Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 8365789
EFOMM EFOMM 2012 1 FaseU PORING 2012O médico e o monstro
Paulo Mendes Campos
Avental branco, pincenê vermelho, bigodes azuis, ei-lo, grave, aplicando sobre o peito descoberto duma criancinha um estetoscópio, e depois a injeção que a enfermeira lhe passa.
O avental na verdade é uma camisa de homem adulto a bater-lhe pelos joelhos; os bigodes foram pintados por sua irmã, a enfermeira; a criancinha é uma boneca de olhos cerúleos, mas já meio careca, que atende pelo nome de Rosinha; os instrumentos para exame e cirurgia saem duma caixinha de brinquedos.
Ela, seis anos e meio; o doutor tem cinco. Enquanto trabalham, a enfermeira presta informações:
— Esta menina é boba mesmo, não gosta de injeção, nem de vitamina, mas a irmãzinha dela adora.
O médico segura o microscópio, focaliza-o dentro da boca de Rosinha, pede uma colher, manda a paciente dizer aaá. Rosinha diz aaá pelos lábios da enfermeira. O médico apanha o pincenê, que escorreu de seu nariz, rabisca uma receita, enquanto a enfermeira continua:
— O senhor pode dar injeção que eu faço ela tomar de qualquer jeito, porque é claro que se ela não quiser, né, vai ficar muito magrinha que até o vento carrega.
O médico, no entanto, prefere enrolar uma gaze em torno do pescoço da boneca, diagnosticando:
— Mordida de leão.
— Mordida de leão? — pergunta, desapontada, a enfermeira, para logo aceitar este faz de conta dentro do outro faz de conta; eu já disse tanto, meu Deus, para essa garota não ir na floresta brincar com Chapeuzinho Vermelho...
Novos clientes desfilam pela clínica: uma baiana de acarajé, um urso muito resfriado, porque só gostava de neve, um cachorro atropelado por lotação, outras bonecas de vários tamanhos, um Papai Noel, uma bola de borracha e até mesmo o pai e a mãe do médico e da enfermeira.
De repente, o médico diz que está com sede e corre para a cozinha, apertando o pincenê contra o rosto. A mãe se aproveita disso para dar um beijo violento no seu amor de filho e também para preparar-lhe um copázio de vitaminas: tomate, cenoura, maçã, banana, limão, laranja e aveia. O famoso pediatra, com um esgar colérico, recusa a formidável droga.
— Tem de tomar, senão quem acaba no médico é você mesmo, doutor.
Ele implora em vão por uma bebida mais inócua. O copo é levado com energia aos seus lábios, a beberagem é provada com uma careta. Em seguida, propõe um trato:
— Só se você depois me der um sorvete.
A terrível mistura é sorvida com dificuldade e repugnância, seus olhos se alteram nas órbitas, um engasgo devolve o restinho. A operação durou um quarto de hora. A mãe recolhe o copo vazio com a alegria da vitória e aplica no menino uma palmadinha carinhosa, revidada com a ameaça dum chute. Já estamos a essa altura, como não podia deixar de ser, presenciado a metamorfose do médico em monstro.
Ao passar zunindo pela sala, o pincenê e o avental são atirados sobre o tapete com um gesto desabrido. Do antigo médico resta um lindo bigode azul. De máscara preta e espada, Mr. Hyde penetra no quarto, onde a doce enfermeira continua a brincar, e desfaz com uma espadeirada todo o consultório: microscópio, estetoscópio, remédios, seringa, termômetro, tesoura, gaze, esparadrapo, bonecas, tudo se derrama pelo chão. A enfermeira dá um grito de horror e começa a chorar nervosamente. O monstro, exultante, espeta-lhe a espada na barriga e brada:
— Eu sou o Demônio do Deserto!
Ainda sob o efeito das vitaminas, preso na solidão escura do mal, desatento a qualquer autoridade materna ou paterna, com o diabo no corpo, o monstro vai espalhando o terror a seu redor: é a televisão ligada ao máximo, é o divã massacrado sob os seus pés, é um cometa indo tinir no ouvido da cozinheira, um vaso quebrado, uma cortina que se despenca, um grito, um uivo, um rugido animal, é o doce derramado, a torneira inundando o banheiro, a revista nova dilacerada, é, enfim, o flagelo à solta no sexto andar dum apartamento carioca.
Subitamente, o monstro se acalma. Suado e ofegante, senta-se sobre os joelhos do pai, pedindo com doçura que conte uma história ou lhe compre um carneirinho de verdade.
E a paz e a ternura de novo abrem suas asas num lar ameaçado pelas forças do mal.
OBS.: O texto foi adaptado às regras no Novo Acordo Ortográfico.
A única alternativa em que há verbo na segunda conjugação é:Paulo Mendes Campos. O médico e o monstro. In: Fernando Sabino e outros. Crônicas 2. 19. ed. São Paulo: Ática, 2003. p. 20-22.
Questão 8365781
EFOMM EFOMM 2012 1 FaseU PORING 2012O médico e o monstro
Paulo Mendes Campos
Avental branco, pincenê vermelho, bigodes azuis, ei-lo, grave, aplicando sobre o peito descoberto duma criancinha um estetoscópio, e depois a injeção que a enfermeira lhe passa.
O avental na verdade é uma camisa de homem adulto a bater-lhe pelos joelhos; os bigodes foram pintados por sua irmã, a enfermeira; a criancinha é uma boneca de olhos cerúleos, mas já meio careca, que atende pelo nome de Rosinha; os instrumentos para exame e cirurgia saem duma caixinha de brinquedos.
Ela, seis anos e meio; o doutor tem cinco. Enquanto trabalham, a enfermeira presta informações:
— Esta menina é boba mesmo, não gosta de injeção, nem de vitamina, mas a irmãzinha dela adora.
O médico segura o microscópio, focaliza-o dentro da boca de Rosinha, pede uma colher, manda a paciente dizer aaá. Rosinha diz aaá pelos lábios da enfermeira. O médico apanha o pincenê, que escorreu de seu nariz, rabisca uma receita, enquanto a enfermeira continua:
— O senhor pode dar injeção que eu faço ela tomar de qualquer jeito, porque é claro que se ela não quiser, né, vai ficar muito magrinha que até o vento carrega.
O médico, no entanto, prefere enrolar uma gaze em torno do pescoço da boneca, diagnosticando:
— Mordida de leão.
— Mordida de leão? — pergunta, desapontada, a enfermeira, para logo aceitar este faz de conta dentro do outro faz de conta; eu já disse tanto, meu Deus, para essa garota não ir na floresta brincar com Chapeuzinho Vermelho...
Novos clientes desfilam pela clínica: uma baiana de acarajé, um urso muito resfriado, porque só gostava de neve, um cachorro atropelado por lotação, outras bonecas de vários tamanhos, um Papai Noel, uma bola de borracha e até mesmo o pai e a mãe do médico e da enfermeira.
De repente, o médico diz que está com sede e corre para a cozinha, apertando o pincenê contra o rosto. A mãe se aproveita disso para dar um beijo violento no seu amor de filho e também para preparar-lhe um copázio de vitaminas: tomate, cenoura, maçã, banana, limão, laranja e aveia. O famoso pediatra, com um esgar colérico, recusa a formidável droga.
— Tem de tomar, senão quem acaba no médico é você mesmo, doutor.
Ele implora em vão por uma bebida mais inócua. O copo é levado com energia aos seus lábios, a beberagem é provada com uma careta. Em seguida, propõe um trato:
— Só se você depois me der um sorvete.
A terrível mistura é sorvida com dificuldade e repugnância, seus olhos se alteram nas órbitas, um engasgo devolve o restinho. A operação durou um quarto de hora. A mãe recolhe o copo vazio com a alegria da vitória e aplica no menino uma palmadinha carinhosa, revidada com a ameaça dum chute. Já estamos a essa altura, como não podia deixar de ser, presenciado a metamorfose do médico em monstro.
Ao passar zunindo pela sala, o pincenê e o avental são atirados sobre o tapete com um gesto desabrido. Do antigo médico resta um lindo bigode azul. De máscara preta e espada, Mr. Hyde penetra no quarto, onde a doce enfermeira continua a brincar, e desfaz com uma espadeirada todo o consultório: microscópio, estetoscópio, remédios, seringa, termômetro, tesoura, gaze, esparadrapo, bonecas, tudo se derrama pelo chão. A enfermeira dá um grito de horror e começa a chorar nervosamente. O monstro, exultante, espeta-lhe a espada na barriga e brada:
— Eu sou o Demônio do Deserto!
Ainda sob o efeito das vitaminas, preso na solidão escura do mal, desatento a qualquer autoridade materna ou paterna, com o diabo no corpo, o monstro vai espalhando o terror a seu redor: é a televisão ligada ao máximo, é o divã massacrado sob os seus pés, é um cometa indo tinir no ouvido da cozinheira, um vaso quebrado, uma cortina que se despenca, um grito, um uivo, um rugido animal, é o doce derramado, a torneira inundando o banheiro, a revista nova dilacerada, é, enfim, o flagelo à solta no sexto andar dum apartamento carioca.
Subitamente, o monstro se acalma. Suado e ofegante, senta-se sobre os joelhos do pai, pedindo com doçura que conte uma história ou lhe compre um carneirinho de verdade.
E a paz e a ternura de novo abrem suas asas num lar ameaçado pelas forças do mal.
OBS.: O texto foi adaptado às regras no Novo Acordo Ortográfico.
Nas passagens que se seguem, há evidências de o personagem ser uma criança. A única passagem que não contém esse indício está na opção.Paulo Mendes Campos. O médico e o monstro. In: Fernando Sabino e outros. Crônicas 2. 19. ed. São Paulo: Ática, 2003. p. 20-22.
Questão 15 618482
CTI (UNIFICADO) 2012Assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal e nominal.
Questão 13 618471
CTI (UNIFICADO) 2012Leia o texto para responder à questão.
Os cursos técnicos ou profissionalizantes têm ganhado cada vez mais popularidade entre os brasileiros. Elaborados para capacitar as pessoas com base prática e teórica em diferentes ramos, os cursos têm público composto por quem busca acelerar o aprendizado de uma profissão e a entrada no mercado de trabalho.
Novas vagas são abertas diariamente pelas empresas brasileiras, mas elas ainda estão carentes de mão de obra qualificada. Por isso, muitas companhias firmam parcerias com escolas para capacitar seus profissionais.
Uma das vantagens é terminar os estudos já com uma profissão, antes mesmo de cursar uma faculdade.
Os cursos técnicos foram criados por Getúlio Vargas, na década de 1930, e vêm demonstrando grande crescimento. Segundo o Censo escolar de 2010, perto de um milhão e meio de alunos estão matriculados no ensino profissional, distribuídos por vários setores, chamados de eixos tecnológicos.
(Veja São Paulo, 05.10.2011. Adaptado)
Considere a frase destacada.
Em – Novas vagas são abertas diariamente pelas empresas brasileiras, mas elas ainda estão carentes de mão de obra qualificada. – substituindo-se mas por embora, tem-se:
Questão 12 618460
CTI (UNIFICADO) 2012Leia o texto para responder à questão.
Os cursos técnicos ou profissionalizantes têm ganhado cada vez mais popularidade entre os brasileiros. Elaborados para capacitar as pessoas com base prática e teórica em diferentes ramos, os cursos têm público composto por quem busca acelerar o aprendizado de uma profissão e a entrada no mercado de trabalho.
Novas vagas são abertas diariamente pelas empresas brasileiras, mas elas ainda estão carentes de mão de obra qualificada. Por isso, muitas companhias firmam parcerias com escolas para capacitar seus profissionais.
Uma das vantagens é terminar os estudos já com uma profissão, antes mesmo de cursar uma faculdade.
Os cursos técnicos foram criados por Getúlio Vargas, na década de 1930, e vêm demonstrando grande crescimento. Segundo o Censo escolar de 2010, perto de um milhão e meio de alunos estão matriculados no ensino profissional, distribuídos por vários setores, chamados de eixos tecnológicos.
(Veja São Paulo, 05.10.2011. Adaptado)
O principal objetivo desse texto é
Questão 8 481938
IFNMG 2012TEXTO l
Chuva pode piorar em Minas no fim de semana
Defesa Civil Estadual alerta para chuva significativa ao longo do dia em áreas dos vales do
Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce

Nos primeiros quatro dias do ano, choveu em Belo Horizonte 181 milímetros
[1] Nesta quinta-feira, a presença de uma frente fria entre o litoral do Espírito Santo e Bahia
juntamente com a umidade vinda da Amazônia mantêm o tempo mais nublado e chuvoso na faixa
leste de Minas Gerais.
Ao longo do dia, há chance de chuva significativa com acentuado volume de precipitação,
[5] especialmente em áreas dos vales do Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce. Áreas onde ainda se deve
redobrar cuidado, por causa dos alagamentos, deslizamentos de terra e elevação de nível dos rios. As
temperaturas diurnas sofrem uma ligeira elevação em boa parte do estado.
A chuva continua castigando Minas Gerais e a previsão é de tempo instável até sexta-feira
(6). No entanto, o alerta maior é para o final de semana, quando uma nova frente fria deve chegar ao
[10] estado, trazendo fortes temporais, segundo o meteorologista Ruibran dos Reis.
Nos primeiros quatro dias do ano, choveu em Belo Horizonte 181 milímetros, o que
corresponde a 62% da média esperada para o mês de janeiro. Conforme o meteorologista, no mês de
dezembro do ano passado, choveu 789 milímetros, 145% acima do previsto. Na capital, a mínima
desta quarta-feira (4) foi de 18º e a máxima de 28º.
[15] Na Zona da Mata e na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a chuva deu uma trégua
mas não parou completamente. Pela manhã o sol chegou a aparecer, porém as pancadas de chuva
voltaram na parte da tarde. A situação ainda é crítica para deslizamento de terra e enchentes, pois o
excesso de chuva deixou o solo encharcado e o nível dos rios acima do normal.
Nas regiões mineiras mais próximas da Bahia e do Espírito Santo, a chuva aumentou,
[20] desde terça-feira (3), com o deslocamento de uma frente fria.
Em São Romão, na região Noroeste de Minas, choveu 111 milímetros entre 9 horas de
terça e 9 horas desta quarta. Metade desta chuva, 51 milímetros, caiu em apenas um hora, entre 18 e
19 horas da noite de terça.
A frente fria que permanece sobre o Norte de Minas Gerais vai provocar mais chuva até a
[25] noite na região Noroeste, no Vale do Rio Doce, no Vale do Jequitinhonha e no Espírito Santo. Há
risco de chuva forte e volumosa nestas áreas.
Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/minas/chuva-pode-piorar-em-minas-no-fim-de-semana-1.389289. Acesso em 04 jan 2012.
TEXTO II

Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/colunas-artigos-e-blogs/blogs/blog-do-lute-1.12104/charge-do-dia-1.389669. Acesso em 04 jan 2012.
Relacionando “Chuva pode piorar em Minas no fim de semana” (texto I) ao conteúdo do cartum (texto II), assinale a afirmativa CORRETA.
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)