Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 1 10993777
IFCE* 2023Leia o texto que segue.
A Pianista
Machado de Assis
[1] Tinha vinte e dois anos e era professora de piano. Era alta, formosa, morena e modesta. Fascinava e impunha respeito;
mas através do recato que ela sabia manter sem cair na afetação ridícula de muitas mulheres, via-se que era uma alma ardente
e apaixonada, capaz de atirar-se ao mar, como Safo ou de enterrar-se com o seu amante, como Cleópatra.
Ensinava piano. Era esse o único recurso que tinha para sustentar-se e a sua mãe, pobre velha a quem os anos e a
[5] fadiga de uma vida trabalhosa não permitiam já tomar parte nos labores de sua filha.
Malvina (era o nome da pianista) era estimada onde quer que fosse exercer a sua profissão. A distinção de suas
maneiras, a delicadeza de sua linguagem, a beleza rara e fascinante, e mais do que isso, a boa fama de mulher honesta acima
de toda a insinuação, tinha-lhe granjeado a estima de todas as famílias.
Era admitida nos saraus e jantares de família, não só como pianista, mas ainda como conviva elegante e simpática,
[10] sendo que ela sabia pagar com a mais perfeita distinção as atenções de que era objeto.
Nunca se lhe desmentira a estima que em todas as famílias encontrava. Essa estima estendia-se até à pobre Teresa,
sua mãe, que participava igualmente dos convites que faziam a Malvina.
O pai de Malvina morrera pobre, deixando à família a lembrança honrosa de uma vida honrada. Era um pobre
advogado sem carta, que, à custa de longa prática, conseguira poder exercer as funções da advocacia com tanto sucesso como
[15] se houvera cursado os estudos acadêmicos. O mealheiro do pobre homem foi sempre um tonel das Danaides, escoando-se por
um lado o que entrava por outro, graças às necessidades de honra que o mau destino lhe deparava. Quando pretendia começar
a fazer pecúlio para garantir o futuro da viúva e da órfã que deixasse, deu a alma a Deus.
Tinha, além de Malvina, um filho, principal causa dos danos pecuniários que sofreu; mas esse, mal faleceu o pai,
abandonou a família, e vivia, na época desta narrativa, uma vida de opróbrio.
[20] Era Malvina o único amparo de sua velha mãe, a quem amava com um amor de adoração.
Edição referência: http://www2.uol.com.br/machadodeassis Publicado originalmente em Jornal das Famílias 1866 Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/fs000068pdf.pdf Acesso em: 20 de setembro de 2022.
“[...] através do recato que ela sabia manter sem cair na afetação ridícula de muitas mulheres, [...]” (linha 2)
I. Ausência de espontaneidade ou naturalidade na atitude, nos gestos e/ou nas palavras.
II. Comportamento pedante e presunçoso.
III. Exagero ou fingimento em demonstração de sentimento; falsidade.
Considerando o contexto, está em conformidade com o sentido do substantivo afetação o que está expresso em
Questão 10 10834604
COLUNI/UFV 1° Dia 2023/1Moacyr Scliar, na Introdução do livro “Histórias que os jornais não contam”, assume que em geral acreditaríamos que existe uma nítida linha divisória entre o real e o imaginário, entre o fato e a ficção, territórios pertencentes a vida e que o inspirariam a produção de textos. O autor declara que atrás de muitas notícias, haveria uma história esperando para ser contada.
Sobre as crônicas que compõem a obra, “Histórias que os jornais não contam”, é CORRETO afirmar que:
Questão 15 10777765
COLÉGIO SÓLIDO* 1º Ano 2023Leia o texto a seguir para responder à questão.
TEXTO
A Copa do Mundo é a melhor desculpa para conhecer de perto um país
A primeira lembrança que tenho de uma Copa do Mundo data de 1994.
Eu tinha 7 anos. Me recordo do gol de biquinho do Romário, do Bebeto balançando um bebê imaginário na comemoração e do pênalti para fora do Roberto Baggio, é claro, mas o que me lembro mesmo é das coisas que cercavam as partidas na televisão.
Minha família alugou uma casa na praia, e parentes e amigos de tudo quanto é canto se aboletaram por lá. A cada partida, era uma festa. Comida aos montes, primos disparando fogos de artifício e, no segundo seguinte ao chute que nos deu o tetracampeonato, eu e meu pai saímos correndo desembestados e pulamos na piscina com roupa e tudo.
Eu adoro futebol. Mas amo ainda mais as energias que ele é capaz de mobilizar.
[...]
Quando uma Copa do Mundo acontece, não são apenas os 32 times que entram em campo. As atmosferas são muitas, e existem muito além de quem tem ingresso na mão. Enquanto um país inteiro se faz de anfitrião, milhares de pessoas com origens, idiomas e vestimentas diferentes caminham e sonham juntas.
Há gente que participa pintando as ruas, estendendo bandeiras, recebendo os amigos, fazendo festa ou protestando contra gastos ou políticas absurdas. Entender como todas essas histórias coexistem e se desenrolam – às vezes dentro de uma só pessoa –, é o que, para mim, o maior evento esportivo do planeta tem de melhor a oferecer.
[...]
Fonte: https://www.360meridianos.com/2018/02/copa-do-mundo-conhecer-pais.html
Com base na norma-padrão da língua e nos elementos de coesão utilizados para a progressão temática do texto, assinale a alternativa CORRETA.
Questão 5 10777751
COLÉGIO SÓLIDO* 1º Ano 2023Leia os textos a seguir para responder à questão
TEXTO
“Não se pode pensar a violência no futebol desvinculada da sociedade brasileira. Vivemos em uma sociedade cada vez mais violenta, tanto da parte da dinâmica social como da parte das autoridades policiais, que deveriam zelar pela segurança dos cidadãos”, resume Flávio de Campos, coordenador do Ludens (Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Futebol e Modalidades Lúdicas), da USP (Universidade de São Paulo). [...] A reincidência dos casos de violência no futebol, claro, também tem muito a ver com a impunidade. É muito raro que haja, de fato, punições firmes às pessoas envolvidas nos casos. O cenário se mostra bem diferente do observado, por exemplo, na Inglaterra, que sofria com os chamados hooligans nos anos 1980 e resolveu a questão com penas severas e prisões.
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2022/07/escalada-de-violencia-no-futebol-acompanha-brutalidade-foradele.shtml
No texto, a fala do coordenador Flávio Campos é apresentada por meio do discurso
Questão 18 10771083
EPCAR 2023TEXTO
Dia 22
Às 2 ½ horas da madrugada de ontem, um indivíduo,
que corria da rua da Relação em direção à repartição da
polícia, caiu morto junto à porta principal do edifício,
apresentando no peito um profundo ferimento.
[5] Ato contínuo um outro indivíduo, que também se
achava ferido no rosto, parou junto ao cadáver procurando
certificar-se se o indivíduo que ali se achava caído estava
com vida.
Tornando-se o referido indivíduo suspeito, foi
[10] imediatamente preso e apresentado ao Sr. Dr. Carijó,
1º delegado auxiliar.
/.../
Ontem pela manhã apareceram no necrotério três
praças da brigada policial, entre os quais se achava
[15] Antonio Primeiro, pertencente à 6ª companhia, que
declarou reconhecer o cadáver como o de João Ferreira
da Silva, ex-corneta da brigada policial, de onde teve baixa
há cerca de três meses.
/.../
[20] Silva era casado com Maria Virginia da Costa, com a
qual residia, em companhia de dois filhos menores, na
casinha nº 19 da estalagem da rua do Rezende, nº 109.
Segundo nos informou Maria Virginia, seu marido era
homem pacato, de bons costumes e trabalhava como
[25] servente de pedreiro em umas obras da rua Francisco
Muratori.
Disse mais que seu marido havia estado no botequim
no 64 da referida rua, ponto de reunião de indivíduos
suspeitos, não regressando mais à casa.
Dia 23
[30] O Sr. Dr. Carijó, 1º delegado auxiliar, auxiliado por
seu escrivão o Sr. major Luiz de Andrade, já descobriu o
fio do misterioso assassinato de João Ferreira da Silva,
perpetrado na rua da Relação, na madrugada de 21 do
corrente mês.
[35] Já depuseram no inquérito muitas testemunhas, entre
as quais se acham os dois soldados de polícia que
rondaram a referida rua e a dos Inválidos, José Teixeira da
Silva, Balbino Ferreira de Oliveira, Pedro da Costa, Manuel
de Souza e Silva, Maria Regina da Costa e outras pessoas
[40] que estiveram com o falecido no botequim nº 64 da rua do
Rezende, de onde saíram em serenata.
A autoridade policial espera em breve descobrir o
verdadeiro assassino para entregá-lo à ação da justiça.
Segundo trata C. Lombroso* em seu livro intitulado
[45] L´Uomo delinquente, publicamos em seguida as tatuagens
verificadas no corpo de Manuel de Sousa e Silva pelos
Drs. Moraes Brito e Cunha Cruz.
Manuel de Sousa e Silva, de cor branca, com 21 anos
de idade, português, solteiro, morador à rua
[50] Resende, nº 109.
Apresenta uma ferida incisa na região tenar**, dois
centímetros de extensão, dirigida de cima para baixo, de
dentro para fora, na mão esquerda; apresenta, entre
outras, as seguintes tatuagens: um crucifixo na face
[55] anterior do braço esquerdo; um signo de Salomão, na face
externa do mesmo braço; as iniciais I. M. C. (Isaura Maria
da Conceição) isto no dorso da mão do mesmo lado; no
dorso da mão direita um signo de Salomão; na face
anterior do antebraço, do mesmo lado um coração, com
[60] ápice para baixo, atravessado por uma seta, e um punhal
em cruz; na área representada pelo coração, as iniciais M.
S. S. (Manuel de Sousa e Silva); por baixo dessas iniciais,
e na mesma área, as iniciais S. E. S. (Sara Escaldina dos
Santos); por sobre o coração, na mesma face do braço,
[65] uma estrela; sobre a estrela, uma fita com as iniciais M. S.
F. (Maria da Silva Fidalga); por sobre a fita as iniciais M. J.
R. C. (Maria Joaquina Rosa da Conceição); no peito, na
região precordial, um coração atravessado por dois
punhais em cruz. Uma figura de mulher e outra de homem,
[70] em colóquio amoroso, na face anterior do braço direito.
*Cesare Lombroso (1835-1909) foi criminologista italiano,
autor entre outros livros de L’uomo delinquente (1876), e
muito influente na época, embora em boa parte
desacreditado hoje. Achava que a criminalidade era
hereditária, e que os criminosos podiam ser reconhecidos
por certos traços e defeitos físicos, inclusive o uso excessivo
de tatuagem.
** tenar: palma da mão.
Dia 24
Sobre o assassinato de João Ferreira da Silva,
perpetrado na rua da Relação, temos a acrescentar o
seguinte:
O Sr. Dr. Carijó, 1º delegado auxiliar, conseguiu
[75] descobrir e prender todos os indivíduos que, na noite do
crime, estiveram em serenata com a vítima /.../.
O Sr. Dr. Souza Lima, lente* da Academia de
Medicina, requisitou ontem do Sr. Dr. Carijó a presença de
Manuel de Souza e Silva, o homem tatuado de que
[80] tratamos ontem na nossa notícia.
À 1 hora da tarde, na aula de medicina legal, fez uma
pequena preleção aos seus alunos sobre os indivíduos
tatuados de que trata o professor Lombroso,
apresentando-lhes Souza e Silva como um dos indivíduos
[85] que deviam estar sempre sob as vistas da polícia por isso
que os desenhos de tatuagem que apresentava no corpo
eram descritos pelo sábio escritor italiano em seu livro
L´Uomo delinquente, os quais demonstraram ser uma
cópia fiel dos que existiam no citado livro.
* lente: professor de escola superior ou secundária.
Dia 25
[90] O Sr. Dr. Carijó, prosseguindo no inquérito sobre o
assassinato de João Ferreira da Silva, chegou à
conclusão de que o autor do crime foi Manuel de Souza e
Silva, vulgo Nené, o qual já cumpriu pena há anos
passados por crime de morte.
[95] Nené é o indivíduo que, conforme noticiamos,
apresenta o corpo cheio de tatuagens.
/.../
Pelos depoimentos das testemunhas, vê-se que o
móvel do crime foram os ciúmes de Nené por causa de
[100] uma mulher.
(ASSIS, Machado de. A Semana – 165. Edição, apresentação e notas por John Gledson. In: Machadiana Eletrônica, Vitória, v. 4, n.9, p. s-s, jul.-dez. 2021.- com adaptações.)
No Texto, na conclusão do inquérito, que atribuiu a autoria do crime a Manuel de Souza e Silva, teve papel decisivo a
Questão 11 10768551
COLTEC 2023Sobre a narração da obra Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, é CORRETO afirmar que
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