ele não ia querer
se rebaixar a ser meu amigo, mas retiro tudo o que pensei sobre ele. Claro que você pode concluir que eu
só estou querendo agradá-lo, precavidamente, mas juro que é sincero.
Quando saí da redação do jornal depois de usar o computador pela primeira vez, cheguei em casa e bati
[30] na minha máquina. Sabendo que ela aguentaria sem reclamar, como sempre, a pobrezinha.
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Pai não entende nada. Porto Alegre: L&PM, 1990, p. 58-60.)
No decorrer do texto, o autor estabelece comparações entre o computador e a máquina de escrever.
Marque a alternativa que caracteriza corretamente cada um desses aparelhos.
06
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