Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 14 10541950
OBJETIVO 9º Ano - Português 2020Texto - DIMINUTIVOS
Sempre pensei que ninguém batia o brasileiro no uso do diminutivo, essa nossa mania de reduzir tudo à mesma dimensão, seja um cafezinho, um cineminha ou uma vidinha. Só o que varia é a inflexão da voz. Se alguém diz, por exemplo, “Ó vidinha!” você sabe que ele está se referindo a uma vida com todas as mordomias. Nem é uma vida, é um comercial de cigarro com longa metragem. Um vidão. Mas se disser “Ah vidinha...” o coitado está se queixando dela e com toda a razão. Há anos que o seu único divertimento é tirar sapatos e fazer xixi. Mas nos dois casos o diminutivo é usado com o mesmo carinho.
O francês tem o seu tout petit peu, que não é um diminutivo, é um exagero. Um “pouco todo pequeno” é muita explicação para tão pouco. Os mexicanos usam o poco, o poquito e – menos ainda do que o poquito – o poquetim! Mas ninguém bate o brasileiro.
Era o que eu pensava até o dia, na Itália, em que ouvi alguém dizer que alguma coisa duraria um mezzoretto. Não sei se a grafia é essa mesma, mas um povo que consegue, numa palavra, reduzir uma meia hora de tamanho – e você não tem nenhuma dúvida de que um mezzoretto dura os mesmos 30 minutos de uma meia hora convencional, mas passa muito mais depressa – é invencível em matéria de diminutivo.
O diminutivo é uma maneira ao mesmo tempo afetuosa e precavida de usar a linguagem. Afetuosa porque geralmente o usamos para designar o que é agradável, aquelas coisas tão afáveis que se deixam diminuir sem perder o sentido. E precavida porque também o usamos para desarmar certas palavras que, na sua forma original, são ameaçadoras demais.
Operação, por exemplo. É uma palavra assustadora. Pior do que intervenção cirúrgica, porque promete uma intromissão muito mais radical nos intestinos. Uma operação certamente durará horas e os resultados são incertos. Suas chances de sobreviver a uma operação... sei não. Melhor se preparar para o pior.
Já uma operaçãozinha é uma mera formalidade. Anestesia local e duas aspirinas depois. Uma coisa tão banal que quase dispensa a presença do paciente.
– Alô, doutor? Olha, aquele meu quisto no braço direito que nós íamos tirar hoje? A operaçãozinha?
– Sim.
– Não vou poder ir, mas o Asdrúbal vai no meu lugar
– O Asdrúbal?
– Meu assistente direto aqui na firma. Homem de confiança.
– Mas ele vai fazer a operaçãozinha por você?
– Ele é o meu braço direito, doutor.
Se alguém disser que precisa ter uma conversa com você, cuidado. É coisa da maior importância. Os próprios destinos do Pacto do Atlântico podem estar em jogo. Uma conversa é sempre com hora marcada.
Já uma conversinha raramente passa do nível da mais cândida inconsequência. E geralmente é fofoca. A hora para uma conversinha é sempre qualquer hora dessas.
Num jogo você arrisca tudo, até a hora. Num joguinho aceita-se até o cheque frio.
Entre ter um caso e ter um casinho a diferença, às vezes, é a tragédia passional.
No Brasil, usa-se o diminutivo principalmente com relação à comida. Nada nos desperta sentimentos tão carinhosos quanto uma boa comidinha.
– Mais um feijãozinho?
O feijãozinho passou dois dias borbulhando num daqueles caldeirões de antropófagos com capacidade para três missionários. Leva porcos inteiros, todos os miúdos e temperos conhecidos e, parece, um missionário. Mas a dona da casa o trata como um mingau de todos os dias.
– Mais um feijãozinho?
– Um pouquinho
– E uma farofinha?
– Ao lado do arrozinho?
– Isso.
– E quem sabe uma cervejinha?
– Obrigadinho
diminutivo é também uma forma de disfarçar o nosso entusiasmo pelas grandes porções. E tem um efeito psicológico inegável. Você pode passar horas tomando cervejinha em cima de cervejinha sem nenhum dos efeitos que sofreria depois de apenas duas cervejas.
– E agora, um docinho.
E surge um tacho de ambrosia que é um porta-aviões.
(Luis Fernando Veríssimo. Diminutivos. Comédia da vida privada. 101 crônicas escolhidas. Porto Alegre: LP&M, 1994.)
A linguagem empregada no texto foi usada com a finalidade de
Questão 83 10541907
ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2020Escola é uma coisa. Educação é outra. As duas nem sempre se sobrepõem. Estando ou não na escola, é sempre sua tarefa melhorar a sua educação.
Você tem que ser curioso com relação ao mundo em que vive. Confira. Investigue cada referência. Vá mais fundo do que qualquer outro — é assim que você irá em frente.
KLEON, A. Roube como um artista: 10 dicas sobre criatividade. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.
No texto, a expressão coloquial utilizada para aproximar-se do leitor fica evidenciada em
Questão 78 10541893
ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2020
Disponível em: www.mogidascruzes.sp.gov.br. Acesso em: 15 ago. 2014.
Para tentar manter os níveis de arrecadação registrados nos últimos anos, a Campanha do Agasalho em questão utilizou um argumento verbal baseado na
Questão 64 10541845
ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2020Esses folhetos de feira
Que chamamos de cordel
Com as regras definidas,
Com seu formato fiel,
Esse é todo brasileiro
E nós temos a granel.
[...]
Cordel é literatura,
Põe o romance no verso,
Traz ciência, conta história
Que se passou no universo,
Abre o olho do leitor
Se um governo é perverso.
BRAGA, M. O cordel em cordel. João Pessoa: s.n., s.d. (fragmento).
A importância social do cordel destacada no texto é seu poder de
Questão 22 10450840
CMB 1º Ano - Matemática e Português 2020Texto

Na construção do Texto e na mensagem por ele veiculada, observa-se a utilização de diferentes elementos verbais e não verbais.
Assinale a alternativa correta em relação às informações prestadas por ele.
Questão 14 10450798
CMB 1º Ano - Matemática e Português 2020Texto - Posto, logo existo
Começam a surgir alguns debates sobre as consequências de se passar tanto tempo conectado à
internet. Já se fala em saturação social, inspirado pelo recente depoimento de um jornalista do The New
York Times que afirmou que sua produtividade no trabalho estava caindo por causa do tempo consumido
pelo Facebook, Twitter e agregados, e que hoje ele se vê diante da escolha entre cortar seus passeios de
[5] bicicleta ou alguns desses hábitos digitais que o estão consumindo.
Antropofagia virtual. O Brasil, para variar, está atrasado (aqui, dois terços dos usuários ainda
atualizam seus perfis semanalmente), pois no resto do mundo já começa a ser articulado um movimento
de desaceleração dessa obsessão por conexão: hotéis europeus prometem quartos sem wi-fi como
garantia de férias tranquilas, empresas americanas desenvolvem programas de software que restringem
[10] O acesso à web e na Ásia crescem os centros de recuperação de viciados em internet. Tudo isso por uma
simples razão: existir é uma coisa, viver é outra.
Penso, logo existo. Descartes teria que reavaliar esse seu cogito, ergo sum, pois as pessoas trocaram
o verbo pensar por postar. Posto, logo existo.
Tão preocupadas em existir para os outros, as pessoas estão perdendo um tempo valioso em que
[15] poderiam estar vivendo, ou seja, namorando, indo à praia, trabalhando, viajando, lendo, estudando,
cercadas não por milhares de seguidores, mas por umas poucas dezenas de amigos. Isso não pode ter se
tornado tão obsoleto.
Claro que muitos usam as redes sociais como uma forma de aproximação, de resgate e de
compartilhamento. Se a pessoa está no controle do seu tempo e não troca O real pelo virtual, está fazendo
[20] bom uso da ferramenta. Mas não tem sido a regra. Adolescentes deixam de ir a um parque para ficarem
trancafiados em seus quartos, numa solidão disfarçada de socialização.
Isso acontece dentro da minha casa também, com minhas filhas, e não adianta me descabelar, elas
são frutos da sua época, sua turma de amigos se comunica assim, e nem batendo com um gato morto na
cabeça delas para fazê-las entender que a vida está lá fora. Lá fora!!
[25] O grau de envolvimento delas com a internet ainda é mediano e controlado, mas tem sido agudo
entre muitos jovens ingênuos, que se deixam fotografar, mostrando o resultado de suas inseguranças,
num exibicionismo triste, pobre, desvirtuado. São garotos e garotas que não se sentem com a existência
comprovada, e para isso se valem de exposições na esperança de deixarem de ser “ninguém” para se,
tornarem “alguém”, mesmo que alguém comum.
[30] Casos avulsos, extremos, mas estão aí, ao nosso redor. Gente que não percebe a diferença entre
existir e viver. Não entendem que é preferível viver, mesmo que discretamente, do que existir de
mentirinha para 17.870 que não estão nem aí.
Disponível em: https://armazemdetexto.blogspot.com/2017/1 1 texto-posto-logo-existo-martha-medeiros.html (com adaptações). Acesso em: 10 de set. de 2020.
Com base nas relações morfológicas estabelecidas nos excertos do Texto a seguir, assinale a única alternativa correta.
I. “Descartes teria que reavaliar esse seu cogito, ergo sum...” (linha 12).
II. “Gente que não percebe a diferença entre existir e viver.” (linhas 30 e 31)
III. “Não entendem que é preferível viver.” (linha 31)
Os termos em destaque são respectivamente:
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