Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 3 611482
IF Sertão 2019Leia o texto:
Exercício de Redação
Cecília Meireles
Mariazinha fez sete anos e foi matriculada na escola.
A escola fica bastante longe de casa, e Mariazinha faz uma longa caminhada, todas as manhãs, carregando uma ardósia, um lápis, uma cartilha e um caderno.
O único defeito de Mariazinha é ser muito pobre (isso é defeito, professora?).
Por ser muito pobre, Mariazinha recebe merenda e uniforme da escola. Se a escola pudesse, dava-lhe um par de sapatos, porque os seus estão muito velhos.
A professora gosta muito de Mariazinha. Ela tem lindos olhos castanhos, cabelos crespos, e está mudando os dentes, o que a torna muito engraçada.
Os pais de Mariazinha também gostam muito da escola e da professora, porque, além de ganhar uniforme e merenda, a menina aprendeu várias letras em três meses e está na lista dos que vão ser alfabetizados este ano.
Está, não – estava: porque aconteceu uma coisa muito triste.
Ontem, Mariazinha foi para a escola, como de costume, acompanhada por uma vizinha que leva, todos os dias, várias crianças.
Mariazinha estava muito animada. Fez um exercício muito caprichado.
Apenas uma coisa a incomodava: é que a presilha do sapato estava descosida e o sapato caía do pé.
A professora ainda disse: “Você vai ganhar um par de sapatos, Mariazinha”. E ela sorriu, encantada (um par de sapatos custa trinta cruzeiros).
Quando Mariazinha saiu da escola, as outras crianças, suas companheiras, foram andando com o portador; mas, como o sapato saía do pé, Mariazinha abaixou-se à porta da escola para ver se consertava ainda uma vez a presilha.
Foi quando o policial apitou. O automóvel não pôde parar, deu uma volta pela rua, apanhou Mariazinha, jogou-lhe para longe a ardósia, o lápis, o caderno e a cartilha. Mariazinha morreu no hospital.
O motorista disse que a culpa foi do guarda, que apitou quando o automóvel já vinha perto demais.
O guarda disse que a culpa foi do motorista, porque vinha com excesso de velocidade.
Os vizinhos disseram que a culpa foi da rua, porque não tem sinal de parada, que se aviste de longe.
As outras crianças disseram que a culpa foi de Mariazinha, porque ficou sentada na pedra, em lugar de ir logo para casa.
Os pais de Mariazinha não disseram nada, porque ficaram como loucos, sem entender como é que a menina podia estar morta.
A professora de Mariazinha achou que a culpa foi da presilha do sapato, que estava descosida e não a deixava andar. E dizia, inconsolável: “Por que não lhe dei logo um par de sapatos? Por que não consertei aquela presilha? Por que não temos uma agulha grossa, para dar um ponto no sapato? Por que não acreditamos que as pequenas coisas podem ter grandes efeitos?”
Mas houve outras pessoas que acharam que o que tem de acontecer tem muita força, e que o sapato tinha de estar descosido, para Mariazinha morrer daquela maneira.
A escola é muito pobre. Não pode distribuir calçado.
As crianças levaram flores para Mariazinha morta. Custaram cinquenta cruzeiros.
(https://gustibuseconomia.com/2015/07/14/exercicio-de-redacaouma-bela-cronica-de-cecilia-meireles/)
A construção de uma narrativa também pode evidenciar o contexto temporal. Assinale a alternativa com elementos que situam o fato narrado num passado distante.
Questão 3 610250
IFRR 2019Considere a obra “Um garoto consumista na roça” para responder à questão de Língua Portuguesa:
Considere as afirmações como verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) O pai de Tino é descrito como um defensor do meio ambiente. Sua participação em movimentos relacionados a questões ambientais era vista como negativa pela família. Afinal, nem sempre ele tinha conhecimento de causa, além de, às vezes, assumir uma postura radical e, por isso, era chamado de “ecochato”.
( ) A mãe de Tino é descrita como uma mulher moderna e sorridente. Por ser Diretora de Marketing em uma agência de publicidade, suas roupas seguem um estilo clássico, tradicional e ao mesmo tempo romântico, afinal, Inês é uma pessoa sem apego a bens materiais de valor econômico determinado pela marca.
( ) Tino foi bem recebido pelos parentes de Bom Jesus de Camanducaia, mas durante sua estada ocorreram conflitos que transformaram a vida do garoto em um tormento. Somente seu tio Milton compreendia suas angústias e se esforçava para que ele se sentisse à vontade entre os seus familiares.
( ) Quando Tino viu seus parentes de Bom Jesus de Camanducaia pela primeira vez, definiu-os como “caipiras” porque, dentre outros fatores, eles demonstraram estranheza pelo fato dele usar brinco na orelha esquerda.
Marque a sequência correta:
Questão 11 601732
CEFET MG 2019Texto
Prezado Sr. Opalka,
é com grande pesar que levo ao conhecimento de V.Sa. que seu filho, o Sr. Natanael Martins, se encontra internado, em estado grave, em nosso hospital. Ele rogou-me que lhe encaminhasse a carta anexa, a mim tão sofridamente ditada.
Sinto-me na obrigação de dizer-lhe ainda que a progressiva debilidade do estado de saúde de seu filho tem, nos últimos dias, afetado a sua capacidade de entendimento e de raciocínio. Por isso, suplico-lhe, não se atenha aos detalhes e não julgue a carta por aquilo que ela diz, mas por aquilo que ela quer dizer.
STIGGER, Veronica. Opisanie Świata. São Paulo: SESI-SP, 2018. p. 7.
Texto
– Tome – disse Bopp, estendendo-lhe [a Opalka] um caderninho preto. – É um presente. Serve para fazer anotações. Para que o senhor escreva o que passou. Ajuda a superar. E a não esquecer. A gente escreve para não esquecer. Ou para fingir que não esqueceu.
Bopp se calou e, depois de um tempo, acrescentou:
– Ou para inventar o que esqueceu. Talvez a gente só escreva sobre o que nunca existiu.
STIGGER, Veronica. Opisanie Świata. São Paulo: SESI-SP, 2018. p. 145.
Os textos tratam, respectivamente, da carta de Natanael ao pai e do caderno que Bopp dá de presente a Opalka. Os trechos têm em comum a concepção de escrita como um(a)
Questão 5 483141
IFPR 2019TEXTO-BASE PARA A QUESTÃO.
Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
Mia Couto.
O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurônios*:
– É conta que se faz sem cabeça.
Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
– Faça as contas mestre.
Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os
razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
– A paixão é o mundo a dividir por zero.
*grafia usada em Moçambique
O TEXTO A SEGUIR JUNTAMENTE COM O ANTERIOR, DE MIA COUTO, SERVIRÃO DE BASE PARA A QUESTÃO.
Poesia matemática, Millôr Fernandes.
Às folhas tantas
Do livro matemático
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base.
Uma figura ímpar:
Olhos romboides, boca trapezoide,
Corpo ortogonal, seios esferoides.
Fez da sua
Uma vida Paralela à dela
Até que se encontraram
No infinito.
“Quem és tu?” indagou ele
Com ânsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me de Hipotenusa.”
E de falarem descobriram que eram
— O que, em aritmética, corresponde
A almas irmãs
— Primos entre si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.
Comparando o texto de Mia Couto, com o de Millôr Fernandes, pode-se afirmar que:
Questão 13 11548814
Pref. de São Paulo 9° Ano Prova Semestral 2018Leia o texto para responder à questão.
Cebola com sabor de sustentabilidade
Boa parte da cebola que vai ao prato dos brasileiros é colhida em terras catarinenses. Melhorar processos de produção é uma preocupação cada vez maior dos cebolicultores do Estado. A Epagri é parceira dos produtores e, por meio de pesquisa e extensão o sistema prevê o plantio das culturas sem mexer o solo. O resultado é uma produção muito mais sustentável. Protegido, o solo recupera a fertilidade, o que melhora a produção de cebola e reduz significativamente o uso de produtos químicos. Consequentemente, o agricultor gasta menos para produzir, tem menos trabalho e colhe muito mais. O consumidor sai ganhando com alimentos limpos e de qualidade, cultivados com respeito à natureza.
Disponível em: https://revistanews.com.br/2018/01/31/sc-cebola-com-sabor-de-sustentabilidade/ Publicado em: 31 de jan. de 2018. Acesso em: 01 de mar. de 2018. (Adaptado)
A “cebola com sabor de sustentabilidade” é aquela que
Questão 14 11299881
IFMS 2018Fantasias
Para mim o Halloween é a melhor festa do mundo. Melhor até que o Natal. Posso usar fantasia. Usar máscara. Posso andar por aí como qualquer outra criança fantasiada e ninguém me acha estranho. Ninguém olha para mim duas vezes. Ninguém me nota. Ninguém me reconhece.
Eu gostaria que todos os dias fossem Halloween. Poderíamos ficar mascarados o tempo todo. Então andaríamos por aí e conheceríamos as pessoas antes de saber como elas são sem máscara. [...]
Tenho fotos com todas as minhas fantasias de Halloween. A primeira foi de abóbora. A segunda de Tigrão. A terceira foi de Peter Pan (o papai se vestiu de Capitão Gancho). Na quarta vez me vesti de Capitão Gancho (o papai estava de Peter Pan). Na quinta fui de um astronauta.[...]
(Palacio, R. J. O Extraordinário. Tradução Rachel Agavino. 2 ed. Rio de Janeiro: Intrínseca. 2014. p. 56)
Com relação ao texto lido e à correta classificação dos tipos de sujeito das orações, analise as afirmativas a seguir.
I. “Posso usar fantasia.” – Sujeito oculto.
II. “Ninguém olha para mim duas vezes.” – Sujeito indeterminado.
III. “Poderíamos ficar mascarados o tempo todo” – Sujeito composto.
IV. “Eu gostaria que todos os dias fossem Halloween.” – Sujeito simples.
V. “Tenho fotos com todas as minhas fantasias de Halloween” – Sujeito simples.
Após essa análise, escolha a alternativa que contém somente afirmativas corretas.
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