Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 6 10174361
IFFar* 1° Ano - Processo Seletivo 2019Em Dobro
[01] Sabe aquele mendigo bem mendigo? Ele era
assim. Um mendigo grisalho. Daqueles que só
têm cobertores esfarrapados e falas desconexas.
Ou tão conexas, que a gente não entende. Encos-
[05] tado numa parede, perto do Mercado Central de
Belo Horizonte, ele via o vaivém. Na mesma calça-
da que era varrida pela gari. Baganas de cigarro,
pedaços de papel, folhas, poeira. Uniforme e cabe-
lo preso. Os turistas e os locais passando de lá para
[10] cá na correria da sexta-feira de Copa do Mundo.
O mendigo a mendigar. A gari a varrer.
O mendigo ali, vendo a gari. Ficou olhando
para ela, olhando o movimento rápido e ensaiado
da vassoura. Foi quando tirou do bolso uma nota
[15] amassada de cinco reais e estendeu ao ar. "Pegue,
pegue.", foi o que ele disse. A gari sorriu e, com edu-
cação, recusou. "Vá lá. Dê uma paradinha e tome
um guaraná”. O mendigo insistiu. A gari encolheu
os ombros como quem diz "fazer o quê?" e pegou a
[20] nota. Agradeceu rindo, meio constrangida.
Uma turista passava por ali. Viu e ouviu.
Se comoveu com a bondade do mendigo, com seu
desapego pelo que não tem. O mendigo viu a gari
suando no sol da tarde. Quis fazê-la um pouco fe-
[25] liz. Não havia segundas intenções que pudessem
macular a pureza da cena. A bondade verdadeira
não quer nada em troca. A bondade não é esmola.
É doação.
Fonte: MILMAN, Tulio. Em dobro. Jornal Zero Hora, edição de 30/06/14, p.2.
Para responder à questão, considere o segmento em destaque a seguir.
"Pegue, pegue." foi o que ele disse. A gari sorriu e, com educação, recusou. "Vá lá. Dê uma paradinha e tome um guaraná". O mendigo insistiu. A gari encolheu os ombros como quem diz "fazer o quê?" e pegou a nota. Agradeceu rindo, meio constrangida. (l. 15-20)
Sobre a dinâmica da interação representada ou a organização linguística do segmento, considere as afirmativas a seguir.
I → Participam do diálogo três personagens: o mendigo, a gari e a turista.
II → O termo com educação apresenta uma circunstância de modo em relação a uma ação praticada pelo mendigo.
III → Os verbos empregados para expressar a fala do mendigo estão conjugados no modo imperativo afirmativo.
Está(ão) correta(s)
Questão 16 10172216
CMC 1° Ano Prova de Portugues 2019TEXTO
SONETO XXXII
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.
Fazia, de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles
Perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!
Guilherme de Almeida
Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos-escolhidos acesso em 10 Outubro 2019.
Sobre a colocação pronominal, assinale a alternativa que completa corretamente a sentença a seguir:
O pronome em destaque em “Foram-se embora e não voltaram mais” (última estrofe) está na posição de:
Questão 4 10151577
CMS 1º Ano - Língua Portuguesa 2019TEXTO
Um Apólogo
(Machado de Assis)
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
– Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?
– Deixe-me, senhora.
– Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei
[5] sempre que me der na cabeça.
– Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada
qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
– Mas você é orgulhosa.
– Decerto que sou.
[10] – Mas por quê?
– É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
– Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?
– Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
– Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que
[15] eu faço e mando...
– Também os batedores vão adiante do imperador.
– Você é imperador?
– Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai
fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
[20] Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma
baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha,
pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a
melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana – para dar a isto uma cor poética. E dizia a
agulha:
[25] – Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa
comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima.
A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e altiva como
quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também,
e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic plic-plic da agulha no pano. Caindo o
[30] sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e
ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no
corpinho, para dar algum ponto necessário. E quando compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro,
arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:
[35] – Ora agora, diga-me quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem
é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das
mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre
agulha:
[40] – Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha
de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
– Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. (linhas 32 e 33)
De acordo com a análise do trecho acima, assinale a afirmativa correta.
Questão 9 10142412
CMBel 1°ano - Português 2019Leia o texto e responda à questão.
TEXTO
As Baleias
(Compositor e intérprete: Roberto Carlos)
Não é possível que você suporte a barra
De olhar nos olhos do que morre em suas mãos
E ver no mar se debater o sofrimento
E até sentir-se um vencedor nesse momento
Não é possível que no fundo do seu peito
Seu coração não tenha lágrimas guardadas
Pra derramar sobre o vermelho derramado
No azul das águas que você deixou manchadas
Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão
O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão
Como é possível que você tenha coragem
De não deixar nascer a vida que se faz
Em outra vida que sem ter lugar seguro
Te pede a chance de existência no futuro
Mudar seu rumo e procurar seus sentimentos
Vai te fazer um verdadeiro vencedor
Ainda é tempo de ouvir a voz dos ventos
Numa canção que fala muito mais de amor
Disponível em: www.vagalume.com.br. Acesso em: 06 ago. 2019.
(Compositor e intérprete: Roberto Carlos)
No trecho "Que eles viram em velhos livros ou nos filmes dos arquivos”, constata-se a presença de
Questão 4 10136870
CMC 1° Ano Prova de Portugues 2019TEXTO
A menina e a tempestade
[1] A garota costumava caminhar todos os dias até a escola. Uma tarde de tempestade, ela
começou a demorar muito; os ventos sopravam cada vez com mais força, os trovões e raios
sacudiam a vizinhança.
A mãe, preocupada, telefonou para a escola, e informaram que a menina já havia saído.
[5] Ao ver que ela não chegava, colocou uma capa de chuva, e saiu – imaginando que a filha
devia estar paralisada de medo, escondida talvez na casa de um vizinho, chorando, e esperando
a tempestade passar.
Para sua tranquilidade, assim que dobrou a esquina, viu a menina andando lentamente
em direção a casa; mas parava cada vez que caía um raio, olhava para o céu, e sorria.
[10] A mãe chegou correndo, colocou a menina debaixo de sua capa, e perguntou por que ela
tinha demorado tanto.
“Você não está vendo os flashes?”, disse a criança. “Deus está tirando fotos de mim”."
Paulo Coelho
Disponível em: http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/2010/07/08/a-menina-e-a-tempestade/ Acesso em 10 Outubro 2019.
O fragmento “Ao ver que ela não chegava, colocou uma capa de chuva, e saiu – imaginando que a filha devia estar paralisada de medo, escondida talvez na casa de um vizinho, chorando, esperando a tempestade passar.” (linhas 5 - 7) apresenta:
Questão 4 10134551
CMM 1º Ano - Língua Portuguesa 2019TEXTO
Tecnologia e juventude
Camila Achutti*
O jovem é fascinado pelas novas tecnologias – mas essa relação precisa ser trabalhada para ganhar maior responsabilidade. E, assim, gerar progresso.

(FOTO: THINKSTOCK)
Na semana passada, conversamos sobre como nossas crianças estão expostas ao usar as novas tecnologias. Mas e nossa juventude? Como ela está se comportando e se desenvolvendo nos tempos digitais? Certa vez, ouvi de um professor da ECA (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo) que tecnologia representava para o jovem um fascínio. Algo que é difícil de explicar para os adultos – aliás, essa é uma das poucas áreas em que eles têm desempenho melhor que os adultos. Pensa se você também não iria se fascinar se existisse um lugar, uma forma de criar modelos e culturas próprias distantes dos pais, da escola ou da sociedade. É fascinante construir relacionamentos com certo distanciamento e liberdade, dois aspectos intrínsecos à juventude. Mas é nesse fascínio que mora o perigo.
No livro Ideais na Adolescência: falta (d)e perspectivas na virada do século, Tiago Corbisier Matheus defendeu que a dificuldade na relação da juventude com a tecnologia reside no fato de os jovens não compreenderem que é preciso se comprometer com as ações realizadas no mundo virtual. Eles pensam que o ciberespaço não tem efeito algum sobre o mundo real. Aí está a explicação para cyberbullying (...) e novos comportamentos que não existiam antes. Mas será que é culpa da tecnologia? Não acredito. A recusa de se responsabilizar pelas próprias ações é característica da adolescência.
O papel da tecnologia foi ter trazido novos espaços e ferramentas que ampliaram os efeitos e danos desse comportamento. A internet, os aplicativos, os games e todo esse mundo virtual permitem a experimentação de papéis sociais, ampliam possibilidade de aprendizado, abrem as portas para um mundo.de informação e cultura. Tudo isso só auxilia na formação da identidade. Só precisamos ajudá-los a construir uma relação saudável com tudo isso.
Caso seja utilizada de forma adequada, a tecnologia pode se transformar em um superpoder para a juventude que tem vontade, disposição e ideal para realizar mudanças e quebrar paradigmas. (...) Precisamos trabalhar duro em direção a esse novo mundo que empodera o jovem de tecnologia e não permite que ele se torne vítima dessa nova economia. Ver a juventude ou a tecnologia como vilões e querer impossibilitar esse
relacionamento não é a melhor solução. É necessário que haja um equilíbrio e espaço para desenvolvimento e amadurecimento dessa relação.
É preciso olhar para estes jovens com outra perspectiva. Ver que eles podem ser agentes de mudança com o superpoder de saber usar tecnologia. Precisamos catalisar toda essa ousadia e habilidade para o lado bom. Para isso, professores, escolas e sociedade precisam mudar de forma urgente. Precisam aceitar que não dá mais para trabalhar com base em volume e memorização. Não dá mais pra ter palestra de 3 horas sem colocar esse aluno em posição ativa, protagonizando e criando. Eles têm a informação do planeta nas mãos. Por qual motivo não se valer disso?
*Camila Achutti é CTO e fundadora do Mastertech, professora do Insper e idealizadora do Mulheres na Computação.
Fonte: https://epocanegocios.globo.com/colunas/Novos-tempos/noticia/ 2018/04/tecnologia-e-juventude.html.
Nas últimas décadas, a discussão sobre o avanço tecnológico tem sido recorrente, e muitas vozes são ouvidas nos diálogos que se estabelecem. Sobre esse tópico, a autora do texto “Tecnologia e juventude”, Camila Achutti, expõe, exclusivamente, sua voz ao enunciar que:
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